MYKOLA SZOMA

Poesia Vol. IV

------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

 

Tudo em paz

Ok! Tudo em paz...
No silêncio da amplidão dos espaços
quero gritar: LIBERDADE DE EXPRESSÃO!
É o que faz a gente construir o mundo real!

Liberdade de expressão
para Pastor Silas Malafaia.
A inquisição -- não pode retornar,
de jeito nenhum!
Amém!!!

A "repressão" às idéias
começa aos poucos. Depois,
quando ela se instala, a dificuldade
é quse intransponível para se livrar dela.

Não permitamos que ela germine...
Ajamos, antes que seja tarde.
Cortemos o mal pela raiz.
Liberdade à expressão!

Ioani Sánchez!
Estamos com você...
Você é "bardo" livre da palavra livre,
não tema -- da vida os percalços.
Logo ali, vitória perene lhe sorri!

Ok! Nem tudo é sempre paz...
Algumas nuvens podem fazer-nos bem,
refrescam, do escaldante sol, os raios
Depois, permitem que andemos
mais alguns passos mais além.

Ok! Tudo em paz.
Nada mais quero, do que gritar
-- Grite você comigo:
"Quero expressar meus sentimentos com
Liberdade de Expressão", também!

Quem é Avaaz?

 
Avaaz! Assim n ão se faz!!!
Quem sois vós? 
O que buscais? 
O que quereis? 
 
Sois parciais e infiéis 
a si e aos seus papeis 
de portadores de de direitos. 
Sois mais tortos 
que os pasteis queimados 
na frigideira de óleo reusado 
e sem valor? Sim, senhor! 
 
Assim não se faz direito 
o direito de cuidar 
dos direitos dos humanos direitos!
Por favor, revejamos esses mal feitos. 
Ou talvez nunca tivestes nenhuns feitos?..
 
Ok! Tudo em paz...
No silêncio da amplidão dos espaços 
quero gritar: LIBERDADE DE EXPRESSÃO! 
É o que faz a gente construir o mundo real!!!
E sem maldade, sem nenhum mal
-- sem qualquer mal, 
sem o mal de não permitir a outrem falar --
 
Cada qual de nós.
Nós, eu e você, ele também
queremos falar... Ninguém deve nos cercear!..
Falar, falar. E falar a verdade, sem tergeversar!
É isso a expressão de palavra.
É isso a construção de um mundo real!
Construir, sem destruir a realidade de outrem,
desde que ele construa também sem nos difamanr!..
 
Eu só queria saber quem é e o que quer
essa tal de Avaaz.
 
Grande nova evolução

Por entre os interstícios estelares
-- ali nos grandes epaços siderais,
pululam raios cósmicos
de ondas ímpares;
Bailando informações inusitadas,
Que se requebram, contorcendo-se,
ao som de suas canções habituais.

São cantos estrondoetéreos
ecoando ao longo de escuros aéreos;
Que movem o mundo ao abismo profundo
-- infinitas dimensões,
das quais não temos proporções.
Dimensões essas inusitadas,
jamais ponderadas e desabituais.

Mnipuláveis pelas humanas mãos --
eternamente insaciáveis.
Por leis nenhumas limitáveis, assim
Transformam-se em "ígneos" bailados
num compasso expansivo da contração
-- da mente
-- da razão. Sem solução
             -- ora explodindo
             -- ora implodindo.
Determinam os caminhos novos
da "grande" nova evolução!..

São raios "cósmicos"
da Nova Ordem em ação.  
Nem é preciso nenhum Sansão.

Milhares de milhões de elementos magnos
-- em disputa coordenada e leal,
segundo a lei suprema, do mando mundial,
expande os efeitos da física moderna.
E todos cumprem -- forçosamente,
o traçado artístico orbital.
Um traçado jamais havido igual!

-- "Uni-vos todos!"
Não haja mais as diferenças.
Que todos tenham as mesmas crenças.
Que todos tenham os mesmos ideais.
Sois todos filhos da natureza
-- imponderantes. Sois marsupiais!

'Milênios' de anos luz já se passaram
E os bailados dos universos
nem por instantes se desconcentraram.
Precisa e fielmente,
caminhos seus escuros e gelados,
por entre os interstícios estelares
dos grandes espaços siderais viajaram.

São raios cósmicos
-- gigantes micro infinitos,
que sempre nos vigiaram,
ainda nos vigiam!?

De nossas vidas povoam os horizontes.
Perturbamńos acerbadamente --
Vez outra, enviandńos um Xenofonte!..

São raios cósmicos
ao som de suas canções infinitesimais
baailando segundo leis físicas espaciais.
 
Bonecos da fé

Marionete,
fantoche,
mamulengo,
ou jôruri.

Em qual desses bonecos
tu -- porventura,
te sentes agora enquadrado?

Talvez, te achas
um ator de teatro
-- Que encenas
uma peça de circo.

Um circo "moderno"
que explora a face
de mísera madre --
de um incauto mané?

Tens as mãos coloridas de prata.
Os teus pensamentos, têem brilho de ouro.
Para as nuvens levantas a tua cabeça
-- pedindo que as chuvas
da miséria o calor arrefeçam. Dos irmãos
que rodeiam-te insanes, se compadeçam...
E tu nada fazes!..
-- Que se danem os sonhadores.
-- Apenas lhes dizes: "Não esmoreçam!"

Não posso negar
Que o teu canto é belo.
Em ondas sonoras transformas,
das parcas moedas, os valores reais...

Tu és tão moderno
que não mais te atreves
seguir regras antigas de Credos.
Transformaste o templo em casebre de zinco.
A choça tornou-se um encontro
de sabores de espetos
-- de chuletas e de costelas,
de irmandades comunitárias...
Todas fictícias, nada reais!

Agora, nada custa-me te perguntar:
Em qual categoria tu te enquadras
-- serás um marionete?
-- serás um fantoche?
-- serás um mamulengo?
Ou serás tu mais sofisticado
-- um jôruri, bem "aplainado"?

As categorias não são minhas.
Tomei-as emprestado.
Descubra -- quem as inventou,
aquele que se sentir incomodado.
 
Amanhã, outra vez

Já é tarde.
Devo partir --
para as horas da noite.

Repousar no silêncio da noite.
Pensar no que o dia deixou-me.

Dias mais haverá. Outros dias
-- melhores. Talvez,
mais felizes que o dia de hoje.

Porém não estou reclamando,
apenas registro o fato passado.
Na penumbra da noite
-- que já está chegando,
como coisa esquecida,
será anotado!

Um dia que foi.
Um dia passado.

Amanhã voltarei.
Outra vez e, de novo, estarei
falando de coisas que durante
a noite tranquila sonhei...
Mas se isso se der
-- se por acaso,
algo tiver eu sonhado...

Amanhã voltarei outra vez.
Se o destino deixar-me --
Direi que te amo, de novo.
E, nos meus braços,
sentirei o teu corpo
de novo e mais uma vez.

Por hoje,
"boa noite"
-- de vez!

Ela era Noviça

Pelas estreitas ruasinhas da cidade
passeio matinal ela fazia. Costume.
Tão meiga e tão serena! Mas tão só!

E, num relance, jogou o seu olhar
por sobre os ombros de um menino
à porta ancorado e cabisbaixo...
                    -- que dava dó!

Vociferou animalescamente o menino
Em sons, que eram mais grunidos --
O menino, estranhamente, articulou:

"... por que me olhas desse jeito?
Sou magro, feio...
Meu porte frágil, não te agradou?"

E ela, meigamente carinhosa,
serena e calma respirou... E
francamente repliecou:

"Menino meu!
Teu porte tão franzino
foi, justamente, o que
a minha atenção chamou.

Estupefata,
nem sei o que dizer...
Oh! que dor...
Sinto meu peito ducumbir
em ver-te
tão pequenino e já desprezado
(pela sorte abandonado)
extinguir-te, aos poucos,
na mísera fome.
Sem amor.

Agora sei
o que sentir-se abandonado.
Eu leio- no teu olhar desafiador!
Oh! Minh'alma chora dolorida...
Quero efetura-te meus préstimos sinceros.
Estendendo-te a minha mão e todo o meu amor.

Ainda bem, que te encontrei a tempo...
Está será a tua hora!
Estenda-me a frágil mão e juntos
caminhemos, sem demora..."

Já vislumbrando dias melhores
-- até da fome
o menino não mais lembrava.
Embora o seu estomago faminto
desesperadamente, ainda roncava.

Mias um menino triste salvou-se
das garras da miséria.
Graças à meiga e serena moça
que passeava solitária
por aquela abandonada artéria.

A moça era uma freira.
Noviça ainda.
Quando criança sonhara
salvar os homens da miséria.
 
Tu és aço-carbono
 
Os teus afetos são misturas
das decepções e dos encantos
de veres-te evolta em prantos
-- da vida, tão corriqueiros.
 
Foste amalgamada
ao longo do teu caminho,
às frias noites tuas
-- sem amor e sem carinho...
 
Trilhaste astutamente só,
sem ter ao lado um aporte --
ao menos de um pálido suporte,
que abrandasse a-liga-forte
do teu gélido ser.
 
Endureceste o teu temperamento,
Jamais sentiste a dor do momento
-- Tudo não passava de fumaça
nos escombros do teu sentimento!
 
Hoje, tu é um aço-carbono,
Revenido e temperado -- 
Tens, dentro de si, 
um coração inoxidável
Trancado com selo de abandono...
 
Adormeceste, em vida,
o teu eterno sono!
 
As coisas

Não, assim não dá!
Não mais aguento
-- viver ao vento.

As coisas vão pulando
como se não houvesse
quem delas tivesse
conta tomando...

Os que contato
travam com elas,
dizem que são apenas
passagens da vida --
muito singelas.

Não é assim
quando se convive
com os descasos delas...

Que ironia do destino --
Vê-las à frente do meu destino.
Ao mesmo tempo que geram estorvo,
vão pululando à guisa de um guizo,
perturbando da vida o meu sorriso!..

Não, assim não dá!
Não mais aguento
-- viver ao vento.

Já me disseram
que as coisas
sempre foram assim:
São como as "sombras" de um vento
-- Não se vê de onde elas vêem
nem se sabe quando terá o seu fim.
 
 
Meu recanto
 
Qual ninho para o pássaro;
Assim é o meu recanto,
para mim.
-- Terno e aconchegante...
 
Revitalizo nele,
As parcas energias minhas
gastas no consumo do lavor diário.
Na árdua luta pela vida 
do sobreviver...
 
No calor desse recano
algumas vezes canto;
Muitas vezes, não!..
Mas é nele que encontro
o calor do reconforto,
da amada que me inspira
ser mais humano que já fui um dia.
-- Renasce, em meu peito, o sorriso
de criança que se perdeu -- no mundo,
entre os escombros de sonhos, um dia.
 
Para muitos,
esse ermo recanto,
é comum e é igual 
a todos os recantos 
-- por todos os cantos, espalhados.
Não para minm!..
Pois é só meu -- 
Dos meus encantos derribados.
 
É o meu centro descentrado.
Um universo por mim criado,
A sede das minhas decisões,
Dos sentimentos destruidos,
Entrincheiradas esperanças,
de algumas soluções...
 
Ali, envolto em mim mesmo,
eu sinto-me inviolável,
inatingível, inperscrutável.
É nele que, aos poucos,
amadurecem as minhas ilusões!..
 
De lá,
como se fora de uma colina,
eu posso avistar os meus amigos.
Tergiversar os inimigos meus
-- Alguns, 
como algozes a me espreitar.
Sempre convidam-me a bacanais
de festas "culturofágicas"...
São, na verdade,
da história os culturais chacais.
Bebem água nos poços à noite;
Drante o dia, rondam as cercanias
-- não permitindo aproximações,
aos locais...
 
O meu recanto 
é como o ninho de toutinegra, 
numa moita de espinheiros pardos,
envelhecidos pelo tempo.
No se interior,
protegido por espessas paredes,
eu não temo a hostilidade do mundo,
por mais aberrante que ela seja.
Por mais temível que se pareça
aos olhos dos outros.
 
É o meu recanto.
Qual ninho para o pássaro;
Assim é o meu recanto!
 
O  jumento também falou

"
Então o Senhor
abriu a boca da jumenta,
e ela disse a Balaão:
'Que foi que eu fiz a você,
para você bater em mim três vezes?'
Balaão respondeu à jumenta:
'Você me fez de tolo!
Quem dera eu tivesse uma espada na mão;
eu a mataria agora mesmo'.
"
Nm 22:28-29

Uma parábola moderna da fala de jumento

Um bode velho -- mestre iletrado.
Um jumento -- rev. Nintendo,
assim chamado.

É jumento, porque fala replicando
as palavras que ele descobriu, --
Não sei como, nos escritos
das sagradas escrituras.

O bode velho, é um fundador.
Assim se diz ele ser o criador de
uma pequena freguesia. --
Posta no centro de uma sabedoria.
Essa, só por ele alcançada e
pela sua insigne membrasia.

O bode velho tem um orgulho:
Esculpiu, em madeira de pinho,
alguns bancos, no estilo antigo.

Sentar-se neles é ter ventura
de absorver o sumo do saber
de uma tão sagaz criatura!

É metralhar os pensamentos --
dos argumentos das preleções,
quando se for ouvir as falas,
do jumento rev. Nintendo, nas
suas meditações das leituras.

Mas, lá no fundo
-- Nos estertores das portas,
quando o sol já se escondeu,
Os dois --
O bode velho e o jumento,
o rev. Nintendo se entendem.

Há zum-zum por aí
-- abelhas cantando à toa,
Que os dois tiveram negócios.
E, numa boa, terras vendiam
à beira do mar. Só não se sabe
se o fato se deu numa canoa...

Mas um dizque-dizque sussurra,
que a partilha se deu numa proa.
A pequena freguezia, só descobriu
quando já se misturou o areal
com os rastros da prova.
 
O pai do bode

Já, do bode, o pai dizia:
"Abre o olho, só quem pode;
Quem não pode, se sacode".
-- Se sacode de tristeza,
De sentir-se enrolado,
nas astúcias de esperteza,
dos manipulantes de idéias,
daqueles que gravitam
na sua redondeza...

Não há como escapulir,
se não se quer ferir,
as barbas cãs do velho bode.
Então, o jeito é trafegar --
do jeito que se pode,
pelos "caminhos" tracejados,
daquele esperto bode,
que jamais se sacode!

Ele faz bancos resistentes
de táboas de madeira de pinho.
E diz que foi o inventor
do modo tal de se sentar,
que se possa criticar
as falas de qualquer "jumento".
E isso, sem perder as estribeiras
-- Depois, apertar-lhe as mãos
Como sinal de amizade,
Reconhecendo nele um manipulador
-- das leituras do "pergaminho".

Para terminar, quero esclarlcer:
Esse poemeto não passa,
de uma charge escrita,
sobre a vivência de uma verdade
-- de uma pequena congregação,
erguida sobre um arenito.
 
Retrato teu

No teu olhar solitário,
vejo um sorriso fechado.
Nos teus lábios,
       da cor de cereja,
as tuas bochechas
se escondem,
nas faces
-- como se fossem
duas roxas ameixas.

Continuas andar rebolante.
És alegre a todo instante.
Quando te vejo andar
-- pela rua, pelo asfalto,
Não me canso
de extasiar-me...
És tu a beleza gritante!..
 
Um lembrete só

Apascenta o meu rebanho!
Porém, antes que o faças,
medite no ato da decisão:
Tu amas-me de verdade?

Para que tenhas a firmeza
de cuidar dessas ovelhas,
em qualquer situação?
Por elas darias a vida --
Como eu dou?..

São perguntas, de Jesus,
feitas ao valente Pedro,
lá no jardim da oração.

"Agape" pois que seja
o grande movedor
do comportamento teu,
em qualquer situação!
Seja meu imitador
-- Um servo apenas,
não um insolente patrão.

Hoje, apresento a você
-- que se diz um Reverendo
e que quer pastar, a contento,
o pequeno rebanho do Senhor?..

Você está preparado,
guiá-lo com cuidado,
por que caminhos for?
Então medite bem!..

Depois, responda para si mesmo
Você está pronto "diminuir-se"
diante de alguém? Mesmo se for
perante aquele, que não possua
nenhum diploma similar
aos dos que você tem?

Tenha orgulho de ser
não um Reverendo, mas
apenas um servo de Jesus.
O resto será como a Jesus convém!
 
Por causa da idade

O mundo gira em torno de si próprio.
Duvido, que alguém duvide disso!
Por isso, vou dar, também,  uma girada,
Pelas vias da minha cidade,
Para ver se encontro alguém
Girando, em torno de si,
Como quem está a procura de algo perdido
-- Podendo ser do tipo
De uma já esquecida saudade!
Por causa da idade.
Muitas vezes a felicidade, justamente,
Se perdeu junto com a saudade...
Por causa da idade.
 
Dor de cabeça

Hoje acordei transtornado.
-- Uma dor de cabeça
Fazia orelhas queimar,
Parecia que um microondas
estava assando picanha --
Cheirava por todo ambiente
um queimado de carne.

Duvidei!.. Não seria,
por que cargas d'água,
o meu cerebelo a torrar?..

Meditei, mais um pouco;
Depois, entendi:
Quando deitei-me,
ontem para dormir,
tarde já era. As estrelas
já se faziam brilhar. Mas
a lua não se apresentara,
Eu pus-me, então, a pensar
"Devo dormir, antes da lua
do seu sono despertar?.."

Com o peso na consciência
fui-me deitar. E adormeci!
Sem que o pudesse notar...
Hoje acordei transtornado.
E comecei a pensar...
A dor de cabeça
tomou conta de mim...

E agora, que já é tarde --
no final da escalada do dia,
nada mais posso fazer do que
Devo dormir, antes de a lua
do seu sono despertar!
Ela não pode encontrar-me
embrulhado em estado
de mental hipoglicemia...
 
Os restos de mim

Pervagando nos restos da memória
- no depósito dos dias perdidos,
encontrei todos os meus sonhos,
que tive um dia, partidos.

Partidos e repartidos
entre os escombros da vida,
ao longo dos anos diluidos!

Diluidos como sombras,
Como rios de águas fluídas, e
Poeiras pelo vento escondidas.

O passado, quase todo apagado,
Não trás à lembrança as dores,
As alegrias vividas e tudo que
- na clausura do peito meu,
vivi no rastreio de amores.

Quero entender o que sou.
Quero entender o que fui,
Também, por que assim vou...?
Por que vou andando a esmo?..

Quando olho no espelho,
Algo me diz:
"Tu és quase torresmo",
de tão amorfanhado,
que o teu rosto ficou!"

A fictividade da imaginação
deixa-me roto por dentro --
Sinto desabando, na confissão,
os restos da minha construção!
 
Estardalhaços

Sob o estro da Taprobana,
da visão poética camoniana,
ao impacto da gloria lusitana!

Idéias e atos colidentes
gerando ruidos estridentes,
que os ouvidos machucam
dos mais exigentes!

Estardalhaços de rádio e/ou
de televisão... Reestruturo,
aqui e agora, a minha visão!

Qual pedreiro consciente,
aprumo os tijolos em rolos
de massa e cimento. Atento
projeto uma cosmo-telúrica
e poética irradiação!

Caminhos dos cantos de cotovia
levaram-me a poetar, a falar
das coisas que só eu poderia
a respeito de mim expressar!

Nos arraiais da lusitana --
maestria, de poemas desenhar
-- embora eu de eslava origem,
dediquei-me a "navegar".
Meus sentimentos "luziformes",
o meu caminho, principiaram a
iluminar! Sinto-me no remoinho
-- dos tufões e dos águaceiros
a me quase "afogar"!..
Na verdade, eu disse agora:
"Meu desejo é somente poetar!"

Nas minhas confissões,
comigo mesmo,
eu me desmancho e me desnudo.
Parecendo, numa catarse,
buscando alívio de uma culpa
do pecado de ter nascido num
outro mundo. -- O, de lá...
De além dos mares,
onde há muitos pomares,
revestidos de sabores, que
despertam os mais sutis odores.

Não importa!
De forma peremptória, posso dizer
que a vida é transitória.
Em constante mutação;
Como estações do ano,
transmutam os sentimentos nossos,
que nos transbordam de delícias
-- percebíveis só naquela situação!

Não importa!
Os pensamentos meus voam,
para além dos horizontes.
Para lá, onde se presume,
que haja milhares
de invisíveis fontes salutares,
que nos inspirem sonhos estelares!
Sonhos por muitos sonhados, porém
jamais por alguém -- alcançados...

Conteudo pragmático da vida
-- móbil afetivo,
da parca existẽncia humana,
condiciona o meu pensamento
que, a todo momento, só
consigo cantar
apenas o meu sentimento.

E caminho pelos caminhos incertos,
de espinhos cobertos,
rumo a destino ignoto e incerto...
Pretendo, um dia,
os meus objetivos tocar!
Tocar com as mãos
-- essas, que me permitem ainda
os meus pensamentos-poema externar.

Mas o meu peito reclama.
Está cansado e clama.
Sorve o veneno letal da derrota fatal.
-- Um dia, todo e qualquer sonho
terá o seu tempo final! Qual tal.

A ferida aberta, lateja dorida...
Sente a fugacidade etérea da vida
Não mais retornável -- para cá;
Embora, em outras instâncias,
inspire-se em novas fragrâncias
e conheça eternos jardins
-- sem velhice e sem infâncias!

Na memória pervagando
por entre os restos,
no depósito dos meus escombros,
quero seguir da fênix o destino
-- Renascer das cinzas
num ambiente novo, chamado divino!..
Lá, quero criar páginas belas
-- como se fora num computador,
em gerando relatórios
para o seu patrão e Senhor!
-- Sem relato de perfídias,
apenas com impresão de estrofes de amor.

Queros tecer os meus versos
com elementos exatos da minha sensação.
Não mais embaçados pelo tempo,
Pois ali não haverá tempo, não!..
-- Apenas o reino da clareza
e o pder da grata inspiração.

Quero dizer, que tudo começou,
Sob o estro da Taprobana,
da visão poética camoniana,
ao impacto da gloria lusitana!
 
Ela disse
Poema de meia-idade minha, recuperado

Escrevi na década de 1980.
-- Não sei, se já publiquei em algum sítio da Internet.
Por via das dúvidas, aqui vai outra vez:

Ela disse-me "Sou tua"

I
Qual branca vela na amplidão dos mares,
nos seios da mulher, meu ser flutua. E,
no desejo de beber oa amor na fonte,
o meu corpo se desmancha...
Ela me diz: "Sou tua".

II
Pomba de esperança sobre um mar d'escolhos!
por que descoras, quando em meus braços te aperto?
Por que perdes a fala, quando o teu pálido corpo
sobre o meu resvala?..

Sonhas acaso um dia transfigurar-te e asas levantar?
Para, não lembrando as dores, da ausência...
No denso infinito mergulhar?
No diluir dos meus afetos, os teus afetos afogar?

-- Depois, nas águas de um cheiroso banho,
Tu sentes gotejar do seio teu o aroma
e sentes meus suspiros: "Sou louco de amores..."!
E, já morrendo de saudades, nos separamos.
De saudades dos teus, dos meus ardores!..

Lírio do vale! Daqueles do oriente ensolarado.
A tua imagemme persegue a todo instante. E,
sonho eu agora ver-te, novamente,
Mais galante nos meus braços. -- E,
Tu me consumindo, minha frenética amante!..

E, na relvosa alfombra, após do amor saciados,
Nos acomodamos estendidos. Teus seios, de novo
desejo afagar. E, ao lado teu -- de novo
desejo, como antes, me desmanchar!
Amolecido, sonhar gemidos de amor,
Inebriado, ao céu aberto.

III
Faça de mim um teu objeto raro de consumo.
Sacie os teus desejos sexuais desabrochados.
Explore a matéria-prima da libido acordada.
No colo meu, adormecida sê tão somente... só
-- A minha amada!

S.C.Sul, setembro de 1980
 
A moreninha

Hábil menina bela
de longas ondeadas madeixas.

Fina,
vaidosa,
esperta,
mas não como as outras.

É ela de gosto esmerado,
mas simples.
Singela, qual ave altaneira,
que quer dominar
os espaços da sua vivência!

Pescoço nu - sem adereços
de valiosos apreços.
O colar de esmarlas
-- empalhidecido pela beleza
dos seus encantos -- os dela.
Não quis perturbar
a composição da presença
-- 'in totum',
da hábil menina bela.

Um simples vestido, bem simples
-- não o da moda,
mostrando as lindas pernas,
que lhe dão movimento
nas passarelas,
pelas quais,
ao batuque ela da roda.

E não era para menos:
Suas morenas bochechas
contrastavam com o seu vestido branco,
refletindo, dos seusamantes,
todas as suas queixas.

O colo, parecia ser de alabastro
-- formoso e belo. Resistia indolente,
ao suspiro de quem por ela se deixava
turbilhonar em rodopios,
como se estivesse dormindo e sonhasse
ao som de músicas suaves,
tocadas (só para ela) ao piano.
1980
 
Quase um saci
 
Quem sou?
Alguém me perguntou.
-- Não sou!
Eu respondi
mas vou andando por aí...
 
Pisando pedras e pedregulhos,
Por entre as nuvens de poeira
Como se fosse uma sombra,
levado pelos ventos 
das tempestades.
Desliso sobre as rodas,
jogando a espuma,
de silicone, estanho,
com mistura de corantes,
pelos quadrante daqui e dali...
 
As vezes estou aqui e,
outras vezes, encontro-me ali.
Vou para frente,
buscando algo,
que se pareça mais comigo.
Que seja tão "ninguém"
como eu sou, quando 
me sinto inanimado 
como  "sem perna"
- quase um rubô saci.
 
Alerta meu.
Cuidado! Você, também,
será um dia como eu...
Um ser inanimado quase
Apenas vomitará espuma
Como qualquer plebeu!
Olhe, sei o que digo:
Jamais fui fariseu!..
 
Asas dos ventos

Nas asas dos ventos
Voando
Flutuam acordes macios
de vozes
que sussurram
sibilos de águas marulhando.

Lembram as noites escuras...
Navegando nos mares --
Refletindo da lua as luzes
Das praias de brancas areias
Lambendo os umbrais solitários
Jamais visitados...
-- Por mim, por você, por ninguém.

Dos dias passados,
Tilintam os sabres.
Compassos discordes
-- dissonantes acordes.
Se originam da busca de unir
O sibilar das ventanias, como se
batutas fossem, em festas de orgias.
Espadichins em busca de alegrias...

São ventos uivantes
Varrendo os horizontes.
Partituras executam
escritas por Xenofontes
-- O cipoal que engoliu
a sua própria fonte... E,
decretou a prórpia morte!

Nas asas dos ventos
Voando
Eu vou buscando a minha sorte!..
 
Observações corriqueiras

Observações corriqueiras...
Depois, algumas conclusões.
Eis uma delas,
segundo as minhas percepções:

"Um indivíduo, quando se faz
-- forçosamente, se integrar
'in totum' ou 'totalmente',
no coletivo social --

Perde tudo o que é seu,
e quase nada resta dele
do que se denomina como um 'EU'
-- Será tão só e apenas
um apêndice do coletivo,
sem expressão individual real
e exclusivo...

Deixa de ser um indivíduo. Será
então um 'ser amorfo', Sem vida
(própria)
- Um coletivo apenas... E só!..

Direi que nada mais, que um
equivalente antropomorfo
de entropia da física --
ciência exata,
ele as leis obedecerá..."

Que pena! Assim,
perdem-se as muitas genialidades,
com o soterramento dos indivíduos
e das individualiades.
 
Oração

Jesus, o Nazareno,
Nascido de Maria,
Filho do Homem --
O Cristo Salvador

Deixaste os ceus,
Desceste à Terra.
Na Terra padeceste
E tão somente:
Para salvar da morte a mim
-- O indigno pecador!

Jesus, o Nazareno,
Nascido de Maria,
Eu Te agradeço
de todo o coração,
Por me lembrares
dentre os milhares
e a mim colheste
e escolheste
para adotares-me
o filho adotivo Teu.

Jesus, o Nazareno,
Nascido de Maria,
Aceite essa prece
em forma de oração!
Não tenho ouro,
Não tenho prata,
Mas tenho um humilde
e espesinhado --
que a Ti entrgeo,
O meu contrito coração!

Amém...
 

As mágoas

Nas minhas mágoas,
Mágoas são tantas
que nem os mares,
de água cheios --
jamais
as poderiam afogar!


Pensar nem quero,
o que de mim seria,
se não as eu tivesse.
Se o mundo, que me rodeia,
sem mágoas minhas me conhecesse?

Talvez eu fosse um vagabundo --
Um desses seres: Um imundo que,
mergulhado em seu inter profundo
não pudesse dos outros
os escabrosos dias compartilhar?
Apenas vagar pelos espaços
dos espaços não permitidos
-- para dos outros
os espaços desfrutar?..
Depois, apenas regurgitar!

Das minhas mágoas
Todas as mágoas são minhas.
Mais de ninguém, quero frisar!..
Da prole que foi gerada,
pela estrada da minha caminhada,
apenas cabe-me a mim
-- dos insucessos, mágoas ceifar.  
E caminhar silente...
Sem mais com nada me magoar!

Eu sempre fui

Eu nunca fui a parte da ordem dos primatas.
Não foram eles meus ancestrais no Universo.
Nos tempos idos -- Do princípio das coisas,
Eu fui o que sou hoje e serei assim,
até que os confins do fim dos tempos
se encontrem e se confundam com o Final...
Então terá chegado a hora terminal!
Todas as coisas existentes
terão cumprido a sua missão fatal.
Produto -- das mãos do Criador,
numa proveta experimental?

Eu sempre fui.
Depois chegaste tu.
Perguntaste-me quem sou? -- Eu respondi:
Eu sou quem veio antes
que tu tiveste a existência.

Tive paciência para esperar
até que foste tu criada,
pelas mãos do Criador...
Aquele que deu-me a vida e
deu-me o saber de perceber
que eu precisava de alguém
que fizesse parte dos meus dias
-- dos dias de solidão e frios.

E foste tu aquela
que completaria o meu vazio
que no imenso jardim,
por entre as folhagens,
apenas olhava as estrelas e
e me contorcia, gemendo só e de frio...

Tu me olhaste.
Disseste, como quem já dominasse o ambiente:
Auele fruto deve ser saboroso!
Deliciemo-nos dele.
Ele há de nos agradar!..
Assim começavamos  juntos
o nosso longínquo caminhar.

Tais "coisas" -- de sentimentos,
não fazem parte das ordens dos primatas.
São parte integrante dos seres inteligentes,
como nós dois... São obras sublimadas --
das mais sublimes, no Universo já encontradas.
 

Os dias partiram

Um peito em prantos soluça.
Recorda os dias felizes
-- distantes agora...
Calada, a seu lado,
a sua lembrança
encontra-se muda!
E o peito em prantos soluça.

Os dias fugiram,
Levaram consigo
os melhores encantos,
E nada -- além de partida,
em troca deixaram... 
Os seus desencantos,
como que sombras,
o peito selaram!..

Infantes por onde andais?
Aqueles infantes, que os dias comigo viveram.
Que comigo cantigas cantaram.
Que bolinhas de gude jogaram ao vento --
enganando a chamada das mães: "Mamãe!
Aqui estou estudando,,, Preparando a lição
para as aulas de amanhã..." E era mentira...
A mamãe o sabia. -- Nada dizia.
Era só alegria de infante
durante todo o dia
a partir da manhã.

Os dias fugiram.
Levaram seus sonhos
Deixaram algumas saudades,
envoltas em recordações, na alma penumbrante
-- Que aos poucos, como água, se escoa
a cada minuto e a cada instante...

O mundo, que então girava,
era um mundo infantil.
Nele cada barco que navegava,
navegava calmo -- num mar sereno,
desde a sua partida até a sua chegada ao fim...
Nem as sombras, dos penhascos, encobriam
as luzes piscantes dos faróis
-- Tudo era repousante
Parecia até ser um vale fresco
de um porvir desabrochante.
Era o tempo verdadeiro
de poder ser um infante:

Hílare, gritando sorridente...
Beijando o rosto da mãe
de ter recebido um abraço seu. Sempre contente!
Por vezes perdão suplicando, por tê-la enganado,
quando às aulas faltava e dizia que havia dispensa
-- "foi a professora que faltava". A mãe perdoava!

Os anos se foram.
Sudades restaram...

Vagueamos perdidos

Voaram os dias
Desejos partiram
Ficaram resquícios
de saudades passadas.


Não mais somos infantes
-- Crescemos na vida...
Criamos casulos que nos
tornaram prisioneiros
de nós próprios --

Deixamos de ver as
coisas do mundo
como são elas:

Infiltramos, em nós,
o esquecer de si próprio,
para não padecermos...
 
Nos tornamos inertes
-- andarilhos perdidos,
vagueando caminhos
de amores traidos.

Dos tempos infantes
Dos sonhos mirantes
Que juntos sonhamos
Apenas restaram
aquelas lembranças:
As de amantes.

Para alguns, recordar é viver.
Para muitos, recordar é sofrer!

                                                                         ----------------------------------------------------------------

Não têm sentidos

Um poema pode ser
um grande dilema.
De uma rua qualquer
daquelas ruas dos protestos
que encobrem os gritos calados,
roubados pelos infestos desejos
dos trituradores urbanos
-- Os glutões indigestos.

São poucos --
De moucos ouvidos
Não ouvem clamores
-- Não possuem sentidos!
Humanos não são...
E são atrevidos!..

Sanguessugas pervertidos.
São imbecis insensatos...
Encapsulados em seus casulos
segregam veneno himenóptero,
provocando alérgicas reações
ao redor do seu habitat.

Porém jamais calarão,
por pouco que seja,
os desejos reais
dos despertados!

 

A voz das ruas

Cem, duzentos,
Quantos milhares for
-- Mais de um milhão!
Pouco importa o quanto
-- Nas ruas das cidades,
a voz do povo,
num cantochão.

Clamava por justiça
e por verdade:
Desperta a nação!..

Dois mil e treze,
vinte e um de junho.
Um ápice dos gritos;
da gota d'água que
transbordou e que rolou
pelos caminhos íngremes
à liberdade plena
que secularmente,
ao enganado povo,
ainda não chegou.

Mas dela tanta gente já falou.
E muitas vezes, os caminhantes
da liberdade sonhos tiveram...
Jamais, porém, imaginaram
que entre um sonho e o destino
teriam de encontrar
alguns nefastos seres
-- de humanos travestidos,
que sonhos seus usurpariam.
Em troca, míseros desejos de querer
em suas mentes intrujiriam.

Chegou o dia!
De tantos sonhos -- não satisfeitos,
todos se cansaram... E acordaram!
Sairam pelas ruas e gritaram:
"Basta!" Tudo de nós tomaram.
"Queremos de volta os sonhos"
que os nefastos
-- travestidos de humanos,
nos usurparam.

 

Saudades a pedido

Recordo-te sempre amiga, serena...
Estás na lembrança constante do meu labutar
Mas gélido copo de espuma cerveja,
na mesa redonda de um bar,
insiste em velar o teu rosto sequioso
-- Borrar a tua imagem,
Jogar-te à distância... Sem par...

Nos lânguidos braços das cálidas noites:
Nas noites escuras, nascidas do medo,
da insônia dos meus tristes ais,
procuro-te sempre na espuma
de um copo vazio e que não se enche mais!

Amiga serena,
formosa açucena,
morena trigueira,
garbosa e faceira,
Onde estarás?
-- Ninguém sabe
nem tu me dirás!

Nas cálidas noites sombrias e tristes
tu sempre, amiga e serena,
formosa morena, estarás!..

 

A saudade só dói

Na dor da saudade
A saudade só dói.
          Derrama-se em prantos
          por alguém que um dia
          já foi o seu amor.
Evoca o seu nome
-- Em vão!..
Não responde:
Não sente os suspiros
das fracas batidas
do infeliz coração...
          Ninguém entender quer
          as dores doridas
          das sístoles tristes
          que vagueiam,
          pelas artérias, em vão.
...
Rever-te um dia quisera,
embora por poucos minutos.
Sonhar nos teus braços,
teus lábios macios beijar.
No leito, ao vinho espumante,
baloiçar as costelas do torax
do meu corpo, ao torax
do teu corpo, forte apertar.
         Esquecer a saudade.
         O mundo esquecer...
         Apenas sonhar.
         Apenas viver!
         Quisera de novo ser teu.
         Quisera de novo te amar!...
...

Mas na dor da saudade,
quando a saudade só dói,
só restam os sonhos
Para viver e sonhar...

-- Recordações.

 

És traiçoeira

Os ventos da vida
levaram-te para longe.
Plagas longínquas
tu foste explotar
-- As portas,
dos sonhos dos outros,
tentarás derribar!

Nas dores alheias
encontras sarcasmos
que dão-te os poderes
de os corações vilipendiar.
Nem sentes remorsos
-- Não tens sentimentos...
Apenas desejas no ar,
como um vagalume, flutuar!

Distante dos olhos,
Na escalada dos montes
Dos horizontes distantes
Das almas traidas
Sempre encontras
o porque de assim se postar.
Do resto nada te importa
-- Queres apenas, ao vento,
como um vagalume luzir e voar!

As cálidas noites
não aquecem teus lábios...
De insônia não sofres, pois
Ouvidos não tens, para algo lembrar
Nem lágrimas caem, dos olhos azuis teus
Não tens prantos em teu peito
-- Não tens como de alguém recordar!

Que os ventos da vida
de ti se desfaçam
E as plagas longínquas
não dêem-te o abrigo.
Assim não terás o descaso
de os últimos sonhos
dos incautos atraiçoar...

 

Amor carnal

Perdidos na noite,
Despidos de orgulho,
A plenitude do amor,
vamos desfrutar!..

Tu nos meus braços,
caida desnuda;
Eu nos teu seios,
enebriado em delícias!

Da vida bebemos
o prazer mais ditoso...
Nas delícias do orgasmo
flutuamos perdidos...

Depois, no marasmo,
do pós cândido cóito,
mergulhados no espasmo,
as nossas lembranças...
E silente guardamos:

O teu ventre dorido
contra o meu se jogar.
Quando de novo partimos
buscando um outro prazer,
de um outro sonhar-delirar!