Nelia Szoma Vol. I

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Formosos vales.
Cheios de fantasia.
Promoviam
um grande espetáculo
de soberba beleza!..

A terra cambaleava
— como se um bêbado fora.
Balançava como uma rede e
a lua dela se envergonhava…
O sol não se confundia
por nada e de modo nenhum.
— Eram as pisadas dos passos
da caminhada “lenta” do Senhor!

Como uma mulher grávida
gemiam as grutas de dores.
Como se imitassem a nós
na presença do Senhor!..

Formosos vales.
Cheios de fantasia.
Floresciam e brotavam —
enchiam os galhos dos arvoredos
de frutos saborosos e de olor!..

Formosos vales
e os rochedos de fantasias,
de seoberba beleza,
ao encher os galhos dos arvoredos
de frutos saborosos e de olor,
tremiam como se humanos fossem
ao caminhar dos passos do Senhor.

Eu sou
o quê ninguém vê

Eu sou a nuvem que navega pelos espaços
desbravando os azuis limites do céu.
Eu sou o barco trafegando pelas ondas afora,
embalando os corações apaixonados.

Eu sou a folha caida das árvores já ressequidas,
que tombou pelas ruas rolando, procurando
— no emaranhado das multidões aturdidas,
um alguém! Seria você esse meu incógnito bem?

Também sou uma estrela.
Estrela que brilha com as luzes das noites frias,
iluminando as cachoeiras vadias
que se deslocam ao longo dos campos vazios…
Abrindo os sulcos, por entre os rochedos,
dos íngremes escarpados da vida.
Escarpados, pelos quais eu vejo passando você!

Às vezes sou vento furioso, também insolente,
que levanta as ondas bufantes dos mares…
— Para molhar as beiradas da terra,
para que esta produza as flores maviosas que,
em desabrochando, nas orlas dos ondulados caminhos,
pavimentem com perfume o leito das pisadas do seu andar…

Eu sou tudo isso!
Porém, ninguém — nem mesmo você,
me enxerga nem me vê.

Nas asas do vento

Nas asas do vento

subia a fumaça…
Mais tarde, caia o granizo.
Apagava o fogo e
tudo gelava silente…
– Parecia não haver nada
que pudesse lembrar algo vivente!
Eu estava ausente e,
você não estava presente!

No leito dos rios,
as águas corriam…
No alto dos céus,
a lua brilhava…

O rugir dos mares,
o ruido das ondas,
não passavam dos ribeiros de Deus
– aplainando as leivas que,
depois destilavam os chuviscos
caidos das nuvens dos ceus…

As pastagens e os desertos
as campinas e os vales
se revestiam de alegria…
Cantavam, com júbilo,
as glórias ao Senhor!

Cantavam o canto que
deveria ter sido o canto nosso.
Porém, nós estavamos silentes.
– Parecia não haver nada
que pudesse lembrar algo vivente!
Eu estava ausente e,
você não estava presente!

Após uma negra noite
se estende um céu brilhante!

Nunca percas a tua esperança!
As tristezas todas fugirão,
quando tu sentires a paz…

Erga os braços para o céu brilhante.
Dê graças ao Senhor… Pois
foi Ele quem fez esse dia maravilhoso…
A felicidade fluirá por entre as tuas mãos!

Como um pássaro espantado,
lançado para fora do ninho,
assim é o teu orgulho insano!
– Repousa, nos bosques,
acautelado… Depois,

será esfacelado,
pelas fortes ventanias,
por entre os rochedos.
Sem mais lembranças
tombará desfalecido!..

Ainda que plantares e,
pelas manhãs, regares;
a semente do teu orgulho
não a verás crescer.
Pois, assim que brotar,
qual pássaro espantado,
voará para longe de ti…
Fará seu ninho distante
– dos teus caminhos, e
jamais se lembrará de ti!

Bramam os mares e rugem as águas.
Os ventos se escondem por trás dos montes.

O teu orgulho, já diluido de todo, nem mais
terá lembrado de ter partido de ti…
As sementes que tu, por ventura regaste,
não terão sobrevivido por nada, porque
terão se derretido nos bicos afiados dos colibris.

Meu aniversário                                          

Que neste dia se realizem todos os meus desejos!
Que  a paz de Deus e o frescor do Espírito Santo
possa estar em meus pensamentos, dominando
os meus pequenos sonhos e os meus grandes medos!

Que Jesus Crsito se manifeste, em minha vida,
de um modo que jamais eu tenha experimentado…

Que as minhas orações humildes sejam atendidas e,
que eu possa ter mais fé em Ti, Senhor!..

Neste dia maravilhoso, estou completando 69 anos —
de uma humilde existência; e, faço esta simples oração:

Peço a Ti, ó Deus! Muita paz… mais fé,  mais cura
para as enfremidades do corpo já exausto de labuta,
mais felicidade, mais alegria, mais prosperidade e,
muito mais amor em meu corção!
Mais afeto para com os meus…

A minha 1a. Viagem

                 Maio de 1963. Fiz uma viagem inesquecível. Fui, com o meu então futuro sogro, Panas Szoma, para a cidade de Ponta Grossa, no Paraná.

Fomos de trem e demoramos longas 16 horas para chagar ao destino, partindo da antiga Estação ferroviária “Júlio Prestes”, da cidade de

São Paulo. A viagem foi tranquila e boa; chegamos bem e tudo deu certo.

                 A minha, então ainda era futura, sogra Dona Kateryna, uma senhora já de idade, recebeu-me com muito carinho e me cuidou bem, como

se fosse da própria filha. Foi nessa época que conheci várias igrejas evangélicas e, também, conheci a Jesus como o meu único e suficiente Salvador.

Depois de um mês de viagens, voltei para São Paulo, mais exatamente para Guarulhos, para a Vila Galvão, onde eu morava e, logo depois eu casava

com o meu “querido” e “amado”, hoje marido Mykola Szoma.

                  A minha mãe, meio que desconfiada, não acreditava no que estava acontecendo comigo. Porém, ao ver a realidade, concordou e ficou

muito contente! Somos felizes. Estamos sempre juntos, ajudando-nos mutuamente.

                  Assim, formamos a nossa família…

A minha 2a. viagem

                  Dezembro de 1964. Quando a minha primeira filha, Lyllian Nely Szoma, já completara nove meses de vida, fomos, os três – eu e o meu

marido com a pequenina no colo, visitar a Dona Kateryna lá em Ponta Grossa. Agora, viajamos de ônibus, via Curitiba. Passamos as festas natalinas lá,

na casa dos pais de Mykola.

                   Por causa da viagem, a menina adoeceu. Ficou adoentada, com uma gripe muito forte.

                   Lá na casa da minha sogra, a menina recebendo cuidados, logo se restabeleceu. E o nosso passeio foi aproveitável e satisfatório.

                   Os meus sogros e a minha cunhada ficaram felizes com a vinda da nossa filha. Mas ela era por demais linda, era uma criança que

todo mundo a gostava. O Mykola se sentia o pai “mais feliz” do mundo.

                    Nessa época, eu já estava esperando outro neném; mas não sabia que seria uma outra menina, e que seria a Rosana Liuba Szoma.

                    As minhas filhas foram, continuam e serão para sempre “as minhas princesas”. Elas são as pérolas preciosas que Deus me deu.

A minha 3a. viagem

                     3 de março de 1989. Fizemos uma grande viagem para a cidade de Curitiba. Fomos em quatro pessoas. Eu, o meu marido e as minhas

 duas filhas. Fomos de ônibus e a viagem demorou 6 horas.

                     A viagem tinha uma “boa” intenção de distrair as meninas dos acontecimentos de um namoro não muito aceito por nós. Durante a viagem,

nos divertimos bastante. Pudemos ver as mais lindas paisagens e conhecer os deslumbrantes pinheirais.

                     Ao chegar em Curitiba, nos hospedamos no Hotel Jaguaribe, que ficava em frente à Estação Rodoviária. O Hotel era muito bom e bem

confortável (3 estrelas). A comida ótima e o café da manhã era um verdadeiro banquete. Ficamos muito felizes. Pudemos visitar todas as áreas

recreativas da cidade. Também, visitamos a cidade portuária de Paranaguá.

                     Para ir até a Paranaguá, pegamos um trem que nos conduziu descendo montanhas, subindo serras e picos. Pude observar, da janela

do trem, enormes “abismos” que ficavam por baixo dos nossos trilhos.

                     Tudo era muito lindo.

                      Vez outra sentia medo, os picos pareciam estar tocando os céus, as núvens se encontravam com as montanhas… A Emoção era demais!
                      Chegando em Paranguá, fomos conhecer as ruas. Eram cheias de lindas hortências. Depois, fomos ao porto de mar e andamos de barco,

visitamos os navios que chegavam e ali ancoravam.

                      As meninas se divertiram muito; ficaram satisfeitas com os passeios e com a viagem.

                      Mykola disse que aquele era um presente para Lyllian, que fazia aniversário dia 9 de março.

                      Mas para mim, foi um presente de casamento, no vigésimo sétimo ano de um grande amor.

                      Nélia, dezembro de 2007

O entardecer em Israel

(numa noite de pensamentos, imaginei Jerusalém assim)

Era o fim de um dia de lutas e de muito barulho.
Já caia, por sobre os montes, uma leve neblina.
Os pastores conduziam seus rebanhos de volta.

Os montes altos refletiam o lento sumiçodo sol
– aos poucos, no distante céu, findava o arrebol.

Assim era o entardecer em Israel.

A calma noite era tanta que,
aos transeuntes das colinas,
parecia dizer: “pensem Deus”.

“Justos são os Seus atos
e é imenso o Seu Poder”.

Nas sombras da noite,
e em sua “impetuosa” timidez,
podia-se ver as brancas ovelhas
dormindo silentes em seus estábulos.

O céu parecia estrelado e
a lua fazia, com seu bailado,
iluminar toda a Cidade Santa…

Israel é a Terra abençoada por Deus.
Tudo o que nela existe é lindo e belo.

Os montes seus, são
como que uma escada
para os céus fossem
– levando ao encontro
com o nosso Deus!

Levantando os olhos para os céus,
pensemos que Deus está nos vendo
– olhando sempre nossos caminhos…

Mesmo nas sombras do entardecer
ou da noite – em seu escurecer,
Deus está sempre presente em Israel!

Por entre os enormes coqueiros podia-se ver,
de longe o mar com suas ondas altas,
que batiam na praia e voltavam tranquilas para si.
Era manhã de um dia cálido e sonolento…
E o sol, com seus raios dourados,
já muito quente, despontava no horizonte distante.

A brisa era macia e fresca,
fazia o vento chacoalhar as ondas,
refletino as fragrâncias das palmas
e dos coqueirais. Parecia estar dizendo
“bom dia amigo meu” aos visitantes…

É muito bom levantar cedo para ver o mar, 

sentir o vento roçando a pele 

e sentir o cheiro da brisa e das ondas

que baloiçam umas ao lado das outras,

navegando pelas planícies ondulantes do oceano – o nosso mar.

Nossa terra é muito linda. Ela acolhe a todas as pessoas

– vindas de todos os lugares,

e com muito amor. Nem mesmo o mar

— o nosso mar, as deixa abandonadas…

Aqui todos chegando,

sentem calor e o nosso carinho, 

desfrutando de tudo o que temos para lhes oferecer.

Somos uma nação de gente unida,

por um vasto oceano – mar de amor,

com outras gentes de outras nações…
Somos uma terra cheia de coqueiros,

um verdejante jardim de
amor. Somos uma “Terra de Deus!”.
Somos a terra cabraliana – a “Terra de Santa Cruz”...

 

Quando tudo obscurece,
logo vem – me a inspiração.

As velhas coisas passam e,
num repente, sobrevém um clarão!

Fica na mente uma nova ilusão.

O ar se torna frio e,
no alto e tosco monte,
vê – se uma luz a brilhar…

Pouco importa, o que pensam
– lábios murmuram, silentes,
palavras quaisquer. Jogam ao léu.

Então, muitas lágrimas
inundam o coração e,
sente – se uma saudade
– de sorrir. De nada mais!

Mas, sorrir de quê?
De algum desejo
ou, de esperança?

Era dois mil e dois.
Exatamente, que dia era,
não lembro nem faço questão
de o lembrar. Feliz me sinto
em poder dele falar…

Sonhei que estava andando
- pisava as aréias do mar…
O céu lindo então brilhava
E o próprio Deus p’ra mim olhava.

Em Seu olhar eu percebia
o quão muito Ele me amava…

Sua presença eu sentia -
junto às minhas, sua pegadas!
Mas era Deus mesmo
que me acompanhava?

Olhando para o mar, e
no passado mergulhada
podia sentir de fato:
Deus sempre ‘stá ao meu lado.

Viver é aceitar, cada momento,
de nossa vida, como milagre de Deus!

Brilha o sol, no universo,
com a sua generosa luz triunfante!

O céu torna-se alegre
com o seu charme azulado
e, brilhante, transborda feliz
a sua – do sol, a luz…

O dia passa e , logo após,
vem a mais bela noite,
com seu luar delicado
- reflexo solar, apaixonada
de uma meiga brisa…

A lua, dá paz aos corações,
fazendo improvisar serenatas…

Em cada esquina, de cada lugar,
por onde passamos, podemos ver
e recordar as mais belas
passagens das nossas vidas…

Com a meiguice e a calma do luar
as mais belas estrelas aparecem,
formando, no alto dos céus, um
lindo – um belo bailado de saudades.

Saudades essas,
que fazem o ser humano
ser maIs humano e
sentir a vontade de viver
e crer que Deus existe!

Que, em nossos caminhos,
o sol brilhe sempre e que
a lua, em “noites suaves”,
nos acalente em Deus…

fev/ 1990

Em minhas aventurosas noites,
sonhei que estava andando
por uma estrada sem fim.

Dos lados dessa estrada
existia uma paisagem muito linda e,
em cada canto dela,
nasciam e floresciam girassois.

Parecia estar rindo e dizia, de mim para mim:
“sejam bem vindos, ao mundo mágico, os girassois!..”

O sonho não acabava e quanto mais eu caminhava,
mais girassois nasciam… E me encantavam!

O mundo parecia ser “turvo”,
confundia – se com a luz do luar
e com o dourado dos girassois…

Era grande a minha caminhada –
o descrever da minha vida,
desde os infantis dias até os atuais.
Os que vivo agora!

Cada dia que nasce,
é um dia girassol
que floresce em minha vida…

Meus caminhos são sempre dourados.
São iluminados, não com girassois,
mas com a presença de Deus!..

mai/ 1990

Nenhum vento sopra a favor de quem
não sabe para onde ir… Por isso,
sopram os ventos e ventos a meu favor.
Os meus caminhos são longos – para ali…

A vida mostra – nos altos e baixos,
por isso, temos que descer e subir
sempre — com a fé e com uma
esperança de um dia melhorar!

Cada amanhecer é diferente de outro.
Por isso, devemos pensar: Cada dia
refloresce uma flor para que nós a reguemos,
para que não murche mais – outra vez.
Reguemo – na com a sua necessidade…

Um dia choramos, outro nos alegramos
sorrimos e sentimos o prazer de viver!..
Os pássaros cantam, mas não choram,
talvez, porque não sabem o que é sofrer…
– Vivem, vivendo: sem nada pensar!..

Cada dia 

é um dia maravilhoso

em cada viver!

nov/ 2007

Sozinha,
pela noite a dentro,
vagueava sem parar.

Um vento assombrante
fazia ouvir-me um barulho
das folhas secas caidas…

Sentia medo!..
Não podia parar.

Medo de continuar
– não sabia,
à frente,
o que ia encontrar!

A brisa e o sereno
molhavam os meus cabelos.

Eu sentia um frio!..

Caminhando mais um pouco.
Senti o cheiro de relva e
o perfume das flores…

Depois de muito andar,
começava mais a ventar
– era o marulho do mar…

Que agitado se contorcia e
fazia os meus pensamentos
voltarem-se para o passado
e pensar! Pensar e pensar!..

dez/ 2007

Em um “deserto” sombrio havia uma cabana coberta de palha, com paredes de barro. Do lado de fora, um poço seco e já sem vida    – não havia água.

Algum tempo antes, no distante passado, essa cabana tinha sido uma moradia. Com a vinda dos tempos da seca, foi ela deixada, abandonada.

A seca era tanta, que não existia ali nem mesmo um pedaço de verde. A terra era rachada de secura – ali nada podia sobreviver!

Era preciso andar muitos dias e muitas noites, para se ter a esperança de se encontrar com alguém. Gentes não havia por ali.

Essa terra era tão medonha, que mesmo até as pedras pareciam suplicar a Deus para que mandasse algumas gotas de chuva;

pois, do jeito que era, as noites e os dias pareciam não ter mais fim.

Caminhando pelo deserto e sentindo o cheiro da poeira flutuando pelo ar, um peito solitário pairava a sua própria imagem, sonhando,

que um dia, uma epserança ali pudesse aportar…

Depois, com os olhos empoeirados e quase sem vida, o peito solitário prosseguia a sua longa caminhada, sem titubiar…

Ele levava consigo um rebanho, para lhes encontrar um alimento, em algum ponto da localidade.
Derrepente, erguendo os olhos para o alto e, como que num sonho estivesse, à sua frente um arco – iris apareceu.

As cores multicores querem dizer que, em algures, a chuva tão esperada já caiu. Olhos abertos, quase arregalados,

fizeram prece por essa dádiva de vida – agradeceram ao Senhor!

Poucos instantes se passaram, pequenas gotas se formaram e mais cairam. A terra molhada recobrou a vida. E a vida – o bem maior de todos, era querida.

Caminhando mais um pouco, um verde manto foi avistado. Um lugarejo muito distante ainda, mas a esperança alegrias já acendia no peito esquálido (de sede)

do solitário “pastor” andante.

Perambulante pelas estradas, buscando apenas um alimento para o rebanho e, tendo apenas o céu por seu acompanhante,

podia ver agora as núvens carregadas se aglutinando. Logo viriam explosões de gotas, águas de chuva esparramando.

Quando chegou ao lugarejo que, até há pouco era distante, e agora pisando nele, sentiu o marulhar de um riacho murmurando – havia água para beber,

para ele mesmo e para o seu rebanho.

A estória é verdadeira, como todas a estórias o são.
Uma lição ela nos dá.

No final de um deserto sombrio, haverá um arco – iris e uma esperança sempre haverá. Um colorido de multicores,

o peito solitário, em sorriso de alegria, transformará.

 nov/ 2007

Quando tudo obscurece,
logo vem a inspiração.

As coisas velhas terão passado e,
num repente, sobrevirá um clarão!..

Então a mente – num mágico passe,
terá mergulhado numa nova ilusão…

O ar parece frio.

Lá no alto e tosco monte,
vejo uma luz brilhar…

Pouco importa o que pensam os outros.
Lábios murmuram palavras quaisquer
– como se, bolhas de sabão, jogadas ao léu.

Muitas lágrimas inundam-me o coração
e sinto sorrisos de loucura… Emoção!..

Sorrir de quê?
Algum desejo escondido!?.

Nasce uma nova esperança.
Que sensação!..

nov/ 2007

O dia era chuvoso e era frio. Ao entardecer, as sombras da noite seu manto estendiam. Ia escurecer.

O sol que passou o dia encoberto pelas núvens e aparecia de vez em quando, agora já sumia por trás das negras núvens.


As crianças que passaram o dia sendo enjoadas, pois não podiam brincar; agora já se recolhiam com seus trajes de dormir.

Começaram a se acalmar…  A noite era escura e era fria. Não havia nem lua e nem estrelas no céu.


Observando, por uma janela, podia ver o silêncio da noite e, naquela escuridão, pude ver uma sombra de alguém que andava,

de um lado para outro. Não parava, porque estava com frio e com fome. Nada tinha com que se aquecer!


Vendo tudo isso; pensei comigo, eu mesma: ‘a vida é cheia de ventos tempestuosos, também de estrelas reluzentes’.


A vida é vivida da vários modos, enquanto uns vivem sorrindo, outros vivem chorando…


E a noite de inverno que podia ser linda, deixou – o de ser, tornando – se uma tristeza em nossos corações,

por não podermos fazer algo para os nossos semelhantes.

 nov/ 2007

Uma saudade bate forte no peito
quando se aproxima a primavera,
porque faz lembrar as maravilhas
que existem em cidade sorriso…

A cidade é tão bela que
as flores parecem dizer
– “amamos vocês!” …

O colorido das flores
no ar, dá, à beleza do
renascer em cada amor,
uma linda e profusa paixão…

Em cada canto, em cada espaço
– espalhadas as mais belas flores,
desabrochando sorriem, fazendo
a cada qual, que por ali passar,
sentir uma emoção de ser feliz!

A felicidade, nesta cidade,
é tanta que os pássaros
gorjeiam saudando,
empavonados, anchos,
a terra que os viu nascer.

Sudade, amor, paixão.
Felicidade e sorriso
são termos símbolos
da cidade que descrevi…

 nov/ 2007

O sol raiava no horizonte, esparramando – se pelos montes, de onde transbordava, escoando seus raios e desnudando,

sem piedade, a feiura do lugar.

O sereno derretia e a terra orgulhosa já permitia o desabrochar das flores silvestres, de uma demorada quaresma.

A manhã era de cheiro suave, e por todo o vale podia sentir – se um vento e ver – se a beleza que balançava as mais belas quaresmeiras existentes no lugar.

De longe podia ouvir – se os pássaros cantando e as mais belas flores se abrindo; as abelhas e os beija – flores em flores se abrindo…

O lugar que era feio, ia se tornando num mais belo quadro: ia chegando o dia da Paixão de Cristo e findava a quaresma num belo Domingo de Páscoa.

É a Ressurreição de Jesus, que venceu a morte na humilde cruz.

Aquele grande vale verde, de árvores frondosas e de entrelaçados de flores e de pássaros cantando, ia deixando saudades de uma meiga manhã de sol,

com sua brisa suave e com um fantástico céu azul…

Pensando em todas estas coisas, consegui descrever um pouco o sentir da beleza da quaresma.

 Até o dia de Quaresma do ano qualquer

Sou uma pedra, que nasceu e cresceu em um lugar distante e muito rústico, também.

Cheio de montanhas e de vales. Com o passar do tempo, fui mudando de lugares, como numa erosão,

que desgastando, fez de mim se desprenderem várias pedrinhas.

Para mim, eram lascas de diamantes a lapidar…

Com o passar dos anos, as pedrinhas – meus diamantes cresceram e se encontraram com outras pedras,

que já não eram as do meio. E o meio – o nosso meio, começou a se transformar, mergulhando “intrigas entre os seus”.

Marcas profundas e penetrantes, difíceis de se apagar!

Erosão, que tem por função, aos tempos, as coisas adaptar.

Essas pedrinhas pequenas, lascas de diamantes eram minhas, cresceram e também sofreram uma nova erosão.

Por isso, novas pedrinhas nasceram e também cresceram.

Será delas uma nova criação?

Sendo eu a pedra principal – a mais antiga, do rochedo, já de olhos nos montes altaneiros,

de lá me imagino observando as minhas pedrinhas ricas, de algum modo já lapidadas, lapidando os seus brilhantes recém

– fendidas lascas, grãozinhos pequeninos, me inspiram grandes alegrias…

Penso: são frutos de meus frutos, pedras preciosas de meus rochedos, serão eternamente meus encantos,

porque são filhos meus, também…

Como é bom viver, pensando e sempre lembrando nosso passado; projetando

– nos para o futuro em forma de filhos, de netos, de bisnetos e de mais outros, também!..

 ano de 2007

 

Recordações de outubro

Era outono.
Entardecia muito cedo,
a escuridão tomava conta da
triste noite de insônia…

Olhando, por entre as janelas,
podia ver pessoas, a passos apressados
– pareciam querer chegar logo em suas casas.

A noite passava e eu não conseguia dormir:
ouvia o murmúrio do vento que se movia
entre os ramos das árvores, fazendo enorme barulho.

O vento balançava e assoviava
como se fosse alguém, na solidão da noite…

Logo que o vento se ia, chegava o amanhecer
com os cantares dos pássaros,
que despertavam muito cedo
para que eu pudesse os ouvir…

E assim, a noite passou…
Foi uma noite de insônia e de sonhos
que jamais… jamais, eu esquecerei!

Mais uma noite de outubro,
que eu passaei!..
 jan,18 de 1990

Amanhecia o alvorecer

Era um lugar distante.
Amanhecia o alvorecer.

Que lindo clarão!
Jamais poderei esquecer.

Era verão e o sol despontava.
Com seus raios dourados,
iluminava a relva molhada
pelo sereno da noite
que, aos poucos passava,
e uma triste saudade deixava…

O dia era tão iluminado
que fazia esquecer
o desespero e as confusões
que a noite tinha deixado
em meu peito apertado
– eu precisava do acalento
deste sol de verão…

E o sol, que despontava,
trazia uma grande alegria
para quem precisava
desfrutar o novo dia
com mais amor e
humanidade no coração!

Assim, começava o dia.
As novas correrias…
Esquecia-se do sol o acalanto

Crianças e jovens correndo,
por todo e qualquer canto…

Os adultos, mal-humorados,
pareciam não querer mais viver.

Horas depois, tudo mudava…

Agora, o dia findava.
Todos esperavam
por um novo anoitecer,
e, talvez, pensando
que a paz lhes houvesse
seus corações enobrecer.
Para que a insônia anterior
não mais viesse acontecer.

E a ilusão era tanta
que o sol,
que tinha amanhecido brilhante,
continuou iluminado,
pela noite adentro;
porém, agora,
em um outro amanhecer.
 dez/ 2007


Dois poemetos

1.
Linda manhã

O sol nascia no horizonte
– parecia uma bola de ouro…

Árvores se espreguiçavam,
ao longo das ribanceiras,
acordando os pássaros.

Flores desabrochavam,
borboletas voavam…
E tudo parecia só felicidades!..

Nem meus olhos,
nem meus lábios,
podiam falar…

da grande beleza que reinava,
nessa manhã de sol dourado.

2.
Ilusão

Ilusão é imaginar você para mim.
Você jamais me olhou,
você jamais pensou…
que o meu amor fosse assim!.

Coração dispara sempre –
toda vez que olho pra você.

Eu não posso entender
como é bom querer você.

Então fico a sonhar
com o seu olhar e,
você me dizendo:
“sim, eu amo você!”
 dez/ 2007


Meu refúgio

Fugi para as montanhas,
como um pássaro.

Queria sentir o perfume
das flores…

As flores fazem parte da brisa.
A brisa que acalma o vento,
Cujo som se esconde no silêncio.

Porém, os segredos foram ouvidos…
E quem os ouvira,
quis seguir os seus passos
Na grande estrada da vida!
10/12/2010


Flores ao vento

Flores carregadas pelo vento!
Deslizando pelas ruas
– mimosas e delicadas
Como se fossem um mar de vidro,
Esboçando um encantamento.

As nuvens choram
em forma de gotas.
As flores cambaleantes,
pelos caminhos,
agradecem!..
10/12/2010


Lugar imaginário
 
Terra sedenta!
Mananciais de água,
onde vivem os chacais
e crescem as ervas...
 
Rios transformam-se em lagos
-- ceheios de areia
e de lamaçais.
 
Terra sombreada
-- de fogo.
Enfraquecida pelo vento.
 
Árvores que tombam
com o envelhecimento
E chuvas
que caem sem cessar!
 
É tempo de transformação.
Nosso mundo está assombrado
e com temor.
 
Temor que nos faz mudar
de pensamento e de lugar.
 
Num sonho

A tempestade surgia
E o vento ventava;
A noite escurecia
E eu sonhava...

Sonhava com os vales
e com as montanhas,
Eu caminhava,
mas não chegava;
A estrada era longa,
Eu não me cansava.

Pelos vales descia
Cantando me alegrava
Com tudo o que via.
Logo depois, acordava.
set/20/2013