Mykola Szoma    --    O poeta da diáspora ucraniana  

                                          Meus versos como torrentes:              

Poesia    Vol. I
                                                                                    

   

    70 Quadras poéticas

                                                                                      
1.
Daqueles lânguidos murmúrios,
das folhas secas pelo chão,
nascia a tempestade... Furor bravio
que arrebatou-me o coração.
2.
Se ela quisera dominar-me um dia
Que coisa fácil! Tão somente deveria,
incontinenti, dar-me o seu amor total.
3.
Se no lodo lírios nascem e
se as sombras a luz refletem;
porque meus sombrios cantos
só germinam, mas não florescem?
4.
Se naquela madrugada sonolenta
dos teus braços eu não fugisse,
com certeza, ver-te-ia morta...
Bem que a tua mãe me o disse!
5.
Na tua vestimenta rococó
- cheia de placas, de costuras
tu somente mostras e tão só,
que não tens gosto nem cesuras...
6.
No jardim de faustas flores
mil saudades sinto eu...
- É que flores e saudades
se misturam no Ego meu.
7.
De bombinha transvaliana
- que ao tocar o chão explode;
é o meu coração enamorado
- ao te ver, em pranto explode.
8.
De hortênsia azul, rosada e branca,
em capítulos disposta, eu cerzi com arte,
em torno dela, uma muralha indevassável.
Hoje, ela vive intocável. E eu à parte...
9.
Buzinei à porta dela e
o pai dela não gostou...
Disse ele: "Que ousado!
Com respeito me faltou..."
10.
Semeei amores. Flores espalhei.
- Colhi espinhos e desamores...
Ah! Que vida ingrata essa!
Mas onde foi que eu errei?
11.
Joguei na loto toda minha esperança,
ao nenúfar e ninféia me agarrei...
Qual não foi o meu espanto, gente!
- Ninfas me susteram... Acordei.
12.
Se de Tágides não tenho auxílio
nem bebi das águas de Hipocrene;
por que hei de fazer versos deca...
numa fúria sonorosa e solene?
13.
Ao trajar-me mui decente
tão somente quero estar...
Poius, se o hábito não faz o monge
nem, por isso, o monge vai blefar.
14.
De verão as chuvas quentes
fazem bem - purificam o ambiente.
No inverno... Que desgraça!
- Gelam até a alma da gente.
15.
Do trampolim dos teus amores,
às minas de ouro queres saltar.
Ai! Esse teu geito de agir funambulesco
um dia, ainda, te pode prostrar.
16.
Cantilena dos meus sonhos
me acossa a todo instante.
Mesmo estando em devaneios,
cantos os sonhos de infante...
17.
Presto jocoso dos teus poemas
forma sonatas no meu sentir...
E canto eu, ao dos flautins e de flautas,
graciosos ritmos. Apenas, quero sorrir.
18.
Cartomante me dissera, um dia,
que eu iria ser feliz com ela.
Acertou em cheio. Sou feliz -
passo os dias, ao lado dela...
19.
Transitivos são os verbos
que um complemento pedem.
Mas, no amor são transitivos
os amantes que não cedem.
20.
Serralheiro corta ferros
e com eles faz a arte...
Meu amor me corta o peito
ao de mim zombar. Desfaz.
21.
No jogo ardiloso da vida
só vencem bravios e fortes.
Os fracos, cansados, vadios,
porque indolentes, nem podem jogar.
22.
Se dos teus sonoros cantos
sabiá, eu pudesse me safar...
Que trinado mais canoro ouviria?!
Não há outro passarinho a imitar!
23.
No recôndito dos teus interiores
há mistérios indesvendáveis!..
E se alguém tentar esmiuçá-los,
eu previno: eles são indecifráveis.
24.
Louvar a Deus, é lei suprema.
Amar ao próximo, também...
Mas comportar-se como gente
- eis a conduta. A todos convém.
25.
Ao som dos plangeres da viola
cantas, poetas, um canto novo!
Canto brasílida - sublime e belo.
Canto que cante o feito do povo.
26.
Uma obra libertária - um poema
é uma flor desabrochando...
Qual rebento, vida da primavera,
para o mundo entulhado acenando.
27.
Tolheu-me a sorte favores e harmonias
- da lei do acaso provei a desventura.
Da guerra, cedo senti a fria morte
- vi meus irmãos caindo na sepultura!
28.
Qual Fausto de Goethe a minh'alma
procura o seu remorso acalmar...
Por ter cometido o grave pecado,
hoje padeço. Eu quis te amar.
29.
Metástase da vida eterna - a imortal,
tu és do núcleo assente a sede...
És climax da cósmica herança milenar.
Momento atual! A estridente síntese final.
30.
Construir algo sobre o nada e
que esse algo se mantenha em pé,
não vejo como! Não entendi...
Monsier Flaubert, como é que é?
31.
Nos campos abertos, em noites de lua,
quisera meus cantos doridos cantar...
Talvez até à Lua o meu canto chegasse!
Ela em ouvir-me, talvez, quizesse me amar.
32.
Formosa heroina dos meus devaneios,
nos teus sonhos, não sonhas comigo? Não?
Pois eu, nos sonhos meus, vejo-te sempre!..
E, para sempre, quero pedir a tua mão.
33.
Eu canto meus cantares de loucura,
pois loucura é a vida de alegria.
E se viver sem cantos eu tivesse de,
mais fortes os cantos meus seriam.
34.
Suguei o cálice de vitupérios.
De vossas mãos sustive o peso.
Hoje dizeis ser meu amigo?
Pois vós sois crápula. Sem pejo!
35.
Dizeis adrede que sois humanos,
porque nascestes como tais.
E eu vos digo, de mente sana,
que sois farsantes marsupiais.
36.
Sonambulando pelas ruas asfaltadas
sem nexo,sem destino, quantos não há?
Serão seres viventes? Ou serão manes?
Pelo aspecto dos semblantes... Será?
37.
O núcleo, em mim jacente,
do meu resquício imortal,
conduz-me célere ao imanente
- para além da forma temporal.
38.
Se, tão somente, crer bastasse e
ser fiel devoto só chegasse, oh!
quanta gente crédula e sem pejo
do céu às portas não adentrasse!
39.
Por que ignoto ser é hoje a moda?
Será o medo de se salientar?..
Ou, por não ter nada na cachola,
melhor é precaver-se a se mostrar?
40.
Do céu nublado a tensa fúria é tal
que mal aguarda a hora de explosão.
E sinto medo - parece até hora fatal!
Do canto meu, findou só a ilusão...
41.
Seráfico modo dos teus gestos
- empunhando a cruz-de-malta...
Significa o quê? És, acaso, um
devo crente? Ou um simples peralta!
42.
Não! Por favor, não digas nada.
Já cansei dos teus lamentos...
Hoje, eu quero espraiar-me à toa.
Sol e água. Quero uma vida boa.
43.
Amarrilho de esperanças,
que ataste os sonhos meus.
Vem atar-me aos seios dela
- sufocar-me nos braços seus.
44.
Se nos cantos meus eu canto,
sem cessar, os teus encantos;
algo, então em mim se passa
- ou, porque te amo; ou, por pirraça.
45.
Seresteiro da seresta
da saudade de acolá...
Cante-me de novo o canto
que transporte-me pra lá.
46.
Com medo da morte, lutamos pela vida.
Com medo da vida, queremos morrer...
E assim vivemos, o dia-adia nosso,
até que a morte nos convoque: Volver!
47
Ao som de um piano 'allegro'-lento
imaginei valsar-te docemente...
Não era piano. Nem tu valsavas.
Eram teus prantos. Tu choravas.
48
Privei os seus abraços (dela).
Beijei os lábios rosa seus. E,
no regaço dos seus seios macios
sonhei, sonhando os sonhos meus.
49
Montanha maldita dos meus desencantos.
Subi tanto acima que sinto-me um rei!..
Sob os pés jazem lindas planícies. E,
eu solto no espaço... Agora, o quê farei?..
50.
Construi mil castelos na aréia.
Outros tantos, nas ondas a flutuar.
Veio a maré e, na fúria dela,
levou os meus castelos para o mar.
51.
 Perdoe-me, minha querida.
 Não seja comigo ingrata –
 o deslise não foi premeditado…
 Afinal, eu adoro uma mulata!
52.
 Da janela do meu quarto
 no quarto dela, juro, eu vi:
 alguém como se embolando…
 Credo! Cruz! Eu não menti.
53.
 No olhar dos olhos dela
 quero meus olhos cegar.
 Talvez deste modo possa
 do seus flertes me livrar!
54.
 Da janela do meu quarto
 no olhar dos olhos dela
 percebi algo estranho –
 eram lágrimas. Chorava ela?
55.
 Dizem que o amor é traiçoeiro
 – abre a porta sem se anunciar.
 O meu, limites excedeu. É feiticeiro!
 Encantou-se por completo. Fez penar.
56.
 Entre as flores campestres
 a que mais me tocou o coração
 não foi a orquídea, nem cravo;
 foram os teus lábios. Satisfação!
57.
 Da varanda dos meus anos
 eu só guardo uma saudade
 – a de ter vindo ao mundo,
 nú, despido. Sem maldade!
58.
 Se o chorar fosse um alívio,
 mais leve que pluma meu peito seria.
 Ora, bola! Tanto, tanto choro…
 Já me sinto abatido sob o peso d”agonia.
59.
 Do luar da minha terra,
 nos teus olhos, vejo o clarão.
 Dos teus olhos, no meu peito,
 sinto a dor. Esquarteja-me o coração!
60.
 Se alguém pudesse, um dia,
 a delicia dos teus seios saborera,
 com certeza, não viveria o suficiente.
 Morreria antes mesmo de o tentar!
61.
 No orgasmo do nosso amor excitante
 tuas coxas são a peça principal…
 Sem elas o doce prazer do sexo
 não passaria de um mero ato teatral…
62.
 Lambuzar-me na gosma do teu sexo
 é o mesmo que banhar-se nas águas do amor.
 Sinto-me mais leve… Reconfortado.
 Preparado a gozar as delícias da dor…
63.
 De açucena guardo a beleza e o aroma;
 do jasmim (gardênia) a cândida brancura.
 Do teu corpo, na memória, guardo tudo.
 Tu és lírio. És gardênia. És formosura!..
64.
 Se na vida há certos momentos,
 que nos fazem tristes. Impingems a dor;
 há outras horas, menos tristes,
 que nos fazem ver estrelas do amor!
65.
 Nos cantos meus, os teus encantos
 não há quem possa não sentir…
 Caso assim pudesse, seria o mesmo
 que um jardim pudesse não florir.
66.
 A sua graça é a minha desgraça.
 Quedo por ti, o meu peito cambaleia…
 Porque de mim tu foges sempre!
 – O meu coração magoado se anuvia.
67.
 Na emboscada dos seus meigos afagos
 caí de corpo e alma… Por inteiro!
 Desvencilhar-me agora não consigo
 – ele meteu-me, até os ossos, no atoleiro.
68.
 Das lindas frases dela, recordo aquela
 que ela dissera ser eu o primeiro…
 Mas que metira! Tão impudica!
 Já mais de cem usaram o seu canteiro.
69.
 De trovador tenho a sorte.
 – Cantando vivo o meu penar.
 Mas tão somente ao quatro ventos
 atinge o eco do meu cantar.
70.
 Não digas nada ao ver-me triste.
 Faças de conta não teres me visto.
 Menor é a dor, mais fraco é o corte
 do espadachim, ao ver-se só à frente à morte.


Nota:  

Estas quadras brotaram no balanço do ônibus  e no compasso dos

trilhos do trem,  quando eu  ia ao trabalho nos idos dos anos de 1980.

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*** E tudo era bom

Nas altas torres de concreto
 sobem aos céus os afazeres
 de todos os prazeres
 – os dos humanos
 não dizeres…

Secretos desejos corroidos
 pelos insanos sonhos
 nas sombras diluidos
 – sombras da história,
 já esquecidos…

Eram profetas e sabedores
 das coisas que aos outros
 não revelavam. Diziam:
 somente a Deus,
 contas prestavam.

Assim, dos outros a sorte,
 em suas mãos aguerridas,
 tensamente seguravam!..
 E, todos os outros
 se lhes davam.

Havia sempre as gentes
 e estas nunca lhes faltavam.
 Portanto, era só querer
 e assim, querendo,
 ditosamente mandavam.

Reconhecidos por todos
 sempre ficavam.
 Por todos eram amados.
 Diziam que também amavam.
 O mundo era assim.

Todos se emparelhavam.

Nem uns,
 nem outros,
 jamais reclamavam.
 Apenas andavam…
 Amando, se odiavam!

Aos domingos e dias santos
 louvores juntos clamavam!

Todos se emparelhavam.

*** O grampeador e os grampos
     setembro 4, 2008

Para usar-se alguns grampos,
para grampear um calhamaço
de papeluchos relacionados,
se faz o uso de um grampeador.
E, na medida do portador…

E, deve ser deveras adequado,
que não estrague os escritos,
neles deixados, pelo agente que
tenha manifesto ali a marca sua
– a sua marca de escritor…

O grampeador será de eficácia
e de eficiência quase total se,
ao grampear os relacionados,
não os rasure nem deixe neles
a sua craveira estampada. Vital.

Grampos há de tamanhos vários
– alguns menores, outros maiores
e, em todos eles, o final é similar:
juntar papeis esparsos, para que
não se espalhem pelo quintal!..


*** Gênesis, cap. 1

       setembro 4, 2008

A terra era vazia e um absimo profundo navegava
e, sobre este abismo, as sombras se estendiam.
Mas, sobre as águas o espírito de Deus estava…
E se movia e meditava. Alguma coisa planejava!..

As águas eram muitas. Ainda não eram oceanos.

Terra vazia, sem forma ainda e nela nada crescia.
Então, foi ncessário que a luz do nada eclodisse,
para que as trevas dela se diferenciassem. Assim,
pela vontade do Criador, dias e noites começaram.

Primeiro dia: tarde e manhã. Contagens iniciaram.

Que as águas se separem!. Surjam rios e oceаnos!
Os Céus cubram a Terra. As ervas se produzam…
Florestas nasçam, répteis se reproduzam e аs aves,
por sob os céus azuis e estrelados, apareçam!..

Que as baleias grandes nos oceanos se abasteçam!

Alma vivente povoe a terra. Cresça o gado e a fera!..
O réptil explore o solo da terra. Algo faltava. Pudera!
Quem tomaria a conta deste jardim na primavera?..
E Deus pensou e disse: Farei do homem a sentinela.


*** Os filhos face a seus pais

       setembro 8, 2008


Ser honesto vale a pena?
A pergunta que entra em cena
e a nós, os pais de agora,
cabe a tarefa de responder!

Para mim, cá entre os botões,
eu diria, francamente, “não!”.
Mais adiante explicarei a causa
da minha descrença no adágio:

“Ser pai, é ser artífice de algo
digno e valoroso. E cioso é…”
Bem! Assim não seja aceito
como certo; talvez, lisonjeiro.

Ser um pai, nos nossos dias,
é acatar as mil manias e fatias
das esquisitices embrulhadas
no casulo dos filhos liberados.

Mas que filhos! Por nós criados?
Trabalhamos, seguimos à risca
o destino, nos imposto, do existir.
Procriar, sermos felizes. Possuir!

Normas feitas pelos outros –
seguindo figurinos que persigam
os anseios do seus objetivos.
Seremos então nós os produtivos.

No final, de um processo tão infuso,
nos sentimos como um cravelho –
de franco uso, nas mãos dos sábios
e formosos filhos ditos nossos…

Sentimo-nos confusos! E, parafusos.
De ferramentas parte somos… Nos
manipulam, torcendo para os lados,
que mais convenha aos imaturos!..

Filhos modernos… São atuais…
E mais modernos se apercebem
em quanto mais se despercebem
em nada diferindo dos seus pais.

Razões há muitas, mas estas
o são bastantes, para dizer-se
que enganar-se — fingir-se outro
em nada é honesto. E, por demais!


*** O Amor 

       setembro 8, 2008

Em nome do amor nem tudo se pode.
Há coisas maiores, devidas ao respeito:
o senso moral, a existência do outro!..

Humanos nós somos, temos normas e
temos de prestar contas àQuele que vê
qualquer ato do nosso comportamento.

Sou dono de mim até o ponto, em que
não transgrida a vontade acima de mim.
O Senhor que outorgou a vida p’ra mim.

O amor não é um sentimento. É um ato
profundo, que não pode ser banalizado -
implica em respeito de outrem: o Amado.

É um conjunto de reais atributos leais e,
se mostra fiel em ser no outro refletido –
engrandecendo a quem se é oferecido!..

Respeito, compaixão, não a paixão voraz
que dilacera a vida… Amor constrói e faz.
Amar alguém, é dar-se a ele… Satisfaz!..

Nas horas tristes, amizade; na solidão,
consolo e mão amiga; nas tempestades,
abrigo certo. Amor acolhe à hora e sacia.


*** A filha do Jairo 

       Mc 5:21-23, 35-43 

       setembro 9, 2008

Não! A menina não está morta.
Está dormindo ela. Tenha a fé!
Disse Jesus a Jairo, já abalado,
por ter perdido quem amava…
Filha inerte, no leito, fria estava.

Da sinagoga local, Príncipal era;
porém, caiu aos pés do Mestre,
de quem falar somente houvira e
a quem, com toda sua devoção,
um milagre e só, com fé pedira!

“Talita cumi”. Não está morta!..
Saltou do leito, era infante ainda.
Calou-se a multidão alvoroçada.
Jamais se vira um feito destes –
alguém dos mortos levantar-se?

Quando ainda em assembléia,
Jesus, prudência pedira. Apenas
autorizara, que o seguissem já,
Pedro, Tiago e João. Depois, a
própria multidão teria a noção!..


*** Era 10 de setembro de 2008 

Ouvi a sua voz chamar-me.
E acordei, já eram quatro…
O rádio-despertador tocava já.
A hora era de eu levantar-me.

Espreguicei-me, fui à janela.
Afastei uma das folhas à direita,
olhei para baixo. Mas nada vi…
– Na calçada, junto à porta ,
ninguém havia. E nem você!..
De quem então a voz se ouvia?

Quem foi que tinha me chamado?
Meu nome proferido, me acordado?
Talvez, na minha mente sonolenta,
você clamasse por algum auxílio,
ou tenha eu assim me enganado
que, em sonolento estado mesmo,
por você e sua sorte me ocupado?

Mas, eu ouvi você chamar-me…
 Logo cedinho. Dormia eu ainda e,
 o rádio-relógio ainda não tocara,
 p’ra avisar-me: a hora já chegara.

A hora de fazer o café do dia…
Dar beijo carinhoso na esposa,
fazê-la levantar-se para o seu labor
– cumprir as tarefas todas do dia.

Depois, na calma solidão das horas,
leria eu os meus E-mails… Depois,
meus afazers proveria: escrever versos,
ouvir notícias. Ouvir canções e mais…

Vencer as horas intermináveis do dia.
Porém, não foi assim. Não esquecia
que a sua voz eu tinha ouvido. Aquilo
era o quê?. Você clamava e eu ouvia?

E não esqueça! Sou pai, amo você!..
Quero lembrar que não padeça à toa.
Você quem escolheu um outro ninho.
Seja feliz, trilhando o seu caminho…

Quis sustentar-se nas próprias asas,
voando pelos espaços do insondável.
Agora, lembre-se e não esqueça que
o amor dos pais é vero e infindável!..

Ouvi a sua voz chamar-me.
E acordei, já eram quatro…
O rádio-despertador tocava já.
A hora era de eu levantar-me.


*** No clube dos gatos do mundo

       setembro 23, 2008

Dois gatos pingados,
dos gatos do mundo,
certa feita, numa desfeita,
uma greve valerosa decretaram.

Greve era até justa e
possível, se não fora
o imprevisível: um gatuno
que não gato — inoportuno,
no fato se embrenhou e,
no pacato clube dos gatos,
– aqueles gatos do mundo,
a gatunice espalhou…

Foi então que aconteceu:
a vaca, nada tendo com a história,
o seu leite não mais deu…
o pão, que de farinha se fazia,
não amadurecendo a massa, não cresceu…
mariposas, que ainda não eram esposas,
voar não quiseram. O ambiente se entristeceu…
os grilos não cantaram,
porque diziam: se os vagalumes não voaram,
então, por quê cantar?.. Se tudo escureceu?..
os homens se grilaram e ninguém mais se entendeu…

Diante de tanto inusitado acontecido,
a greve não prosperou. E, até mesmo, terminou…
No pacato clube, dos gatos do mundo,
nenhum gato pingado mais restou…


*** Para a minha mulher 

       outubro 15, 2008


Morena formosa!
 Sempre amiga,
 tranquila e serena
 pequena morena
 maviosa açucena
 – morena do meu suspirar.

De olhos castanhos
 de encantos tamanhos
 – a tua lembrança bem-fazeja
 inspira-me uma esperança
 de todos os dias
 nos teus seios
 de seda
 – macios
 – amenos,
 envolto em carícias de tuas delícias
 dos teus braços esbeltos,
 eu me consuma
 de tantos afagos
 do olhar dos teus olhos…e,
 na penumbra dos meus.

Morena viçosa,
 da cor de canela,
 estás na lembrança
 – és minha bonança…
 És o esteio do meu labutar!

Morena querida!
 Tu és o meu sonho,
 a inspiração da minha vida
 – és tu, Nélia, a minha choupana de abrigo.
 Somente contigo, consigo me amar.

És o meu sonho,
 a inspiração da minha vida.
 Continue formosa açucena.
 Nos meus braços abertos,
 que à espera dos teus sempre estão,
 venha o teu corpo cheiroso pousar –
 de novo eu quero te amar!..

Morena formosa,
 pequena ditosa,
 cheirosa qual rosa
 – és flor a mais linda do meu jardim,
 és mais que minha própria vida para mim.

Teus olhos castanhos
 de encantos tamanhos
 que me fazem delirar e,
 morrer de saudades e suspirar.

Morena cheirosa,
pequena e graciosa,
o teu corpo fogoso
venha nos meus braços reclinar.

Nélia dos Santos Szoma,
sem ti jamais eu poderia,
como estou hoje, estar…


*** Morena formosa 

       outubro 15, 2008

Formosa e branda mulher
– morena de olhos castanos,
cabelos esguios
que roçam-me as mãos.

Teus olhos pervertem minh’alma –
inspiram idéias de cunhos malsãos.

Formosa e branda mulher
– morena de seios macios,
quadris rebolantes
que queimam-me as mãos.

Desmontas-me todo e trêmulo fico –
prostrando-me, insano, ao chão.

Formosa e branda mulher
– morena de encantos tamanhos
que iguais jamais vi
e, em sonhar, me perdi.

Teus olhos e seios, são meus devaneios.
– Morena formosa! Não zombes de mim!..


*** Da Miréia de Mistral 

       outubro 15, 2008

Inspirado nos cantos de Miréia de Mistral,
eu faço do seu poema a minha sua melopéia.
De amor repleta, de heróicos feitos cravejada
– qual espada de São Jorge reluzente,
no peito, de dragão gigante, traspassada –
tinindo, cantando o ato bandeirante,
domando o vasto continente!..

Soai trombetas,
rufai tambores!..
Tamborilai…

Que a hora já chegou;
deponde vossas armas
do grande cacique
– o vasto império já findou!..

Soai trombetas!
Gemei lamentos,
ao som de atabaques…

A última festa celebrai!
Vossas mulherees sedutoras,
vossas amantes tentadoras
de vossos leitos despojai!..

Soai trombetas!
Dançai ao sol poente,
ao som de maracás e de borés.

Vossos guerreiros enterrai!
Vossos filhos e vossas filhas,
ao invasor de longe vindo,
em oferenda resignados entregai!..

Sob o tênue manto invisível,
luziformes estrelas luzentes,
reluzem no espaço o seu brilho fugaz.

Magali, a donzela do canto terceiro,
fazendo-se flor por instantes
– de olor relaxante,
nuvem espessa vagante,
encobria os límpidos céus e,
a lua boiando, por entre as núvens,
qual nave perdia-se entre os raios
cortando os espaços
vencia distâncias e,
aves voando plainavam nos ares,
bailando ao léu e,
os peixes tomavam seu banho
nas águas do mar…

Águas límpidas e cristalinas
espraiando-se deslisavam pelo chão.

E, Magali
qual eco ressoante e fugidio
em vão furtava-se ao amor.

Vicente, o seu amado
– o seu eterno namorado,
seria seu, cá nesta terra
ou
na do além…

Assim, em vão cantais –
filhos da selva!..

Em vão bradais
aos deuses do nascente.

A terra que já vossa fora,
que dela um dia fizestes
a grande nação guarani e,
nela cantastes belezas,
nas noites serenas –
sonhando amores
no grande idioma tupi.

Como água, por entre os dedos,
de vossas mãos, ora se escoa e,
como o vento a terra voará e,
baterá nas faces rubras do invasor
para ser dele e dele ela será!

O bandeirante viril e corajoso; então,
por mil anos ininterruptos a domará!


*** Os “cristãos” do século XXI

       outubro 27, 2008
                                    I
Naveguei pelas águas turbulentas da Internet.
Descobri atracadouros, dos mais diversos tipos
– dos que ofereciam algum repouso agradável;
até de outros, que atormentavam com os seus
ensinamentos desviacionistas. Deseducavam!

Havia um que pretendia de Deus o verbo alinhar.
Dizia que faria o chauvenismo masculino apagar;
o próprio Deus, tornar-se-ia um neutro. Porque,
nos dias da modernidade, uma mulher completa,
do poder divino, tem todo o direito de participar!..

“Today’s New International Version”. Outras:
“Holman Christian Standard Bible”, mais ainda,
“New International Version”. Só p’ra complicar!..
Haja tantas editoras, para a palavra do Senhor,
quanto mais possível for, em sua base falsear!..

Encontrei os cristãos novos — os da Nova Era.
Não admitem salvação misericordial. Também,
não aceitam o “pecado original” e, o Lúcifer –
não passa de uma fantasia, na sua vida real…
São adeptos do Estado de Bem-Estar Social!..
                                    II
Muitos crentes “evangélicos” — se dizem tais;
porém, orações fazem aos “Santos”… Acham
que seus pedidos atendidos, sempre o foram,
por seus amigos já partidos. — E corroboram!..
O Corão, a Bíblia, e o Livro dos Mormons –
são escrituras sagradas. No fundo, são iguais.

Da “Benefit Resources Group”, George Barna,
notou ser, o cristão de hoje, um ente eclético:
alimenta a sua fé cristã com o positivo herético.
Assim, não fica fora do dia, das preocupações
cardinais, da humana e cotidiana sabedoria!..
Haja tanto dissernimento… A Bíblia já previa!

Um terço dos sacerdotes anglicanos duvidam
do ressurgir do Cristo, após três dias… Até,
não mais dão crédito ao nascimento puro –
virgem Maria não o era. Sacerdotisas novas,
nisto não creem. Pudera! Sir Royen Williams,
chefe da Igreja,  membro Druida se fizera!..

Andrei Kuraev, um sacerdote ortodoxo puro,
passou a defender as obras de Harry Potter…
Não fazem mal ao cristianismo — são magia,
bruxaria e sortilégio, coisas banais. Divertem
e educam os infantis nas coisas dos imaginais.
Deixemos que se propaguem as subliminais!..

Mais um exemplo de como está a fé cristã.
Numa das catedrais romenas, um quadro
estranho apareceu — um afresco: George
Bush (o pai), Paulo II (o papa) e o Mikhail
(o Gorbachev), pregando a paz ao mundo…
Será que não percebemos mais o fundo?..

União secreta — mais forte que um partido,
que uma nação armada ou uma religião –
“maçonnerie” seu nome predileto, engana já
até um venerando Reverendo… Um cristão!
O Arcano místico comunial, seu Deus não é
da Salvação, mas Engeheiro de profissão!..

Liberalismo com seus valores, profissionais
livres, sem preconceitos nacionais, unidos –
se dizem Rotarianos, prometem felicidades a
todos os homens… “Humanidade indivisível!
Faremos pontes de amizade!.” para que –
“sejam felizs todos”. É o slogan da entidade!..

A Neederlândia, algo estranho conheceu –
a pedido de Edgar Deno, o seu cão pudol
Mautrel, obteve do pároco local de Leuven,
às missas assistir. Era um fiel, mas não latir!..
Talvez, por isso, já se proibe nas escolas –
lições de religião… Melhor, do que grunir!..

O novo Catecismo Anglicano, foi atualizado.
Será o Quadrilátero de Chicago-Lambeth?
Proclama, em suas instruções eclesiais, que
o fiel, que na coluna do meio for identificado,
não deve sentir-se constrangido. Foi Deus
que lhe deu este dom, p’ra ser glorificado!..

“Projeto Segunda Vinda”…  Quatorze líderes,
unidos clamaram: faremos o clone de Jesus.
Seu reino novo fundaremos já. Sacerdotes e
cientistas californianos assim pensaram. Não!
Não podemos mais esperar a vinda natural…
Derrotar o pecado queremos. Temos pressa!..

Adam Parfrey — o líder do grupo. Editor da
“Feral House Publisher”.  Dois mil anos idos.
E, não mais se pode esperar, para as dores,
das gentes humildes minorar. Temos o DNA
do Sudário de Turim extraido. A “Túnica de
Argenteuil” — para tanto, tem contribuido!…
                                    III
Cansei coletar, contra a Igreja, os vitupérios
de gentes insanas. Sem  pudor. Não sérios!..
Falsos profetas e mestres sem pejo — apenas
propensos a saciair, e só, o seu carnal desejo.
Um ponto final. Termino por aqui. E, basta!..
10/27/2008


*** Do meu amigo diferente

       outubro 25, 2008

Ele destes que não mente;
mas, também, não diz verdade.
Muito esperto! A sua vida é
vender sonhos e felicidade…

De conversa, pouco amena;
mas, de muita densidade –
quem ouvi-lo uma vez, verá,
nele, uma grande sumidade.

Porém, um outro encontro,
o seu jeito não provoca, não!
Dizem que por causa de ele
ser um pedante e sabichão.

Ser amigo de assim pessoas,
não é facil. E, não é não!..
Mas, o que se fazer pode, se
o destino fez, de nós, irmãos!..

Não geneticamente dito, mas
por força da fé professada –
Ele é o mestre do Rei divino;
eu, uma ovelha descuidada!..


*** In memoriam de 25.10

       em 2008

As 53 teclas de piano comum,
dos que existem em uma casa,
o som não produzem nenhum,
caso não haja quem possa –
ao menos de modo simplório,
tangê-las… — É o fato notório!..

Mas, tirar melodias de um piano,
só tocar suas teclas, não basta;
é preciso saber ordená-las. Digo,
combinar tons e meio-, sustenir
fusas e colcheias, trifusas usar
e stacatos bater. Oitavas toar!..

Sete oitavas e meia. Extensão
natural de um piano normal…
No total, oitenta e oito teclas –
com bemóis e/ou sustenidos,
estão presentes. São ouvidos
seus sons, quando tangidas!..

Parece tudo estar conforme…
53 teclas… Algo não bate, não!
Uma a mais. 52 seria o normal.
E, de 36 semi-tonais, ausente 1.
A disfunção aqui está. Trocou-se
o meio-tom por um completo!..

O piano desafinou. O maestro,
 que o teclado dedilhou, não viu:
 Teclas haviam em trocadilho –
 os meio-tons se confundiram!..
 A 36 quis ser 53. E, não podia.
 O piano todo, não mais valia!…

A melodia do maestro ecoava,
mas o seu eco ensurdecia só…
Não agradava a ninguém.
O teclado confuso se seguia,
por entre os tons e os semi-.
Entre os extremos se confundia.


*** Observação de fatos 

       outubro 23, 2008

Cresci 450 moedas mensais…
Era o mes de outubro. Demais!
A galera unida, cantava o coro
de tanta beleza que — Eu choro!

Não quero falar mais, do evento
que, por sobre os hombros dos
pequenos burgueses absurdos,
impôs um encargo dos burgos!..

Na verdade, o ator — bem maior
que a sua estatura normal, quis,
no dizer do autarca pára-normal,
servir ao comum… — Paradoxal!

Tocar uma trompa. É? — não sabe.
Dedilhar um teclado? Sem pendão!
Então quer o que, o feliz “Reinão”?
Destacar-se, apenas, um pouco…

Seguir o seu curso de provo — do
extenso vinhedo existencial… Mal!
Ser mais, sem esforços… E tal…
O instrumento de toque? Só labial.

Um dízimo arlequim

O meu dízimo eu dizimo
p’ra não verem plus em mim.
Sou esperto e bem sabido
– sou Nintendo arlequim!..

Meu dinheiro é mais graúdo
– de coloração esverdeada.
Se eu usá-lo sem controle,
poderá virar o pó da estrada.

Os problemas dizimantes
se resolvem, num instante,
se pesarem-se, na balança,
os ativos atos praticantes.

Os meus préstimos baratos,
em favor dos pobres e pacatos,
são deveras suficientes p’ra
suprirem os valores deficientes.

Construi alguns impérios. Não
tão grandes; porém, sérios!
Não os posso dizimar… Não.
Meu dinheiro é meu, irmão!..

Mas, venhamos. É verdade!..
O que passa, por entre os dedos,
não está pleno de conformidade.
Então, farei o dízimo pela metade.

Desta metade, dizimarei metade
e, a outra, pouparei! Dizem que,
em terra de cegos, ter um olho é
o mesmo que ser quase um rei!..

Não sou rei. Mas sou Nintendo.
Bem entendo deste assunto…
Tenho muito, em meu apreço,
a posição feliz de um arlequim!..


*** Os anos consumidos

Consumida pelos anos,
no embalo das carícias
de amor pagão profano,
a sua vida dissoluta –
numa taça inebriante,
qual gazela ofegante, ela,
prazerosamente estraçalhou.

Vive, hoje, abandonada.
Apenas lembranças –
de vaga memória
das últimas noites suas,
leve tépidas ainda;
mas, já quase frias,
resplandecem ao luar…

Consumida pela vida.
Sem amigos, sem afeto.
Sem consolo, amargurada,
em desdoiro chora!..
O vídeo-tape, do passado,
os seus últimos dias
quão áspide aflige e desola.

O passado deslumbrante
– repleto de sonhos,
nos braços envolto,
das noites luzidias,
na bruma dos ventos,
com luxo de pompa,
nunca mais… Jamais volverá!

Ao som de um batuque,
de um toque de samba
– hoje, só um triste evocar,
jamais soará a canção predileta
para fazê-la às nuvens voar.
Dos dias perdidos p’ra sempre
jamais haverá um retornar!


*** O pensamento do mais velho 

       outubro 20, 2008

Eu defendo o teu direito
até o pnto que me convém;
depois, descartado serás tu
e os teus todos, também!

Não esqueças! Sou Nintendo
e assim me sinto bem.
Faço as coisas meditando
sobre — só o meu vintém…

Construi cinquenta anos longos,
outros, mais longos, já vivi.
Aprendi ter olhos de águia,
enquanto os sonhos persegui.

Convincente fui comigo sempre.
Sempre ao lado caminhei
dos que pensam serem doutos
– assim, eu deles me safei!

Dizem que Deus ajuda àqueles
que cedo madrugam p’ra ouvir
os lamentos dos vencidos –
pois assim procedo. No porvir!

Muitos por mim passaram e,
por muitos, também eu passei;
porém, todos se frustraram!..
Aqui estou firme. Não terminei.

Faço acontecer o que adoro –
construir abrigos longes daqui.
Engenheiro sou e sou tutor
dos “castelos” que já ergui…

Cuidado tenham comigo. Todos!
Não costumo ceder em nada.
Acredito ter verdade toda…
O resto não passa de uma fada.


*** Parábolas que não o são

       outubro 15, 2008

Uma parábola não é qualquer mentira.
– É uma curva de pontos equidistantes
de um foco e de uma diretriz…

Melhor diria, um cone seccionado,
por um plano paralelo à do cone geratriz.
Porém, uma mentira parábola não pode ser.

Uma mentira de pouca monta pode crescer,
a título de iluminar as mentes obtusas,
ou, ao seu contrário, podendo abastecer.

Uma parábola exemplifica uma mensagem,
para melhor podermos compreender. Mas,
por menor que seja, a mentira faz obscurecer.

Vi casos de parábolas tão mentirosas,
saindo de inteligências muito duvidosas, que
diziam terem “sonhado” subindo aos céus.

Pisaram lá ruas douradas, viram parentes
festejando seus pendores afetivos e,
de quebrada, mandavam cá seus assertivos.

Oh! Quão insano é o parabolista que,
de uma lista das possíveis, todas despresa,
para inventar uma sua. Sem cabeça… Nua!

Parábola, parabolóide… Não diferencia? Não?
Não seja um debilóide! Dizendo que viu anjos
voando em túnicas azuis. Senil ficou? -Cruz!

Nos altos lá de cima, as coisas são imortais.
Materiais que se consomem, não são vitais!..
Como pois estava lá, você um dos mortais?

Parábolas assim, não dão exemplos bons –
ensinam a mentir. Crenças espalham por aí.
Inventos são de quem não conhece nem a si.


*** São Paulo, a Metrópole

       outubro 15, 2008

São Paulo, a grande metrópole
– um gordo super mercado,
em permanente liquidação…

Não de produtos perecíveis,
da produção dos homens,
mas de almas humanas…

Algumas delas destroçadas
outras ainda, desavisadas e,
todas, tomadas de emoção!

Bola de Neve — super produto
que anestesia toda a razão.
Embala tudo na sensação!..

Canto estridente, onipresente
que tange as cordas de uma viola
– um rock puro… É, meu irmão!

Da “Nova Era”, tem-se de tudo.
Desde as idéias do “positivo”
até o despreso do “volitivo”…

Apenas deve seguir-se o script,
de um dos gurus, da promoção
– de vida farta, de boa ação!

Pagar carnê de apontamentos,
de estar em dia, no comungar
dos que por ti dizem pensar.

Das Assembléias da decisão
se tira apenas uma menção:
“a Salvação se compra”, irmão!

O sincretismo tomou a todos.
Não se permite mais distinção
– sendo unidos, por que a Razão?

56 mil seitas e religiões. Igrejas,
as há aos mil montões… Brasil!
Acorda! Por que tantos senões?

É porta de uma oficina de lazer
– ali, de fato, um “templo” será.
Até que o seu fautor o desfará.

O nome? Pouco ou nada importa.
Poderá ser igreja, comunidade, ou
coisa que lembre uma rica torta…

Mesmo, logo depois, não haverá
quem dele conte algo — Apenas,
tão só, como tapete, pisado será.

Doutrinas? Não delas se precisa.
Elas fazem pensar e refletir…
Por que uma Igreja deve existir?

Melhor assim, num só balaio,
misturem-se as concepções e,
de soslaio, se façam as promoções.

Todos terão um ganho… Exceto,
os mais coitados e os desavisados
que não se incluiram no tablado!..

 A fé teista modernista

Um cristão orto tri-teista
professa a sua doxia
conforme a tradição
dos pais da praxis(-ia).

A sua fé seria a orto-praxis
de plena vida eclesial e,
no Livro de Esopo se faria,
se não fosse tão real!

Uma fé paterna e paternal.
Deista? Não. Não insista!..
São fatos incontestes. Mas,
caminhos humanos pedestres.

Até um vegetarianismo cristão,
ao lado dos socialistas, já vi!..
Na grafia de tantas ortodoxias,
já, também, quase me perdi!

Jeovistas-dedutivistas, lacaios
dos deuses da burocracia?..
– Populistas derivados da fé
dos derrotados fé-anarquistas.

Anarquistas? — Aqueles, que
foram a passarela aos “guardas”
– os dos brancos. Os frustrados
– fieis lesados orto-socialistas…

Um cristão moderno é só teista…
Nada mais que “-ista”, pois a sua
fé é “fragile” tanto; que, basta ter
consigo Biblos, para ser um santo.


*** Cristãos pragrmaticos

       11/13/2008

Cristãos pragmáticos querendo ser;
 em relação às Santas Escrituras –
 apáticos e pouco táticos se põem!..
 Da vida plena e sadia nada dispõem.

Humanos são os seus caminhos…
 Redemoinhos. Semeiam ventos só.
 De boas obras se engalaneiam e,
 nada mais posuem. São só um pó!

Alguns até pensam em falar bonito,
 como se o grego quisessem imitar;
 mas, na verdade, pouco ou nada –
 do seu nativo idioma podem soletrar.

Outros mais eruditizados se sentem.
 Da paz se dizem serem menestreis.
 Carregam multidões consigo sempre,
 pois são exímios fabricantes de fieis!..

Atos insólitos produzem. Enganariam
 – se proveitoso o fosse, até os seus.
 Porém, limites se impõem para tudo;
 então, comportam-se como fariseus!..

Oh, não! Não quis falar além dos fatos.
 Apenas tenho observado os detalhes –
 dos que se dizem condutores d’outrem;
 no fundo, se enganam! São profanares.


*** O Eu e o social

       novembro 12, 2008

Ser um socialista não é ser de Deus um escolhido.
 Deus é uma pessoa e não um coletivo desfigurado
 – diluido num conteúdo imaginativo. Não realizado!

Estar em tudo não é ser um todo; nem, onisciente
 é ser integrante de todas as coisas… É ser Criador
 de tudo no Cosmo; por isso, o conhecer do lugar…

Deus é uma pessoa — um ser inteligente e volitivo!
 Tem intenções e traça seus caminhos visando fins.
 O ser humano é Sua imagem, os atos serão afins…

O homem dotado foi de um Ego inteligente e pleno.
 Deve usá-lo, para cingir-se, no universo dos coletivos;
 jamais prostituir-se no diluido emaranhado do fruir-se.

Jamais temer o que se é. Um ser uno, independente!
 Um social só tem valor quando garante a liberdade…
 A liberdade vale só, em se poder exercitar o Eu e a fé.


***  Um idiota social

        novembro 11, 2008

Todo aquele que se condoi com a desgraça alheia,
 mas não a vê, em pleno fervilhar em si, ao derredor
 dos seus mais próximos amigos e / ou parentes…

Não venham dizer-me que trata-se de um abnegado.
 Que não dá importância aos sofrimentos próprios,
 só para poder doar-se aos outros. Altruista irmanado.

Na verdade, é um adoentado. Perdeu a consciência
 de ser um indivíduo. Que só por si devia ser guiado
 – não cair na onda do coletivo. Um ser massificado!

Não toma decisões, conforme o pensamento próprio.
 Nem pensa mais como um ente inteligente. E, não é?
 Melhor é engajar-se no coletivo decidido. Dá mais pé!

Na Era Nova do “aquário”, tudo se misturou… O viário,
 do querer volitivo férreo do Ego se estraçalhou… Ruiu!
 O social tomou de tudo a posse. O “eu” do ser rachou.

O coletivo é subjetivo e, não existe como tal… Então,
 por que torná-lo tão significativo. Ao ponto de, sem ele,
 nada valerem os sofrimentos e as dores do individual?..

Por isso, tomo a vênia, para o pensamento concluir,
 dizendo: todo aquele que se condói com as dores –
 dos outros, sem ter sentido as próprias, é “idiota social”.


*** Uma doutrina tem seu valor

       novembro 10, 2008

Doutrina douta é coisa pouca
 e desnecessária, também!..

Na Nova Era são os ditames,
 os que orientam, a fé humana,
 aos objetivos que se precisam
 p’ra atingir-se o que convém…

Na Era Nova tudo se entona –
 o capital é o seu emblema jus.

Por que do Evangelho o cordato
 itinerário de conduta que, norma
 rígida e sem traslado, não segue
 todo o que por cristão se tem?..

Por que a Nova Era não permite
 que a pessoa seja um sábio…

Que conheça do Evangelho a lei
 – um Catecismo… Doutrina viva,
 que lhe sirva de manual diário…
 De como comportar-se. Opus dei.

Uma doutrina sã, é uma bússola.
 Orienta, o dia a dia, a navegar!..


*** As Promessas

       novembro 9, 2008

As Promessas estão em Jesus. De ti se exige –
 uma fé muito sincera. A ti, restou apenas confiar.

Uma promessa não se faz com muita pressa.
 Um momento, que só a poucos interessa,
 pode ser de um tromento posterior violento –
 pois, então, cultive a calma. Modere a alma!..

A promessa, que valha algo, depende apenas
 de quem tenha o poder de a cumprir… Será
 que podes tu, com as fronteiras limitadas tuas,
 tomar em em tuas mãos o ignoto, e decidir?..

Por isso eu, que não querendo ser inoportuno,
 apenas posso dica minha te indicar: “prudente
 seja! Não caia no conto de promessa…” Esta,
 só um existe — que já a fez. E pode abalizar!..

Cristo Jesus. O Salvador de todos os humanos.
 Somente nEle, promessas pode se encontrar –
 morreu por nós, ressussitou… À destra do Pai,
 conosco em seu espírito, na certa, pode estar!..

Não queira brincar, fazendo promessas à toa.
 Não te enganes, fazendo coisas em vão. Cristo
 – na Cruz do Calvário, já fez a grande promessa
 e, só Ele e somente, tem o poder de te ajudar!..

As Promessas estão em Jesus. De ti se exige –
 uma fé muito sincera. A ti, restou apenas confiar.


*** Abra olho, filantropo!

       novembro 6, 2008

Filantropo,
 ma non troppo.

De la sinistra laterale,
 a la destra del capitale,
 de mi persona differente
 gli altri persone,
 di tutto il mondo
 – piu naturale,
 qui il tutti cantiche miei,
 io mi propugnare!

Pero yo siempre cantaré.
 Y, en mi cantos, dulces
 olores de sentimientos,
 yo siempre sentiré!..

As coisas acontecem assim.
 Assim, assado e tal…

Mas, o fato mesmo é o natural.

Quis fazer algo em italiano;
 depois,
 descambei para o castelhano…
 Ao cabo e, ao fim de tudo,
 retornei ao quotidiano --
 o meu português do dia e,
 do pensamento lhano.

A roldana desembestou-se
 com a trava se afrouxando;
 abriu-se a porta ao insano!

Mas, filantropo mesmo
 é um termo lusitano.

Nem espanhol, nem italiano
 poderão nos ensinar
 de como podemos
 ajudar-nos próprios:
 estendendo a mão
 ao nosso “mano”
 – aquele do sertão nordeste
 ou, mesmo, do sertão baiano.

Dalai Lamma não se inflama.
 O seu jeito é de natal. Mais,
 se a porca torce o rabo,
 Coronel não fica brabo
 – se submete à Pastoral!

Os Três Magos já foram pagos.
 Resolveram se dignar
 – reunidos proclamaram:

“Somos ‘ángeles’ terrenos,
 da sinistra somos parte,
 e queremos dialogar!…”

Ninguém ouse enfrentar-nos.
 Nós podemos nos irar!..


*** Um conselho imaginário

       novembro 5, 2008

Um conselho imaginário para
 uma amiga da minha mulher:

Disse-me ela
 – a singela…

Tristonha, abatida,
 que o dia de hoje
 lhe é enfadonho;
 que ela se sente
 sentida frustrada,
 como que mergulhada
 num sonho medonho
 de um pesadelo atroz.

O rosto metido em prantos,
 dos seus olhos brotavam rios
 – não de encantos, mas de
 mágoas… A sua alma enlutando.

“É que hoje — dizia,
 por mais incrivel que parecer possa,
 com todo o charme da juventude –
 da formosura e dos seios de linhas
 suaves (macias), do corpo violado,
 sinto-me só num mundo isolado”.

Cantando cantigas de amor,
 cantava-lhe eu os meus cantos
 que se refletiam no rosto pequeno
 dos seus enormes prantos. Que,
 secados pelos cabelos castanhos,
 balouçados ao vento, prendiam-se
 aos seus só, exclusivos encantos!

Eu lhe cantava de amor,
 no derramar dos seus prantos!..

Ela chorava gemidos,
 soluçava pesares e
 me disse, depois,
 por entre olhares:
 “… me sinto acabada
 perdida no espaço…
 Minh’alma enlutada
 não mais tem razão
 de querer!..
 Perdi meus encantos,
 prostrei-me aos prantos
 só p’ra longe dele não viver!”

Assim, esvaiu-se mais um sonho.
 Um encanto sublime se perdeu para sempre.
 Uma frágil pétala rósea se emuecheceu…

Uma voz distante, então, lhe respondeu:

“… mesmo assim, a vida é linda!
 Vale a pena penar e sofrer.
 Haverá outros sorrisos.. Por que morrer?
 Outros encantos, de outros amores,
 por certo haverão de nascer!..”


***  2 Reis, 13:19

        novembro 3, 2008

Seria uma parábola?

Do re.mi.do destemido,
 camuflado pelo piano,
 de um suave canto seu,
 ele endossa a sabida e
 traida posição de Eliseu.

Deveria atirar seis vezes;
 mas, apenas, três ousou…

Pois, então, terá vencido
 pela fé tamaha que pensou.

A Doutrina, que não tinha,
 ela foi que o destronou…

Não do trono, mas da glória.
 A vitória simples, não vingou!

Carismatas dominaram tudo.
 Desde os gregos e romanos
 – seus conceitos nivelaram,
 até os puritanos integraram!
 Afinal, que linguas falaram?..

Ammerman’s Full Gospel…
 – Com certeza, adotaram!


***  Abaixo as doutrinas?

        novembro 3, 2008

Misturaram todos os credos,
para que não haja mais nenhum!

Será mais facil o controle –
da mente sem doutrina firme,
para todos se submeterem a
“Bahai” da Nova Era.

Uma fé moderna,
extraida do passado,
para domar a todos e
o sentimento comum!

Lá, nos idos de 1901,
alguém falou em tongues.
A todos assombrou –
a nova era iniciava. Falou!

Derrubem-se as doutrinas!
Rockefelleriano ordenamento
se proclame!.. Uma religião –
apenas uma, se instale..
Do sábio Bahai, o ensino,
– da Persa grei, o mundo
de norte a sul, se inflame!

Não mais a fé sensata e racional.
Seja uma crença de sentimento
– humana, calcada na hipnótica
penumbra do transe emocional…
Carisma seja o seu momento –
para fazer do homem, apenas e
somente, um ser obediente. Só!

“Charismatic renewal”
– o seu “backgraound”.
Será a marca da nova
“Christendom” geral…

Não haverá mais discussões,
todos unidos pelos “Bahai”!..
Doutrinas!?
– Fora, com elas.
A fé é uma só. A fé “Bahai”!..


***  A grande integração

       — a de todos os tempos
        outubro 28, 2008  

https://transcripts.cnn.com/TRANSCRIPTS/
French farmer and activist  Jose Bouve (ph) 

established himself as a local folk hero back
in 1999 when he ransacked  a  McDonald’s 

under construction in the south of the country.
McDonald’s   50th    Anniversary  

Aired May 12, 2005 – 23:00:00 ET


O nascimento da Globalização

De novo querem mudar o mundo!
 “Corporações transnacionais”  –
 o nome que identifica o inimigo…
 Não são conglomerados produtivos;
 são financeiras neo-liberais ativas.
 Sem ideologia. Jose Bouve, o lider.

12 de agosto, de 1999, começou.
 Meaux, de Aveiron departamento,
 trezentos ativistas, da anarquista
 confederação rural, se aglomerou.
 Motivo: MackDonalds derrubar!..
 Soou o grito: MacDo, go home”.

O grande herói; até então, pacato
 – Jose Bouve, se revelou de fato!..
 Prisão foi decretada. O Bouve e,
 mais cinco, encarcerados.Heróis,
 pelos jornais locais, anunciados…
 Telefonemas de auxílio romperam.

Mas, o que estava acontecendo?
 O mundo injusto se espedaçava!..
 Bouve, filósofo, um Rockfor virava!..
 O plebeu do sindicato, se elitisava.
 Um mestre da geral “Globalization”
 na Seattle, de 1999, despontava!..

Com o tempo, “malbouffe” passou
 a ser “fast-food”. E isto, a Nova Era
 preconiza. “Glocal” se fez presente,
 para qua ao lado do gigante e forte,
 sobreviva um pequeno inteligente!..
 Direitos econômicos reais e iguais.

Mas, o começo não foi facil. 2000.
 Word Economic Forum, em Davos.
 Bouve agiu de modo costumeiro…
 A seu favor, milhares adeptos houve.
 O julgamento começava… A platéia
 toda gritava: “Liberdade a Bouve!..”

Ao julagmento, pesentes se fizeram:
 FIDH, SEIU, outros, Via Campesina,
 Greenpeace e os mais. Bandeirolas,
 pretas dos anarquistas, tremulavam!
 As ruas de Davos, Seattle — 2000!..
 se enchiam de massas. Gritavam!..

“Hei, Bill! Go home — MacDonalds.
 Para longe daqui”…  Nós somos da
 Word Forum Globalization. New Age!
 Das pontas, os extremos se uniam:
 “MackDo…”  na Davos Globalization.
 Vencia um anarquista: Jose Bouve.
----------------------------------------------------------------------------
O siglológico:
(FIDH)    Human Rights Leagues
(SEIU)    Service Employees International Union
(AFT-KPP) Amerikanskaia Federatsiia Truda —  Kongress …
(AFT)     American Federation of Teachers
(KPP)     Kernel Patch Protection
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***  Mais perigosos são os humanos

        novembro 24, 2008

Metralha cósmica não me apavora.
 Mais perigosa é a metralha humana.
 Na sua insensatez desordenada
 – a tudo, o que encontra pela frente,
 fere doidamente e transforma em nada.

Qual bólides errantes,
 maldosos homens,
 se desintegram em estilhaços peçonhentos
 que se projetam, a velocidades tontas,
 varrendo tudo à sua frente!..

Como se fossem verdadeiras tormentas.

A já pequena paz,
 a tanto custo conseguida,
 em guerra se transforma num repente.
 Ceifando vidas de seres inocentes
 que, no conjunto do espectro radiante,
 nada tem de coordenada referente!..

Metralha cósmica não me apavora.
 Mais perigosa é a metralha humana,
 em sua estupidez insana!


***  Pensamento número 6

        novembro 24, 2008

Para lá de vastidões ignotas,
 onde as distâncias se medem em anos-luz,
 haverá planetas de azul-e-branco
 que sejam réplicas das terra
 e que tenham seus “humanos”
 mas que sejam mais humanos
 – sedentos de luz?


***  Pensamento número 5

        novembro 24, 2008

Na imensidão
 desse conjunto de aglomerados
 de galáxias descomunais
 está, em qualquer ponto,
 a nossa via-láctea
 desafiando as leis universais!

Naves navegam na alvorada dos infinitos,
 ao som de inquietantes sussurros…
 Descrevem curvas para-hiperbólicas, e
 se perdem, sobre si mesmas…

Vez por outra
 surdos bramidos se ouvem!?

São artefatos atômicos
 em suas demonstrações plenipotenciais
 vomitam concentrados energéticos
 – mortíferos e finais!..
 Mas, não combinam com as “vocações” astrais!
 São hodiendas, despropositadas e descomunais…

Haverá,
 um dia,
 equação diferencial
 – diferenciada das atuais,
 que possa isolar o medo
 a fim de não propagá-lo
 às miriades de outros
 sistemas universais?


***  A vida em flash-back 

        novembro 24, 2008

Viver a vida em flash-back
 sob o olhar constante
 do sistema detetor e de rastreio!

Jamais se deve decidir autonomamente
 no ser-social totalmente integrado…
 É a supremna lei do indivíduo
 para não ser, pelo desprezo, devorado.

Os detetores ultra-sensíveis
 espiam cotidianamente as atitudes
 e as ações de cada um,
 gerando mapeamentos de promenores
 – do status social e
 o desempenho eficaz,
 de cada valor-humano.

Subitamente,
 um bip-bip rompe o silêncio e,
 a resposta deve ser urgente:

“ok!

pm-21

ok!”

em qualquer ponto do espaço…

“… estou … ouvindo! …
 Quais são as ordens?”

– sinal mais forte!..

“Um ponto a mais na
 tela.”

“ok!
 pm-21″

“Assim… mais um. Desligo já…”

“ok!
 pm-21″.

“ok! Desligo já!”

E o comando segue
 com suas instruções formais
 metralhando os ouvidos
 dos pobres seres sociais
 – outrora tidos como indivíduos normais.
“                                                                  Man
 tenha
 os circuito de chamada atentos…             Agora,
 mensagem nova enviaremos.                   Então,
 diremos o que farás em nome do             bem de
 todos e
 até lá!..”

Tranquilo
 estejas e
 go at end
 as
 – quando
 o  prefixo
 teu     for
 e v o  c a
 d  o…
 Até lá!..
 Muito obrigado!..

O sistema está sanado.


***  Com Rev Nintendo é assim!

        novembro 24, 2008

Manda quem pode. E obedece,
 quem se submete sem reagir.
 Na Igreja, também é assim!..
 
 O Rev. Nintendo, a seu belquerendo,
 resolveu a leves reformas proceder…
 Uma delas, bem simplória!.. Porém,
 o seu alcance, se olhado de relance,
 pouco pode ou quase nada oferecer.

Enganado seria, quem assim suporia.
 Sem maiores rodeios, a lei em 3 atos:
 “Nintendo — será o presidente eterno;
 disso dúvidas não haverá. Não desafie!
 Quem quiser fazê-lo, represálias terá.”

Ato seguinte, de valor similar. “Votar:
 sempre de lei!.. Ou, então, se calar!..”
 Por fim, de valor capital. O supremo –
 “Terá voz de direito, quem pago tiver,
 o seu dízimo mensal. Recebido e tal.”

Desse jeito, o Rev. Nintendo se impôs.
 Domou o pequneo agregado de gentes,
 tão desvalentes!.. Dos seus direitos, de
 membros de um corpo de Igreja maior,
 nem notou! A grei santa, um curral virou.

Se a Igreja é de Cristo, Sua Lei deve vigir.
 Não haverá presidente que, persista nela
 “ad vitam aeternam”. Nem o quantum de
 moeda, que um membro tenha, garante a
 ele um voto, em assembléia para decidir!..

Afinal, por Jesus Cristo foram salvos todos.
 Tiveram a sua fé… Se batizaram em águas.
 Condições suficientes para serem membros
 do corpo da Igreja Viva!.. Daí, seus direitos
 invioláveis. Os atos acima são descartáveis.

Uma lei menor — a do Rev., seja quem for,
 jamais poderá sobrepor-se a uma lei maior
 – a de Jesus. Pela própria natureza de ser
 membro de uma Igreja Viva, ninguém será
 deixado de se sua plenitude. É a virtude!..

Ou, já se refizeram os Evangelhos?.. Mais!
 Tomaram a conta do santuário… Melhor –
 que saibam todos os mortais que, da vida
 e da morte eterna, as chaves são materiais!
 Não se discutam os poderes. — São reais!..


***  A minha casa sou eu mesmo

        novembro 14, 2008

A minha morada é toda diáfana.
 Mas não!.. Ela não é de cristal.
 É a morada dos meus sentimentos
 – espelho mágico do meu ideal.

Nela repouso os meus devaneios.
 Nela sinto-me assaz reconfortado,
 quando penetro em seu interior…
 A minha morada, é um lar amado.

As suas portas e as suas janelas
 são portas e janelas de amor…
 Abertos a todos — só amigos veros
 que queiram um pouco de calor!..

A minha morada é simples e bela
 – parce gaivotas plainando no ar.
 Flutua, flutua, flutua, qual brisa
 – compassos de tango a bailar!..

Nas tardes cinzentas, cansadas,
 quando o sol já se põe a deitar,
 a minha morada navega nos ares
 à espreita dos raios de luar!..

A minha morada é simples. É palhoça.
 Não tem formas visuais… Não é real…
 Não tem paredes para enclausurar-me;
 é livre como livres são os sentimentos
 que me fazem estas linhas versejar!..

A minha casa é toda diferente
 – jamais alguém vai consegui-la esboçar.

Ela consigo própria se parece;
 porém, de longe eu a reconheço.
 Abro a porta — consigo nela adentar!..
 É nela que eu me recolho,
 nos dias sombrios da vida,
 para me reconfortar.

A minha casa sou eu mesmo e,
 eu próprio, sou o meu lar!


***  Ideais de um menino

        novembro 14, 2008

Os meus ideais de menino
 ao longo dos anos,
 todos se diluiram.

Alguns partiram-se em pedaços.
 Agora, nos anos maduros,
 à mente refluiram.

Recompuseram-se.
 Agigantaram-se!..
 Em sonhos –
 dos meus últimos sonhos,
 re-submergiram…

São ideais de um menino.
 – Sempre existiram;
 por isso, ressurgiram.


*** Imitação 

       novembro 14, 2008

Com um estilingue em mãos,
 eu exercito os meus músculos
 e o meu alcance imaginativo…

Quero repetir a façanha
 do primeiro homem que,
 no dizer dos estudiosos,
 em vendo-se ereto –
 olhou os horizontes.

Olhou, viu, gostou e,
 atirou a primeira pedra.

Por sorte, acertou!..


*** Quasares

       novembro 14, 2008

Misteriosos corpos celestes que,
 em sua programação espacial,
 emitem ondas de rádio
 de comprimento vário
 em direção radial
são corpos energéticos vorazes.

 De estrutura nebulosa especial que,
 vagando pelos universos,
 caminhos hiperbólicos desenham
procurando uma morada,
 para além das nuvens magalânicas
 e do atol de biquini…

São tantos outros mundos,
 potencialmente potenciais,
 em seu crescimento colisional,
atônito me sinto e paradoxal!..

Quem sabe
 se não terão a Siderália
 por sua Capital?


*** Devaneio cósmico

       novembro 14, 2008

Pelas inter-galácticas viagens
 varrendo os espaços siderais,
 numa nave p-m-21 navegando,
 quisera eu sentir saudades –
 como as sentiam os humanos,
 antes daqueles dias fatais.

Nas cálidas noites do periélio,
 quando a nave do Sol se achegasse,
 quisera eu sentir, em meu peito,
 um calor de milhares de graus…
 Um calor tão ardente, que eu fosse,
 qual restos de cinzas, pelos espaços,
 sumindo, sumindo, sumindo!..

Os meus sonhos fantasiados
 de idéias loucas, qual frangalhos,
 estraçalhados fossem e esparsos,
 pelos ares virassem fumaça…

Porém, depois que a invernada aportasse,
 quando a nave no afélio já estivesse,
 quisera eu reaver os meus pensamentos,
 para transportá-los sãos — sem ferimentos,
 à massa cinzenta daquela que eu amasse…

Lá, onde residem os seus sentimentos,
 através de faixas de ondas infra-verdes,
 do seu corpo, vencendo as densas camadas,
 como se um puro cristal fossem, para
 no seu peito de amor ressonassem!..

Então setaria o vôo da nave p-m-21,
 que da terra destino apontasse e,
 sidéreos hiperespaços vencendo,
 a seus braços saudosos chegasse.

Assim eu quisera –
 que o meu árido peito,
 para sempre
 no peito seu,
 novamente,
 se desintegrasse.


*** A Europa

       dezembro 9, 2008

A Europa o que hoje é,
 nem sempre foi assim.

Sequestrada pelos minóicos,
 tornou-se rainha de Creta!..
 Depois, gerou três filhos:
 Minos, Radamantis e Sarpedon.

Rainha dos mares e de Creta
 – a Europa o mundo encantou!..

Heródoto, dela falou.
 Foi ele quem asim a batizou…
 Naqueles tempos,
 dela não faziam parte
 a Skifia “eslava”, nem
 a Hiperbórea plateia…

O mundo todo consistia
 de Ásia, de Líbia e
 de uma cultura européia.

Já na Idade Média,
 Europa não se ouvia.
 Espanha, era do mundo o oriente.
 Bizâncio, culturalmente florescia.
 Do Báltico a bacia, em guerras –
 de disputas se perdia:
 eslavos, prussianos, lituanos e
 estônios, do mundo cristão-feudal,
 estóicos se defendiam.
 Um caldeirão, de povos novos,
 que a nova Europa fermentaria!..


*** Da torre do saber humano

       dezembro 9, 2008

Tudo o que aconteceu,
 não poderia deixar de acontecer.
 De outro modo, o presente
 não seria o que é hoje…
 Nem poderia um futuro oferecer!..

As leis da natureza
 não podem ser desvirtuadas,
 nem as consequências suas
 – delas derivadas, sociais e
 pessoais, menosprezadas…

A vontade humana
 jamais teria o poder de afetar
 o acaso consequente — Sim!
 Sob o seu taco, poderoso e
 inteligente, o cosmo orientar!

A magna lei dos universos,
 em seus causais efeitos,
 da grande ordem mundial
 – mas, não a Ordem Nova
 que se esvai, — não se abstrai!

A ordem natural das coisas
 sela os processos da caminhada.
 O homo-faber se torna sapiens.
 Virtualiza-se em seus pensares,
 para cristalizar-se nos altares!..

Do compensatório de relações
 causais, de seus efeitos tais
 que trazem à memória simples,
 dos hirsutos e pálidos mortais –
 os peregrinos. Os idos ancestrais.


*** A eternidade é inconcebível, mas é fatal

       dezembro 4, 2008

A eternidade não se relaciona com o tempo.
 Não é um tempo sem tempo. É atemporal!..
 A eternidade é algo inconcebível para nós –
 não a compreendemos, nem podemos dela,
 por mais que queiramos, nos ocupar!

O que a eternidade significa?.. Impossível –
 por alguns dos atrevidos, interpretá-la como
 se além do tempo ela fosse e a explicitar!..
 Eternidade é algo que só existe por si e só,
 independente de algo que a manifeste!

Humanos somos. Presos ao tempo. E tudo
 que ao tempo se prende percebemos. Mas,
 o que ao tempo foge, nem cogitamos mais.
 Perdidos que nos sentimos no quotidiano –
 não denotamos aquilo que não fruimos!

Um ato nosso, tem marca temporal. Então,
 o que escapa ao contável desde um começo
 não passa pela mente simples de um mortal.
 A eternidade não tem princípio e não tem fim.
 A sua essência é o absoluto atemporal!

A eternidade por si só se eterniza como tal.
 Ela não se confunde com um tempo grande,
 que não tenha um final. Porque não inicia-se
 em ponto algum da linha contínua universal.
 É qualquer coisa inconcebível. E é fatal!


*** Tomar a posse do esperado

       dezembro 3, 2008

Profetiza-se a miséria da grei,
 como se fora algo dentro da lei,
 para se erigirem os palácios –
 de alguns poucos sabedores e
 controladores emocionais.
 Profetiza-se em dízimos reais…

Em nome da “ordem nova”, da
 Nova Ordem Mundial que, nova
 em sua forma explotatória age,
 no íntimo de uma fé “submissa”,
 subverte a alma dos incautos –
 com sonhos de vida farta…

Uma posse antecipada de algo,
 que um dia possa realizar-se –
 num sonho acalentado pela fé!
 A norma legis-, um espartano…
 Talvez, no tempo “adaequatio”,
 terá a sorte de apanágio…

Até que, um dia, o dia chegue;
 sem exitar, obedecer!.. Por que
 diferenciar o certo do errado!?
 Apenas aplaudir o mestre –
 na posição de sábio assentado,
 para bons frutos acolher!..

Doar-se em tudo, se for possível!
 Para, depois, recompensado ser,
 não duvidar. Um pensar positivo,
 capaz a tudo ajeitar. Só esperar!
 Não duvidar!.. Do mestre o dito
 será concreto. — Aguardar!..

Tomar a posse do esperado…
 – Talvez, um dia, seja realizado!
 Dizem que o mestre nunca erra,
 quando o pensamento positivo, a
 qualquer caso, for aplicado…
 Positivado seja e seja aplicado!


*** O dia da minha partida — o imaginário

       novembro 27, 2008

No ermitério, do fúnebre salão da morte,
 pousei meu corpo inerte para descansar.
 Quando acordei, vi tanta gente chorando a sorte
 que a sorte minha quis me apregoar!..

Então clamei e disse, em altos brados,
 cessassem todas as lamentações à toa!
 A vida era mesmo assim!..
 Em estender seus braços, nos afagando,
 também, consigo traz a morte à proa.

Chega o dia e a hora triste da partida.
 Seguir devemos para o distante além!..

Enqanto, quedos, aguardamos a descida
 do caixão à tumba fria; outros, que ficam,
 choram em prantos. Depois, dizem: “amem!”
 Amem, para quem parte numa eterna despedida.


*** Eu quisera

       novembro 27, 2008

Navegar eu quisera,
 os espaços sidéreos errantes,
 sob a tênue luz
 da luz das estrelas distantes.

Seguir eu quisera,
 num balão de biosfera,
 rumo a sois de outros sistemas
 galácticos e auto-radiantes…

Sob o piscar incessante das luzes,
 dos paineis de controle,
 de cibernética composição,
 eu quisera vencer as distâncias
 da insondável imensidão!

Eu quisera vencer,
 a velocidades fantásticas
 – não convencionais,
 das órbitas oscilantes
 dos universos em evolução,
 os gigantes planos radiais.

Nesta busca medonha,
 por vezes extasiante,
 por vezes enfadonha,
 eu quisera encontrar vidas novas
 vivendo seus dias erráticos
 nas médias matemáticas de anos-luz.


*** O (auto) Cataclismo 

       novembro 24, 2008

O sistema de dispor dos mísseis nucleares
 poderá, por descuido de algum operador,
 desabar a maior conflagração de hecatombe
 em suas 38  sucessivas fases de evolução.

O processo se precipitaria sem cessar.
 Até a destruição total!..

As águas de azul-cobalto dos oceanos
 iriam , aos poucos, se desfazendo
 até se processar a síntese horrenda
 à sua consequência cabal.

Seria este o grande apocalipse final!?.

A consequência maior
 do processo degenerativo
 das relações humanas,
 entre os povos e nações,
 teria, por fim,
 cedido aos imbecis falcões.

Seria o suicídio da humanidade
 cujo grau de monstruosidade
 só pderia ser avaliado
 a milhões de quilômetros
 imobilizados por um potente observador
 – o eletroscópio de massa ‘humanizado”.

Teria o homem conseguido
 o belo-horrível total,
 em escala cósmica incoersível?
 Jamais, em parte alguma,
 em tempo algum, havido igual!?

Ato final seria
 de um insano
 – demente, alucinado gênero humano!

Então!

Teríamos a fatídica última noite
 da espécie humana, sobre a face da terra,
 a atuar como grande palhaço da biosfera!..

Num delírio atômico geral
 do mais horrendo dos extermínios
 já imaginados, por um ser mortal,
 ver-se-ia o humano se derretendo
 na sua estupidez abissal…

Então!

Sobre a terra estraçalhada
 noites eternas e abismais do cosmo
 (ainda insondáveis na sua escuridão)
 por milênios se estenderiam.

Todos os pensamentos humanos
 que, por ventura,
 ainda vagassem pelos espaços
 nas frígidas noites de um sono,
 infindo e profundo, “ab aeterno”
 mergulhariam. Se perderiam?..


***  Um proceder orgânico capitulado 

        1/22/2009

Todas as áreas produtivas
 contenham procedimentos seus
 de um treinamento prévio
 de supervisão dos plebeus.

Manutenção dos status de chefia,
 informações sistêmicas requer.
 De rotação de pessoal,
 padrões comportamentais
 são exigidos, por demais.
 – Entradas e saidas,
 serão cumpridas. Serão reais!..

Planejamento e controle
 de tarefas a priori:
 distribuição de frutos
 com aposição de datas;
 eventuais reformulações finais
 terão procedimentos especiais.

Normas completas
 contendo especificações,
 antecedento
 períodos de execução real,
 darão sucesso ao histograma
 – ao longo de um cronograma.
 Sem comentários quaisquer!
 Sem sugestões. — Atos e ações!

Os envolvidos na massa de informações
 darão por terminado o processo
 da observância e da vigilância…
 São os formatos de instruções.

Em formulários padronizados
 em sacos plásticos aconchegados
 por grupos de atividades de rotinas
 – as instruções padronizadas
 serão confrontadas e facilitadas…

Normas completas
 contendo especificações
 explicarão os histogramas
 sem comentários,
 sem sugestões…

Não se deve esquecer que,
 ao final do processo,
 fazer um registro das exceções.


***  A justiça, por fim se fez

        janeiro 23, 2009

Das fúrias infernais, rangendo os dentes,
 ouço o clamor de gentes minhas conhecidas
 – eram famosos por seus requintes de sabores.
 Viviam opulentos. Desconheciam os menores!

Da lei senhores fortes, se diziam eles…
 Desconheciam da justiça os princípios
 – em seu favor, todos os outros existiam.
 Sua palavra era ordem! Em si se compraziam.

Mas, como todos os momentos são passageiros
 e têm seu fim prescrito; o deles aportou…
 E, ao findar a longa e opulenta caminhada,
 cada qual deles, frente à justiça se prostrou!..

Os atos seus foram pesados pela balança
 – inconsistentes e sem peso se mostraram.
 Quanto menos um tal dilema eles imaginavam,
 mais fracos seus recursos térreos se mostravam.

Do grande juri cósmico, então, ouviu-se
 a decisão final! Foi a sentença proferida:
 “quem pela balança não passasse, devido a leveza,
 jogado teria de ser à dos infernos profundeza…

Ao tribunal de outra instância, oh! — apelação não há!.
 Quem foi, pela instância prima condenado, jamais e
 nunca mais, seria indultado.  Para sempre e sempre
 em fogo árduo de ‘esquecimento’ seria execrado.

Assim findou a opulenta e torpe caminhada
 dos que senhores do universo se sentiam;
 mas que plantaram, ao longo da existência sua,
 prantos e lágrimas dos que lhes se submetiam.

Da terra as honrarias e seus requintes
 valeram nada, na grande balança da justiça.
 Todos foram condenados. Todos reclusos
 em seus próprios cativeiros sucumbiram!..

Os cantos seus, de outrora, são prantos doloridos.
 No ranger de dentes, procuram sufocar a sua dor
 e, no clamor desesperado, buscam alívio ao pavor.
 Na própria carne sentem o suor do desamor!..

Das fúrias infernais, rangendo os seus dentes,
 ouço o clamor de gentes minhas conhecidas
 – eram famosos por seus requintes de sabores.
 Viviam opulentos. Desconheciam os menores!


***  Alguns, somos nós 

        janeiro 22, 2009

Polímeres — seres humanos,
 alguns dentre nós,
 somos nós.

Restritos na forma.
 Mesmo assim, polimorfos
 – sentimos,
 pensamos,
 agimos.

Cada qual, a seu modo,
 os grandes impactos compactos
 nos múltiplos mundos do eto-social.

Alguns, dentre nós,
 precavidos sustentam:
 se o ciclo rompermos,
 do ebúleo vórtice natural,
 transformaremos na terra,
 o que se tem como globo,
 numa esfera ígnea
 – perdidamente desértica,
 pós-apocalíptica e infernal!

Já, muitos outros
 – não tanto apavorados,
 porque não tão estruturados
 vêm puramente o natural,
 fluindo normalmente
 segundo um fim intrínseco
 da lei mecânica — causal.

Do hercúleo embate destas correntes,
 do pensamento e da ação, restam só
 os escombros… Uma memória égide
 do cumprimento, linha-a-linha,
 do traçado da suática grega, ou
 éforo-bramânica quiliástica,
 rumo ao grande efum…
Polímeres seres humanos,
 alguns dentre nós, somos nós.

Seremos assim,
 pelo sempre eterno caminho,
 da busca de nós
 e do nosso futuro, ou
 do futuro dos nossos avós!..


***  Ou é um poeta, ou é feliz  

        janeiro 21, 2009

Ele é um poeta louco.
 Cabelos longos
 barba cerrada;
 por entre os lábios,
 da boca entreaberta,
 dentes brilham
 de cor marfim.

Gesticula muito,
 fala bastante e
 sorridente diz:
 Sou filho das selvas.
 Nas minhas veias
 corre o sangue tupi;
 conheço de cor
 o canto dos bem-te-vi’.

Ele é um poeta louco.
 Diz mais do que sabe.
 E o que sabe, não diz.
 Para ele versejar
 é tão facil — vejam só:
 como soltar fumaça
 pelos buracos do nariz!

Ele é um poeta louco.
 Jorra seus cantos
 qual um chafariz,
 no largo da praça da matriz.
 Ele sorri e gesticula,
 porque é um poeta, ou
 porque é um feliz?


*** Aos que se foram, sem terem nascido

       janeiro 20, 2009
 
De frágil feto não passaste!
 Na escuridão tubária, oh!,
 Tu, que tanto prometeste,
 de modo inglório findaste…

Não conheceste tu, nem mágoas,
 nem térreos plurdissabores…
 Não navegaste pelas águas
 de sulfuroso mar de faces áscuas.

Repousa, pois, eternamente
 na tua ingênua solidão!..
 Tiveste sorte mais que a gente.

Oh, não! Saudades não sentiste.
 Da proto-cósmica mundivisão;
 antes mesmo de nascer, fugiste.

*** Lições que aprendi 

        janeiro 16, 2009

Hirsuto, tímido e cabisbaixo;
 silente ouvi lições de muita gente.
 Ainda infante e começava já
 ser útil a todos, a todo instante…

Domingos, meses e anos se passavam.
 Mais assimilava eu as preleções…
 E mais queriam ensinar-me todos,
 da vida os rabinos, as suas lições!..

Até que, um dia, eu ponderei — pensei.
 Da praxis na balança me postei. O que?
 Oh! Quão grande foi minha a surpresa!..

Tão lívido e fragil era! — Desmaiei.
 Então compreendi, embora tarde, que
 neste mundo, a sós se deve por à mesa.

Viver aos olhos de outros paladares
 é cair na rede da sua (deles) esperteza.
 Pois é… O mujndo é cheio de safadeza.


*** Um meu conselho

       janeiro 16, 2009

Um simplório conselho — só,
 a meus irmãos de rústica fé
 – fé de medo, fé de miséria
 e, a cognatos, se os houver!

Dirijo-vos esta palavra amiga,
 despretenciosa. Na boa fé…
 Se é prudente?
 Não saberia responder.

Só sei que a vida foi nos dada
 para ser uma vida de viver…
 – Vamos vivê-la, nua e crua,
 tal como ela se nos é.

Sem ralha e sem resmungos,
 façamos a história avançar
 no seu caminho futurista!..
 – Sem descansar.

Em algum ponto do espaço-tempo
 a solução precisa e pertinente,
 aos problemas, iremos encontrar.
 Não duvidar. Só esperar!..

Ó!, meu irmão, ou meu cognato…
 Não desistamos! Prossigamos!
 Vivamos a vida de hoje. Ela será,
 sem dúvida, uma história de amanhã.


*** Viver escolhendo a própria vida

       dezembro 18, 2008

Eles não caem. Permanecem de pé.
 São mercadores absolutos da fé!..
 Artweaver, melhor — “the artist way”
 que fazem da sua vida ground plan.

Gesticulam, induzem, conduzem e
 tudo reduzem a um simples pedir!..
 Mas, para ser atendido, é prudente
 – não esperar; pois, poderia não vir.

Dar tempo ao tempo, um ditado diz.
 E o tempo pode não ser da espera
 – pode tornar-se apenas promessa!..
 Por que não viver a miséria à beça?

Na penumbra, da vontade de outrem,
 mediar, esperando que algo aconteça,
 não ejete seus parcos recursos. Alto!
 Tenha um seu pensamento e cresça!..


*** Colheu, o que plantou

       dezembro 15, 2008

O Rev. Nintendo cortou os cordões,
 que unia os membros, da grei santa
 – pequena em tamanho, de grande valor!
 Nintendo queria mandar aos bordões.

Tentou adaptar-se, como norma padrão,
 ao nocaute de boxe… Nocautear o irmão!
 Não teria mais quem lhe opusesse o ser
 – argumento do soco, só pode vencer!..

Os presentes, prsentenes lhe deram –
 disseram: este de fato é o maior e o tal!
 Não teme enfrentar a quem não se veja
 na condição de, e só, a se subordinar…

E nuvens escuras o templo cobriram.
 Os membros, que nem membros eram,
 aos poucos sumiram. Se espavoriram!..
 O Rev. Nintendo colheu o que plantou.


*** De ópera bufa não sou

       janeiro 27, 2009

Recluso em mim mesmo,
 procuro achar-me…

De ópera bufa
 alguém já me disse
 eu ser um ator.

Mas, como?

Eu sou um pacato!
 Não bebo.
 Não fumo.

Eu sigo o meu rumo afora
 – alegre, embora nem sempre,
 ao meu chafariz…
Por vezes, vejo crescer o meu nariz…

Até, posso ser um palhaço.
 De cara pintada,
 nariz embolado,
 de calças rasgadas,
 de camisa sem mangas
 e, sem sapatos, nos pés.

Mas, dizer ser ator
 de opereta qualquer?
 – Não dá!

Por que tantos, então,
 falsa imagem de mim
 fazem?

Não será
 porque em sendo covardes,
 nos outros projetem,
 seus sonhos alardes?

Ou será
 porque notam em mim
 um manso cordeiro
 ideal ao seu fim.
 Um bonachão arlequim?

Recluso em mim mesmo
 procuro achar-me.
 Na verdade, quero entender
 o porquê de eu ser assim?


*** Sucumbiu da morte a grei

       janeiro 26, 2009
             I
Do Santo Sepulcro,
 guardiães sejamos!
 Guardemos a quem matamos.

Perigo de afronta,
 constante Ele é.
 Morte ao arauto da fé!

“Sejamos unidos,
 em torno da Cruz!”.
 Eis o brado que a todos seduz.

A nós, os soldados
 do status vigente,
 cabe mantê-lo impotente.

Sepulcro lacrado
 nos dá segurança.
 Golpe final na esperança.
             II
E todos se uniram.
 – Soldados e rei…
 Mantida da morte a grei.
             III
Mas eis que o fracasso
 total se apresenta:
 a morte e o mal se arrebenta.
Da tumba ressurge,
 em glória e esplendor,
 o Cristo invencível. O Senhor!
             IV
Do Santo Sepulcro
 guardiães sucumbiram…
 Estupefatos, todos ruiram!


*** Quase perdi-me 

       janeiro 26, 2009

Profundas grutas — mui tenebrosas,
 de José Régio, o poeta, eu visitei…
 Confesso franco, quase perdi-me!
 Por pouco, pouco, não me achei.

Dos seus assombros senti o impacto.
 Na noite fria e já inerte, imergi…
 De um passado, embrenhado nas selvas,
 mistérios mil, lividamente, conheci.

Então, sufoquei as minhas dores.
 Na lua dos sonhos meus, me projetei!

Tentei analisar as refletidas imagens.
 Não consegui… Porém, compreendi:
 em sendo assim a lei, reflexo seu
 será a vida. Da norma, a refletida!..


*** A grande despedida

       janeiro 25, 2009

Rompe a aurora da madrugada os horizontes.
 O alvorecer de um novo dia se alevanta…
 Resplandece o sol os raios seus luzentes,
 enquanto a natureza toda vibra e canta…

Enquanto os céus de azul-cetim espargem a claridade;
 por sobre as vagas ondulantes fótons de luz pululam.
 As águas turvas das pororocas, qual tempestade,
 se agigantam e se agitam. Doidamente confabulam!..

O universo se esparrama, contorcendo-se sobre si mesmo.
 No intuito como querendo explodir, em glória implode…
 Talvez querendo despedir-se da noitada triste. E parte…

Parte chorando. Chorando de saudade, orvalho derramando.
 Pelas colinas, pelos vales e pelas montanhas, num frenesi,
 vai galopando acelerado. Irá viver saudades em outra parte…


***  O bardo dos cantos de iara

        janeiro 25, 2009

A natureza toda exultante
 se contorcia  de alegria…
 É que naquele mesmo instante
 a flor mais bela já nascia.

Os céus sorriam de cotentes.
 Estrondejavam os trovões…
 E as estrelas luzi-reluzentes,
 o feito espargiam pelos sertões.

Cantavam ninfas seus acalantos
 nas madrugadas da primavera…

Enquanto a dor e os desalentos
 roiam n’alma tristes momentos
 do velho bardo dos cantos de iara
 – cantando seus versos relentos.

*** De um epitáfio   janeiro 25, 2009

‘Amai-vos uns aos outros e,
 à Natureza, também…’
 São palavras de um sábio
 – Albert Schweitzer (+)
 era o seu nome. Com ele
 digamos, nós todos, amém!


*** Que saudades da Bahia! 

       janeiro 25, 2009

Na Bahia tem coqueiro,
 tem cacau, tem caroá.
 Tem a tribo de escoteiros
 – daqueles de irá-já:

mais vencendo a própria morte
 pela senha de grão-mal, que
 morrendo de paúra
 do idiofônico orixá.

Não permita Deus que eu fique
 tão distante das baianas
 que não coma coco e vatapá.
 Sem que reveja ainda
 o nígero colo da mulata
 – a linda e meiga iaiá…

Não permita-me a sorte,
 no exílio, a minha morte!
 Quero ver embasbacado
 o sucesso dos baianos
 conquistando o prêmio
 – Oscar do cinema…
 Pode ser, um sulamericano.

Não permita Deus e nem a sorte
 sem que eu volte para a Bahia –
 Quero dar meu último suspiro
 junto aos pés de nhá Maria!

Ah!

 Que saudades da Bahia!

*** Nóis vai a meiorá

       janeiro 24, 2009

Uai!
 Ne quê que dá certo
 nóis vai embarcá no conluio
 e faiz virá a nossa sorte
 – pra nóis a miorá
 nosso destino na coorte.

É, compadre!
 Nóis faiz virá em trovoada
 da lua os raio reluzente e
 faiz torná a chuva de preda
 um arco-iris
 – a faixa candente.

Qué vê?
 Nóis fumo Jeca num passado.
 Hoje nóis somo assaiz valente!
 Pois nóis transforma em fruto
 as entranha do chão carente.

Ué!
 Nóis planta mio e mandioca,
 feijão, batata e cria animá…
 Em troca, nóis qué tão somente
 mais assossego pras nosso piá.

É isso aí!
 Eu digo e arepito, enfatizando
 – nóis vai embarcá no conluio e
 faiz virá a nossa sorte fraca
 no alvorece de um novo dia.

Eu digo e arepito
 pra quem quisé me escuitá
 – eia, gente!
 Cuidado! Nóis não blefa…
 Nóis vai se alevantá!

..raio!


*** Quero domar o mundo

       janeiro 24, 2009

Quero domar a realidade!
 Submetê-la aos caprichos meus,
 nas estâncias de uma recriação.

Quero sentir a magnitude infinita
 do cosmo flutuando nas minhas mãos;
 e, no meu cérebro burbulhando
 como se água fosse, em ebulição.

Quero sentir o navegar dos astros
 da via-láctea em expansão…

Dos astronautas, perdidos no espaço,
 quero ouvir gemidos de desespero e,
 das velozes naves, nas antenas hiperbólicas,
 quero ver a reflexão dos raios — trazendo:
 imagens de longes eras, perdidas no tempo…
Outrora perdidas
 – agora desenterradas.

Quero sentir,
 quero ouvir,
 quero ver
 do universo einsteniano a curva negativa
 que sobre si se dobra e se desdobra –
 pulsando qual coração gigante,
 dilatando-se se dilatando
 nos limites do infinito!

Quero na equação de um poema
 retratar a emoção
 do leitoso caminho
 da via-láctea em evolução.
Quero domar a realidade!

Quero senti-la no seu processo inercial
 da constante degradação,
 continuamente se transformando
 – ora implodindo, ora explodindo,
 em formas novas de auto-recriação.

Quero submetê-la aos meus caprichos
 nos versos de um simples poema.
 Ou, na forma melódica de uma canção!

Desvendar quero os segredos
 da lei caótica das metamorfoses sasonais
 do magma ígneo, em fervilhante ebulição,
 no seu processo secular de translação.

Dos elementos básicos
 – da água, da terra e do ar,
 atuação entrópica
 eu quero aprisionar!

Quero, nas asas da imaginação,
 sobrevoar os mundos inexplorados
 da apocalíptica visão.

Quero, montado num cavalo branco ou baio,
 viajar pelas galáxias do universo
 extenuante em extinção.

Quero cantar
 do universal esotérico canto
 a sonolenta melodia da solidão!


*** No mar da existência  janeiro 24, 2009

Cosendo velas,
 da nau-destino avariada,
 pelas tormentas da vivência,
 eu passo os dias meus…

Com palomar
 torcido de fios-de-esperança,
 eu coso o pano
 da vela desfraldada
 e que atrita a minha nave
 – presa ao mastro da retranca.

Pelo bravio mar,
 da tênue existência,
 veleja o barco meu
 rumo ao destino do além,
 em busca do nirvana.

Quero esquecer as mágoas
 do revoltoso mar,
 do mundo aqui,
 da terra de ninguém.

Do barco meu,
 de um mastro só,
 eu sou o timoneiro.

Cosendo velas,
 mantenho a forma, e
 o destino do meu veleiro!

*** A grande dúvida  02/02/2009

Segundo Kant, Descartes e Laplace
 imensas nuvens de gases e poeiras
 girando em torvelinhos
 teriam gerado os sois,
 os planetas e os satélites.

A minha dúvida,
 quanto à questão,
 persiste e consiste –
 eu perguntando agora estou:

Como souberam eles dessa verdade?
 Se não tiveram tempo suficiciente e
 nem mesmo a idade
 para presenciar uma comprovação fatual
 – digo, experimental
 de tal afirmação, quase banal?..

Aliás,
 para mim, comigo mesmo,
 uma afirmação uma tanto fantasiosa
 e, por deveras, pretensiosa.

*** Namorados no Vale de Ophir  fevereiro 2, 2009

Que encontro é esse feliz?

É John Stuart e Minna.
 Namorados do Vale de Ophir.

Sob a orírica fosforescência
 da noite densa marciana
 – estendendo-se pelos quasares
 distantes de infinitude total,
 eles se abraçam.
 Saboreiam restos do calor humano.

Após os longo cativeiro
 nas dependências da Wiesbaden
 John Stuart, saudosamente,
 revive os já milenares dias
 de sua partida partida,
 para os, de então,
 imponderáveis braços do infinito!

Agora,
 de volta para os carinhos de uma mulher
 ele sente-se tão feliz
 como jamais o fora em sua vida infeliz.

Minna adora Stuart.
 É o herói dos seus sonhos…

Ambos se amam,
 como jamais tinham se amado antes.

Mas, a noite marciana continua
 imponderável nos seus abraços infinitos
 e gélidos, como se uma geleira
 – daquelas do Glacial Ártico.

*** O meu coração se apagou  fevereiro 1, 2009

                                  --  Poema escrito em 1984

Com cada caneta, que de mim você ganhou,
 escreva o meu nome no seu coração…
 Em tinta vermelha e calque bem forte, para que
 se assemelhe à dor dolorida da minha paixão!..

Com cada caneta, que de mim você ganhou,
 escreva as lembranças que ainda restaram…
 Em tinta azul, mas não calque tão forte, para que
 não se transporte às páginas limpas nova ilusão.

Com cada caneta, que de mim você ganhou,
 escreva poemas, canções e floreios…
 Em tinta azul e vermelha e chore para afogar-se
 na saudade que a sua sudade em mim provocou.

Com cada caneta, que de mim você ganhou,
 escreva o meu nome e anote as memórias de cada
 nosso momento, com a tinta — de que cor seja,
 que no tinteiro ainda restou, que você surrupiou!

Ao final, as canetas, que de mim você ganhou,
 quebre-as todas… Rasure as notas que você anotou.
 Separe as suas lembranças das minhas… Findou!
 O meu coração não mais vive. — Também, se apagou.

*** Perdi a sua imagem   fevereiro 1, 2009  

                                        --  Poema escrito em 1984

Perdi a sua imagem
 no redemoinho da existência.
 Fiquei distante de você.

Engraçado,
 sinto-me distante;
 porém, nunca estive
 tão perto de você!..

Hoje sinto-me sozinho.
 Lembranças ruminando vivo,
 num gélido granito recostado.
 Sinto saudades de você!..

Por onde você anda
 ninguém me fala,
 o que você suspira
 ninguém me exala e,
 a quem os braços seus acariciam
 e os seus olhos a quem deliciam,
 não saberia eu dizer.
 Ninguém me fala.

Fiquei distante de você.
 Pergunto então, por que?

Por que sinto saudades suas.
 Se você jamais me abraçou,
 jamais você mordeu os labios meus,
 jamais me algo sussurrou,
Por que com saudades tantas estou?

Arrisco responder-me, eu mesmo:
 talvez, porque você,
 sem que eu o soubesse,
 sempre me amou!.

*** Um rosto igual ao seu  fevereiro 1, 2009  

                                          --   Poema escrito em 1984

Um rosto na multidão
 igual ao seu,
 por mais que eu procurasse,
 não encontraria.

Vasculharia a cidade toda
 – por debaixo de viadutos,
 por sobre as passarelas,
 sobre os terraços, sacadas e telhados;
 nos heliportos e aeroportos;
 nas paradas de ônibus e de taxis
 ou, nas estações de ferrovias…
 Para ver se a tua imagem e semelhança,
 de alguma forma ali estaria,
 eu digo que,
 jamais eu a encontraria!

Debalde seria minha procura.
 Tudo em vão seria!
 – Um rosto, igual ao seu,
 não multidão nunca estaria.

Percorreria avenidas e ruas atravessaria
 e, mesmo atentamente observando
 os parques verdes da cidade, também ali,
 você não estaria!

Talvez, em algum templo ou num colégio
 aventurasse a minha sorte a encontrar;
 porém, tenho certeza que ali, também,
 você não poderia estar!

Salões de festas, de exposições,
 congressos e apresentações;
 alguns museus e teatros culturais
 será que poderiam as suas faces abrigar?
 Duvido que ali eu a pudesse encontrar!..

Avant première dos olhos seus
 só poderia encontar junto aos olhos
 dos pobres sonhos meus…
 A sua voz, na minha prima audição
 dizendo-me que é real a sua face
 e que o seu seria o meu coração!

Um rosto, igual ao seu,
 não encontraria na multidão.

*** Não a conheci   fevereiro 1, 2009
Em memória a uma amiga dos meus amigos  – a Doroty.
                                            -- Poema escrito em 5.4.1984

Eu sempre quis falar contigo;
 agora, é tarde.
 Tu não estás!..

Partiste assim inesperadamente,
 sem te despedires de ninguém…
 Levaste mágoa ou desavença?
 Ninguém o sabe. Nem eu, também.

Por que partiste sem um adeus?
 Por que deixaste os amigos e os teus?
 Por que?

Por que a dor da tua ausência
 terá de agora a nos torturar?
 Será porque  não soubemos
 um pouco mais em ti confiar?
 Será porque não soubemos te amar?

Dorô!
 Tu partiste… saudades deixaste.
 A tua ausência é triste…
 Por que tão cedo de nós te apartaste?

Eu sempre quis falar contigo
 e tu soubeste disto sempre…
 Agora é tarde,
 tu não estás.

Quem sabe um dia, lá no além,
 além das nuvens e das estrelas
 e, mais além dos espaços siderais,
 destino tenha nos reservado um encontro
 – espera por nós!
 Não mais falharemos. Jamais…

Partiste assim inesperadamente,
 mas, na lembrança de todos, persistirás,
 porque marcaste indelevelmente
 nos corações e no tempo,
 com o teu modo donairoso de ser,
 a tua estada temporal.

Dorô!
 Tu foste uma estrela ignota.
 Agora, tu és uma estrela sem par.

Eternamente tu serás
 e estarás pairando por sobre as sombras,
 porque és luz e brilharás para sempre.

Já foste massa feita de água e pó,
 sentiste desejos e tiveste fome;
 hoje, és uma estrela cortando horizontes
 não mais experimentas dores
 nem tens mais saudades
 – teu mundo, agora, é um mundo de flores.

Dorô, continuará o teu nome
 e, na nossa lembrança, assim tu serás!.

*** Os meus cotidianos afazeres  janeiro 27, 2009

Cabe a mim proemiar os meus afazeres,
 como resposta sensível — solícitos impactos,
 do cotidiano labutar na estrada da existência.

Depois, de arregaçadas as mangas, jorrar
 suor latente em minhas veias, pelos porosos
 interstícios, da pele esticada pelo cansaço…

Extravasar até o fim. Até não mais seja possível
 fluirem as gotas refrescantes pelo corpo irado…
 Não mais podendo refazer as coisas já desfeitas.

Apenas, deixar assim!.. Mais ou menos, sem fim.
 A presença marcante — nos termos do necessário,
 estender as mãos para cima — ou ser hilariante!..

Para mim, os meus atos são nucleares e vitais,
 na medida que entrosem em mim os meus ideais.
 Podendo até serem bem comuns e, até triviais!..

Resumindo, diria assim: São fatores ponderáveis,
 do cotidiano sabido, dos meus atos — afazeres
 que, sendo-me reais, só trazem-me prazeres!..

*** Visão apocalíptica  janeiro 27, 2009

Manchas de desertificação.
 Pisoteio de gado.
 Queimadas.

Areia matado as pastagens.
 São todos covardes!
 Abutres irracionais!..

Destroem a si mesmos.
 Caminham para a morte.
 Navegam a devastação vegetal.

É o fim!.

*** No vórtice do progresso  janeiro 27, 2009
 
De solidão soturna fantasiados,
 milhões de homens robotizados
 perambulam pelas calçadas.
 Sós… Despersonalizados!

A máquina se ri, de si por si,
 no ranger enferrujado das engrenajens.
 Está tudo desolado. Ou, quase tudo…

Queimadas foram as últimas pastagens.
 No crepitar das folhas secas
 ressoa um cântico saudoso
 dos tempos em que a lua
 ainda sentia-se amada,
 o sol ainda era um astro febril
 e, nas tardes de verão, resplandecia.

Hoje, tudo é tão diferente!

No vórtice do progresso
 sustem-se só quem pode equilibrar-se
 qual trapezista de um circo decadente.

Milhões de homens robotizados
 se esboroam na vertigem do vai-e-vem.

*** As coisas sempre vão e retornam   fevereiro 8, 2009

Publicado em fevereiro 8, 2009 por mykszoma
Haverá manhãs todos os dias pela manhã
 e as tardes sempre presentes se farão,
 antes que o sol se esconda sob as nuvens,
 para retornar somente no dia seguinte…

As noites sempre cobrirão todos os espaços
 que o sol terá descrito durante o seu dia,
 para que o repouso desanuvie o cansaço
 do turbilhonar energético de todos os seres.

Haverá sempre manhãs, haverá tardes e
 haverá noites… Num gigantesco redemoinho
 de sucessivos vais-e-vens, cada qual fará
 a sua caminhada, rumo ao novo vai-e-vem.

Haverá uma nova tarde indo embora — hoje;
 haverá um novo amanhã de manhã, também!
 Nada, além do rodopio das sucessivas manhãs
 seguindo-se às tardes recolhidas no além!..

*** Uma canção de amor  fevereiro 5, 2009

Amor
 saudade
 poesia!

meus sentimentos à musa dos meus sonhos.
 A musa que nem os gregos, nem os romanos
 tiveram a ventura de conhecer. Eu conheci…
 Amei-a muito, amo ainda e dela agora sou…
 Por que?
Até agora, não descobri…

Tentei, tanto quanto me foi possível,
 a sorte não me quis auxiliar
 – hoje me resta só
 a sorte de te amar!

Irei indagar-me pelo resto dos dias
 o por quê de eu querer-te tanto,
 mas tu fazeres caso pouco
 das minhas dores e do meu pranto.
Seria tudo diferente,
 se caso as coisas diferentes fossem?

Será o destino de um poeta
 cantar em versos a sua dor
 enquanto a amada de seus sonhos
 dele zombar sem despudor?

Na minha existência tu és a razão
 – tu és a minha grande paixão!..

Não posso mais calar os meus sentimentos.
 Tornaram-se tão fortes que
 todos os meus desejos conscientes,
 inconscientes, camuflados, velados e
 deslavados, se exteriorizaram como
 torrentes. Tempestades incontroláveis
 que tornam todos os muros incosistentes!

Quero clamar aos ventos do universo todo,
 dizer-lhes, bem alto, que te amo, que amei.
 Não posso mais conter-me dentro de mim mesmo.

Fiquei grande demais para mim mesmo.
 Ultrapassei os limites das minhas fronteiras…
 Quero ser mais alguém para os teus sonhos,
 para que possa compartilhar os meus anseios
 e os meus devaneios. São tantos! Tão cheios!

Quero voar como uma ave.
 Sem preconceitos,
 por entre as núvens.
 Num universo de devaneios.

Não sou louco, não!
 Mas estou louco por ti.
 Doidinho como uma criança
 que imagina e vive,
 sonhando uma esperança…

Loucura assim, só me faz bem!
 A mim e ati, também.
 O meu desejo por ti, deixa-me louco e obstinado
 mas, não mais louco que o desejado.
 Sou ponderado!

São teus encantos sedutores
 que me machucam o coração
 – quero amar-te como nunca
 mas, tu queres? Sim ou não?
 Por que razão?..

Acreditei que me amavas e
 tu disseste que não…
 Foi chuva de tempestades
 avassalando-me o coração!

Quando adentrei os teus olhos,
 senti-me perdido
 – só em emio à solidão.
 Sabes por que?
 Pois eu te digo:
 porque não quiseste dar-me a tua permissão.

Mas nã desisto!..
 Imploro, insisto
 – quero-te tanto que
 um dia eu te conquisto.

Os encantos sedutores
 serão meu bálsamo de amores
 que extirpará a dor e a solidão
 que hoej arruina o meu coração.

*** Convite à meditação  fevereiro 4, 2009

Levanta os teus olhos para o alto
– contempla a profundidade do céu azul.
Verás, com toda a certeza, o quão pequena
será a tua toda grandeza, perante
a grandiloquente e insondável natureza!..

*** Um sonho diferente   fevereiro 4, 2009

Sentei-me numa cadeira de balanço
 e, como que entorpecido, adormeci.

Então sonhei.
 Sonhei um sonho de mil figuras extravagantes
 e, dentre elas, as que mais ora recordo, eu vi
 – enorme arsenal de núvens e de cometas,
 com seus núcleos em estado letárgico, e
 suas caudas iridescentes (caudelosas)
 iluminando os confins dos horizontes!..
E sonhei mais:
 vi que eram cometas simplesmente…

Eram cometas potencialmente possíveis
 em seu estado de hibernação cósmica…

Quando acordei,
 ainda estava sentado na cadeira de balanço.
 Baloiçava-me como se eu fora ainda um infante.

*** O meu modo de ser  fevereiro 3, 2009

Imprevisto e inexplicável…
 Mas, garanto a todos
 – a quem possa interessar
 que sou franco e sou domável.

Do planeta das tempestades,
 os cromossomos que me formaram,
 tiveram o senso de inspiração.
 Assim, no meu coração se cristalizaram!

Digo porque:
 – Sou tempestuoso de caráter…

Eternamente:
 Fustigado por furacões de risos e de soluços.
 Açoitado por dissabores vivenciais e,
 de nevascas titânicas e gélidas…
 – Eu so gelado.
 Tenho cobertos de neve os meus sentimentos
 em suas formas mais veras e vitais.

Em meus sonhos
 vejo cores rosa-escarlates
 – reflexos de sangue humano,
 flutuando calmamente
 sobre os trópicos dos meus ideais.

Para muitos,
 são sonhos apenas
 – nunca foram reais!

** A infinitude dos universos  fevereiro 3, 2009

A atividade genesíaca do cosmo
 não tem fim…
 Segundo o princípio da entropia
 as coisas se processam assim.

Jamais terá!
 A gande lei cósmica assim se esboçou
 para que o espaço infinito no infinito
 nunca possa se esgotar
 – para que coisas novas possam,
 o universo em expansão,
 de alguma forma povoar!..

Vejamos, melhor, porque.

Sempre haverá galáxias novas em formação.
 Potentes telescópios já as tem visto
 e, de montão…
 Isto porque, basta que outras
 já cansadas de navegar
 pelos sidéreos espaços,
 estejam em decomposição.

Reciclagem, é o nome que se dá ao processo.
 Consiste em recomposição de restos
 de estrelas e de sistemas outros
 já decadentes e destroçados.
 Tudo de si já deram,
 sentiram-se cansados.

Assim se cumpre a lei da infinidade universal.
 Infinidade espacial e temporal.
 Nem mesmo “atol de biquini”
 descumpriria esta lei serial.

*** No jardim da imaginação  fevereiro 2, 2009

No jardim dos sonhos
 sob o céu aberto
 na sala espaçosa da noite
 eu inalo o frágil perfume
 da mirtácea jambo-rosa.

E que mirtácea é essa!
 Tão cândida, quanto cheirosa?..

É a mina doce esposa
 – jambo dos meus sonhos,
 como leve perfume de rosa.

*** Ordem do dia  fevereiro 2, 2009  

                             --   Poema escrito em 17.02.1981
                                  Um coselho a Reagan

Beat someone to the punch.
 Eis a ordem do dia
 se se quer
 pull a fast one…
 Mas, sem medo!
 Também, sem euforia.

The pros and cons
 sempre haverá.
 Não raro
 os amigos de hoje
 serão
 os inimigos de amanhã.

Mas assumir a liderança
 eis a questão principal.
 Depois…
 Somente aguentar os riscos,
 e ceifar… Sob a pena de baquejar.

 – agir antes do adversário
 – tomar uma decisão antes
 que o adversário a tome

pull a fast one
 – passar a perna em alguém

The pros and cons
 – prós e contras…

under guard
 – sob vigilância.

Antes do STOP, START!

*** São coisas do Apocalipse  fevereiro 16, 2009

A Praça Vermelha será, socialmente, restaurada
 – mausoleu de Lenine submeter-se-á a profilaxia.
 Que significado, hoje, teria tanta transformada?..
 VILAR é o órgão mor, a cuidar desta empreitada
 – do embalsamado em 1924. Que carícia dada!..

Hierocracia sacerdotal quer dominar o réu mortal.
 Religarquia, na sua forma nova de “crislamismo”,
 propõe a fé frontal ao “cristianismo liberal” modal
 do mundo cristão – protestante – ocidental. Qual?
 O Vaticano II em sua forma pura e não – original.

Pravoslavie, adoração real — a ortodoxia da fé…
 Crislam, junção adjuntiva, ortodoxia mais islam,
 para tomar a conta do oriente eslavo e do islão.
 São coisas do momento. A Nova Ordem Mundial
 terá de ver-se com o assunto. Que é proverbial!..

*** Por um mundo novo  fevereiro 15, 2009

Roto o meu ser pacato,
 amorfanhado pela vivência,
 contradiz-se e se esboroa
 pelos caminhos da existência.

Não tão leve como dizem
 estes versos, de permeio.
 Sofre mágoas incontidas
 o ser meu quebrado…
 – Eu baqueio!

Não suporto mais as dores
 da ocre andância atroz
 pelas veredas estreitas
 das permissíveis verdades
 do nosso mundo veloz!

São tantas normas e tantos deveres
 que os direitos quase não há…
 Os poucos que nos são dados
 são, logo após, açambracados
 pelos decretos — ditos secretos
 – os promotores dos seus valores.
 Não se os conhece.
 Ninguém os vê.
 – Será que há?

Assim se vive,
 minguado aos poucos,
 vivendo a sorte de um deus-dará.

São tantas normas e tantos deveres
 que, ao final da caminhada,
 inda se os vê inscritos
 na lájea lapidada.
Não há, pois, como não estar roto.

– Como escapar do cativeiro
 imposto a nós por nossos idos?

Como criar um mundo novo:
 menos injusto,
 com menos normas,
 com mais direitos?..

Um mundo mundo
 menos imundo.

Um mundo nosso, queremos nós!

Um mundo vero.
 Qu’ não nos maltrate,
 qu’ não nos oprima…
 Que nos redima do cativeiro de incertezas
 – do atol dos nossos avós.

Roto o meu ser pacato,
 amorfanhado pela vivência ,
 contradiz-se e se esboroa
 pelos caminhos da existência!

***  Os meus suspiros por você   fevereiro 15, 2009


Versão poemizada dos meus suspiros por você
vai nestas páginas gravadas, à pena de ouro –
de rico estilo e à base de tintas de glacê…

Eu sou romântico de fase.
 Tardia, em mim, corre a corrente.
 Enquanto o mundo tenso delira,
 suspiro eu… — Você ausente…

Suspiros meus — ais doloridos!
 Nefastos, meus sonhos coloridos,
 em vão me deram os olhos seus.
 Mas, quando quis tocar eu neles
 – meigos fugiram.
 E, como!?
 – Por entre os dedos meus.

Restou-me apenas um sorriso leve
 daqueles lábios seus.
 Oh!, que saudade dos carinhos –
 aqueles dos braços meigos seus.

Dos beijos seus, doces ardentes,
 quanta saudade!
 Meus Deus!..

Neste poema
 vão os suspiros do peito meu.
 Alquebrado! Será para sempre?

Aceite como lembrança
 do amor ex-belo o veu.
 – O meu e mais o seu.

Eu sou romântico fora de fase.
 Tardia, em mim, corre a corrente.
 Enquanto o mundo tenso delira,
 suspiro eu… — Você ausente…

*** Um recado a Obama    fevereiro 14, 2009

Disse um afegão:
“Podem-nos alugar,
 mas não nos podem comprar.”
 “Somos afegãos, sempre fomos
 e, assim, sempre vamos ficar!..”

Pensam alguns em transladar
 do Iraque as condições para Kabul.
 Tarefa ingrata!
 – Seria trocar o norte pelo sul.
 Kalashnikov já o teria feito
 durante o seu reinado azul.

Obama!
 Não queira montar o trama.
 Ali reside não um povo,
 mas um conjunto de tribos
 que ainda não assimilou –

*** Em São Paulo   fevereiro 13, 2009

Por entre as paredes de concreto
 penetram raios de sol refratados –
 batem maciamente nas calçadas –
 das ruas asfaltadas, refletindo-se
 nas pisadas dos transeuntes, que
 correm apressados. — Para onde?

Os raios de sol refletem?..
 Se sim, sobre o que? Por que?

Sobre as pisadas nas calçadas
 dos transeuntes apressados e,
 de tanto correr, cansados!..

*** Um “bom pastor”   fevereiro 13, 2009

Um “bom pastor”!.. Ele nem tanto!..
 Mais compete a ele ser boxeador.
 Acostumado tratar seus “subalternos”
 à base de um choque de comandante
 de um batalhão de ataque… Sem dor!

Embora seja tido como Rev. Nintendo,
 de jiu-jitsu demonstrou ter vocação –
 vive defendendo-se a todo instante e,
 em casos de extremo ataque contra,
 não hesita em servir-se de “…pressão”.

O seu verbo convence a todos. É já!..
 Nocauteia sem demora. Sua clava –
 “berro douto” de um “doutoramentado”
 exegeta, numa escola da esquina
 da rua da sétima arte. — Dramicida!..

Se diz forte, sabe-tudo. Tudo ignora.
 O seu tempo não tem hora. Se é sim,
 pode ser não; se é não, pode ser sim.
 Não importa!.. O seu dito é desdito –
 se assim aprovado para o seu fim…
Com Rev. Nintendo sempre é assim!

*** Milhares de cruzes   fevereiro 12, 2009

Olhei para os espaços à frente,
 notei milhares de cruzes fincadas.
 Eram cruzes de todos os tempos
 que veneravam os que já partiram.
 Aqueles que um dia viveram aqui,
 como nós labutaram e, sumiram!..

Pequenos e grandes. Nivelados,
 na morte certeira, todos se viram.
 A terra pisaram, de todas as laias
 os homens seus feitos deixaram.
 Porém, da morte não escaparam.
 Os seus poderios a nada valeram.

Olhei para os espaços à frente,
 milhares de cruzes zumbiram –
 não eram as vozes dos mortos;
 eram os ventos que sibilaram…
 Trançando por entre as cruzes,
 pela vez derradeira dançaram!..

Pequenas e grandes. Milhares!
 Eram cruzes de matizes diversas,
 desbotadas pelo tempo e cinzas,
 coloridas de estilo. Havia no meio
 uma cruz diferente. Monumento?
 Talvez homenageasse algum Grilo.

*** O maestro escafedeu  fevereiro 12, 2009

O maestro de plantão,
 aquele das 450 moedas
 cunhadas de sopetão,
 jogou a toalha ao chão.

Disse ele que não dá,
 sem a tecla de si bemol,
 tocar a sonata de favor!
 Afinal, ele inda não é mor.

Assim, quem viu nascer
 – em novembro do ano,
 também viu se escafeder
 em janeiro seguinte. Lhano!

Ensaiou orquestra e coral
 no seu “dó” inaugural –
 escala mais simples tonal.
 Não deu certo. Foi fatal!..

O maetro “quatrocentão”
 não eclodiu, porque a tecla
 – a bendita “si”, sumiu?!
 A domingueira ruiu inteira.

Que horror! Maestro assim,
 só depois da meia noite
 – como se o galo cantasse
 o seu último pernoite!..

*** O amor, são os meus ideais   fevereiro 8, 2009

Morena travessa!
 Alegres sorrisos repartes à toa…
 Insidias, a todos, amores pérfidos.

Instas, sem pejo, o sabor das carícias.
 Atônitos deixas os burilados pela dor
 e, perdidos para sempre,
 os ludibriados no amor.

Depois te evaporas num aroma
 e somes do mapa, fragílima flor…

Andarás por muito, assim ausente?
 Na revoada da vida,
 muitas saudades despertarás?

Rabiscantes amores não vingam!..
 Adendas somadas a floreios
 destroem o todo do belo e
 abatem, da dor, a expressão.

Morena travessa!
 Atenda aos meus reclamos
 – reparta o teu amor comigo só!..

Insidie apenas ao meu coração,
 que amores viverá até morrer de paixão.

Estampa o meu rosto uma grande mentira.
 Ninguém acredita em meus ideais.
 – São loucos, sem nexo.
 – São fúteis, deveras banais…

Só quero amar de verdade
 aquela a quem o meu ser vislumbrou
 como parte da sua essência e, assim,
 na incerteza dos dias, o meu pálido rosto lançou
 – perturbando a minha existência!..

Parece verdade que a todos assusto
 quando falo de coisas de amor.
 Ninguém acredita em meus ideais.
 – São loucos, sem nexo.
 – São fúteis, deveras banais…

Nem mesmo aquela,
 por quem meus suspiros finais
 latejam cansados,
 em mim acredita e em meus ideais.

São loucos, sem nexo.
 Que falam de amor
 São os meus ideais!..

*** Recomendações ao Rev. Nintendo  março 5, 2009

Colete os apetrechos da tua atuação
 e siga o teu caminho da imaginação!
 Nada mais tens a fzer aqui entre nós
 – tanto mal causaste. Que situação!

Saudade de ti não teremos. Oh!, não.
 Da tua missão, fizeste uma traição –
 por que moralista miséria tamanha?..
 O caráter da tua postura amarfanha!..

Diluiste os anseios de gente pacata.
 Só buscava na fé os seus dias fruir,
 porém, com astúcia da soberbia, tu
 ousaste os valores seus destruir!..

A tua joranada acabou. Aqui, basta!
 Tenha bons dias em outos quintais;
 caso encontres alguns, logo mais…
 Poderás ser quinteiro?.. É demais?

*** Quem sou, não sei  março 4, 2009

Quem sou agora, eu não sei.
 Quem eu gostaria de ser,
 também, saber não procurei.

Apenas sei, que faço coisas,
 que jamais fazê-las eu pensei.
 Embora pouco saiba o que –
 fazer pensando, sempre eu faça,
 jamais me deixarei burlar pela
 pobreza do saber e da desgraça!

Eu leio livros de autores tais –
 cujas idéias não conheço…
 Por que fariam mal algum, se
 de pensares seus não apeteço?
 Porém, idéias suas conhecer
 faço mister. Não desmereço!..

Quem sou agora, eu não sei.
 Quem eu gostaria de ser,
 também, saber não procurei.

Assisto aos filmes, pelas TVs.
 Programações especiais, que
 fazem perder meu tempo à toa;
 aliás, abasteço-me de informes
 da cultura inútil… Me oriento –
 na platéia dos insanos vidiotas,
porque, um deles também sou!

 Insiro-me no círculo dos “pobres
 de espírito”… Talvez, um dia –
 sem que o perceba e o queira,
 possa sentir-me realizado. Eu!..
 Feliz e satisfeito. Ó, Prometeu!

Quem sou agora, eu não sei.
 Quem eu gostaria de ser,
 também, saber não procurei.

***  Um mundo novo   fevereiro 20, 2009
                                    I
Que cessem, da morte os canhões,
 o seu fúnebre canto!

Ressoem os sinos da paz
 – o canto dos homens de boa vontade
 na busca efetiva de amor entre os pares
 nos laços fraternos de real amizade!..

Não chorem mais os velhos
 – vencidos guerreiros
 pelas lutas do dia-a-dia.
 Seus feitos, jamais esquecidos,
 serão venerados e tidos bem-feitos.

Crianças não chorem
 – não há mais a fome.
 Brinquedos, vestidos,
 a todos, aos montes.

Escola, cadernos e lápis e mestres
 – são todos amigos!
 Sorriso nos lábios. Desejos antigos.

Casais separados não mais se hostilizam.
 Educam seus filhos e se realizam.
 Tudo é tão calmo, parece um nirvana.
                                       II
Do éden o aroma perfuma os espaços
 e frutos e flores de líricas cores,
 de olores suaves percorrem airios:
 os montes e vales
 escarpados e serras
 estepes e prados
 rochedos
 areias
 e mares bravios e rios e lagos…

As nuvens e as vagas dos mares,
 num coro sublime, polifonam
 as suas ondúleas vibrações.
                                        III
Dobrai os sinos o seu último canto funéreo.
 Da guerra os funerais clamai!..
 A paz venceu!
 – Vitória! Vitória! Proclamai.
 Aos quatro ventos dos hemisférios
 a paz vencendo anunciai!
                                         I V
Tres cruzes altas de concreto
 na terra ensanguentada ancorados
 serão lembrança triste do passado
 – de ódio e de vingança,
 para sempre enterradas.
                                V
Que cessem, da morte os canhões, o seu fúnebre canto!.
 Que bradem, os sinos da paz, tangendo canções de acalanto!
 O mundo livrou-se do medo e do pranto. São todos irmãos…
 Ecoam canções, por todas as partes, de amor, não de espanto!

*** Eis-me engastado  fevereiro 19, 2009

Sem que o queira
 eis-me engastado
 no surrealismo:
dual encontro da consciência
 – razão de todas as intrigas:
 o Bem — construção
 e o Mal – destruição.

Uma consciência sem razão!

Entre os dois extremos
 o mundo se joga
 como se na síntese
 achasse a solução
 aos magnos problemas
– pueris heróicos di-lemas
 de fatal consequente em ação.

No sarcástico repousa a existência
 de todos os seres mortais. Os tais.
 No fantástico vis-lumbram
 a essência, todos os viventes
 – os ditos humanos normais.

Na guerra de todos os dias,
 matando a fome, bravios –
 os soldados do mundo
 procuram forjar os seus anos reais.

Lutar contra o tempo?
 Fatalidade que só por si sói
 a todos brindar. Não chorar!

***  Não sou mais eu    fevereiro 18, 2009

Não mande-me mais cartas. Eu mudei!..
 Mudei de endereço. Agora, moro na lua.
 Do lado direito do oceano das tormentas,
 – na onda das tempestades ocidentais!..

Não posso comunicar-me com ninguém.
 Perdi a condição de um cidadão terreno,
 para tornar-me um habitante iso-lunático
 e sem direito de um terráqueo luni-planar.

Porque? Por que, não sei! Nem saberei!..
 A gente muda a todo instante. Intrigante!
 Não queira a outrem perguntar. Esqueça
 que um dia me conheceu. Talvez padeça.

Mas a vida assim nos concebeu. Depois,
 selou a nossa sorte. Um novo passaporte
 nos transferiu do sul para o norte, até que
 a lua, nos braços seus, nos acolheu. Eu?
Mudei de endereço. — Não sou mais eu!..

*** Vagando a vagalume  fevereiro 18, 2009

Caminhos noturnos,
 de asi-áltica beleza,
 conduzem-me
 pelos recantos graníticos
 – recôndidos, aconchegantes
 escondidos e distantes…

Todos montados de pedras,
 de tijosos e de vidros.

É a cidade adormecida.
 Dizem que foi esquecida!

Eu,
 sem destino, em desvario,
 vago à toa. Sinto um frio!..

Busco encontar algo
 que me possa aliviar.
 Do que? Não sei precisar.

As batidas descompassadas do meu coração
 hiper-tenso… E que tensão!
 Já nem penso se me sufocam, ou não.

Dizem que é estresse. Basta uma prece!

Pelos caminhos noturnos, de asfáltica beleza,
 o meu coração rodopia. Baila ao som de violinos.
 Parece até sons de cotovia? Não são, não são!..

São violões plangentes
 gemendo canções soturnas
 de saudades esquecidas
 ao bordão de notas sincopadas
 – pungentes e doloridas!

*** O seu nome é qualquer   fevereiro 18, 2009

Pelas ruas vazias,
 de um bairro vazio,
 de gentes sem posse,
 desliza, desliza
 – desliza tranquilo,
 numa noite vazia,
 um vulto qualquer.

Uma sombra macabra
 seus ombros envolve,
 num manto espesso,
 de fome, de sede
 – de sede e de fome,
 numa noite vazia,
 noite sem lua, sombria também.

O vulto aos poucos se move.
 Não anda, se arrasta…
 Com nada contrasta;
 nele, quase nada há.

É um anicão cansado.
 Cansado se arrasta –
 cansado da vida sem vida!
 Outrora famoso, agora esquecido.
 Perdeu-se na vida,
 farejando um pedaço de pão.

Seu nome é “garrincha” da Silva Fulano;
 mas, pouco importa
 – o seu nome é qualquer

Apoiado numa bengala
 feita de um galho torto,
 de uma árvore qualquer,
 o vulto se move, desliza
 na noite vazia
 sem lua, sombria também.

Ainda bem que há árvores de galhos tortos
 e, há os fazedores de bengala — aos montões!

Há uma árvore mais adequada às bengalas
 – a bengala das matas do Brasil
 Os bengaleiros mais ousados,
 os bengaleiros marcheteiros,
 artífices veros da arte de bengalas construir.

Porém, a bengala do ancião cansado,
 que pelas ruas de um bairro vazio
 – de gentes sem posse, deslizava,
 era bem simples…
 Era de um galho torto
 de uma árvore qualquer.

Era uma bengala qualquer
 que apoiava um ancião muito cansado
 – um ancião de nome qualquer!

***  Será “H”?   fevereiro 18, 2009

Explosões intensas.
 Nuvens de fumaça.
 Trilhões de megatons
 de cosmo-poeiras
 descambam sobre a Terra,
 lambendo o oxigênio,
 já muito rarefeito…

Rios de gás — rios solares,
 em seus meandros
 pelos espaços sidéreos
 desembocam no equador
 que não o da Terra,
 o equador do Sol.
 Após o arrebol…

Eu, aqui comigo mesmo,
 de um ponto qualquer da Terra,
 observo embasbacado,
 através de um vidro opaco
 – poderia ser um espelho,
 as manchas solares
 que alguns chamam de erupções.

Fusão atômica!..
 – fórmula roubada
 da nossa bomba “H”?

***  As violas seresteiras   fevereiro 17, 2009

Serenos ânimos dos seresteiros,
 na madrugada fugidia e calma,
 das noites pálidas da primavera
 ferem as cordas da viola cantadeira.
 Aos bordões tangendo serenatas
 ferem os corações das mulatas;
 solicitando-as deixar-se encantar
 pelos acordes sonoro-pungentes
 da marota viola feiticeira.

O pungir das violas se propaga
 pelos espaços verdes dos sertões.
 Vence o tempo, voando sobre as matas,
 o som das violas, chorando serenatas,
 atinge em cheio o meu viver!
 Ele machuca-me — rasga-me o peito…
 Viola danada! Porque a mim judias?
 Porque recordas-me o passado,
 relembrando o cantar das cotovias?

Já, no clarão das noites enluaradas,
 nas madrugadas fugidias e serenas,
 ao som plangente dos cantos seresteiros,
 lá vai mulata — encantadora e sorrateira
 das violas o canto acompanhar.
 Todinha a viola estremece. E geme…
 O seu gemido enlanguidece…
 Aos poucos vai ao longe se perdendo
 no olhar felino da mulata traiçoeira!

***  Lider sem liderança   março 17, 2009

Lider sem liderança, ele comanda
 os submissíveis sem decisão.
 Orgulha-se em ser o coronel da fé
 da pacata tribo dos sem razão.

Disseram que leram os estatutos;
 porém, em soletrando-se apenas,
 não sei… Poder-se-á, ao menos,
 algo mais solidamente conjeturar?

Obedecer comandos cegamente
 para, da lide males, não enfrentar,
 são ferramentas de que se serve
 um falso lider. Assim vai dominar!

Lider sem liderança, ele comanda
 os submissíveis sem decisão.
 Cabe a nós — seus comandados,
 mostrar quem somos e com razão!

*** Ele continua o mesmo   março 16, 2009

Ele continua sendo o mesmo
 – daqueles que não se toca,
 nem que se broqueie a piroga.

Água rasa se fez à sua base
 – que ao mau cheiro acostou.
 Nem um pouco, isto o notou!

Como pode-se ser tão insente,
 alguém outro dia me perguntou.
 Disse: “a razão imbecil ficou!..”

Para sentir-se “alguém na vida”,
 mesmo se passando por besta,
 sempre haverá quem faça-testa!

Os apaniguados seus, da hora –
 os ditos corifeus das tragédias,
 são atoalhadores de comédias…

São estes os seus conselheiros.
 De construções nada conhecem.
 Nas comodidades se apetecem.

Jamais tiveram pensares sóbrios
 – daqueles que por si erigiram…
 Que são livres, nunca sentiram!

Ele continua sendo o mesmo
 – daqueles que não se toca…
 Tem seguidores. Não os troca!

*** Apenas, é o que posso dizer-te   março 14, 2009

Sobre areia edificaste o teu pequeno império.
 Queres domar os teus pelo “pavor” e tirania –
 é claro, qu’estou exagerando dizendo assim;
 porque capacidade tua é de um mini-arlequim.

Queres postar-te como um sábio impoluto –
 daqueles que se tem por um forte “vencedor”!..
 Mas, o real do dias teus não é ser um astuto;
 mais parecidos são os teus atos com filisteus!

Não sabes tu retribuir — nem mesmo àqueles
 que te rodeiam e que pretendem sustentar-te,
 como banzeiro, na posição de te sentires “rei”.
 Impetuosos os teus atos. É parca a tua grei!..

Chegou a hora de acordar! — Os mentecaptos
 passos, da tua jornada — já enlameados, não
 poderão mais sustentar-te em pé. — A tempo,
 entregue os pontos e recupere a tua boa fé!..

***  Carga pesada   março 11, 2009

Auto-estrada
 – cobra gigante se perdendo pelo chão.

Caminhões,
 carretas,
 truques…

Transportam produtos da terra:
 ouro,
 pedra britada,
 carvão.

Num sofá debruçado
 assisto a um canal de TV:
 “Carga Pesada” — ibope do dia
 é o que a gente sempre vê.

Whisky com gelo e soda,
 fumaça navegando pela sala…
 Mas, a “Carga Pesada” por que?

Pelo asfalto das estradas
 os caminhões vão deslisando;
 em casa, ausente do mundo,
 eu gozo as delícias da vida,
 sem importar-me com a carga pesada.

Aliás, nem me pergunto:
 pesada por que?

***  Evocando a Natureza   março 11, 2009

De tuas pândegas entranhas
 ó, Natureza!
 a Humanidade toda se nutre.

Tu a sustentas rica e fartamente.
 Em troca pedes, apenasmente,
 que te consuma sábia e
 te conserve em forma
 agora e futuramente.

Ó, Natureza!
 És magna mater
 – olhai por nós condignamente.
 Produzi frutos do vosso ventre
 às pampas
 – às centenas de milhares,
 para podermos alimentar-nos
 – a nós e aos nossos filhos e
 aos que virão, por força do destino,
 logo mais e, depois mais tarde,
 – digo, futuramente…

Cuidar de ti?
 Nós prometemos!
 Faremos tudo o quê pudermos.
 Até milagres “forjaremos”
 para que tu possas,
 por séculos afins,
 nos sustentar assim:
 rica e densamente!..

*** Não entre na onda dos coletivos   março 9, 2009

Não são os teus muitos amigos,
 nem o pensamento positivo teu,
 farão de ti um vencedor na vida.
 Apenas a tua postura altineira –
 diante das coisas… Entendeu?..

Não queiras lamentar os fatos,
 que um dia fugiram do controle.
 Terás milhares de outros tais,
 que te darão a sensação feliz
 de ser fautor. — Não aprendiz!..

Onda moderna dos coletivos –
 submete o homem ao social…
 Não entre nesta! Pura bazófia.
 O ser humano é pleno em si!..
 Por si subsiste — é individual!

Os seus valores, unipessoais,
 não se submetem aos “morais”
 decretos sócio-hígido-finais…
 Estes poderão ser uteis, caso
 não corrompam os pessoais…

Então cultive os teus pensares,
 para que possas ver as coisas
 como de fato são. São sociais
 só no sentido de suportar, e só,
 a esteira do teu exclusivo sonhar!..

*** Lamentações à Nintendo   março 9, 2009

Terceiro galo acabara de cantar
 na madrugada do teu pastoreio.
 Chegou a hora!.. Vais acordar?
 Do zero, começar tudo de novo!

Meia trintena de anos passados
 – pouco valeram nas lábias tuas.
 Teus atos improbos, insustentos,
 abateram os teus ditos faulhentos.

Como se Pedro, de tempos atrás,
 tu te mostraste incapaz em honrar
 a “coroa da cruz”, que abraçaste!..
 Decaiste de orgulho!.. Mancaste!..

Pela força, da força do teu cotovelo,
 buscaste amansar os fieis do arraial.
 Não deu certo!.. Estupidez foi a tua
 – sucumbiste! Te amoixate na rua…

De nada valeram os ditos amigos –
 são falsos esteios que desfalecem.
 Ao se notarem as incongruências,
 todos se espalham. Desaparecem!

Permanecem de pé, tão somente,
 os atos marcantes da tua presença.
 E o galo cantante, da terça pousada,
 mostrou-te: “a ‘missão’ terminada!”

*** Imaginação dos gatos de lá  abril 14, 2009

Havia quatro gatos pingados
 mais quatro gatos tra-la-lá.
 Resolveram fundar um reino
 daqueles que só haveria lá.

Convidaram até um sapo --
 era amigo de um dos gatos,
 dizia ser entendido em tais
 assuntos de criação. E era.

Só que faltava-lhes a idéia:
 não convidaram a perereca
 que era a mãe deste sapo.
 Daí, a encrenca. Confusão!

A perereca traria consigo
 um tal de sabido falcão --
 era guarda dos campos da
 esplanada do reino, então.

Como a escritura da terra –
 a base do centro do reino,
 não se dispunha em mãos
 – os gatos rugiram: Miau!..

Não é que deu certo! Perto
 daquelas paragens, surgiu
 – e não era miragem, leão
 de topete e tudo. Barbudo!

Resolvido o problema vital,
 instalou-se o trono normal:
 assentou-se o juiz, o seu
 escrivão e a bela mediatriz.

O veredito do reinol edito
 ainda não se fizera valer,
 quando um eco distante
 — de uma gata errante,
 fez-se, pelo reino, ouvir:

“Do preâmbulo da lei maior,
 deste reino inusitado, faço
 — espero seja decretado,
 o texto ora vos apresentado.”

E recitou, o seu poema, a
 gata angorá, a conhecida
 Nélia dos Santos Szoma:

“O rugir dos mares e,
 o ruido das ondas;
 Os ribeiros de Deus
 aplanam as leivas…

Os chuviscos destilam
 as pastagens do doserto.

Os campos e os vales
 se vestem de alegria e,
 cantam com júbilo
 as glórias ao Senhor!”

Assim nascia um estado.
 Feliz, alegre e animado…
 De brincadeira, é verdade;
 mas a vida será verdade?
 Dizemos sim. Ingenuidade!

*** Quatro gatos tra-la-lá   abril 13, 2009

Um deles, se dizia ser angorá.
 O outro seria um siberiano? --
 Se é que siberiano gato há.
 Os dois outros, gatos comuns,
 destes que se vê alhures --
 deliciando os infantis do povo:
 Sempre agradam as gentes!..

Todos, cada qual à sua moda,
 cantavam a toada do tra lá lá…
 Até que um dia, um frangote,
 destes — mesmo sem bigode,
 pretendeu puxar o seu arcote
 da canção de bronze tra lá lá.
 Infernal barulho sentiu-se lá!..

Voltando um pouco, esclareço:
 os dois outros, siameses eram.
 Porém, os  seus miados só, e
 somente, sonatas tocavam…
 Não se impuseram no tra-la-lá.
 Um deles, ficou do lado de lado;
 o outro, criou “asas” e tralhou!..

Mas não confundam os quatro --
 quero dizer os quatro gatos, com
 os do Reino da Cocada. Ó, Não!
 São diferentes… São pertinentes
 ao mundo das prosopopéias dos
 protonautas navegantes — Agora
 extintos, porque são hilariantes!..
São quatro gatos mui hilariantes.

 São protonautas navegantes. É?
 Meditem só por uns instantes, e
 tereis idéias bastantes. São eles
 os grandes heróis, dos populares
 contos — das novas gerações,
 dos incríveis ideais ambulantes!..

*** Não mais Nintendo. Mudou?   abril 7, 2009

Quer parecer-me até
 que algo, no reino, mudou.
 O meu analítico faro
 coisas novas detectou…

Não mais se palestra à toa --
 por “horas” a fio e sem um final.
 Também, a conversa não é mais banal.
 Não se contam histórias
 de coisas que tais e, que
 mais pareciam novelas
 de vida — familiares reais.

Quer parecer-me até
 que o trato — o contato abstrato
 de abraço de amigo, não ser mais
 um grande perigo. E não é tão fatal,
 nem é tão sincero, como um dia já foi.
 — Entortou as costelas…
 Alguns ossos quebrou, --
 por sorte, só por isso ficou.

Quer parecer-me até
 que algo, no reino, mudou.
 O nome do sábio reinol (adotivo),
 não sei porque cargas d’água, mudou
 — agora, se chama Mintendo.
 Para mim, acho bom! Melhorou…
 Pelo menos, já se pode entendê-lo:
 qual proposta a sua. Qual a sua razão.

Descartada, se foi a revinda
 — aquela que vinha logo após
 os acasos reflexos
 de infindos pruridos mentais desconexos.
 — Diga-se, de passagem,
 para alguns eram bem-vindos…

O palavreado discursivo mudou.
 Tem como base o Livro --
 não uma simples leitura,
 de um escrito qualquer:..

Esperemos o que será feito,
 depois que o segundo vigário,
 em não se sentindo satisfeito,
 pular do frágil andor
 deste falado “relicário”.

*** Catarse moral   abril 18, 2009

As tumbas do mundo se abriram.
 Catarse moral dos humanos pariu
 — tantas desgraças, insultos:
 seculares cadeados cairam, agora.
 Tudo, que era escondido, emergiu!

Mas por que demorou, tanto tempo,
 a moral de fachada se auto – ruir?..
 Um sepulcro — caiado por fora; lá,
 por dentro, fedia as desonras:
 assim salpicava-se os dias do vir!..

Mas não basta as lájeas se abrirem
 – é preciso fazer-se autópsias reais.
 Descobrir-se o que foi vilipendiado –
 pela soberba dos homens, é vital. E,
 partir em restauro da base moral…

*** Aos promotores dos bem-feitos de gerúndios factóides   abril 17, 2009

Os catecúmenos lançaram as suas vozes pelos espaços,
 acharam-se no direito de o mundo todo persuadir, de que,
 em nome do ide do grande Mestre, teriam o direito próprio
 de o seu reino pessoal e específico construir.

Exímios promotores de bem-feitos de gerúndios factóides,
 dolarizam a fé dos humildes. Aos prostrados se abstraem;
 distraindo-se a si mesmos. — São atores perfeitos! Lentes.
 Leem, por entre linhas, o pensar dos subjacentes.

Alguns — letrólogos formados, buscam espaços culturais.
 Encontram, no desabrigo dos despresados, seus ideais…
 Porém, quando se sentem estimulados pela miséria e dor,
 de posição mudam; tornam-se transfigurados!..

De catecúmenos, que um dia foram, não mais se lembram;
 são menestreis do saber pleno. Conversa deles é diferente:
 agora são doutores. Da vida são fautores!.. Conversam sós!
 — Que estupidez é esta?.. Respondam, senhores!

*** Um pensamento meu… Será otário?   abril 16, 2009

Encurtaram-se todos os caminhos do mundo.
 As paralelas se encontraram mesmo antes do infinito,
 globalizando os sonhos dos vendavais do ocidente que,
 por causa das suas latitudes, não se entenderam; como
 se os ventos seus fossem os ventos únicos do universo.

As chuvas ácidas das nuvens cinzas se gaseificaram --
 não mais cairam… Assim, o solo não mais umidificaram.
 Gigantes cúmulus-nimbus se formaram. O ceu taparam!
 Os homens, como que petrificados, imunes se fizeram –
 não mais água beberam! Os mares salgaram!

Dos oceanos, os vapores não mais foram se destilando…
 Nem os continentes se uniram em tectônicos choques –
 aos poucos, foram se separando! O que teria acontecido?
 Das cordilheiras dos continentes, quem teria a ousadia:
 fazer apenas uma festança de confraria?..

Das Cordilheiras Andinas, quem estaria a base retificando?
 Eu, cá comigo, fico pensando e, na medida dos pensares,
 imagino qual seria hoje o fado dos primevos habitantes --
 que teriam descoberto, antes dos brancos, o Gran Chaco?
 Deveia ser dificil, com eles, o Jogo de Buraco!

Mas, as minhas ponderações, vou terminando por aqui!
 Não quero que os outros tenham idéias falsas sobre mim
 – sou um pacato pensador “itinerário”: ora aqui, ora ali;
 porém, viajo seguro sempre: nas mãos um mapa-mundi e,
 no coração, o relicário das coisas do ideário!..

*** Dai-lhes vós  outubro 31, 2009

Dai-lhes vós de comer
 que sejam migalhas,
 esfareladas mesmo mas,
 que possam a fome deter
 para que vossos cultos
 de soberba beleza
 não se findem e que
 ainda possam crescer!..
 Dai-lhes vós de comer!

Dai-lhes vós o vestir-se.
 Farrapos ou trapos –
 que seja o que for parecido;
 deles falta vós não tereis
 mas, sossego da mente,
 tranquila e inocente
 em seus corações sentireis!
 Ação boa é toda boa ação –
 já foi ensinado assim no passado.
 Por que duvidar
 de um retorno tranquilo à causa –
 a de ser pelos ingentes adorado?

Uma rota camisa
 uma calça rasgada
 uma meia furada ou
 um paletó sem botões
 valer pode muito para quem
 não tem nada; porém,
 mais valer vai para o seu doador.
 Será visto senhor benfazejo,
 repleto de amor,
 benfeitor do seu próximo…
 Terá garantido, no reino acima,
 um assento repleto de glórias
 adornado de coroas de ouro e,
 o mais importante, jamais sentirá uma dor!

Um detalhe deverá ser cumprido ainda,
 ao se dar uma esmola qualquer:
 deverá ser erguido um “templo”
 no qual será inscrito o nome do praticante
 dos atos tão nobres como os de:
 doador de migalhas,
 de trapos rasgados,
 de sapatos furados
 e, por fim, anotar: “este é
 um ator mascarado de moral duvidosa,
 só buscou a grandeza para a sua alma
 maldosa”.
 
*** Lembranças históricas da vida   outubro 30, 2009

Ela passou sem dizer nada.
 Não olhou para lado nenhum.
 Não chamou atenção de ninguém.

– Ele a matou! … Por que?..

Pensei,
 não entendi,
 como podiam acontecer coisas assim?

Ela passou. Silente. Indiferente.
 Ele a matou!
 Um tiro por nada … acabou!

Algo valia a vida para ele?
 Não a vida dele, a do semelhante,
 a dela que, por acaso, ali passou
 e ele — seria desalmado?
 e a matou
 sem perguntar a si
 sem perguntar a ela
 o que fazia ela ali,
 p’ra merecer a morte insana
 – simples quimera?

Aquele instante de morrer
 foi o instante dela, sem merecer
 e sem saber porque…

Haverá instante mais assim
 em que mais gente morra
 sem a fim de que? E,
 sem saber porque.
 Por causa que…

Responder não sei;
 se puder, responda você!

*** Devaneios no ar   outubro 30, 2009

Levanto os olhos e nada vejo
 lá em cima. Apenas nuvens,
 navegando meio perdidas –
 pequenas, grandes,
 cumulus-nimbus,
 algumas cirrus,
 nuvens de chuva também.

Veem de algures,
 vão p’ra alhures –
 algumas se perdem
 pelos caminhos além.

Dizem até, que há sete céus.
 Pode ser a verdade;
 eu não duvido –
 não descreio em ninguém.
 Porém, poderia ao menos
 em um deles conhecer as
 delícias que alguns ditos
 dos seus súditos dizem?..

Ou talvez, um dos sete
 mais perto estivesse de nós,
 para que, sob a nuvens,
 o seu plano espraiasse
 as brancas suas areias
 ao alcance dos incréus.
 – Corrigindo, todos nós.

Que naveguem nuvens negras
 – nuvens densas verticais,
 gotas de água, granizo, chuva;
 não seriam bolhas quentes no ar?
 São intrépidas colunas
 que metem medo aos céus
 não os deixando descer de
 patamar!..

*** Navegante errante    outubro 29, 2009

Navegante errante à procura de
 um ancoradouro para  acostar –
 recolher os apetrechos, instalar
 os seus desejos. Está cansado
 já de, sem destino, viajar!..

O navegante errante poderá,
 um dia, o sonho realizar?..
 Haveria um ancoradouro –
 que pudesse abrigar a sua
 nave do submundo –
 o submarino, aquele imerso
 nas águas conturbadas do mar
 (não confundir com
 o submundo dos marginais);
 aliás, os dois são quase iguais.

Tem mais, o navegante
 é misterioso por demais.
 Diz ser um buscante bravio
 dos Cisnes dos Lagos,
 aqueles da dança do
 Lago dos Cisnes
 que fizeram outrora
 as delícias das Damas
 e dos Senhores feudais.

Como eram todos eles,
 em seus sonhos,
 tão parecidos e especiais!
 Jamais serão esquecidos
 por suas façanhas geniais.

Navegante errante à procura de
 um ancoradouro para  acostar;
 arrimou-se às nossas praias –
 pediu licença p’ra desembarcar.
 Haveria algo em sua mente
 que nos poderia ensejar?..

Não seria ele um farsante
 que quisesse nos roubar?
 Um pirata dos altos mares
 se fingindo um navegante
 uma causa por desnudar.
 Mas se pode sempre duvidar!

Navegante errante à procura de
 um ancoradouro para  acostar –
 recolher os apetrechos, instalar
 os seus desejos. Está cansado
 já de, sem destino, viajar?..
 Esperemos
 o que pode ele nos contar!..

*** Pergunta a um “amigo”   outubro 28, 2009

O teu conteudo de fora,
 será um conteudo maior
 do que o de dentro de ti?
 Não será tua vida externa
 mais uma vida de nada?..
 Uma vida que só é vivida
 por causa dos ais, — que
 há muito, tu jorras de si?..

Não respondas! Perguntes
 somente dos teus ideais.
 São eles consistentes, ou
 apenas são cacos de ais?
 Muitos deles, são tais quais
 os teus dias felizes o foram
 – por surtos de insultos aos
 pobres, e muitos incultos…

Por que então achas que és
 mais feroz que os mortais?..
 Também és mortal! O portal
 de passagem abriu-se pra ti
 –  a hora chegada está!..
 Terás de partir breve daqui.
 Terás tu, por acaso, morada
 sensata do lado de lá? Será?

*** Ao douto irmão na fé   outubro 28, 2009

“Douto” e venerável irmão na fé,
 especialista em falar com deus,
 “profeta” de araque. Baita Sr De
 pérfido sotaque. Engana a todos
 e, se alguém bobear, …até a si.

Douto — de erudito. E a verdade,
 o cara é um esquizóide renhido!
 Por que será? Porque aos ínfira-
 … do pensamento e do entender
 basta uma palavra para se reter.

Não é preciso falar coisas e tal…
 Basta dizer-se que é o maioral –
 O povo entende como razão final,
 para se dar-lhe no seu amor total.
 E que conquista ao douto farsal!..

Ele quer dízimo, mesmo roubado.
 Aquele do dosonesto ganho… Ah!
 O dinheiro o que não faz!?  Salvar
 até a alma, segundo alguns, seria
 – com ele, …qualquer um capaz!..

“Douto” e venerável irmão da “sé”!
 Não faças zombarias da pouca fé
 dos pequeninos, a ti  iguais. Né?
 Eles de espírito pobres — demais!
 Não sirva-te, explorando-os mais..
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 farsal = de farsa, ato ridículo, próprio de farsas
 farsa  = peça teatral burlesca; pode ser pantomima
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*** Kalyna e koni   setembro 5, 2009

Versão romântica da pátria temos;
 por isso,
 não a fizemos politicamente forte.

Quando cantamos
 “chervona kalyna” se vergou, sentimos
 o peito nosso derramar-se em prantos;
 porque uma beleza, no antanho, feneceu
 e, o colorido todo dela, acabou…

Depois, pedimos à rapaziada:
 “rozpriahaite khlopsi koni”; então,
 buscamos a solução à desventura
 num sono do passado.
 – Um sono que há muito nos deixou!

Não esqueçamos a “kalyna”
 nem fadiguemos os nossos “koni”;
 porém, lancemo-nos à luta de um combate
 – para a defesa da pátria nova,
 mesmo que sem a “kalyna”
 e sem os “koni”.

“Koni” modernos criaremos.
 Terão asas e voarão como pegasus
 novas “kalyna” plantaremos
 nos campos vastos da nova nação!..

*** Tenho sensatês   novembro 9, 2009

Quero poupar-te do meu “gramàtiques”.
 Para ser sincero, eu nem falo o francês.
 Portanto — dizendo claro, tudo o que eu
 dizer-te quero, vou fazê-lo em português
 tão entendido o quanto possível seja…
 E veja, de uma vez!

Eu tenho sensatez.
 Errei, de novo. Isto seria espanhol.
 Em português é sensatês.
 Não sou cortês?..

Meus erros reconheço e os corrijo
 com brevidade. Não quero ser um
 intellect stupid (invertido)
 na busca de notoriedade.

Quando eu peço-te entender-me
 o faço com sinceridade — idade
 já tenho bastante, de verdade!..
 Mentir não posso, nem por brevidade.
 Dizem que, quando se aproxima do
 ancoradouro, um barco faz amarras
 – para boiar seguro junto ao cais,
 do porto dos finais.

Digo-te claro, em bom português:
 homem que é homem
 não faz intrigas nem em inglês…
 O seu palavreado não é secreto;
 é todo limpo e muito claro
 como cristal e água benta
 – aquela da Da. Benta
 que dá receitas de tom sadio
 de sabor não acre,
 nem muito salgado –
 bem temperado, ao calafrio
 de um chá dosado de erva doce
 ou de um café de coador mellita.
 Não se discute o gosto.
 Nem por decreto! E tenho dito…

Sejas o que tu és.
 Jamais serás o que os outros querem
 que tu sejas. Despejes neles o teu
 sorriso… e isto basta!
 Tombarão como uma casta de mosquitos,
 baratas, caronchas e outras tais –
 como os cupins “sociais” que são
 nada mais que alimento de tamanduá…
 Alguns deles,
 até podem usar os chapeus “panamá”…

E, não te irrites comigo!
 Igual a ti, não há…
 Eu tenho sensatês
 para dizer-te, em português:
 Não sejas tu nunca um insano.

P.S. P’ra terminar: 
sou um profano,  daqueles que se veste de simples pano.

*** O (a) virtual   novembro 9, 2009

A sua vida não é real;
 você é todo (a) virtual!..
 Vive de outrem,
 até no Carnaval e diz:
 “eu sou o (a) tal!”.

Porém, você não é real.
 É todo, dos pés à cabeça
 é virtual — a sua alma,
 se por acaso a tem,
 não mais sua. É toda
 recauchutada –
 todinha artificial.

Você se diz incrementado;
 porque, tens aparência de
 apimentado social — bem
 temperado do correto social.
 Mas, quero fazer-lhe uma
 pergunta simples:
 você se indagou, alguma vez,
 o que dizer-se diz, quando se
 diz que um ser de fato é social?
 A coisa é esta… Tal e qual!

Preste atenção!
 Mais facil é encontrar-se
 num bananal do que
 perder-se num emaranhado
 de um “lindo” cunho
 (ou rascunho) social.
 Quiz dizer isso mesmo
 na qualidade de poeta,
 desses que fala muito
 e nada faz de mal…

Eu, cá do meu lado.
 Você, lá do seu lugar
 continua sendo um virtual.
 O seu dente pivotado,
 foi de porcelana incrementado;
 o estômago “cortado”, mantém
 o trânsito “intra” seu desviado;
 o seu nariz arrebitado foi, para
 que tenha mais valia de mercado.

Da sua carteira o dinheiro “vivo”
 foi trocado por um plástico pintado
 – dá-lhe mais possibilidades e
 lhe tira quase todas as liberdades!

Seus negócios são aqueles os
 que possam render mais prazeres
 – mas, é claro, não a você; a seus
 sábios credores que se sustentam
 sob os auspícios de seus sonhos.
 E haja sonhos! Que o diga você!..

A sua vida não é real;
 você é todo (a) virtual!..
 Até parece um Carnaval.
 Começa em fevereiro e
 termina só no Natal…

Nos intervalos entre os dois
 a vida é se matar. Não se pode
 ficar “atrás” dos outros –
 afinal, a vida é quase toda social.
 Em nada se parece com você
 nem com os seus
 – familiares,
 – filhos,
 – pais,
 – amigos,
 – os residentes ao seu redor…
 Você deve mostrar-se diferenciado (a)
 para que seja notado (a) e,
 então,
 será feliz até o final…

– Final do que?
 Saber resposta é um tanto banal!
 Esqueço a pergunta. E digo:
 by! by!
 Meu ou minha irreal –
 o (a) virtual.

*** Acho que há sinais   novembro 8, 2009

Assassinaram a igreja;
 criaram seitas de montão.
 Pastor é o dono do rebanho.
 – Não concordaste, não?
 Então, cai fora! meu irmão!..

É a palavra mais construtiva
 “entre na linha, siga o que
 a minha douta sabedoria diz!”.
 Treinado fui — é o pensamento
 pastorício do grande chefe, que
 encherga um pouco além
 do seu grandioso nariz.
 E praza a Deus
 o tamanhão pinoquial deste nariz…
 Eu, cá comigo, nunca tê-lo quis!
 – Sai tanta água suja dele,
 até parece um gigante chafariz.

E é verdade a minha fala.
 Não sou profeta nem sou abdal
 de outros credos. Porém,
 entendo um pouco do riscado
 – quando alguém se apossa
 do que não lhe pertence, e
 (fico abismado) diz que lhe é devido
 por se postar como um atrevido
 (usando o nome do Senhor) –
 domar humanos como ovelhas,
 ao pé da letra, como seus
 súditos… Sem (mas, mesmo sem)
 nenhum constrangimento
 para elevar-se ao explendor.
 Do ponto sociológicamente visto
 identifico aqui o fato do moderno
 Sr. Feudal, credor da vida
 de um simples favelado
 ou de qualquer outro sócio-marginal…

Assassinaram a igreja.
 Do que dela restou,
 fazem um seu próprio quintal.
 Plantam flores, roseiras e orquídeas.
 Delas recolhem as perfumadas pétalas
 e jogam folhas, já ressequidas, aos
 seus “súditos” — submissos seres mortais.

Acho que há sinais
 de algo fora do permissível
 na “Casa de Abrantes”.
 Garanto que
 nada havia disto antes!

É, as coisas mudam! Meus infantes.

***  Quo vadis, Saci!    novembro 7, 2009

Saci…
 Quo vadis?
 Cadê você?
 Aonde vai, por que?
 De onde vem, trazendo o que?
 Por que?

Se perguntar
 “ser ou não ser”
 será igual ao
 “to be, or not to be”?
 – Por esta, eu acho que respondi!
 Mas na linguagem dos Tupi
 com os percalços do descalço Saci.

Dizem que em Nairobi
 coisa tal já tem se visto;
 porém, não comenta nada quanto a isto.
 Mas eu insisto e faço uma nova indagação
 “to be or not to be” será igual ao ser ou não?
 O que acha você, meu irmão.
 Responda-me de antemão –
 sem se ater ao palavrão do pregão
 da Bolsa de Valores dos ricos,
 aqueles que nem sabem que existe
 um tal de sertão. É sim, meu irmão!

Esse poema — um poemeto salafrário
 que deveria estar na boca todos os dias
 dos homens de bem; pelo contrário,
 está saindo aqui da minha pena
 com vontade de voar, feito
 uma pequena ave serena!
 Coitado!
 Não tem asas
 nem está coberto de penas
 nem parece conhecer a Atenas
 – para alguns uma cidade grega
 que teria se erigido por alfenas.
 Que intrepidez esta minha
 misturando o trabalho dos humanos
 com a beleza das flores — alfenas…
 São oleáceas brancas de negras bagas
 encanto dos botânicos e de suas plagas.

Epa!
 Já estou distante o bastante
 e quase estou me perdendo.
 Vou retornar ao passado;
 talvez, ao começo deste evento
 de escrever um poema rebento,
 que jorrasse de si um dvento –
 literalmente, até purulento…
 Será que eu aguento?
 Mas é este o meu intento!
 Vou me acomodar no meu assento
 e passar a relatar o começo da pergunta
 “quo vadis”?.

Ei, você! Fique atento.

– “Quo Vadis” foi um grande evento.
 A perseguição romana aos cristãos –
 por Nero, do século um do cristão advento.
 A saga foi traçada por Henryk Sienkiewicz,
 um polaco do russo império purulento.

– Saci
 de nome Pererê, que tinha uma perna só,
 usava gorro vermelho e um cachimbo.
 Brincalhão e divertido
 vive nas matas, aprontando travessuras –
 assustando cavalos, emitindo ruidos; porém,
 não faz mal a ninguém.
 31 de outubro é o seu dia — o dia do Sacit…

– “to be, or not to be”?
 Agora, você me pegou. Nem sei porque
 eu encaixei esta “frase” estranha aqui!..
 Em todo caso, vamos lá. Explicarei.
 A frase é de William Shakespeare
 – de Hamlet o interior solilóquio
 que se pergunta a sua parte
 no patamar da sua patopéia;
 que, na verdade, diz
 cabe a nós fazermos a nossa posição
 sem apelarmos para nenhuma petição.
 “Ser, ou não ser” — em português
 eu digo assim
 para crescer, para nada copiar dos outros.
 Aliás, também tenho desejo de vencer!..

Já em Tupi
 eu me prendi
 para trazer as origens do Saci,
 um brasileiro nato.
 Graças ao Moneiro Lobato, acho que consegui

*** Herdeiros sem herança   novembro 6, 2009

São filhos — de pais abnegados,
 abdicaram direitos de serem a
 linhagemn real de origem…

Seguiram a vertigem de outrem,
 na penumbra da sócio-fuligem –
 fizeram-se nada. E nadam agora!

Do viajante na metáfora “instaram”
 “partiram, mas não chegaram”!
 Atropelaram a si próprios. Fiaram
 a sua sorte ao incerto, porque –

Das origens dos seus “passados”,
 sem razão alguma, se desligaram.
 Partiram, mas não chegaram!..
 Nada aceitaram; sem nada ficaram!

E nadam agora por sobre as águas,
 que águas não são de rios profundos
 – são córregos rasos que secam
 assim que raios solares os inundam.

Herdeiros sem herança!
 Dos pais o passado renegaram…
 Hoje são “flores” e nada mais, que
 por destino alheio, cairam no nada.

Assim quiseram… Assim serão.
 – De raizes suas se desligaram.
 Na mente dos outros responderão
 como “traidores” não integrados!..

São filhos — de pais abnegados,
 abdicaram direitos de serem a
 linhagem real de origem. Serão
 uma penumbra da sócio-fuligem.

*** Caso Nintendo  novembro 5, 2009

Pensei Nintendo se entendendo;
 porém, o Rev-enido embruteceu,
 estupideceu-se
 – perdeu as estribeiras e, quase,
 enlouqueceu…

O caso foi assim,
 há gente que viu e descreveu:

Alguém lhe disse que também
 sabia ler um pouco. Que entendia
 do riscado, quando
 se apresentasse-lhe o texto douto.
 Aquele que exige um certo saber
 para ser lido sem transtorno sério
 – para o seu correto entender!

E que desgraça não foi dita!..
 Nintendo se enfureceu.
 Pulou… pulou… pulou, gemeu!..
 Até espuma rolou pelos seus lábios.
 Parecia um cão raivoso. Esbraveceu!

O exagero foi necessário, para que
 entendido fosse o caso e o seu
 corolário. Rev-enido se perdeu em si.
 Mais parecia ter uma perna só
 – quase seria um lendário Saci…
 Perambulando, em pulos,
 pelos galhos das mentes humanas
 – exalando de Mirtáceas cambuci.

Rev-enido, porque hoje a temperatura,
 por ele absorvida, é de todo protendida
 aos confins de um atabaque percutido
 pelas mãos treinadas em bater manso
 – com fé simples, sem sotaque.
 Apenas no puro ataque!

Para muitos outros,
 o Nintendo poderia ser também um
 Rev-ênidro que, vivendo das águas,
 não dele — dos outros, navega tranquilo
 de um lado ao outro
 sempre disposto a mudar de lacaio
 desde que lhe seja submisso…
 Que haja bromato para cozer o pão
 – de saruga ou de praganas.

E foi isso o que aconteceu.

O Rev-enido se exaltou. Tremeu.
 Agarrou o pescoço de um coitado
 e o quase da vida escafedeu!..
 Parece até mentira; mas, foi assim
 que a estória se deu. O coitado
 do corifeu, cedeu. Era o posto
 que ocupava, quando o fato aconteceu.
 O Nintendo era um Rev-enido e,
 o coitado era um simples corifeu.
O Rev-enido mandava em tudo.
 Um dia foi desafiado; não concordou
 e, do seu jeito mais apropriado, respondeu.

Muitos viram.
 Todos calaram.
 Nintendo não se entendeu,
 continuou “abutrando”
 sobre os mortos de pensamento
 acreditando que foi ele que os escolheu.
———————————————————------------—
Saci (mitologia tupi) = entidade, por vezes, maléfica;
outras vezes, graciosa e zombeteira
pão de saruga = o que não tem mistura
praganas (saruga) = barbas de espigas de cereais
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*** À base do salmo 4    novembro 4, 2009

Do teu pai, ouça os conselhos;
 são prudentes e podem ser uteis.
 Também fui um bom filho.

Dos meus pais ouvi os
 ensinamentos, que me valem,
 até hoje, nos bons e também,
 nos maus momentos…

Dinheiro não tenho; porém,
 a coisa mais valiosa transmito
 – uma fé na justa causa,
 na palavra não desdita,
 num coração bondoso e,
 na razão limpa, esculpida.

Ter uma mente sadia, ao lado
 d’um coração amainado, não
 pode haver maior riqueza que
 – nem por toneladas de ouro,
 se pudesse ter trocado.

Obedeça aos conselhos do teu pai.

O ditado dele já pode ser antigo.
 Porém, é o único que vale agora
 para dar-te o norte do caminho,
 que, na certa, deverás segui-lo.

Não te alies aos nefastos atos
 das pretensas amizades ocas;
 são pretensas, porque falsas –
 não constroem… São loucas!..

Andes sempre pelos caminhos
 pavimentados pelo saber.
 São verdades que não falham.
 E é simples. Só corresponder

***  Salmo 59    novembro 4, 2009
      transcrição para um simples poema meu

Eles parecem cães latindo…
 Enraivecidos, em torno da cidade rondam
 – procuram alimento. Uivam por vezes.
 Dá medo de ouvi-los! Estão enfurecidos.

Eu fujo deles…
 Mas onde poderei esconder-me?
 Correm, atrás de mim, como se loucos fossem!
 Seus dentes adestrados, são muito perigosos.

Preciso de um refúgio!
 – desde a manhã, até tarde da noite,
 são eles os cães larápios e os meus inimigos.
 Mas onde poderei esconder-me?

Tenho apenas uma coisa no pensamento.
 Senhor, meu Deus! És Tu o meu socorro…
 A Ti eu me dirijo. Não seja comigo indiferente
 – abata a todos eles, para que não me espedassem
 como aquele osso ressequido.
 Para que eu não torne-me um riso.

***  Será?..   novembro 3, 2009

Será possível viver a morte em vida?
 Viver a vida, embora estando morto já?
 Será?.. Será?.. Será?..
 Pergunto mais: Será?..

Não me responda! — Não há resposta!..
 Quem está morto, vivo não pode estar.
 Porém, um vivo já pode estar morto. É
 não foi tão simples esta idéia aceitar!..

Razões há muitas e infindáveis, que
 corroboram a assertiva. A vida é vida,
 só quando é vida simples, não aflita e
 sem angustias muitas que a anulem,
 a destruindo ainda em vida até matar!

Não queiras impressionar-te nunca com
 os dizeres frios de uma poeta… Estes,
 desenham apenas sonhos frios dele, são
 como bálsamo da sua alma não sensata.
 Vagueiam pelos ares púberes do espaço,
 buscando coisas. De que? Nem ele sabe!

Por que?
 – Porque saber não quer porque.
 Apenas agitar a vida e os destinos outros
 que não os próprios seus… Ele é feliz em
 ser o que não é; também será feliz
 quando o for não sendo o que agora é;
 então será poeta e só poeta mesmo –
 se Deus assim o quiser!

Será?.. Será?.. Será?..
 Pergunto mais: Será?..
 Quem se atrever a responder
 – não me responda!
 Que resposta pra nada disto há.

*** O ser deixou de ser   novembro 19, 2009

O ser deixou de ser
 para ser um fantoche
 dos manipuladores!

Dos que o dominaram
 e despojaram-no do pedestal
 para as baixadas do nada,
 da vida pacata de um mortal!

Segundo o Criador
 o ser criado foi igual ao criador
 – tomar do mundo a conta e,
 de todas as coisas da terra…
 Ser um absoluto senhor!..

Dar nome aos bichos,
 pastar os rebanhos,
 pescar os peixes,
 deliciar-se da brisa matutina e,
 na surdina, das sombras das tardes
 – ao por do sol, amar sem dissabor!

O ser deixou de ser
 para ser um fantoche
 dos manipuladores!
Tomaram-lhe a coroa,
 tornaram-no órfão de si e,
 disseram-lhe que,
 por mais que quisesse,
 não passaria de sombra de outrem
 – um animal apenas, aos outros igual;
 sem vontade de ser um ser divinal –
 E, então, foi a desgraça total!..

“Ser, ou não ser”,
 eis a questão capital.
 Despojaram o homem de tudo
 – deixaram-lhe uma vida banal.
 Para ser um alguém,
 deve em outros buscar;
 nada em si tem, para se desvendar;
 mas, do outro a vontade nem sempre
 presente está — vale só quando
 o custo compensa e a verdade,
 à base de ouro, garante-lhe a sentença.

Depois vieram os “profetas”
 os psiquiatras e os atletas
 dos jogos solenes dos gregos e dos romanos
 – homens fortes e sem pudor,
 que domaram as coisas a seu modo
 tirando o resto que ainda havia se camuflado
 nas entrelinhas dos poetas –
 os seres que seres não mais eram,
 pois se tornaram tombadores
 das verdades de algum Senhor.
 
*** Escrevas algo   novembro 14, 2009

Se tu queres escrever algo,
 então escrevas algo que te pareça tal.

Um algo pode ser algo da tua senda
 que um dia fez perderes-te
 pelo caminho e não te deu
 a marca de marcá-la, para
 não desviares-te dela…

A culpa não foi tua e, sim
 foi dela — da senda, que fez
 perderes-te nela. O simples fato
 foi a falta tua de cautela.

Então escrevas isto simplesmente,
 dizendo que perdido foste tu, por falta
 de cautela; porém, a maior culpa foi a
 da senda por não deitar-re marcas
 pelo caminho que tu trilhaste nela.

Se tu queres escrever algo,
 escrevas simplesmente.
 Todos lerão o teu escrito e,
 haverá aqueles ainda
 que da senda a existência
 duvidarão… Dirão:
 será possível o haver algo
 assim inverossímil — uma
 senda transitável que paz
 o viandante seu perder-se?
 Terás apenas de responder:
 ninguém é obrigado a crer…

– “Escrevo eu, para que tu possas algo ler.
 Se é verdade ou mentira… Não vem ao caso.
 Apenas são estórias de quem vive o seu viver.”

Se tu queres escrever algo,
 então escrevas algo que te pareça tal

***  Você que se diz   novembro 14, 2009

Você que diz ser um dos tais,
 que se arvora em sabido para
 além dos, da morte,  umbrais…

Ou se diz conhecer a saida do
 saber inglório dos que não são
 portadores da sorte da morte…

Por sorte, também não dispõe,
 você como tal, a chave sagrada
 da tumba final do fim do astral..

E eis todo o meu arsenal. Eu,
 que não sou semelhante a você
 – pois eu sou um mortal. E tal

Serei até o final… Por sinal, não
 invejo a você nem um pouco. E
 nada eu teria, assim o fizesse!..

Inveja quem tem, bem não quer;
 nem pode arvorar-se em um ser
 – pode ser apenas um perecer!

Sem nenhuma manhã de porvir,
 apenas gozar-se, gozando a si.
 Uma sombra de sombras por si.

E você, que ainda se mostra –
 um dizer por gesto e sinal, que
 não há mais ninguém tão igual.

Tome um jeito! Seja menos o tal.
 Batuta é aquele que sabe sentir
 dos outros a sorte, a sua afinal!..

***  Oh! Vate insano   novembro 13, 2009

Aonde vais? Oh! “Vate” insano.
 Para tu seres como… Falta-te
 o principal — o “cano”.

Para tirar a fumaça das chaminés,
 renovar o ar dos ambientes e,
 deles fazer lugares atraentes.

Só exigir que depositem os dados
 – fatos correntes da vida
 dos simplórios e dos abnegdos,

Não redunda em impérios gigantes.
 Apenas serão pequenos reinados –
 fechados em si, sem os navegantes.

Aonde vais? Oh! “Vate” insano…
 Na competição, pelo poder terreno,
 não se pode os outros tripudiar. Não!

Já que perdeu-se o objetivo principal,
 não se perca por completo a vontade
 de ter um pouco do poder temporal…

O primeiro já se foi. O segundo se vai.
 O dinheiro tomou a conta dos grandes
 exegetas do sagrado. E o resto se vai!

Vate! Já foste bardo dos desertos frios.
 Clamaste os preceitos bons e sadios;
 hoje, trocaste o passado por dinheiro…

Da vida “vocatus” em ouro puro diluiste.
 – Tornaste mais palpável e mais real o
 que mais vale entre os homens. “Qui”?

Pergunta sem resposta!
 Quem leu acima, já viu e percebeu
 o que de fato e de “strictu sensu”
 aconteceu… Ah! Agora deu!..

*** Instale a meninice   novembro 12, 2009

Instale a meninice, do teu filho, no bom caminho,
 e assim será até o fim dos dias dele — Ele jamais
 dele esquecerá. — Trilhará reto, não se desviará!..
 – Algumas vezes, pode ser; em outras, não será.

Acreditei… Pensei assim e ensinei; porém, assim
 não aconteceu. Cada qual deles, o seu caminho –
 não sei se reto ou torto foi, escolheu.  Apenas sei,
 que o ensinado pouco ou quase de nada lhes valeu.

Enfatizando, um pouco exagerei!  Algumas coisas
 lhes valeram. Uns menos, outros mais aprenderam
 que não se deve trapacear. Que a vida no trabalho
 se estrutura. Que da labuta se ergue a formosura!..

– A falha foi no pessoal relacional familial concreto.
 Todos seguiram o seu caminho; de outros discreto.
 Assim se fez uma escala de valores capitais — uns
 dispõem até demais; enquanto outros gemem ais!..

Mas é assim a vida! Para alguns, dá a grande sorte
 e, para outros, a dor não comedida… O que a sofre
 não se tem apercebido, que apenas paga pelo oque
 não aprendeu — em tempo adequado, do já vivido…

Instale a meninice, do teu filho, no bom caminho,
 e assim será até o fim dos dias dele — Ele jamais
 dele esquecerá. — Trilhará reto, não se desviará!..
 – Algumas vezes, pode ser; em outras, não será.

***  Salmo 120   novembro 11, 2009

Num dia de angústia, desesperei-me e gritei;
 os ceus se abriram, nuvens se esvairam e
 cairam águas — refrigeraram o rosto meu. Eu
 acalmei-me, prostrei-me ao chão. Não chorei!

Os gritos meus, Ele ouvira. Nuvens fechara e,
 gotas de vida pura, em forma d’agua, lançara;
 para que, da minha alma, o tédio se afogasse.
 E deste modo, as linguas más nada falassem!

Depois, de zimbro as flexas a brasa apagaram.
 Assim, mortífero efeito seu, de todo anularam!..
 Já calmo mais, as tendas de Quedat me viram
 alguém de paz. Os inimigos meus se afligiram.

***  Pedir perdão, não basta   novembro 11, 2009

Pedir perdão, não basta só.
 Preciso é arrepender-se de

– suas patadas, mesmo
 aquelas dadas sobre
 o asfalto macio, colorido
 de branco, nas travessias
 dos faróis, em dias de chuva;

– seus gritos de insultos
 aos ouvidos de não adultos,
 que não aprenderam falar e,
 nem ouvir dos outros
 sarcásticas frases de asco;

– sua fala insossa, contando
 a vida dos outros sem graça,
 como se fora uma piada
 de ser espinhada ao riso
 de coqueteis de cachaça;

– o seu medo de ser tão só
 um pedante, uma falastrão
 insaciável, demolidor de
 roda de amigos infatigável.
 De ser um ser detestável…

Pedir perdão, não basta só.

Recolha-se ao seu abrigo –
 lá fundo no coração do peito.

Descubra porque razão você
 está tão perturbado — o jeito
 seu de ser assim; depois,
 medite um pouco… — Talvez
 possa desvendar o mal feito
 que o deixou desse jeito…

E, por enquanto, eu digo só.
 Mas, você pode erigir-se um
 parapeito. Daqueles que se
 isola o possível a todo efeito.

*** Uma plêiade de falsetas   novembro 11, 2009

Anacoretas falsários de estirpe,
 dizem-se ausentes dos males:
 dos dissabores das mordomias;

Porém, mais próximo, que se
 suponha, estão as suas mãos
 – repletas, de ricas pedrarias.

Às vezes, são profetas doutos;
 outras, não passam de idiotas,
 tanto prometem e até capotam.

Há farsantes, muito parlantes e
 psicopatas socializantes — são
 os mais audazes. — São bases.

Os intelectualiotas são os mais
 purulentos, contaminam a todos,
 mesmo em tempos sem ventos.

Produzem idéias de ante antes.
 Desenharam as cores do mundo
 – dominaram a psique a fundo!..

As imundícies que há no mundo
 são todas atos derivas de fatos
 conjuminados de seus babados.

Há tocadores de trombetas que,
 pelas esquinas e as alamedas,
 se fazem presentes de muletas;

Cambaleando junto a sarjetas e
 se dizem escoadoro dos desejos
 dos pernetas. E são anacoretas!

Anacoretas falsários de estirpe,
 dizem-se ausentes dos males:
 dos dissabores das mordomias.

*** Retranscrição do salmo 73   novembro 10, 2009

Os soberbos, por serem ímpios, sempre prosperam.
 Não sentem apertos na sua morte; eles não morrem!
 Não se destroem pelos trabalhos — E não trabalham.
 Sempre envoltos em soberba. Desfrutam delícias só.

Colares vestem. O seu pescoço, é puro cabide d’ouro,
 pés adornados e mãos macias. De bolso cheio, riem
 sem o aperto do coração. Não sentem sede… O, não!
 De corrompida vestimenta;  … não se sentem irmãos.

Dominam a Terra. Teem tudo às mãos. Teem servos,
 falsos amigos; às vezes frequentam igrejas. Duvidam
 que possa alguém destrui-los — são indomáveis. São!
 Não comparar-se com eles. — Não se sentem irmãos.

Um dia serei deles? Pergunta me faço e digo que não.
 – O coração azedou-me e então entendi que somente
 eles teem a riqueza. A grandeza da alma está lá, além
 do horizonte, lá no Monte Calvário. Então compreendi!

Eis porque a minh’alma e o meu coração desfalecem:
 … Todas as vezes que os meus pés se alongam de Ti.
 E por certo, terás destruido a todos os que se desviam
 dos caminhos da fé. Estou a teus pés, Oh! Deus Javé!

*** Um jardineiro imprecavido   novembro 27, 2009

Um jardineiro quis plantar 200 orquídeas,
 em seu jardim improvisado, — às pressas.
 – O terreno dizia ser dele já há muito; mas
 de tanto descuidado, …capim não nascia!..

E tudo que ali brotava bonito, logo fenecia.
 Dizer porque, ninguém sabia! Assim se ia.
 Se ia vivendo… — Carpindo mal. Carpindo!
 Carpindo o que, saber-se não podia. Ora…

Deveria ser o joio que ali só nascia. A terra,
 mesmo que sendo boa, produzir não podia:
 o jardineiro não regava. Nem ele água bebia.
 A torneira sempre era seca. Dela nada saia!

Um dia, de surpresa, o jardineiro anunciou,
 plantar iria só 100 cravos da cor amarelada,
 daqueles que brotam nas tumbas dos idos,
 esquecidos por também os não lembrados.

Quando não mais se esperava, as bromélias
 já ali brotavam. E cem não eram; apenas, 60
 delas vingavam. Das duzentas originais, — É!
 Apenas quarenta flores-espinhosas pintavam.

Contente o jardineiro com a colheita fabulosa
 quis regar a terra, para deixá-la mais aquosa;
 não percebeu, a água estava muito quente –
 das 60 bromélias restaram 30 simplesmente!

Um jardineiro quis plantar 200 orquídeas,
 em seu jardim improvisado, — às pressas…
 E, ao regar a terra, a água era quente –
 Restaram-lhe 30 bromélias tão somente.
 
*** Meus miolos na escala do arsenal   novembro 27, 2009

Meus miolos são tingidos de cinza claro.
 Dizem que o produto foi usado em natura
 – em tempo quando ainda produzido não
 o era em escala de industrializado. E era
 o mais eficiente e eficaz no predicado!…

Correspondia às especificações da norma
 – a vigente na ocasião, que o produto, em
 sendo aplicado, o fosse de pleno coração!
 Não machucasse os desejos sutis e belos
 da alma pura. Aquela que almejasse amor.

E foi assim que os sonhos sombrios cinza
 se imiscuiram no sangue vermelho da vida.
 Por um propósito inicial de tingir de belo os
 dias do pensamento humano e das almas,
 acabaram por tornarem-se amargas palmas!

Depois, enfeitaram os caminhos das igrejas
 – por todos os lados possíveis, até os riveis.
 Muitos deles incríveis, irresistíveis, de cacto
 e até são comestíveis. Dizem serem críveis.

São críveis, porque são reais. São naturais!
 Distam da cor cinza de meus miolos e mais,
 não brotam mais, como antigamente faziam.
 Perderam o seu natural sentimento de nada,
 para tornarem-se tudo na escala do arsenal!

*** Enfoque do toque   novembro 25, 2009

A libido estocada,
 explode ao toque da mão;
 ao toque de palmas,
 se acendem do quarto as luzes;
 da sala o abajur se abaga ao toque da voz
 e, ao toque do ego de uma mulher,
 o homem consegue romper a sua cortina
 que dá-lhe a primícia de ser a rainha nas
 coisas da terra — inclusive, nas do amor.

E tudo a um simples toque. Sim, senhor!

Com um toque de dedo
 se liga o celular,
 se disca o destino a chamar e
 se aguarda do desejado o falar,
 o da pessoa de quem
 já se tem a saudade –
 por mais distante que ela possa estar.
 Com o toque do dedo, também,
 se digita a conta do seviço a debitar!..

Com o toque do dedo,
 no gatilho de uma arma moderna,
 se faz a morte
 – as vidas de outrem –
 para outra “vida” levar…
 Não se pergunta nem o porque
 de toque tamanho
 não mais a ninguém incomodar!

Será porque a psicologia do toque,
 se faça presença constante na vida
 e, por si só se explique:
 que existe no toque um algo de fato
 que só pelo tato dá a razão de estar?
 É bom meditar!

– Não é preciso explicar.
 Apenas pensar de como
 alguns toques se possa evitar.

Já um toque de viola, craviola, ou
 de algumas teclas de um piano
 – ao som de um cantar,
 mesmo os dos cantos daqueles
 não sendo os dos profanos,
 se possa a alma tocar…

Não basta tocar, com o toque de um dedo,
 o controle remoto para na TV mudar um canal.
 Com um toque, de mão ou de um dedo,
 toca-se em tudo e, tocando-se em tudo,
 tudo pode-se parar!. É só pensar!..

*** Eras um dia algo   novembro 24, 2009

Quando as lágrimas tombarem
 sobre a poltrona ou sobre o sofá
 – aquele do estrado alto e com
 o tapete estendido dos orientais,

dos teus amigos lembrarás e tu
 – como que de retorno aos idos
 terás sentido a falta dela e, mais
 ainda, relembrarás os sonhos –

que já ruiram quais dominós
 que se partiram nos disfarces
 carnavalescos de uma túnica
 – sem mangas e sem braços.

De capuz que escondeu a paz,
 não retsrama nem as sombras
 dos teus dias sonambúlicos de
 de ventríloquo astuto e sagaz!..

Eras um dia algo. Nada és mais!
 Eras algo, porque não eras gente
 - fazias coisas sem pensar! Logo,
 se não pensavas, …não existias!

Não existindo, simplesmente…ias
 te deslocando aos ventos cardiais.
 Dos movimentos peristálticos dos
 outros — chamados seres virais…

Quando as lágrimas tombarem
 sobre a poltrona ou sobre o sofá
 – aquele do estrado alto e com
 o tapete. Sentirás-te um patuá!..

*** Abestalhados “vidiotas”    novembro 23, 2009

Decoreba — louvável ato de criar memória,
 assimilando os processos de estocar as
 ditas “leis básicas” do conhecer humano.

Depois, é só entrelaçá-las em cruzadores
 investimentos cerebrais, para obterem-se
 os mais inovadores e válidos suprimentos!

Atos criativos não passam de combinação
 de coisas já existentes e conhecidas ante.
 E estas, algures devem estar armazendas,

Haja alguém que delas uma noção tenha e
 saiba como e onde possa servir-se delas…
 Para compor um rosário novo de aquarelas!

Depois, criaram a matemática dita moderna,
 encheram os livros de figurinhas e desenhos
 – apagando a abstração mental das gentes.

E, todos abestalhados, “vidiotas” acabaram
 pensando em nada — nada em seus miolos
 foi encontrado. Até o córtex foi desbotado!..

“Paz e amor”, ou algo similar, aglutinaram
 ao sibilar dos gritos sufocados da miséria –
 a dor e o sofrimento de outrem ficou pilhéria!

Agora, todos igualados na mesmice básica,
 de “sesta básica” se nutre os corações. São
 atos caridosos dos corruptos. — São foliões,

Os que da vida comem as migalhas. Os que
 migalhas fazem para nutrir os seus menores.
 Ao fim e ao cabo, diria eu, são todos atores!

Atores do coletivo falso. Um coletivo que vive
 na mente apenas de alguns. Os chamados –
 “doutores doutos”. Os outros, são comuns…

*** A taça comunitária  novembro 22, 2009

A taça da comunhão não foi comum a todos,
 houve alguns que a tiveram toda de ouro puro;
 mas outros, apenas a viram em suas mãos –
 de plástico barato… Modelo que se descarta,
 aquele da China importado… O mais barato!..

Os clérigos não se misturam com os prelados.
 São honrarias destes que conduzem o missal.
 Aos clérigos compete controlar o povo e o fiel
 devoto abnegado que, a espera de migalhas de
 dizimais promessas de hortelã, em fé se esvai!

Talvez, num copo d’agua benta sobre uma tela,
 aquela tela que reproduz toda a sorte de traíras
 da irmandadde santa do carteado. Do pôquer –
 dos irmãos americanos, nas mentes enraizado.
 Por um décimo da tua renda, serás eternizado!

Caminha assim a humanidade. Para onde será?
 Certeza tem-se e, esta é a verdade: uns poucos
 com o cálice bento de ouro em bandeja de prata;
 enquanto a maior parte dos párias — e sem nada,
 batem palmas de glórias. — Um dia algo haverá?

*** Do Salmo 96   novembro 22, 2009

Cantem! Cantem!
 Cantem um cântico novo.
 Encham os cântaros
 de cantigas de encanto
 que elas efluam
 por todos os lados,
 vertendo transbordos
 para fora das suas paredes…
Cantem! Cantem!

 Cantem que o canto é lindo,
 quando é cantado
 por todos os cantadores,
 por todos os homens
 e mulheres da Terra.
 Que cantos evoluam
 como serpentes gigantes,
 com seus braços airosos
 abracem as gargantas de todos
 que dispostos se ponham
 a cantar da vida os encantos…

Que os deuses do mundo
 se curvem — de agora em diante,
 não há mais que o Deus poderoso.
 E os outros, invenções são dos homens
 que, ao uivar dos ventos bravios,
 se perdem à toa — como a brisa
 se espraia à luz de uma linda manhã.
 Nada lhe resta à tarde
 que ao sol foi queimada
 pois não passara de uma simples cortesã.

Cantem! Cantem!
 Cantem um cântico devido
 de oferendas cravejado
 despoluido, de coração puro
 em uníssono e afinado!
 Nos átrios do Senhor
 que o nome dele seja, dignamente, venerado!
 Que cante toda a Terra –
 que brame o mar e a sua plenitude.

Cantem! Cantem!
 Cantem todos um cântico novo.
 
*** A oração dos “Startsi”   novembro 21, 2009

O Ocidente está de pé ainda
 por causa apenas das orações
 dos idosos do Oriente. E só…
 “Startsi”! “Startsi”! Orai por nós,
 enquanto aqui nós nos fartamos
 – o do melhor, saboreamos…

Já disse alguém, que o Deus
 o dedo seu em riste apontou p’ra
 Ocidente e erigiu da Rússa Cruz
 – abrindo a porta para os lados:
 a escolha p’ra sinistra, para destra.
 A cada qual cabe o destino seu!..

O céu e o inferno estão unidos –
 leis faltam para tudo separar. Já,
 no Ocidente programado, basta
 viver, viver. Em nada mais pensar!
 A qual dos dois, cabe a Deus irar?
 – A quem os golpistas iriam apoiar!

Da Rússia, Deus guardará a sorte,
 p’ra que a morte vingada seja um dia.
 No Ocidente, não terá fim a alegria!..
 Se as orações ouvidas dos “Startsi”
 reconhecidas forem pelo(s) Petrarca(s)
 Não restará do triste ido nem marca.
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 “Startsi”
 – velhos monges dos monastérios; levavam a vida  rezando pela purificação espiritual
de seus semelhantes.  Eram os legítimos guardiães e propulsores da espiritualidade,
 da cultura e de toda a vida (sócio-política) russa.
Petrarca (Francesco Petrarca)   – an Italian poet famous for love lyrics (1304-1374)
“Vedi la fonte d’ogni bel costume,  d’ogni eloquenzia e d’ogni bel vulgare,  poeta singulare,

  misser Francesco,  che Fiorenza onora.”
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*** O Natal que nunca foi   dezembro 12, 2009

Por que não foi?
 – Não lhes direi, porque
 nem mesmo eu o sei…

Apenas imagino, que deve ter um
 álibi p’ra tudo — o que se faz ou,
 que não se faz — entre os homens,
 aqui na terra, no pequenino porém
 importante mundo de cada um…

Acostumados que fomos,
 que alguém sempre rogasse por nós,
 eis que de novo sentimo-nos a sós…
 Sendo assim, sempre estamos nós
 rodopiando em torno de si e a sós!..

Sabemos, porém ou pensamos assim,
 que dave haver um alguém rogando por
 nós — talvez, contra nós. E a sós!

O álibi de que falei
 foi a “tia”, que não é minha e
 não fui eu qem a inventou, mas
 foi meu pai que, de uma “segonha”
 que por acaso voava sem destino –
 a comprou… Agora, é toda verdade:
 ele de algum jeito gostou. Digo,
 o meu pai. Porque, a mim só complicou!

Ela é tia dos filhos meus.
 Que se entromete em tudo que não é dela;
 dizendo ser aquela que vê as coisas de
 solaio e fala… fala… fala mais que um
 treinado papagaio. Pelo sotaque r…r…
 e carnê felpudo da renascida fênix…
 Agora, eu me retraio. Porque,
 com tia não se brinca — nem de folgança…
 A vida é pensar só em poupança.
 O ganho a mais, dever é dar à liderança –
 dos chamados abutres de esperança.
 Em troca se recebe uma linda página
 impressa. De resto, pensar que é bonança!

Agora digo o que se foi.
 Foi a palavra de desrespeito ao ser tal qual.
 Dizer que a mãe, que o pai e os demais
 – enquanto ainda heróis da infância,
 não são os tais. Que são ignaros e
 que não passam de “marginais” da fé
 porque não dão seus décimos de pé
 – sentados preferem ver uma TV e
 ler um livro “caro” para a mente despertar…
– Jogar dinheiro assim, não dá…

 A ordem é economizar! Depois, aos sábios,
 de algum “templo”, em segredo entregar!..
 Para que viajem pelas galerias de vinhos franceses,
 construam palácios enormes de sabores ingleses –
 vivendo a vida, em nome dos pobres da fé,
 destruindo deles a alma, por vezes.

Futricando assim,
 separando os iguais,
 destruiu sonhos natais.
 Sem falar muito, fico por aqui…
 Cada qual siga os seus passos;
 em outros não veja os seus fracassos.
 Devoradores não há. Há os enganadores,
 que se apossar querem do pouco que tens e,
 te prometem milhares de sonhos em troca de
 alguns dos teus vintens. Cuide-os. É o que tens!
 À “tia” — não minha, mas a de vocês
 desejo felicidades e meus parabens!

*** Salmos 126.127   dezembro 10, 2009

1.
 Quando acordamos, percebemos
 que tinha sido apenas um sonho!
 O cativeiro nosso continua ainda
 – ainda somos prisioneiros de si.
Não temos o que queremos,
 porque queremos o que nós
 não sabemos o que querer!
 Ou, queremos o não poder!
2.
 Haveria, porventura, numa ternura
 de coração macio, um lapso ígni-,
 que abrigasse algumas chamas –
 aquelas que aquecessem a corá?
Fome não passaria, teria o maná!
 Do sul saimos — chegamos até lá.
 Ganhamos nada… Por que será?..
 O cativeiro nosso ainda é, ou está!
Não temos o que queremos,
 porque queremos o que nós
 não sabemos o que querer!
 Ou, queremos o não poder!
3.
 E se a guarda não for vigilante, a
 segurança pouco eficiente será…
 O pão de centeio será diluido. --
 Por entre os dedos, todo fluirá!..
Será a cidade dos mortos. Será
 apenas um sonho que se findou.
 Madrugadas geladas farão dias;
 os viventes, vazias aljavas verão.
Quando acordamos, percebemos
 que tinha sido apenas um sonho!
 O cativeiro nosso continua ainda
 – ainda somos prisioneiros de si.
4.
 Quando acordamos, percebemos!
 Percebemos apenas: o que houve,
 já se foi e, nunca mais retornará!..
 – Somos cativos de nós mesmos.
 
*** É dia de Natal   dezembro 6, 2009

Papai Noel, Santa Claus,
 Saint Nicholas, Sinterklaas,
 Père Noël, Did Moroz –
 Tanto faz!.. É dia de Natal!..

No coração dos homens, só
 paz e alegria. — Uma celeste
 e inusitada sinfonia de vozes
 ecoa, ecoa, ecoa e se entoa
 – como nunca antes se ouvia
 ao secular canto da Boa Nova.

Ave aos homens! Jesus veiu!..
 Deixou os céus, estar na terra
 – aqui conosco…  Ele preferiu.
 Quis conhecer a sorte humana
 para depois, na cruz morrer e,
 sem titubear por nós interceder.

St. Nicholas Day,
 is December 6 –
 (Nicholas of Myra)
 who is also known as
 Nikolaus in Germany
 and Sinterklaas in the
 Netherlands and Flanders.

Did Moroz ucraniano, ou
 Ded Moroz! dos russos,
 pouco importa para nós.

Saber devemos só, que
 ele entra pela chaminé e
 dentro do seu saco roxo
 trás de tudo, para quem
 tenha nele um puco de fé!

Ded Moroz!
 Ano Novo. Árvore de Natal.
 Festa para milhões
 – adultos e crianças.

A todos os que recebem a
 Ded Moroz, terão também
 uma Snegurotchka linda –
 a bela donzela de neve!..
 Mas…
 Tanto faz!.. É dia de Natal!..

*** Salmo 113   dezembro 2, 2009

Do leste ao ocidente
 que brilhe a luz do Onipotente!

Do seu poder, da sua graça -
 da permanente presença sua
 e da sua gloriosa vitória que,
 por nós ao longe não passa…

Sempre conosco está e,
 com o seu manto sagrado,
 ao calor do seu abrigo,
 nos acalentando abraça!..

Está nos conduzindo pelos vales
 – por vezes sombrios, por vezes
 de rochas truncadas, ao som de
 riachos cantando suaves alentos
 de brisas e de brandos ventos…

Assim caminhamos,
 tranquilos com ele,
 aos páramos de saberes silentes!
 

Seja alegre a mãe    

que lê o salmo 113
 porque seus filhos
 louvarão sempre ao Senhor!
 
*** Michael JACKSON   dezembro 1, 2009

Michael JACKSON
 In memoriam  –  Aleksandra Lotos
 Tradução do russo por Mykola Szoma

Partiu o Rei, o cativo bisbilhotado,
 Caiu, caluniado de boatos…
 Porém, o seu caminho foi limpo e claro,
 Embora a sua imagem se fez complexa…

O!, Michael, como foste infeliz!
 Somente o palco mudou o paraiso…
 Não, tu não morreste por agressões,
 Disseste-nos apenas o teu: “Good-by!”

Porém, em todos os pontos do planeta
 Ecoam os “Michael Jackson Hits!”
 Os teus admiradores ficaram aquecidos
 Pelas chamas da brasa das tuas canções…

*** Restrospectiva   novembro 30, 2009
Restrospectiva do que era

Ele chegou todo garboso,
 cheio de si e do seu saber
 – até mostrava ser ditoso.
 Vinha das glebas secas e
 já seifadas pelo ocaso…

Sem um descaso, foi esta
 mesmo a história da triste
 dele trajetória, que se ruiu
 ao som de batuquins ruins
 – imitando tamborins…

Foi lá nos quinze anos idos.
 O povo era animado. Só ria!
 Queria ter uma mestre-cuca
 que soubesse assar um pão,
 e diluir na água o sabão.

Não foi assim que se seguiu.
 O pão não se assava, o que
 ainda tinha se consumia — e,
 apenas o sabão se diluia nas
 águas da pobre sacristia.

“ducados” femininos surgiram!
 Os masculinos se tingiram –
 até hoje não se sabe de cor Q.
 Dizia, então o mestre, esperar!
 – Que iria algo melhorar…

De fato, o inusitado aconteceu.
 A ensinante “sábia” emudeceu
 – e, não porque o quis; porque
 o mestre-cuca, “sabidamente”,
 o predisse… E disse!..

Luzidia, era o nome que luzia!..
 Brilhava à noite e durante o dia.
 Não enchergava, quem não via,
 também o mestre disto sabia…
 Daí em diante, só acontecia.

Mas não. O mestre não queria.
 Derrubou a cadeira luzidia, ela
 se foi ao meio dia daquele dia!
 Tudo parou, como se não luzia.
 Exigiu-se a orfanologia!..

Mas, também, não foi somente.
 Havia cantadores nesta gente!?
 O cuca de sabido, com a prole
 que de “temido” fez tremido os
 labores das cantareiras;

Trirou-as, uma a uma, de cima
 das prateleiras. Queria renovar
 o seu canto de sereias. Feias?
 Eram até alinhadas, chilreavam
 como pombas belas…

Ao som do cravo ou dum piano,
 não me lembro, era de antanho.
 O conjunto (mais d’um) cedeu –
 a voz calou e o som emudeceu!
 A prole mestral venceu.

Foi então, que tudo escureceu…
 Ninguém cantou. O piano parou.
 Apenas os batuquins — E ruins!
 Tocam a sós, imitam tamborins.
 – Proletários mafi(-ns)…

A pergunta última restou agora,
 quem levará a grande desforra?..
 Digo, paredes quedas do medo
 – lembranças do passado, que
 um dia era o bem cantado.

Há um serafim humano, e mais o
 o querubim anti-romano. Ambos,
 querendo de algum modo vencer
 – um destruino, o que ve e pode;
 o outro, do primeiro o poder.
Assim é:
o desmantelar do que um dia foi.

*** Grosseto de Toscana   dezembro 18, 2009
 
Aversão ao fascismo arrogante
 invade as estradas de Grosseto.
 O poder absoluto mata as liberdades,
 o indivíduo e a sua solúvel solidão.

Conspiradores que não conspiram:
 amigos do subversivo Mariani.
 Em pensamentos solitários e confusos
 combatem aos filo-fascistas de Toscana.
 Mas a sua luta não é com armas.
 É, na ausência delas que conta o seu poder.
 É o desvio de um homem do rebanho
 que fará cair por terra todo o mal!
 Sem ter paixão de mártir,
 num grupo social mutante,
 o melhor é estar calado.
 O melhor é mesmo estar calado
 entre os companheiros da solidão!
 Que narre a história os devaneios
 do poderoso contra os indefesos!..
 Na arte do silêncio de uma folha
 imprimirei os escassos  fatos… Ó!
 Os fatos de Grosseto de Toscana!

Fugir o deformado corpo de crianças,
 porque a paz não há de rsidir nos seres vivos?
 A esperança é um fruto
 que apodrece em nossas mãos!

Na solidão de Mariani
 na distante Grosseto
 nasce um cântico de dor e de libertação…
 Nos escritos de Alessandro Manzoni.
 — Não leia quem não puder!
 Digo sim e, digo não.
 E ouça, quem quiser…

Na dança dos blocos ginga do mundo,
 no divórcio das falhas geológicas
 não se esconde a verdade nua e crua
 aos meninos vagabundos da nossa rua!

Aversão ao fascismo arrogante
 invade as estradas de Grosseto.
 Tenho lido algo assim
 em algum lugar. E este poemeto
 que seja apenas um simples torpedo
 da expressão da verdade de Grosseto.
 —————————-----------------------————————————-------------———--
 Alessandro Francesco Tommaso Manzoni (1785-1873)  Scrittore e poeta italiano.

*** Por que demônios?   dezembro 18, 2009

Na minha ocre solidão de ex-campônio,
 que ex não fora de natureza ,
 eu tenho a alma simples de um roceiro…

Mora saudade traiçoeira
 ardendo qual braseiro
 meu peito adentro
 que me inflama e me machuca o coração!
 Por que demônios?

Por que padece um campônio tanto?
 Por que mais sente que os demais?..

Da vida os reveses mais o afetam
 será porque  tem o coração mais puro
 ou porque tem a alma mais ardente
 que a mais ardente alma dentre os mortais?

Por que a saudade de um campônio
 é mais saudade?.. Mesmo que ex não fora
 de natureza, a sua alma camponesa?
 Será porque a saudade sua
 é uma saudade mais saudade que a saudade
 dos saudosistas, que é a mais saudosa dentre
 os mortais? — Não estou pensando demais!..

*** O recordar dos anos 30 de 1900   dezembro 17, 2009

Naqueles dias sombrios não se notava a fome.
 Pois, era tão presente ela, que o não comer era o normal!
 Nem a barriga mais roncava, acostumada que estava
 ao “eterno” vazio das tripas.
 – E reclamar para quem e por que? A fome era o normal…
 O demais, não passava dos descuidos — o “sophistiquer!”
 de “La Révolution française” — “à chaque étape”… na terra
 dos russos mujique. Derruba-se o reino, em nome de que?

E por que? — Não responda… Não quero saber!
 Qual foi o motivo de tantas desgraças,
 na terras dos homens que mais pareciam escravos…
 Perderam seus sonhos e seus dias, sem se notarem –
 todos passaram, à história, como herdeiros de bravos!..

Cada ser humano,
 sentindo-se um desumano,
 via no seu semelhante
 restos de uma civilização ruindo.
 Em cada semblante
 reflexo de um rosto disforme
 marcado pelo excesso de ossatura
 geometricamente irregular
 – apenas cadavérica se via, sem respirar.

Cada corpo que se deslocava,
 pelos corredores estreitos da vida,
 parecia ser um arcabouço desajeitado
 de silos corroidos, dos velhos asilos,
 em processo de uma lenta destruição.

Não se houvia prantos… Não os havia.
 O chorar não adiantava nem importava
 – a ninguém interessava.
 Eram os mujiques russos. E bastava!..
 Os sentimentos se desfizeram como fumaça.
 O homem rude (que um dia era) perambulava
 pelas esquinas da desfeita. Procurava algo –
 não achava. “Morte” o buscado se chamava!

Das dez pragas do Egito
 a primeira, no cavalo amarelo do quarto selo,
 então vingava. E, o cavaleiro do cavalo negro
 bestamente cavalgava: como foice e martelo,
 firmes na mão, a todos ceifava. E cavalgava!
 A fome que era fome de verdade, a todos os
 espíritos e a todos os sopros vitais domava!
 E todos choravam,
 apenas a fome não chorava,
 porque não tinha lágrimas –
 porque não sentia e não via!
 Ela não via, o que se dizia…

Dizia-se à boca pequena –
 e todos, pequenos e grandes,
 sem terem visto o selo da besta
 sentiam sobre os seu ombros
 uma ira divina,
 mas não os ocidentais -
 “a ira dos deuses e dos anjos também
 que nos castigue à vontade, porém
 não nos jogue além do além! Amen!..”

Anos trinta
 foram anos medonhos!.. Tão longos, que
 jamais terminavam e, cada vez mais,
 os homens que os vivenciavam — animais
 irracionais se tornavam. Não choravam!..

A fome grassava.
 Dominava os espaços vitais.
 Os campos, que antes floriam,
 sem chuva secavam — não verdejavam mais.
 A culpa não era do tempo e sim, dos iguais.

Parreiras murcharam,
 seus frutos não deram.
 Os trigos tombaram,
 não mais vegetaram.

De sede cairam os viventes mortais e,
 fracos sumiram no meio dos ossos insossos.
 Naqueles dias dos anos sombrios da fome
 viveram a morte total os mortais. Todos
 sentiram o Apocalipse na carne. Eram assim
 de Deus os sinais? E eram severos demais!..

Naqueles anos nauseabundos
 cada ser humano via
 no semblante do seu semelhante
 restos putrefatos de uma civilização ruida.

Não estaria sendo
 a “Revolução Francesa” vencida?

***  Tia Mria   dezembro 16, 2009

Era uma vez uma “tia”
 era chamada assim, porque
 dizia ter o saber de toda a freguesia.
 A todos conhecia, conselhos dava e
 não blefava.. — Quem a conhecesse,
 tranquilo não dormiria. De tudo
 ela  — a “tia” saberia.
 Era assim a sua inusitada sabedoria.

Era isso que, a seu respeito,
 ela pensava e dizia. E dizia
 para toda a sua freguesia
 – de aconselhados, entre fronteiras,
 de sua suserania.
 O pior de tudo é que
 acreditava naquilo que afirmava.

E dominava… Porém, não faturava,
 porque somente o bolso dela é que
 se esvasiava. Alegre, ela sorria…
 Depois, só na lembrança se lamentava.
 Mas, não chorava. Dizia ser forte.
 – A “tia” suportava e não chorava.

Alguns passadistas sentem
 dos tempos juvenis dela
 uma verdadeita nostalgia.
 A freguesia, ao redor dela, só progredia
 e só ganhava. Ela crescia, porque
 achava que semeava. Resumindo,
 todo aquele que a conhecia,
 em seu próprio bolso, algo amealhava…
 A “tia” sentindo-se gratificada, suspirava!

Carnês plantava
 e sustentava grandes negócios de fé.
 Alianças de plástico até comprava –
 Elas abriam as portas do paraiso
 para quem nelas depositasse
 quantias substantivas nos portos de areia;
 e, dos construtores de gigantescas balsas,
 para as armadouras dos navegantes sem fé.

Assim caminhava e caminha a humanidade.
 Baseando-se na credibilidade dos outros,
 pode-se provar que os ventos não sopram e
 que as chuvas não chovem. Apenas tomar
 a posse, do possuido pelos outros; depois,
 só arrastar o pé. Para alguém dizer:
 “é, não tem fé…”. Um outro, vai sugerir:
 “um bom carnê resolve tudo, mesmo sem fé”.

*** Salmo 139   dezembro 15, 2009

Ao começar pensar, já estou pensando.
 Os pensamentos meus todos, Ele os vê
 e deles tira pouco proveito — são inúteis.

Porque são meus, de fraco conteúdo e,
 porque incosistentes, não passam pelo
 crivo do julgamento Seu. E sei porque!..

Porque sou um caído — do jardim Éden
 fui expulso como um transgressor. Traí
 a confiança do Poderoso.  Do Criador!..

Ele cercou-me por todos os lados.
 Criou limites ao meu caminhar…
 Posso andar somente pelas sendas
 dos Seus desígnios, sem me desviar.

Nem poderia me afogar nos fundos
 do mar revolto, por entre as ondas,
 como um peixe, me esconder. Ele
 ali estará me vendo e me fará soer.

Mas, a sua face não me apavora,
 porque encontro nela da bondade
 o perdão. Ele estende-me a mão,
 e dá-me a proteção. Afogar-me?..

Oh! Não, e não!..
 Seguro posso estar na dEle mão.
 Depois de expulso, lá do Éden –
 amargo aprendi a lição: Perdão!..

Não me aborreço com os malfeitores;
 pois são inimigos de si mesmos e de
 seus parcos valores. Vindita terão  –
 sem por isso esperar. Terão de pagar!

Os pensares meus, de fraco conteúdo,
 porque incosistentes, não passam pelo
 crivo do julgamento Seu. E sei porque!..

Porque do jardim Éden sou um caído –
 fui expulso como um transgressor. Traí
 a confiança do Poderoso.  Do Criador!..

*** A Severina, não!   dezembro 14, 2009

Ele é fora de série.
 Até parece um menestrel
 – canta seus cantos
 como se forem comprimidos
 para dores de cabeça,
 de quem dela não pode se livrar
 delas. Mas, tem de ser a
 dor de cabeça de uma mulher…
 Ele é Robert!
 O dito foi: tem grude pelas mãos
 e o prazo, jamais vencido está…

Mas, o reverso não lhe agrada –
 sempre está no prejuizo. Embora,
 de papo agradável, tudo lhe é farsa.
 Em troca, tem apenas o cutucar –
 na popular butique da Severina;
 ficando-lhe, depois, a conta a pagar!
 Dizem que a Severina sabe nadar,
 nas águas dos rios naturais e
 nas fundas piscinas de vitrais.

No fundo, ele é um trabalhador.
 Batalha muito, não ganha tanto… Mas
 o que consegue, elas — irmãs da Severina,
 lapidam mais depressa que se dê a conta e
 o menestrel “sabido” fica só com o lápis na mão,
 ainda bem que pode, fazendo a conta.
 Espero que um dia a consciência dele
 de algum modo desponte: a real situação
 ele entenda, de uma vez, e a afronte.
 Alguma Severina talvez lhe aponte!..

Por enquanto,
 só vejo uma coleção de esquecidas
 no seu abrigo incluidas –  que nada
 podem oferecer… Apenas sabem lapidar
 os outros — aqueles
 que não aprenderam a se defender!

Direi como uma dica — não é conselho, não!
 O cutucar butique da Severina, não vale a pena
 se a pena for viver, todos os dias, nas mãos da
 mísera e miserável cantiga da enganação.
 Cuidado! A Severina, não!

*** Salmo 137   dezembro 14, 2009

Às margens da Babilônia,
 cantamos as nossas canções
 – são gospel  de ilusões!
 Não há salgueiros,
 foram todos cortados
 – apenas secas relvas rastejam.

Nem os capins-gordura vicejam.
 Aqueles que se diziam
 terem barba de Arão…
 – Todos medream!

Os cativos se encantaram
 e aos cantos de encantos,
 ao som dos acalantos
 e dos búzios frutuosos,
 se entregaram… — Gostaram!
 Gostaram tanto,
 que até se algemaram.
 E gostaram!..

Os opressores os ataram:
 pediram os seus cantos e,
 ao lado deles, juntos com
 – também cantaram.
 Disseram-lhes, às palmas:
 Cantem-nos e nos encantem
 com os seus cantos santos!
 Pode ser gospel.
 Podem ser prantos.
 Senhores somos.
 Pagamos, ao peso de ouro:
 Dêem-nos o gospel de ilusões!

Um gospel de paladar nosso.
 Que tenha um rebolado apimentado.
 Bem temperado!
 Que arrase os alicerces das multidões.
 Não deixe a pedra sobre pedra
 – que tudo seja ao som abafado
 nas mofadas criptas dos grotões.

Então, teremos reconstruido a Babilônia
 e seremos verdadeiros filhos de Edom!..
 Ao som de canções gospel de ilusões…

*** Memórias de então    dezembro 13, 2009

Seu Bento era um bento “capelão”;
 não de qualquer capela, mas de irmãos.
 Exercia o seu papel não como o papel,
 mas como um grandioso “papelão” –
 havia, na família sua, um grande rachão.

A sogra Isma, parecia uma taquara.
 Quando rachada, não soa nem na marra.
 Mas ela ao saber não se dava — cantar e
 cantar… A todo custo se apresentava…
 E cantava, que a dor de dor se espantava.

Foi a tanto tempo, que nem me lembrava.
 Hoje, por acaso, acordei e vi que sonhava.
 Estava lá nos Campos Gerais. Chovia…
 A lua já não brilhava. O dia clareava — até
 poderia ter sido a madrugada que entrava.

Mas vejam só, quem na estória adentrava.
 Era ela. — A “tia”. Aquela, que a cegonha,
 ao meu pai, por alguma razão a deixava…
 Era e será a irmã que não podia faltar, não!
 - Junto a Isma, e com ela, a dupla formava.

Foi ali que o começo se iniciava. — A troca
 da toca se fez por um triz… Cantar quis e,
 por nada e de nada, perdeu o próprio nariz.
 Seguiu os conselhos do “capelão” — agora,
 um simples chapelão. Feito de “papelão”!..

*** Mercadores de fé   janeiro 13, 2010

Não são os da Sé,
 nem os da periferia.
 São mercadores autônomos
 do tipo de “serviço voluntário”
 que procuram ajudar
 aos desgarrados de alguma grei,
 que geralmente vivem de forma “solitários”.

E haja fé nas páginas de oferta de jornais…
 Há fé das mais variadas,
 mesmo para os que nem acreditam mais
 em nada… Em nada mesmo. Nem em si,
 quanto mais em outras proposições,
 cheias de mirabolantes ilusões
 que transformam nada em
 ouro por apenas simples carnês de anões.
 – Corrigindo, anões chamados de “Jedeões”.

São “mercadores de fé”
 – em nome de alguma fé,
 que nem os próprios sabem qual é,
 arrastam multidões ignaras
 com promessa de alpacarras
 de futuras fartas mesas raras…
 E eles próprios — os promotores,
 se dão ao canto atual de cigarras!..
E as coisas não são raras.

 Há mercadores de vários “sabores”
 – de alianças, de renovo,
 de navegantes ao sabor de diamantes:
 são empresários presdestinados
 mas não o sabiam antes. Que figuras!
 Na verdade, são de riso picantes…
 Até poedriam ser hilariantes
 caso houvessem sido do circo antes!?.

E há clientes para todos.
 De todos os matizes e
 em todos os quadrantes!
 …
 Para não me alongar
 vou ligar os hidrantes
 para refrescar a cuca e, assim
 escapar do Inferno de Dante…

*** Eu sou não o que sou   janeiro 12, 2010
 
- Eu sou o que não seria, se não fossem
 as espectativas de outrem, a respeito do
 que eu teria podido ser, quando potência,
 inda no ventre de outrem: Era um vir a ser.

Uma potência em tudo e para todos. Era!
 Para alguns, um simples ser pacato. Mas,
 para outros um esolhido dentre os heróis-
 -espermas gladiadores. Da vida sêmens…

De outro modo dito, eu sou o que sou por
 razões das correlações outras, dos seres
 outros existirem, vivenciando correlações
 diferenciadas de relacionamentos em si…

Eu sou um ser que fui potência. Que, nas
 potências dos outros, fui elevado ao poder
 de poder tornar-me potencialmente um ser
 – não mais pacato, mas destacado e ver!

Ver mais o que teria visto, se em potência
 apenas permanecesse… Co-responsáveis
 foram aqueles — os que de mim falaram, e
 em mim as estruturas de ser alevantaram!

Eu sou, não o que sou; … mas o ser que,
 potencialmente, dos relacionamentos dos
 outros emergiu. Porque assim imaginaram
 os que me viram em potência. E amaram!

***  O meu coração     janeiro 7, 2010

Amperímetro mediu a energia do meu coração.
 Achei graça… não quis acreditar. O ponteiro –
 bateu tanto o extremo da medida que, acredite
 se torceu e se esboroou — rachou, se quebrou!
 Você acha o que?.. Alguém notou?! — Passou!

Passou despercebido. Como se não houvesse
 nem existido; não o ponteiro, mas o coração –
 triste… Partiu-se em pedacinhos. Assim ficou,
 embutido em si mesmo como se perdido fosse
 – e nem chorou! Só lamentou, mas não chorou!

O coração é forte. Mais forte que o próprio aço.
 Dizem que, hoje em dia, os corações se fazem
 de duralumínio. Resistem mais, mais leves são.
 Nas asas de uma belonave se acomodam facil,
 porque combinam com ela, em gênero e grau!..

Assim foi com o meu coração. Passou a prova.
 Jamais entregou-se a um “não”. Alguém notou?
 Por certo que não… Ele só bate em meu peito,
 só eu sinto o seu palpitar e o seu tilintar de aço
 — só o meu sentimento me põe ao seu lado!..

***  Ser o que se é    janeiro 6, 2010
                               Aos descendentes

Despiram-se de si mesmos
 pensando melhores seriam.
 – Nos campos da vida teriam
 chances maiores… Seriam,
 aos filhos da terra,  iguais.
 Não! Seriam jamais… Porque
 as origens são outras e os
 costumes diversos divergem.
 Seus atos internos são outros
 – jamais poderiam ser tais.

Ser gratos a quem nos acolhe
 é coisa dos corações nobres;
 porém, esquecer-se de si, p’ra
 igualar-se a outrem, jamais…
 Cada um será sempre o que é
 – o que foi por Deus projetado.
 Despir-se de si mesmo, para
 ter o seu “id” camuflado — não!
 Mesmo em terras estranhas –
 está-se em casa, quando se é.

Esquecer a origem dos seus, é
 ter nada de si em si próprio. É
 remar só nas águas alheias. É
 buscar o que não existe; porque
 já se foi — apenas o rasto deixou
 da coisa distante e que
 muito mais distante ainda ficou!
 P’ra quem tem um pouco de tino,
 muito claro ficou, o que se disse
 e, agora, nada mais restou!..

*** Análise de um perfumado   dezembro 24, 2009

Idiota perfumado
 é menos inteligente
 que o perfume que usa.

A prova está no perfume usado –
 quanto mais forte e nauseabundo,
 mais indica que o usuário é insosso
 – de baixo do perfumado
 só um cesto de ossos
 cheio de carboidratos,
 já digeridos e incorporados…

Idiotizar-se é o seu campo ideal.
 Não ter posição, para não se opor
 – a vida “lógica” é não polemizar!
 “Viver” sugando as “idéias” de outrem,
 caso as venha captar… E só “caminhar”.
 Na verdade, arrastando-se na maionese
 de salada de outras verduras, misturada
 com sais ao vinagre, pimenta, mostarda
 e alguns ovos batidos. … de codorna ou
 de galinha, de preferência, sortidos…

No cotidiano,
 o ato normal idiotiano
 é imitar um avestruz: é
 meter a cabeça perfumada
 num incolorido capuz…

***  Eugênio e Margarida   janeiro 21, 2010

Eugênio e Margarida
 (Em homenagem a Bernardo Guimarães
 —  escrevi o poema nos anos de 1990)

“O cravo é você,
 eu sou a margarida”.
 Dise-lhe ela sorrindo
 afagando-lhe os seus
 – os dele, braços…

“Fique com a rosa, que
 eu gostaria de guardar
 o meu cravo”. — Bravo!..

Tomando a flor
 os seus olhos ardentes
 de ternura e de paixão
 brilharam. Brilharam!..

Como se fora uma pudica
 e uma tímida virgem.

– Ambos, por instantes calaram.

“Eu amo você”.
 – E você?..
 Lera a Margarida,
 no olhar do mancebo,
 a pergunta que ele não fez!

E como uma flor que
 do seu cálice entrega o perfume
 ao sopro das variações das virações
 ela expandia os seus afetos inocentes…
 Em sua ingênua candura que
 amorfanhava do coração as ilusões.

Era outubro. Parecia tudo rubro.
 Manhã risonha e brilhante.
 As chuvas já tinham lavado os horizontes
 envolvendo a terra num místico véu
 de saudades e de malancolia.
 O ar — tão transparente,
 o céu azul — tão límpido e puro…
 Permitima ver-se ondulações das
 últimas colinas ali distantes,
 dos mais remotos longes…

O tapete orvalhado dos espigões
 reluzia do sol os raios cintilantes.
 A aragem da fresca manhã
 sacudia da coma dos arvores
 da noite as lágrimas choradas.

O peito do mancebo largamente respirava
 através dos campos e das colinas da terra natal.

Aromas silvestres bafejavam-lhe a fronte
 brincando com seus cabelos.
 Não era bem detê-los! São só cabelos!..

Ela sorria.
 Ela cantava.
 Ela brincava como se fora uma borboleta
 por entre os canteiros florescidos do jardim.
 Assim!!! Enfim!..

Pelas sombras do pomar
 apanhava flores e frutos.
 Com suas alegres tarvessuras
 provocava o mancebo acanhado
 forçando-o a sair daquele seu estado
 constangido e acanhado.

Era outubro.
 Manhã era risonha e brilhante.
 As chuvas já tinham lavado os horizontes.
 Era Eugênio e Margarida  — a rosa e o cravo.

*** Um mortal como você    janeiro 20, 2010

Mortal comum como você.
 Só vejo à frente o que me agrada.
 Não quero sentir a dor de não ser
 um astro — dentre aqueles astros,
 que brilham no céu
 acima dos horizontes e que
 navegam como navios,
 nos mares bravios das
 latitudes entre o sul e o norte.

De porte portado
 eu não desagrado a quem
 quer-me ver desatado dos
 laços que trago do berço!..
 São laços sutis de desforra, que
 não permitem que eu jogue agora
 o que se gastou na cisão da masmorra
 dos ignóbeis e atávicos modos de ser…

Sou igual a você!
 Mas detesto ser caluniado,
 não me deixo ser espezinhado;
 sou por vezes grosseiro
 para não ver-me humilhado.
 Sou assim!.. Serei assim!..
 De resto, não sou malvado.

Então, vai um sorriso meu…
 Não me perceba como um “ao léu”.
 Tenho visões de coisas boas
 – desejo o mundo sem loas à toa…
 Abraços meus são p’ra você:
 que esteja firme sempre como um ipê,
 um lenho forte que não se corta facil –
 tenha idéias, sempre seja você!

Eu sou mortal como você.
 Juntos faremos o mundo — em algo,
 conosco se parecer! — Pode Ser?..

***  A Decápolis — Mr. cap. 5     janeiro 20, 2010
 
Em decápolis ouviu-se a voz de um ex-condenado.
 Já fora imundo, sujo vivia. Por todos era desprezado
 – metia medo à quem dele podia ter se aproximado.
 Conhecido era como o “terrível endemoninhado”…

Era mesmo ele um ser ex-humano derrotado!!!
 Que pavor… Até que ponto desce um ser humano –
 o dito “omo faber”, depois — “homo sapiens”…
 E, no final das contas, não passa de um derrotado!..

Ainda bem que, naquele dia, passava pelas bandas
 da província dos gadarenos, o Jesus dos milagres e
 dos ensinamentos sadios, — sem venenos mentais
 da ignorância, da raiva, da inveja e ciumes mortais!..

O Mestre atendeu aos pedidos…  Apoiou os feridos
 — da loucura e da morte salvou os clamantes! A fé,
 agora do sapiens revisitado, deu condições de viver,
 de estar junto àQuele que fez os ventos cessar… E

Tem todo o poder os demônios aniquilar… Todavia,
 a pedido deles próprios, só os faz expulsar, ao mar!
 A legião deles não resistiu — o seu poder valia nada!
 A decápolis “sorriu”. — Da desgraça foi restaurada!!!

*** O nosso caminhar    janeiro 18, 2010
 
Das coisas que contigo eu vivi
 jamais poderei esquecer!.. Tu
 serás sempre a minha estrela.
 Poderás ser a matutina.. Uma
 das outras que existam por aí.

O nome pouco importa! Serás
 tu aquela mulher feminina, que
 gravaste o teu nome comigo…
 No silêncio das noites de verão
 comigo estavas — e eu cresci!..

Contigo foi que eu me encontrei
 – nos braços teus me alojei… E
 ao palpitar dos corações: do teu
 do meu, dos nossos dois… Nós
 nos achamos juntos nos salões:

Da vida atribulada de ilusões. Eu
 só posso te pedir perdão por não
 poder fazer-te mais feliz… Assim
 talvez, o destino e não eu, propos
 estrada de pedregulhos para nós!

Nós machucamos os nossos pés
 tentando caminhar juntinhos, sós!

*** Estou de partida    janeiro 15, 2010

Não!.. Não conte mais comigo,
 seja lá para o que for. Já vou –
 estou de partida… Para longe!

Outras bandas comporei,
 trilharei caminhos outros,
 ao sabor de aventuras…
 Muitas!
 Novas sendas buscarei!
 Sim!..
 Novos rumos seguirei!

Descortinarei os horizontes
 – terei sonhos novos,
 ao sabor dos sonhos
 que um dia já sonhei e,
 sonhanndo qual sonâmbulo
 das noites enluaradas
 eu em sonho me farei!

No incôgnito encapsulado,
 sentirei-me um vazio
 de mim mesmo esvasiado;
 porém, não ao ponto
 de não sentir-me extasiado
 – serei um inusitado.

Do incógnito quero provar a emoção,
 Do inesperado sentir quero o impacto,
 pelo mergulho, da alma e do corpo,
 no infinito do longínquo insondável!..

Procurarei, entre os etéreos, volatizar-me
 mas não ao ponto de desafzer-me de mim mesmo.
 Quero impregnar-me da morte dos cemitérios, para
 sentir a dor dos que ficaram beirando os ermitérios.
 Como granizo rolarei dos ceus abaixo
 sobre os vetustos campos do paraiso,
 que em caindo ainda eu possa sentir a
 dor (por instantes) dos dentes de siso.

De plúmbeo peso
 quero meus ombros cingir.
 Da cor de estanho
 quero as minhas faces tingir e,
 ao som de um bronze, quero
 afinar os meus tímpanos
 para que os ouvidos me possam ouvir.

Do clarão relampejante, afoito
 luzes quero cantar…
 No meu semblante quero gravar
 a imagem indestrutível da atômica lei
 que aniquilou a Iroshima e Nagazaki!
 Quero “masturbar-me” em desejo
 na presença venérea do planeta Venus
 para gozar as delícias do coito infinito,
 envolto nas nuvens,
 com estrelas e astros da via-Lactea
 e lácteas outra, dos mundos de além!..
 Distantes daqui; porém,
 de lá, bem aquém!!!

***  Mateus 6.3    janeiro 15, 2010
 
– Que a tua esquerda não saiba
 o que a tua direita faz, …quando
 um bem fizeres tu a um outrem!

Era o preceito bíblico de ontem.
 Também, é preceito válido atual.
 Muito se faz sem um cabedal!?.

Dá-se algo com a mão direita e;
 depois, a sinistra o tapete puxa.
 A vitória se garante, ao farsante!

Benfazejo se parece. Mas, como
 astuto …Sobre os outros, cresce.
 Diz ser abnegado e até faz prece.

Ele assim se parece; mas não é!
 Ninguém o conhece como salafré.
 - Sempre reza lá no alto e em pé!

Pode estar de cartola, de fraque,
 carregar livros sagrados na mão;
 será sempre um fingido de irmão!

Na ocasião oportuna, — para ele,
 estenderá benfazeja a sua mão…
 Depois, golpeará com a esquerda!

São lições que aprendi nesta vida.
 Distinguir os açoites da sorte real:
 Desconfiar dos “heróis” de ajudar.

***  O João do deserto   janeiro 15, 2010

Ele comia gafanhotos,
 tomava calda de açucar
 e não tinha diabetes!..

Vestia roupa de pele de animais,
 usava cinto de couro — andava
 na moda daqueles tempos…
 De lombos cingidos,
 ele era o destaque
 da sua geração — era
 o porta-voz
 do grande Mestre das
 coisas ao mundo vitais.
 Ele era demais:
 o João do deserto, que
 anunciava os dias finais!

O rio Jordão borbulhava,
 quando uma voz, … — lá
 de cima, gritava: “Este é
 o meu Filho…” E, o João
 com as mãos trepidando
 o corpo do Mestre Jesus
 — submerso nas águas
 do rio Jordão, batizava…

Nascia o modelo cristão
 de estar-se proclamando
 um seguidor do lançador
 de moda — do João e do
 Filho de Deus, o Mestre!

***  A vitória da fé   janeiro 14, 2010
 
Do fracasso da cruz
 à vitória da fé
 foi um caminho longo.

O império romano.
 Do sinédrio o julgamento
 e o homem de Nazaré.

Três eventos culminantes
 em forma de uma cruz
 a história conheceu, que
 ao longo dos milênios
 aos humildes comoveu…

Nascimento.
 Morte na cruz…
 Ressurreição!

Os fortes do momento
 se compraziam e se saciavam
 no funéreo “jantar”…
 E a laje fria do sepulcro ruia!..
 Estrondosamente se desfasia,
 mostrando ao mundo –
 dos impérios humanos
 a pequenez.
 A quimera dos homens
 não passa de uma estupidez!..

***  Aos irmãos da fé modernizada   fevereiro 2, 2010

Ei, irmãos amigos!
 Não peçais dinheiro aos deuses
 que eles não o têem.
 Conquistai vossa fortuna na labuta
 do diário vai-e-vem…

Tenhais fé na vossa luta.
 Trabalhai!
 Sem desânimo, andai!..

Construi vossos palácios,
 vossas torres de marfim
 – gozai hoje as delícias…
 Assim: trbalhando. E muito, enfim!

Sois herdeiros exclusivos
 de uma fonte inexaurível
 de riquezas. — Explorai-as.

São domávies
 os espaços inesplordos.
 Sejais seus tomadores,
 são conquistáveis…

Ouro, prata…
 Natureza rica em minérios.
 Não a deixem aos impropérios
 – dela façam o que se possa
 para a obra boa vossa!

Plantai terras,
 colhei frutos…
 Dominais os campos
 e tudo o neles há.
 Por ventura, dentre os príncipes da terra
 não queieis vós estar? Pois então, bravo!
 – Mangas arregaçar!!!

Não peçai ao deuses nada
 que eles nada têem
 daquilo que a vós na terra convém.
 A riqueza toda está em vós
 – no diário vai-e-vem.

***  Dezembro   janeiro 27, 2010

Dezembro é o mes de todos os anos.
 Todos os anos têem um dezembro…
 Nem poderia ser de outro modo.

Alguém teria imaginado
 um ano inteiro sem um dezembro?
 – Não! De modo algum.

O que seria da petizada
 sem um dezembro enfeitado?
 Sem um Papai Noel trenotizado?

Sem nozes e sem castanhas,
 sem champanhas estouradas
 e sem as delícias de assados?

O que fariam os super Mercados
 com seus estoques abarrotados,
 mofando à toa os enlatados?

O que seria dos favelados
 sem receberem cestas-de-natal
 em seus casebres isolados?

Já vejo alguém dizemdo:
 “de fome morreriam…”
 — Riam! Riam! Riam!…

O que seria dos abastados
 sem a prática dos atos bons.
 – Acabariam enfastiados!..

Pela consciência seriam devorados,
 perder-se-iam… — Coitados!
 Sem salvação sentir-se-iam!

São tanto abnegados, que
 em dezembro se sentem,
 inteiramente revigorados…

Os ricos
 — praticam boas ações.
 Dão cestas-de-natal.
 Sentem paz nos corações.

Os pobres
 — saciam a fome e a sede.
 Sentem a bondade dos humanos.
 Sentem o amor nos corações.

As crianças
 — sentem-se queridas.
 Recebem brinquedos mil.
 Uma árvore todinha enfeitada.
 Na mes, uma farto pernil.

Enfim,
 o dezmebro é bom para todos…
 Para alguns — comida à bessa.
 Para outros — satisfação e paz.
 Para todos  — é o mês que em
 tudo apraz!.. — E tudo, é paz!..

*** O retrado de um melodrama   janeiro 25, 2010

Parti num veleiro
 para terras estranhas.
 A longes impérios
 de rudes mistérios
 – levei-me por dado…

Cantar os meus feitos
 grandiosos, perfeitos,
 eu sonhara um dia. E
 a hora, agora, chegara.
 Parti resoluto! Sem tiara.

Meu barco veleiro
 versatil, ligeiro,
 conduz-me até lá…
 Sem tiara, serei
 apenas um simples
 guerreiro da vida e o resto?
 – Eu sei lá? Só resta-me o
 cantar: trá-lá-lá!!!
 Tanto faz, aqui como lá.

De braços abertos
 de olhares incertos
 de sorrisos desertos
 – uma formosa mulata. Ali!..
 Ela, já esperava por mim.

Desci do meu barco,
 cai nos seus braços,
 senti o meu sangue
 borbulhando em mim!
 Eu sei disto, porque
 foi ela que me contou assim…
 Disse ter-me visto num pires –
 deixei que fosse assim.

Senti-me em seus braços
 na espuma macia da vida,
 vi o seu corpo flutuando –
 parecia ela estar nadando
 espremendo-se no meu e
 juntos voamos ao léu…

Delícia, brandura
 candura se apossa de nós.
 Eu canto meus cantos sonhados
 no barco veleiro, coratando as águas…
 – Avisto um mastro ao longe boiando!

Na terra distante
 de longes impérios
 serei cidadão.
 De rudes mistérios
 cantarei vitupérios.
 Sonharei vampiros
 abrindo maçudos papiros
 em busca de si --
 em qualquer canto da solidão.

Acessos medonhos
 abalarão os meus sonhos. E
 assim cantarei
 os meus feitos desfeitos,
 queridos grandiosos,
 queridos perfeitos,
 repletos de sonhos e
 quase todos desfeitos
 num pires de porcelana
 — aqueles usados pela cigana.

Para sempre viverei
 nos braços mulatos
 com olhares incertos
 por trás de sorrisos desertos!..
 Mas sorrisos do reino do amor!

*** Entrada para o Reino     --     Mr. cap 10     janeiro 24, 2010

O preço da entrada no Reino Celestial

O que devo fazer para merecer o Reino de Deus?
 Perguntou assim, um jovem de família nobre, ao
 Mestre, que passava pela Judéia rumo ao Jordão.
 A resposta imediata, chocou a todos. Vejam só:

Deves seguir os Mandamentos… Sem exceção –
 o Mestre respondeu, …acenando-lhe com a mão!

 – não farás adultério,
 em pensamento, nem em ação;
 – não tirarás vida a ninguém,
 de ninguém serás juiz. Oh!, não…;
 – a ninguém terás roubado,
 um trabalho digno deverás ter;
 – não darás falso testemunho,
 por razões quaisquer, jamais deves mentir;
 – não extorquirás a ninguém,
 para tirares algo em proveito próprio;
 – e, a mais sublime, prestes atenção:
 obedecerás a teu pai e a tua mãe,
 seja em que for condição… “

Mestre! Comungo contigo estes preceitos –
 desde a infância tenho guardado as normas.

Bem sei, que me dizes tu a verdade. Porém,
 há em ti uma falha de maior gravidade… — Tu
 és escravo da grande fortuna que tens!.. Vai,
 distribuas aos pobres os excessos que tens,
 terás amealhado um tesouro maior — Lá nos
 altos celestes… Terás de si um senhor! Não
 submisso aos fortuitos descasos da vida!..

O rico jovem não gostou… — Jamais na vida
 viu labuta no seu caminhar. Também, nunca
 andou! Sempre de biga romana rodou. Agora
 – ao lado do Mestre, se desapontou!..  Não!
 Desfazer-se de bens, que loucura! Despistou
 e partiu. O jovem não quis seguir o Mestre…
 Cabisbaixo, puxou as rédeas — e a biga caiu
 na distância. — Na fartura da riqueza sumiu!..

Então o Mestre concluiu:
 É mais facil um camelo passar pelo fundo de
 uma agulha, do que um menino rico, desses,
 entrar no Reino do meu Pai.

*** A liberdade de ser lider   janeiro 23, 2010

É natural a vontade de ser lider de alguma estrutura social.
 Há líderes políticos, há líderes de assistência social e há –
 os líderes chamados domadores de concsciências do povo.
 Os mais poderosos em seus propósitos… São domadores,
 até o último fio dos cabelos, do pensamento dos “súditos”
 que se lhes submetem… — Voluntários ou por interesses!..

É natural! Não combatamos as lideranças boas e lúcidas!..
 Porém, convém determo-nos no significado do termo “lider”.
 – Alguém consciente de si próprio e daquilo do que deseja.
 Não poderia ser um iletrado social, embora muito benfasejo.
 Sem conhecer as leis da social dinâmica, será o peregrino
 em terra estranha, sem arrimo: nem p’ra si e nem ao primo!

Tenho visto algumas Pastoras, jogando verbo pela televisão.
 Parecem mais campesinas tocando cabritos das campinas
 do sul, em tempos de chuvas, do que a que se propuesram.
 Mais pareciam estarem divertindo o povo humilde, do que –
 com perdão da parábola, instruindo caminhos de sabedoria,
 aos caminhantes ouvintes da “culta solidão”. Só escuridão!

Como pode conduzir um cego ao outro?.. Ambos irão cair…
 Vi Pastora que pastando, joga sorte nos sorteios televisivos,
 pede a Deus ajuda e bate palmas ao se abrir uma cortina –
 Então agradece por ter sido ouvida a sua prece… Ela ganha
 e o auditório todo estremece!.. O “tataco” passou de longe,
 forte foi a sua oração. É Pastora dos enxutos de toda razão!

Um conselho, se é que eu tenho algum.
 Pastor seja aquele que, pelo menos saiba ler,
 que tenha noção das coisas e do seu porque;
 Que tenha formação ampla de sabedoria humana
 – a divina, Deus mesmo provê. No mundo “sapiens”
 não se justifica ser Pastor “analfabeto social” que só sabe
 soletrar com dificuldade apenas a cartilha do “A-B-C”.

***  É assim   fevereiro 13, 2010
 
Marca-passo
 no compasso
 controla as batidas do coração.

Pena que não de todos.
 Somente dos que têem muito “carvão”.
 Assim é a vida, meu irmão!

As conquistas da ciência
 deveriam ser fruto de todos.
 Mas, na hora do seu uso
 – e aqui não há abuso,
 só conseguem tudo
 os que têem algum dinheiro
 e muito “cartucho”  nas palmas da mão!

Pena, que seja assim!
 É o dito popular
 – só pode sambar,
 quem acompanha o tamborim.

***  Saudade   fevereiro 12, 2010

De névoa densa
 branqueia a noite
 – a madrugada.

Nuvens navegam esparsas
 sobre o azul do infinito.

A penumbra da lua cheia
 que tanto me odeia
 mergulha no mar o sonho seu
 pálido e aflito. Lá no infinito!

Gaivotas pousam em revoada.
 Retorno ao lar… Dizem que
 é o seu caminho.
 Eu… tenso, na madrugada
 choro meus ais… tais…
 Triste e a sós!

De névoa densa o peso me oprime.
 Sinto escapar-me o coração!

Saudade dela e dos seus carinhos
 vai me matando na solidão.
 As gaivotas ainda não retornaram!

*** Buquê de rosas amarelas   fevereiro 6, 2010

Buquê de rosas amarelas
 encantou as noites de verão
 nas noites claras de Moscou
 os sonhos virgens dela.

Uma canção que embalou
 nos sonhos da ilusão
 os desejos juvenis dela
 que na despedida encontrou
 a sua canção preferida.

E assim cantou, noites sem fim,
 a sua despedida prematura, que
 no calor da desventura se afogou
 no amargo gosto do amor — logo
 nos primeiros passos da sua vida.

Uma canção que embalou,
 junto ao buquê de rosas amarelas,
 o sonho que tão cedo acabou
 quão cedo despertou no jovem
 coração apaixonado dela…

Assim foi a história da bela jovem
 dos arredores de Moscou, dos anos
 oitenta, que recebeu um buquê
 de rosas amarelas. Eram muito belas!

Nota:
 A inspiração deste poemeto foi uma
 canção russa dos anos 80, que falava
 de um buquê de rosas amarelas.
 S.C.S., 06 jan. 2010

***  Há coisas que tais    fevereiro 26, 2010
São João cap. 3

O vento assopra onde quer…
 — E você ouve a sua voz, mas
 não sabe: para onde ele vai.
 — E Nicodemos conjeturou…
 O Mestre respondeu-lhe: você
 pensou?  Não se encontrou!..

Você é Mestre entre os seus.
 Nem tudo é claro como se vê!
 Por trás de um dito há arenito,
 que a olho nu se ve;  — porém,
 dissolve-se em meio próprio e
 forma silicatos de não sei quê.

Nem será condenada a crença
 daquele que a fé não mostrou!
 Pior será para quem viu a luz e
 as trevas escolheu. Se afundou!

Mas é preciso que brilhe a luz
 Ela produz clorofila em plantas,
 e dá vida aos fracos. Ela seduz!

E Nicodemos de novo pensou: –
 Dentre os principais da casa sou.
 Pois não devo mais esconder-me
 – Já vou! “Rabi, maravilhado sou”.
 — E Nicodemos conjeturou…
 O Mestre respondeu-lhe: E você
 de novo pensou?  Se encontrou!

O vento sopra quando e onde quer.
 A gente se delicia com os sussurro
 da folhagem levantada, pelos ares,
 em forma de torvelinho de ventania.

***  Badaladas da Sé     fevereiro 19, 2010
                      (1975, ao passar pelos espaços da Praça da Sé)

Seis horas.
 Os sinos
 como antigamente
 ainda tocam
 suas “canões” plangentes.

Seis horas.
 “Ave Maria”…
 Ecoa o canto
 pelos espaços da Sé.
 Nos corações humanos
 ressoa
 uma saudade do passado
 – do cantochão,
 a sublimação da fé!

Santa Maria!
 Do amor eterno,
 compadecei-vos dos contritos.
 Dos corações aflitos
 que no amor se machucaram.
 Tenhais piedade…
 Façais com que se recomponham
 os que, no mísero estado,
 angustiados fracassaram.
 No amor se macularam –
 até à morte se entregaram!

Tenhais piedade deles.
 Eles se machucaram! Porém,
 ainda, ao menos um pouco,
 sonham…

Santa Maria!
 Do amor falido.
 Tenahis misericórdia
 do coração traido…
 Apiedai-vos da sua condição.
 Infundi-lhe um novo ardor.
 Fazei reflorescer-lhe n’alma
 a ventura,
 a calma e
 a esperança de outro amor.

Santa Maria!
 Mãe carinhosa!
 Ouvi o canto meu
 – o meu pranto em forma de “oração”.
 Fazei descer
 sobre os ombros dos aflitos
 o manto de vossa perene srenidade.
 Afastai a tempestade
 dos abatidos pela dor.

No tanger dos sinos
 das seis horas
 eu vos suplico humlidemente
 tranquilidade e paz à alma…
 Apenasmente!

Aos desvalidos
 aos combalidos
 aos fracassados
 e aos traidos
 estendei a vossa mão…

No que me diz respeito
 tão somente, que
 não sou filho vosso
 – nem sou devoto,
 agora e eternamente,
 em nome dos combalidos,
 tenho pedido…
 Sinceramente!

***  Lucas 21    fevereiro 18, 2010
 
Arregalai os olhos.
 Não os fechai jamais!
 A pedra sobre pedra não ficará.
 Estai atentos! — Quando será?

Naqueles dias sereis enganados!
 Dirão a vós, que sois letrados e,
 que de posse de vossa sabedoria
 podeis vencer os ímpios tribofes…

E não haverá sinal algum,
 mas vós vereis do topo os açoites.
 – Porém, não enganeis a vós e nem
 a irmãos vossos se consumindo,
 como se pedrugulho do caminho
 de outros eles fossem…

Muitos dirão “chegou a hora”.
 Não deis ouvidos a tais assertos!
 São falsos testemunhos, que
 enganarão a muitos… Embora,
 esteja próximo o tmpo da chegada
 ainda não será a desta temporada!

Mesmo se guerras irromperem,
 estas serão apenas um pré-aviso!..
 Os reinos romperão suas fronteiras
 para buscar, em outras terras, a paz
 aos súditos seus!.. — Só um aviso!..
 Ainda não terá chegado a hora do final riso.

Riso de pranto. Teremotos e mortes à toa.
 Pestilências e fomes matando milhões!
 Espantos sinais fabulosos nas nuvens!..
 Sereis perseguidos como fostes jamais –
 Mas cuidado, não guardeis proventos em
 dólares ou em reais, nas quecas pessoais.

Em meias tão pouco seguro será,
 o transporte de “grana”. Não imagineis
 que os outros são mais tolos que vós!
 Apenas não esqueçais que, quem não
 é contra nós, também consoco pode
 nem um pouco estar… É só pensar!

Irmãos, parentes, pais e filhos, também
 costumam brigar. Alguns até podem, a
 si e a outros maltratar.  — Pelo simples
 direito de poder, de um cofre cheio, os
 segredos desvendar!..  E dele abusar!..
 Não convém algo assim não considerar.

Paciência, antes de qualquer coisa!
 Os dias do cumprimento estão por vir.
 Haverá sinais no sol, na lua, e no céu
 – nas estrelas cadentes! Na terra, as
 angústias e a perplexidade se ouvirá,
 pelo bramido do mar e das ondas…

Desmaios haverá. Expectativas.
 E, no final de todas as coisas, Ele
 – o Rei, o Filho do Homem, tal
 como subiu, à terra retornará!..
 E reinará! E reinará! E reinará!
 Olhai a figueira, quando madura está.

Passará o céu e a terra,
 mas a palvra dEle
 jamais há de passar.
 Portanto, esvasiai as cuecas de prata
 e as meias, de vossos pés, limpas deixai!
 Todos os habitantes da terra serão iguais!

***  Recordações 1980    fevereiro 17, 2010

Naquele dia
 os olhos dela
 os meus olhos fitaram.
 Sem que o notasse
 como que enfeitiçado
 por ela
 o meu ser todinho
 estremeceu.
 Badalejou…

Mas que ingrato
 o fado meu
 – ela se foi.
 Esvoaçou!..
 Fiquei ali plantado
 qual pedra
 – o sangue meu gelou.

Será assim a sorte,
 entre os escombros da vida,
 vivendo a morte?
 Gemendo a a amargura de
 quem enamorado queria –
 tão somente, a vida sonhar?

Será assim a sorte
 – do pássaro azul a busca,
 de quem se auto-ofusca
 só para ao lado dela estar?
 De quem nos sonhos
 de uma estrofe
 de um poema
 o seu futuro quer moldar?
 De quem no mundo espinhoso
 mecanizado
 e ingrato
 um pouco de carinho,
 mesmo apenas por instantes,
 querendo desfrutar?..

Ela se foi.
 Esvoaçou…
 A sua imagem-miragem pálida ficou.
 A dor no peito
 a cada dia que passa
 mais aumenta
 essa minha desgraça!

Será o fado meu
 recordar sempre
 os olhos dela
 fitando os olhos meus?

Esforços faço
 para dela não mais lembrar
 mas, a danada
 – nostálgica saudade,
 os olhos dela nos olhos meus
 feito um quadro de Tiziano
 “Venus e Cupido”,
 “A primavera”
 de Arnold Böcklin
 na minha mente — já confusa
 indelevelmente,
 vem pintar.

Naquele dia
 os olhos dela
 os olhos meus fitaram.
 E, me marcaram!..

***  Dela nada ficou    fevereiro 16, 2010

Amorfanhei as cartas dela.
 Rasguei o seu retrato.
 Do poema, que um dia lhe fizera,
 não mais recordo, nem a data
 em que o tinha feito –
 objetivando a inspiração…
 Dos beijos seus não guardo nada.
 Lavei a cara –
 tirei a mancha do batom…
 Dos seus abraços
 nem mais recordo
 se apertados eram; me despojei
 tão logo senti no ar
 o acre cheiro da traição!

O nome dela apaguei.
 Passei borracha no coração.
 Tratar do resto
 do que ainda dela sobrou
 – não ouso… Não!..
 Mas se o eco seu
 qual ninfa grega
 no meu imago persistir, me consumindo e,
 se a sombra dela ainda me consumir,
 farei transplante…
 EDela nada ficou
 ste será o último instante
 – o fim. A solução de ela ainda me trair.

Ela traiu-me impiedosa --
 momento em que, zombando, disse “não”.
 E fê-lo impudente
 após ter demonstrado
 reiterada e insistente,
 no seu olhar atávico e deslumbrante,
 profundamente enamorado
 (assim eu percebi)
 o fogo do amor-paixão!

Ma ela é mulher
 – igual ás outras.
 Sem senso de compaixão!
 Amor p’ra ela?
 – Banalidade!..
 É descartável.
 Sempre aparece de outra mão.
 Não deu em outra!
 – Fiquei sem ela.

Sonho feliz durou instantes…
 Nem bem nasceu, já desabou!
 Dos beijos seus, dos seus abraços,
 nada restou! … Tudo acabou!..

Somente a saudade de alguém
 que não passou de um passe simples
 que a roleta no gira-gira, da vida,
 impiedosamente, açambarcou…

***  A tua voz    março 22, 2010

Porque ouvir a tua voz
 eu já me acostumei,
 ela faz parte
 do ressonar dos meus ouvidos.

Como serei
 sem o sussurro de tuas frases…
 O que a quem responderei?

Quando a janela me transmitir
 o batucar da chuva fria
 a quem direi do palitar do coração?

A quem, alegre e extasiado, admirarei?
 A quem falarei das gotas de orvalho
 das madrugadas serenas de verão?..

Porque ouvir a tua voz
 já se tornou um ato sacro
 do imenso templo da natureza.
 Em cada baloiçar de folhas verdes
 eu “vejo” um eco das batidas
 dos lábios coloridos teus.

Eu “vejo” frases incompletas
 algumas introvertidas
 — querendo me enganar,
 se projetando contra as corolas
 de fracas pétalas sentidas.

Porque ouvir a tua voz
 é misturar o canto das sereias
 ao canto triste dos pardais,
 é entregar-se ao desatino,
 tornar-se fraco e
 sucumbir ao peso de milhares ais.

Mas não importa!

Porque ouvir a tua voz
 mesmo distante
 é um prazer!..
 Eu já me acostumei
 vigiar de longe os teus lábios.
 Daquie p’ra frente é o que farei.

A vida
 embora seja, por vezes, ingrata
 dá-nos o consolo das lembranças
 que reconfortam e reanimam
 — mostrando imagens inexistentes
 de um passado jamais esquecido…
 Imagens que,
 tão bonitas e ternas se fariam,
 não fossem os teus lábios e
 a tua voz…

Mas não importa!..
 Eu já concordo.
 — Deixemos como está.

Apenas mais um lembrete.
 Jamais esqueças que
 sempre te amarei,
 porque ouvir a tua voz
 eu já me acostumei.

A tua voz
 faz parte do ressonar dos meus ouvidos.

*** Versos esparsos reunidos  anos 70    março 16, 2010
1.
 Desde menino quis ser poeta
 para falar de amor
 para encontrar um grande amor.

Desde menino quis compor versos
 que retratassem cálidas noites
 por entre as nuvens navegando
 deixando suadades atrás de si.
2.
 Morena de cabelos negros aveludados
 instaram os teus olhos castanhos a minha paixão.
 Atire-me em teusbraços sem inquirição…

Morria a tarde
 e a suadade ja se apossava
 impassivamente do peito meu
 atirava-me na tristeza
 sem as carícias dos afagos teus.

Miravam-me as sombras da tua imagem.
 Intensas contrações ventriculares
 aceleravam as batidas do coração.

Morena danada
 quando tu me cativaste
 insinuaste
 do jeito teu
 um veríssimo amor.

Afinal,
 não me amaste?

Tu brincaste de amor!..

Ai, morena!
 Tu me machcaste
 sem medir o tamanho da dor.
3.
 Uma loira tedesca,
 que alguns chamam de alemoa,
 passou beirando a janela
 — acenou-me com a mão.
 Já fiquei enamorado dle.
 Foi à toa?

Não, não foi.
 Foi só de brincadeira.
 Como dizem,
 quando menos se espera
 a vida voa…
 E se tu quiseres
 então será à toa.

Mas eu amo mesmo é a outra.
 Uma morena travessa
 de olhos castanhos
 que insistem em me judiar
 feito uma brincadeira sua.
 Para ela, sou coisa à toa…
4.
 Cresci
 montei poemas
 compus versos e canções
 — que jamais foram cantadas.
 Apenas, no meu coração imaginadas.
 No final de tudo,
 falar de amor ainda não aprendi!

Não aprendi, porque
 nem no peito e nem na alma
 as picadas de amor ainda não senti…

Ou, já senti mas não notei nem percebi.
 Ou não recordo --
 nem de mim mesmo nem do amor,
 ou já esqueci…

Quando vejo em ti
 o grande amor dos sonhos meus
 grito alto, mas tão alto
 que a lua se esquece de mim
 e deixa de brilhar noites sem fim
 e o sol se queima em brasa --
 de vergonha se derrete e se derrama
 pelo chão das nuvens sem luar…

A minha alma se evapora.
 Derretida chora… Chora… Chora…
 E o sonho de menino
 também se evapora…
5.
 Quando te vi pela vez primeira
 gritei alto e engasguei. Foi à toa.
 Tu não percebeste. E eu,
 quase que me afoguei!
 Era um sonho de menino.
 Foi o que pensei!

6.
 Só você

De tardinha
 quando o dia já cansado de labuta
 se despede
 no meio da algazarra desconexa
 nada,
 mas nada mesmo, me assusta…

A lua, de novo, vai à boemia e
 as estrelas recomeçam a brilhar,
 os meus ouvidos a sua voz escutam e
 eu a sinto nos meus braços
 — toda minha,
 agarradinha ao peito meu
 confessando ser só minha e
 só a mim amar.

Se há coisa que mais eu queira
 é você
 toda feliz
 espargindo a ternura e
 toda a candura que em vocè há.

Sem você jamais seria
 o que eu sinto ser agora
 — renovado…
 Você é o elixir que me revigora!

Se há coisa que mais eu queira
 é você
 durante o dia
 durante a noite e
 a qualquer hora!..
7.
 Cinzas de um castelo

Se alguém não viu ainda
 cinzas de um castelo
 em construção;
 então, chances tem agora
 de ver cinzas de um castelo
 em destruição!

Vigas-mestras
 arquitraves em ruinas
 nada são — viraram pedras
 sobre pedras,
 sem sentido e sem razão,
 em meio a brasas consumindo
 o que havia de melhor
 nas paredes de intenção…

São cinzas de um castelo
 sem formato e sem visão!..

Construtor desse castelo
 era um louco e sem imaginação.

Cinzas.
 Cinzas.
 Cinzas de um passado
 não remoto
 que seria um castelo
 de um amor se condição.
8.
 Saudades
Daquele inverno
 que já longe se vai
 eu sinto saudades e
 de você.

Daquele abajur,
 que nunca foi desligado
 porque nunca foi aceso,
 eu sinto saudades e
 de você.

Daqueles acoredes sonoros,
 que nunca soaram
 porque nunca houve música alguma,
 eu sinto saudades e
 de você.

Porque sinto saudades de tuisso,
 eu sinto saudades é
 de você.
9.
 Quadrinhos
… 9.1
… somente restou a saudade
 dos dias que não houveram.
Não foi por causa minha,
 lutei muito pra concretizar
 um sonho singular e nobre
 — o sonho de te amar.
— 9.2
Disseram que havia no mundo
 a tal de felicidade; mas, eu
 tão somente encontrei o que
 alguns chamam de saudade.
… 9.3
Sonhos desfeitos
 antes de serem sonhados
 é o fado-verdade
 dos sem amor a
 viver destinados.
… 9.4
Noite cálida e silenciosa.
 Brumas navegam pelos espaços.
 Luziformes vagalumes
 como se holofotes
 iluminam as estrelas e
 a lua, metida por entre as folhas,
 como que brincasse… ilumina
 os sonhos dos namorados.
… … …

***  Ovelhadas   março 16, 2010

Nos escombros daquele monte
 ficaram restos de um rebanho.
 Era um cercado caprichado,
 feito de imbuia e de bambu.

Os suportes do cercado
 tinham forma de bordão
 — grosso e curto. Porém,
 observando-se de cima,
 parecia até bem trabalhado!

Entalhado num terreno que
 de rocha pedregosa tinha tudo.
 Tinha pedras à vontade e areia
 — branca, preta; só não tinha
 o capim de alimento que servisse
 à ovelhas que ali viviam.

Naquele cercado, até que seguras
 se sentiam. Barregavam, como sói,
 em chafardel. Ovelhadas escolhidas,
 todas eram. Não se diluiam!..
 Simplesmente, eram simples
 e só existiam. Existindo, existiam!..

Era um cento delas.
 Mais ou menos, se dizia, que
 o cento é o número secreto e
 que dava o assento aos mais
 quatro ovelheiros a cuidarem
 do rebanho na rocha-outeiro…

Além de pedras, no outeiro
 havia muito tani com o qual
 se amarravam as ovelhas…
 Apenas como a segurança
 de nenhuma delas se lançar
 penhasco abaixo. Se acaso
 quisesse fazer a sua própria
 trança de lã tosqueada.

Mas os quatro ovelheiros,
 por razões que ninguém sabe,
 se desintenderam e se bateram.
 Outro dia me disseram, que
 assim se indispuseram, porque
 as ovelhas não berravam mais!

Os cipós de tani, do outeiro,
 não mais seguravam as ovelhas
 dentro do cercado de imbuia e,
 o bambu não mais se vergava.
 De tão seco, só rachava e,
 ao fim solicitado, não se prestava.

Nos escombros daquele monte
 ficaram restos de um rebanho.
 Era um cercado caprichado,
 feito de imbuia e de bambu.
 Agora já sem ovelhas e
 com o bambu rachado!

***  Junqueira Freire    março 15, 2010


"… — some-se o sonho,
Como se nunca fosse."
Junqueira Freire
Juntando-me ao sonho de Junqueira,
escrevi, para homenageá-lo -- Mykola Szoma

O canto da morte
 no dizer de Junqueira
 é o único trunfo de um monge.
 É o mais belo epílogo de uma vida.

E Junqueira cantou o monge
 como quem canta mesmo a morte.

O monge infeliz.
 O monge escravo.
 O monge esqucido. Perdido. Traido.
 O monge por mais ninguém cantado…

Junqueira, também, já foi monge.
 Também já foi enclausurado.
 Também, na solidão, foi atormentado.

— Junqueira! Ó, Junqueira!
 Só tu cantaste,
 ao toque de um sino, chamando à oração
 do homem abnegado de si mesmo --
 a beleza e a grandeza do coração.

Mas de ti mesmo
 somente nos legaste
 sonhos de um sonho diluido
 como se nunca fosse.

Acreditaste no juramento
 que num altar fizeste um dia.
 Tiveste em troca, simplesmente,
 sonhos ruidos
 ais e gemidos
 e desventuras.

O teu rebelde sentimento
 frutificou crueis remorsos.
 O peito teu esfacelou-se e
 submeteu-se à lei dos corsos.

Visão fantástica da virgem esvaeceu-se
 — sentiste solidão no peito.
 Ficaste só e
 na beleza dos teus cantos
 cantaste o monge
 como se o monge fora um Prometeu.

Junqueira Freire!
 Foste humano.
 Dentre os homens imortal tu te tornaste.
 Por séculos e séculos
 desse Brasil gigante
 que o nome teu, também gigante,
 seja lembrado.
 Tu foste humano diamante!..

***  Um livreiro de imaginação    março 15, 2010
 
Havia um livreiro
 que vendia livros e
 que gostava, também,
 de ler livros mas,
 apenas alguns…

Não todos, apenas alguns.
 Os que lhe traziam
 um alívio à alma e o
 sossego por ter enganado
 — é claro, sem que o quizesse,
 um visitante incauto
 da sua livraria, na qual
 se vendiam os livros que
 o próprio livreiro
 não tinha lido ainda nenhum ou,
 só tinha lido apenas algum.

O livreiro não se indignava.
 Cada vez mais livros “plantava”
 — nas prateleiras da sua loja,
 com muito cuidado, os colocava.
 A sua “fauna” de escritos crescia.
 Assim ele denominava a livraria e,
 deu-lhe até um apeldio bem sugestivo,
 denominando-a de “verde vale sem grama”.
 Pois ali crescia tudo, menos o capim verde
 que, por razão alguma, nunca brotava — e,
 o ambiente, ao redor das parteleiras, cada
 vez mais e mais amarelava.

E o livreiro que já era famoso
 por suas façanhas de alterofilista que
 costumava dar gravatas, de presente,
 a quem lhe agradasse já de vista.
 Daí por diante, os livros amarelados já
 serviam como o alpiste — alimento aos
 amigos que quisessem servir-lhe de
 passarinho sorridente e cantador.
 Comigo, cá com os meus botões,
 isto já coisa de verdadeiro artista!

Um dia, o jardim demasiado cresceu.
 Sob o peso da “fauna”,
 o riacho que ao lado passava,
 o pesado dos livros não aguentou
 e vasou para todos os lados
 e transbordou e, por fim, secou!…
 O vale do jardim que
 de verde só tinha o nome
 sossobrou — o capim seco
 pegou fogo e queimou.
 O livreiro tentou ainda salvar o vale
 — agora todo desvalido,
 jogou nele tanta água para apagar o fogo
 que, do verde que parecia ser,
 todo azul — como uma lembrança fria
 de algum mar (que ali não existia) ficou…

*** Palavra pela lingerie    março 8, 2010

Ele vendia a Palavra.
 Não vende mais. Agora,
 porque razão trocou,
 a venda da Palavra, pela
 venda de lingerie?

Talvez, porque renda mais.
 Assim pensei. E logo vi.
 O negociante não deixa de sê-lo
 e tanto faz vender uma palavra
 ou muitas lingeries.

De fato, o modo seu de labutar
 é todo engenhoso. Basta atentar.
 Um episódio vou relembrar.
 Anos atrás, quando ainda cartão
 — daqueles que se picota no relógio,
 ele usva para viver como qualquer de nós.
 Palavras dele, não inventei. Registro aqui
 como anotei, na ocasião da sua fala…
 Dizia ele: “.. Rrezava eu,
 no banheiro acocorado,
 do tempo do trabalho tendo roubado.
 Ninguém sabia. Mas, digo limpo que
 não acho que tinha de algo me apropriado.
 Na reza até o roubo é permitido,
 desde que ninguém o saiba.
 Deve ser tudo bem escondido!..”

Hoje é respeitado.
 Também o considero. É traquejado.
 Sabe postar-se na cátedra da fé.
 Diz sempre a verdade que lhe é própria,
 sem apoiar dos outros a razão.
 Pois a razão só a dele sempre é.
 É bonachão e é falsete no mandar.
 Se for preciso, usa de uma “gravata”
 p’ra se apoiar. Jamais deixa seu braço
 — por qualquer razão, quebrar!
 O lema seu é só vencer! Vencer!
 Nunca, e por nada, se entregar!..

*** Sumo de acre sabor    março 4, 2010
 
O vinho azedou…
 Com o pssar dos anos,
 envelhecido em barris,
 o vinho amadureceu.
 Ficou melhor.
 Enobreceu o paladar –
 Dos deuses — do próprio Baco,
 invejas suscitou…
 O Dionísio dos gregos
 que em “oinos”
 as suas mágoas afogou!
 Filho de Júpiter e de Semeie,
 de algum modo,
 deveras me empolgou. Eu adorei!

Convém que se façam as coisas
 enquanto é dia, porquanto a noite
 a noite se-lhe seguirá; então,
 ninguém fará labores e
 tudo em tudo repousará.
 Pois eu cantei durante o dia
 em mãos torcendo uma taça de vinho
 para, quando a noite chegasse,
 pudesse descansar eu,
 ainda retendo aquela taça de vinho…
 Agora, apreciando a dança
 dos adeptos do deus grego.
 — Se é que ele dança sozinho.

E o vinho da taça azedou.
 Pareceu-me de um sabor acre se “pintou”.
 Agora, nem Cronos o identificou. …Dizem:
 “o fruto da videira se transtornou”.
 Do místico delírio fantastipédico
 nada restou…

O sumo da vida,
 os lábios meus sustentam
 — vertido, aos poucos,
 no cálice cristalino de acre sabor.
 O vinho do Baco eu tenho bebido.
 De gota em gota
 tenho sugado, tenho sorvido,
 degustado, absorvido e aprovado
 o vinho azedado da vida
 de acres tristezas e de dissabor!

Abro a janela e vejo
 tormentas macabras
 dominando os espaços.
 Ouço, aterrado, os sussurros roçantes
 do tremulante plúmbeo véu…
 De coração contrito assisto
 nuvens escuras encobrindo o céu.

Um lhar na varanda
 — restos de sonhos perdidos,
 mergulhados numa taça de vinho azedo,
 que um dia — talvez por descuido,
 em nome do Baco você me ofertou.

No quarto, ao lado,
 uma cama vazia
 — simples imagem eidética
 de um desejo insatisfeito….
 Nos lábio,
 uma frase poética sem rima
 sem estética, insalubre, peripatética.

Um criado mudo:
 — um caderno não escrito
 — um lápis não apontado
 — uma borracha não usada…

Tudo, ao lado de um cálice de vinho
 como que acorrentado, em tríplice estado:
 gotas de vinho azedo, solidão, angústia!..

Mais além, naquela cama,
 um travesseiro e um coração empaca.
 O caderno nada indaga.
 O lápis nada responde.
 A borracha nada confessa.
 No criado mudo, apenas o cálice vazio
 sente saudades do vinho de Baco.
 Na verdade, um sumo de acre sabor!..

*** Visão do mundo socialista     março 31, 2010
                        Micro amostra do padrão socialista de viver

Não sou de família de gente abastada,
 nem tão pouco possuo dinheiro algum.
 Vivo do meu produto do trabalho
 de muitos anos. — Aposentado sou.
 Analista de Sistemas,
 por longos anos, fui. Trabalhei muito…
 Tenho setenta anos de idade. Li muito.
 Sociologia e Política estudei.
 Embrenhei-me na história dos povos e,
 com o pouco que aprendi, posso dizer
 que — para o gasto cotidiano da visão
 da complexidade deste mundo
 um pano de fundo “poderoso”,
 em meu complexo pensar de vida
 — modéstia à parte, implantei.

Posso dizer, que
 o modo socialista de viver
 é uma farsa sem precedentes
 de embustar as coisas
 — propondo um paraiso de iguais
 na terra dos que nada querem ser.
 Querem apenas encher a pansa
 de feijão e supondo-se no paraiso
 o seu viver despretencioso.
 Não querem ser!
 A felicidade sua, é só viver. Sem ser!

Comerer, beber, transar e nada mais.
 Os bens existenciais? Estão à vista!
 É só tomá-los daqueles que os criaram.
 Ninguém terá mais que o outro.
 Todos terão de ser amiserados,
 porque, por baxo, igualados.
 Se o coletivo é maior que o pessoal,
 então o ser não mais existe como tal.
 O eu perdeu-se no geral e,
 o qualificativo da distinção,
 lançou-se ao indistinto e sem sinal…

Não vale a pena mais labutar.
 Cumprir tarefas tão só e só…
 À distinção não mais se dá valor.
 Alguém dirá o que fazer, o resto é só.
 Nem vale mais pensar…  — alguem,
 por todos irá fazer. O social,
 para sobreviver, terá de ter um báculo.
 Um cajado forte, inquebrantável,
 terá domado a todos num social
 perene de “igualdade estável”…
 Porém, à custa do indívíduo tornado
 um eterno miserável!

***  Apostasia    março 30, 2010

Apostasia grande tomou a conta dos Senhores
 — os que navegam pelas ondas mansas da fé.
 Tramsformaram templos em barracos de zinco
 e, os barracos de zinco tornaram-se-lhes a Sé.

A sarça-ardente transformou-se em fogueira --
 de São João, para alguns e, de coisa qualquer,
 para outros… Desde que traga algazarra alegre
 para dentro do “corpo” — agora humano. E só!

Sabidos alguns, Senhores do Verbo, pensaram.
 E, como que por milagre, tiveram sábias idéias:
 Uma fogueira de Jesus imaginaram. Enganaram,
 a si e a todos. Fogueira de Pedro seria melhor!..

De outra maneira ser não poderia. O barracão…
 Pouco importa se é de zinco, se é de alvenaria.
 O templo caiu. A hora é de apostasia. Palmas!
 Batam palmas, com euforia! Queremos alegria!

Louvores aos exímios cantores… Levitas são --
 Eles levitam, por entre as palmas, como heróis
 que amaciam os sentimentos das multidões!..
 Depois, churrasco saboreiam em pálidos salões.

Chefões de um povo crédulo…  Acostumados --
 contrariados não podem ser nos seus sermões,
 manipular as mentes dos pequeninos. — Anões!
 …  São eles contradizendo-se, em seus senões.

A paz que pregam, … resolvem aos bordões…
 Tensão entregam aos incautos e insubmissos.
 Um golpe de gravata resolve-lhes a ingrata dor
 de ouvir, dos menos cautos, o denodo e pudor.

***  Embate verbal      março 29, 2010

Dois bodes paroquiais,
 por fim, se defrontaram.
 Ambos, letrados em Palavra,
 se diziam exímios e se
 estranharam. Causa pequena
 os divergia. — Cada qual deles
 uma determinada posição aspirava.
 Numa palavra: “chefiar a tribo”
 cada um deles só desejava…

A tribo não era grande
 nem pretensão tinha de se expandir.
 Era mais cômodo em ser pequenina,
 não ter muitos “aferes” a perseguir…
 Assim pequena, muito mais facil
 sobreviver e subsistir!

Os dois caciques, eram dois bodes.
 Teimosos como se tais… Iguais!
 Não se entendiam. Mas, se diziam
 letrados que eram em teofanias --
 “palavra” dominavam como ninguém.

Só não sabiam se compreender e,
 foi daqui que nasceu um mútuo desdém.
 Um contra outro, um dia resolveram
 lançar a tribo, que nem sabia mais
 ter distinção clara entre quem é quem…

E chifres contra chifres se degladiaram.
 Os bodes eram grandes e cujos chifres
 faziam rolos como se fossem aneis!..
 Para dar paz aos membros da tribo –
 disseram que eram chofares, iguais a
 que se tinham usado na queda da Jericó.

Não entendi, até agora, como a verdade
 foi distorcida — desigual desenvolvimento
 de cristais homólogos da fé… Em pé
 os dois bodes se “chifravam”, com a
 chifra adelgaçando a pele da prórpia fé…

No emaranhado de atos assim, ambos
 se diziam serem detentores da “palavra”.
 Aquela palavra que poderia derrubar até
 a montanha, a partir da base ou de sopé.
 E que haja tanta fé!.. — A dos caciques.

Os dois lutaram! — A nada chegaram.
 Cansados, se deram as mãos. Falaram.
 De novo Palavra usaram. — Exortaram!
 Disseram que também são de humanos
 e que serão para sempre os “insanos”.

Para mim, são dois bodes humanos.
 Os dois gostam muito falar, para ver
 quem a quem poderá mais enganar!

***  À nova grei    abril 13, 2010

O templo que usurpaste,
 o transformaste na sede
 do teu clã insosso…

Desnutrido espiritual e sem
 nenhum tempero de palavra,
 a diatribe dos teus atos cresce tanto, que
 me parece, seres tu um insensato natural!

Às vezes tomas poses de letrado,
 Como querendo dar-se um valor maior
 do que de fato o possuas. És mesquinho!
 Demonstras isto em ao tentares se impor.

És insincero em tuas frases, muitas delas
 se não vazias, pouco rentáveis. Frutos --
 por mais pobres que sejam, não produzem.
 Na sua construção linguística são inviáveis.

São vulneráveis na lógica de análise sacral.
 Misturas Era Nova com o “pense positivo”,
 atribuindo-lhes o signo do divino atemporal.
 Talvez, por não escolheres o caminho qual.

E a moral comportamental de circunstância
 não se compraz com a eterna e imutável!..
 A ela não se adere para ter só a maioria tal,
 com que se possa fazer um vencedor viável.

E nem o templo que usurpaste,
 fará de ti um ganhador perene!..
 Serás um perdedor interno.
 O clã insosso, que tu criaste,
 um dia, terá zombado de ti!..
 Sem consideração e sem dó…
 O clã, que pensas ter criado,
 terá virado um pó!

***  Eu sou o Pai, eis a questão    abril 1, 2010
 
“Atado na terra e atado no Céu”,
 assim Deus me falou.
 Ninguém me contesta… Eu sou!

O “Pai Espiritual”
 quero ser eu e o sou.
 Desamarro as coisas de todos aqui
 para serem aceitas no alto dos ceus — ali.

Não se debate mais esta questão.
 A decisão foi tomada por mim,
 pois, eu sou a lei desta unção!
 E a sua sanção também sou!..
 Ninguém pois duvide da minha pretensão!..

A minha palavra é forte,
 não se pode quebrá-la
 de modo algum!
 Eu sou o Pai dos falidos da terra,
 poderes me foram doados como um “dom”.
 E, por isso, tornei-me melhor do que outros
 — eu sou o tal, eu sou o bom!
 Posso até suceder-me ao Stalim
 na sua falida missão.
 Eu tenho a Bíblia na mão.
 Então, não admito a oposição!

Se calem as hostes!
 Esbravejem os ceus!
 Proclame-se a todos que as Cartas Palinas
 não mais válidas são…  — Escritos antigos,
 cobertos de mofos, ao longe se vão.
 Que se esqueçam nas prateleiras
 da antiga fé cristã e da sua interpretação…

*** Sonhos de um sentimento druso   junho 8, 2010

Hum! Um lusco-fusco, das tardes que se foram,
 reluze na minha mente, como se ontem fora,
 e se apaga como se hoje esivesse acontecendo.
 Um lusco-fusco colorido, de imaginação calada,
 na despedida de mais um dia, de uma partida…

O dia que se parte, sem ter acontecido ao menos…
 A sua penumbra rodeia os meus sentimentos,
 que me faz recordar das coisas jamais sentidas
 – dizem que são remanescentes das manhãs,
 em tempos idos de outrora, sonhadas e não vividas!

São coisas sem nexo, não são vividas. São intuidas!
 No balançar, dos anos da existência de um vivente,
 são torvelinhos que se abatem sobre a alma, que –
 se não notados, se tranformam em reais moinhos…
 Destes moinhos que triturarão a alma e até a mente!

Porém, no camninhar diário, do buscador de sonhos,
 tais coisas devem permear os seus anseios difusos.
 Muitas vezes, estes mundos confusos —  colossais
 abismos, são os que infundem a verdade aos intrusos.
 Aqueles que se acham impelidos a sentirem-se drusos.

*** Às mentes parasitárias   junho 5, 2010

Aos poderosos do mundo, um prato cheio,
 o conceito da beneplacência comunitária…
 Estabelece o sedentarismo socialmente aceito,
 que modera os movimentos de cunho social!

Embora, na sua essência, seja um parasitismo,
 que mitiga as existências no conjunto global –
 A comunidade inculca, na mente sem “sorte”,
 uma predestinação aceitável… – Quase fatal!..
– Não poderia haver uma ferramenta melhor,
 para se controlar a riqueza do mundo. Que tal,
 desfrutarmos das coisas, sem nos determos
 em sistemas de proteção do acumulado social?

A noção comunitária de se sentir parte dela –
 na verdade, não passa de um parasitismo aceito
 – para “viver”, sobrevivendo à custa de outrem…
 E sentir-se satisfeito, sem aperceber-se um rejeito.

Aniquila-se o “Ego” de um possível vencedor e,
 em troca, dá-se-lhe o “nós cumunidade”, nivelado
 pela base, de um “insigne” dependente social…
 E, por cima, camuflando-o num berçário de amor!

Sim, Senhor!.. – Nós humanos, assim somos…
 Construimos nossos castelos. Podem ser de vime,
 de preciosas pedrarias. Enfeitamos com as idéias,
 que nos fazem sentir-nos mais. – E os outros, tais?

Estes, podem ser nossos rivais. Outros, apenas tais!
 Serão comunidades… — Abastecidas de conceitos,
 válidos em termos insuspeitos, de fins predestinados,
 que alimentam as parasitárias mentes obstinadas…

Alguns dirão:
 “De algum jeito, todos são predestinados!”
 Pois que se viva, do modo que se tenha encontrado!

O conceito de comunidade,
 tem-nos o peso social diminuido,
 por ter congelado — no nascedouro,
 o germe do “revoltado”, que
 poderia ter-nos destruido!..

***  Terras estranhas   maio 30, 2010

Terras estranhas para mim… que,
 de repente, se tornaram minhas… E,
 encantaram totalmente os meus dias
 e me fizeram ver as coisas,
 de modos muito diferentes,
 das coisas que os meus olhos antes viam.

O frio não mais frio se me apercebia,
 o calor não mais queimava as minhas faces
 e as insônias, das noites que eu não dormia,
 não mais faziam falta. Elas, agora, só me sorriam!
 Por vezes, iam embora;
 por vezes, ao lado, comigo dormiam.

E a poeira, que vagueia pelos espaços,
 não mais perturba os meus dias de pensamento
 – mais me inspira, insinuando-se pelas narinas,
 coceiras provocando nas minhas ideias…
 Que eu consigo as guardar num lenço de papel,
 para que a posteridade, delas nem saiba a existência.

Assim procedo eu… Assim, me diz a sã prudência.

***  Arquivos abertos   abril 27, 2010

Arquivos abertos, com dados bloqueados.

Quem os terá acessado um dia,
 se é que este dia um dia houver?
 Trancados a chaves secretas!
 Escondem o que? E por que?.

São informes uniformes,
 de atos conformes,
 aos únicos atos e iguais só a si.

Cancelados já foram, mas não deletados.
 Nas memórias, dos que vivos restaram,
 remoem neurônios como se em apolúnio
 da lua escarlate — já apagada, navegassem.

Cegaram o fio da foice que, um dia,
 queria segar os dias e as noites dos abutres
 – daqueles abutres que só grasnam, porque
 jamais aprenderam a cantar.

O martelo, que tinha forjado a foice, se rompeu.
 Bateu… bateu tanto contra a bigorna, que
 esta se aqueceu. — O martelo,
 que malhava à quente, se arrefeceu…

Os arquivos — notações da forjaria, se perderam!
 Seus informes uniformes, de atos conformes,
 aos únicos atos e iguais só a si, ao sopro do fole
 – da forjaria do artífice ferreiro, se esvairam…

Parece até que não passavam de um nevoeiro
 nas gélidas noites iluminadas pela lua
 que, por instantes, parecia ter a cor escarlate.
 E os serrados mergulharam numa nova manhã!..

*** Escrito está   abril 25, 2010

Escrito está “Deus lhes deu
 espírito de profundo sono:
 olhos para não verem, e
 ouvidos para não ouvirem”.

Assim está
 até os dias de hoje. A sua mesa,
 se lhes tornou em seu próprio laço.
 Tornou-se a sua armadilha e
 em tropeço como sua retribuição!..

Seus olhos se fecharam,
 para que não vejam e suas
 costas submeteram-se ao jugo
 de suas próprias maquinações!

Levantam, em vão, as suas mãos ao alto
 e elas não conseguem se suster assim!..
 Pesadas estão pela sujeira acumulada --
 dos afazeres seus, mesquinhos e ruins!…

São farisaicos, sem serem fariseus.
 Cultuam deuses da fartura e do “bon vivant”.
 São céleres em se postarem nas vitrines --
 Dizem serem herdeiros da verdade e razão!

E, como são! — Nas assembléias de “churro”
 as suas perspicácias se percebem… E, tanto
 quanto se possa imaginar, convencem que, se
 não são deuses de verdade, — Filhos seus são.

Dos deuses o templo, em sete espetos assaram
 e, junto aos sete mares, o seu “tofu” saborearam.
 Coitadas das pobres ovelhas, agora tosqueadas e
 sem pasto, sentiram-se só. Os deuses? Nem dó!

E eram muitos os deuses no templo…
 O dos caminhos da sorte,
 alguns do trabalho pesado e da morte,
 muitos da fortuna e da fartura.

Os demais todos cuidavam
 dos lindos cantares e da beleza;
 porém, nenhum achou-se que cuidasse da
 pura e simples sabedoria, e da singeleza!..

E “Deus lhes deu
 espírito de profundo sono:
 olhos para não verem, e
 ouvidos para não ouvirem”.

***  A minha janela   abril 24, 2010

Saltitam ondas do mormaço de ante-chuva,
 por entre os umbrais das minhas janelas.
 E a chuva se avizinha célere… Troveja… Lá
 — fora, para além dos umbrais das janelas,
 já respingam alguns pingos de água fria.

Mas o mormaço ainda sufoca as narinas e,
 retira o ar dos meus pulmões… Parece até
 que chegou a hora de prestar contas dos
 gastos excessivos ter eu feito do ar refeito,
 pelas usinas dos homens, jogado ao sabor
 das ondas dos ventos. Os ventos soprantes
 que sopram da morte o olor… Que estupor!
 Ninguém mais se sente à vontade… Calor…
 As águas que caem, não mais refrescam --
 produzem apenas uma sensação de torpor!

A chuva crepita. Tremem as bordas da Terra!
 Alguém quer mudar as fronteiras humanas?..
 Levantam-se nuvens de cinzas dos magmas,
 e lavas inundam as massas de homens. Puh!
 As chuvas não param. E o mormaço também.

A quem interessam as ácidas chuvas?
 A quem interessa o mormaço do além?
 Do além das fronteiras humanas dos homens,
 que só vivem por coisas pequenas. Só as que
 — por poucas vontades de alguns, quase têm.

***  Somos irmãos    julho 8, 2010

Se eu não fosse teu irmão na fé,
 tu não serias, irmão meu, também.

Pois então, não me maltrates
 calúnias tecendo — dizendo que,
 dentre os escolhidos do Senhor,
 escolhido melhor foste tu. E eu,
 apenas um espartano inglório, vivo
 abstendo-me de tudo da “obreria”
 na “ecclesial” de humanos confraria.

Não busco justificar-me de modo algum.
 Digo apenas, que o meu pensamento
 — de há muito, “obriga”-me a explicitar
 uma idéia, não muito agradável, que é:
 tu és um daqueles de “mestre” metidos.
 Que te achas ser o maior dos “vertidos”;
 na expressão mais comum: convertidos.

Sendo assim, ninguém vez pode ter
 onde os teus pés pisam o chão. Assim,
 para todos da grei de confrades, tu és –
 isto eu não nego, não! — um insigne irmão!
 Tu és, nada mais, nada menos, que um
 “cesar” pequeno de um rebanho de anãos.
 Todos devem ser apenas seus “irmãos”!..

Queres tu fazer tudo por todos.
 Não confias em ninguém!.. E aqui,
 para terminar, digo só: “amém”.

NOTA:  Obreria = Task of a workman,  Money destined for the repairs of a church.

***  Bater cabeça    julho 5, 2010

Bater cabeça contra o muro
 só por rehaver um patrimônio.
 Assim, não dá. Não dá!..

Fui convidado –
 vejam p’ra que tarefa.
 Seria eu um tolo, por completo,
 se aceitasse a proposta
 de fazer frente ao “soberano”,
 da já desfeita e combalida
 irmandade de póstergos da fé.
 Um dia se compraziam,
 na unidade comunitária de
 irmãos seletos do Meste, e hoje
 se degladiam, sem uma causa,
 por uma pretensa defesa da fé…

Dois líderes se degladiam.
 A liderança, na verdade, dos dois,
 nenhum possui!.. O que de fato
 claro se percebe,
 quando de longe se obeserva,
 que o enlance entre os irmãos
 cada vez mais se enfraquece…
 A comunhão entre os irmãos se desvanece.
 O pretenso “soberano”, dos poucos
 que restam ainda nos átrios da fé,
 também se afunda nos incautos e nos
 imprudentes atos das pisadas do seu pé.

Onde está o amor primeiro do Evangelho?
 Onde está a base da sã doutrina da sua fé?
 Um é octagenário… O outro, inda noviço --
 Que “diacho”! os dois buscam?…
 — E dizem, que o que fazem
 o fazem em nome de santa fé.
 Um quer ver a ruina do outro…
 O outro, deseja a ruina do primeiro.

— Eu, um simples observador,
 me ponho de sobreaviso:
 Nestes versos improvisados
 exponho o fato, tal como se me apresenta
 — um encontro de dois “bodes” teimando,
 cada qual, querendo atravessar uma pinguela.
 A pinguela só dá passagem para um,
 desde que por ela passe com cuidado,
 de modo prudente e com paciência…
 Pelo visto, nenhum, dos dois, os antributos tem.
 — Ambos deverão cair no ribeirão da incerteza…
 Não quero envolver-me com tanta estupidez.
 Tomar parte em qualquer dos lados,
 seria apenas uma minha insensatez!

No final das contas,
 a luta se dá apenas por um patrimônio.
 Bater cabeça contra o muro
 só para ficar com as paredes de um templo.
 Assim, não dá. Não dá!..
 Fui convidado — vejam para que tarefa!
 Seria eu um tolo, por completo,
 se aceitasse a proposta
 de fazer frente ao “soberano”,
 da já desfeita e combalida
 irmandade de póstergos da fé.

***  Aqui não há neve   junho 30, 2010

Hoje, como em todos os dias anteriores,
 a neve aqui não caiu. Aqui, não há neve!
 O verão aqui é eterno e o sol brilha sempre.
 Por que, então, eu quis falar de neve?..
 — Não sei!… Deu-me uma vontade louca
 de conversar, comigo mesmo, a respeito
 de algo que fosse diferente de todos os dias.
 Encontrei o assunto: a respeito da neve…

Dizem que a neve é gelada e que, ao ser
 atritada, entre as mãos, ela aquece a pele.
 Bem entendido, aquece a pele das mãos!..
 Talvez, se atritasse os corações humanos,
 pudesse aquecer as relações entre os irmãos.
 Talvez, se pudesse, as coisas seriam tais
 que os mal-entendidos derretessem assim
 como derretem os flocos de neve nas mãos.

Eu já senti o calor da neve, cobrindo as faces
 e as minhas bochechas… Era criança então.
 Brincava de bola de neve. Não aquela, de hoje,
 a Bola-de-Neve, lotada de chamados “irmãos”!
 Estariam ali reunidos aqueles, do tipo sorvete,
 que refrescam a vida dos procuradores de algo
 que não encontram de modo mais “clean”…
 Não? Então já perdi-me, esfregando as mãos!..

Hoje, como em todos os dias anteriores,
 a neve aqui não caiu. Aqui, não há neve!
 O verão aqui é eterno e o sol brilha sempre.
 Para que serve, então, a Bola-de-Neve, irmão?

***  Skuka   junho 21, 2010

A minha pátria também sente saudades.
 Expressa o fato pelo termo “skuka” que,
 corresponde à “saudade” do Português e,
 tem a mesma intenção denotativa no seu
 machucar dos corações – em auto-fuga!..

Os sentimentos, de todos os humanos,
 são semelhantes, senão iguais. Diferem
 apenas de intensidades, quando vividos
 por seus atores pessoais. O vivenciar
 dá-lhes as cores conotativas especiais!..

Ao exprimir o conteúdo de uma saudade,
 o brasileiro diz: ” sinto saudades de algo”;
 ucraniano, por sua vez, expressa o mesmo
 dizendo: “skuchno meni stalo chomus’…”
 E ambos sentem a mesma dor no coração!

“Saudade” e “skuka”
 são dois termos diferentes que
 expressam, do mesmo modo,
 um sentimento de ausência de
 algo que foi nos foi subtraido!

***  Homenagem    junho 18, 2010

Homenagem
 aos 85 anos do Pr.  Bucky!

Seus cabelos cinza-prata
 abrilhantam os seus dias!
 Como a luz do sol, ao meio-dia,
 dão-lhe ares de poder da sabedoria.

Tenha, pois, os merecidos louros
 da sua existência clara — sem
 apuros de desenganos, que os
 outros tenham, porventura, percebido
 na sua trajetória longa desta vida!..

De valor paciente da sabedoria
 o seu coração transborda e,
 a sua mente calma e fria,
 decisões sapientes toma.

Valentia dos seus atos sempre aflora,
 toda vez que a gente diante do novo –
 do desconhecido, se depara e se apavora.
 Sempre ao lado você está,
 desanuviando a inglória hora!

Permaneça assim “tribuno” ousado.
 Entre os grandes, você é o maior
 – seus cabelos cinza-prata
 dão lhe ares de poder da sabedoria!

Sã doutrina você tem sempre seguido.
 Jamais tentou transpor as táboas da lei.
 Terá chegado ao fim, da sua caminhada,
 como um um sensato defensor da grei!..

Vecê, com Paulo, poderá dizer:
 “Jornada minha terminei, guardando a fé!”

***  Não dê capotas   agosto 27, 2010

Não dê capotas pela vida –
 um raxa, com os amigos,
 poderá ser-lhe fatal! E tal –
 dissídia na sua vida poderá
 custar-lhe muito caro! Veja,
 não seja um tolo e banal!..

Veja mais, “de pau cavalos”
 não é a coisa mais valente.
 Pois seja um consequente!
 Cumpra a palavra sua dada.
 O fim da estrada será breve
 e você, por certo, sentirá –
 na sua própria pele, que as
 verdades movem moinhos!..

Os seus caminhos fluirão –
 sem os espinhos, para além
 dos sonhos seus.

Verá você, à sua frente,
 avenidas de asfalto,
 ensolarados raios
 sinalizando-lhe o futuro e,
 lindos pergaminhos,
 escreverás ainda
 da sua exclusiva trajetória.

Será esta a sua grande,
 e merecida por você,
 a única e exclusiva vitória!

***  Não terás deuses outros   agosto 26, 2010

E não terás deuses outros,
 durante a tua estada aqui…
 – No terráqueo globo,
 dos teus tênues
 conhecimentos,
 desfrutarás de uma conduta
 sempre clara e impoluta!..

Nem tombarás, debaixo dos teus pés,
 as leis dos que te antecederam e
 te deixaram sonhos traçados dos
 dias límpidos e não sombrios.

Para não te sentires acima de todos e
 não possas dizer em teu coração: “eu
 sou!”. Os que vieram antes de ti,
 também foram aqueles que te
 deixaram lembranças sadias
 das quais jamais
 poderás te afastar!..

E não terás deuses outros,
 durante a tua estada aqui!..
 Como os teus ancestrais se foram,
 também tu irás despdir-se de tudo
 que tenhas vivido dentro do globo
 do terráqueo conhecimento teu!

***  Não te encapotes    julho 24, 2010

Não te encapotes pela vida.
 Sê tu um digno filho
 dos quê em ti confiaram,
 dos quê em ti se perpetuam,
 e, dos quê em ti, o seu (e o teu)
 passado digno e heróico projetaram!..
 Caminharam, pela vida,
 incólumes, com soberbia.

Não se dobraram sob as intempéries
 de todos os matizes — cores escuras,
 com maestria, clarearam…  Tingiram de
 verde-de-esperança as lúbubres liturgias.
 E, nas noites sombrias, sem alegrias --
 os teus se compraziam em
 reflexões valorativas de atos seus,
 que derivavam de suas decisões…
 Assim, com todo esmero, eles faziam
 a vida avançar dentro de altos padrões.
 — Padrões morais e cheios de emoções reais!
 Valorações que não se acabam com os findos
 dias dos “pacatos” seres mortais.

Agora, tens à tua frente um longo caminho --
 talvez mais longo que o dos teus antecessores,
 ande por ele com dignidade e sabedoria!
 Não te desvies dele nunca
 nem para a esquerda e, nem para a direita.
 Apenas siga espelhando-se nos que se foram…
 Porém, não fiques preso ao pasado!..
 Desvendas o futuro, usando a bagagem amealhada
 pelos heróicos e estóicos avós do teu passado…
 Não te encapotes pela vida.
 Sê tu um digno filho dos quê em ti confiaram,

***  Aconteceu assim    julho 23, 2010
 
Quando o púlpito desceu abaixo da sua posição normal,
 e, o pregador desceu do púlpito depois, deu-se,
 que o sacerdócio desbaratinou-se e,
 o ecúmeno todo se esfacelou!..

Dele, como teria podido ser, nada de bom restou!
 O púlpito desceu, a vida congregacional “evaporou-se”!
 Uma gota de orvalho, ao sol candente, não suportou!..
 Sem base “autoritarial”, a base toda desabou…

Ele — o “mestre” que não quis das multidões se ausentar,
 achou por bem do púlpíto das honras abdicar. Igual –
 aos outros da sua grei, resolveu se igualar… Assim,
 pensou que o seu rebanho e o pastoreio iriam aumentar…

Não foi assim que aconteceu.
 O seu ecúmeno empobreceu.
 Restou-lhe apenas do templo a “choupana”.
 Um mísero banco cobriu-se de mofo e
 nele sentados apenas os “populares”
 – todos aqueles de seus próprios cabanales!

Ele próprio — o “mestre” astuto, não deu-se ao “sabor” de
 rever os seus planos…  Preferiu navegar, assim mesmo –
 na doutrina dos seus enganos. Mais trnquilo e sem pudor
 podendo levar as suas ovelhas a seu bel-prazer e “sabor”.

***  Tiago cap I     julho 22, 2010

Não tenhas dúvida alguma,
 quando pedires um pouco:
 – do saber para a tua vida,
 – de proteção para o teu andar,
 – de paciência para o teu ouvir, e
 de prudência para o teu falar.

Peças, porém, com muita fé…
 Que o teu pedido não seja
 uma simples onda do mar.
 Porque se for assim,
 o vento quando soprar,
 será desfeita a tua esperança,
 qual vaga gigante que se aquieta
 sem ter efeito algum no teu desejar!

Sê constante nos teus caminhos.
 Que não se dobre o teu coração:
 – diante dos ricos desejos da vida,
 – diante das fáceis conquistas e vãs,
 – diante dos falsos amigos, que podem
 dizer-se até serem teus irmãos.

Quando a riqueza passar –
 as coisas são finitas e acabam,
 tu não saberás viver em desalinho.
 Pois, nenhuma ave sobrevive
 fora do seu ninho… Sem carinho!..
 Sentir te haverás vazio –
 assim abandonado e sozinho!
Conquistas fáceis, também não são duráveis.

 São com a erva que seca com o calor do sol.
 Tu sentirás abatimento na tua existência, em
 perceber, que tudo o que conseguiste nada é
 – a não ser uma dádiva imerecida sem valor!

Dos falsos amigos, terás apenas o desconforto!
 Eles verão, em ti, tão só um cofre arrombado…
 Não mais prestando-lhes em nada,
 serás – por certo, esquecido e abandonado!

Meu último conselho vou externar:
 – não te irrites nunca,
 – ouça com atenção ao que falar contigo,
 – não te dês às malícias em teu coração, e
 – cumpra a palavra empenhada, com galhardia.
 Terás cumprido, aqui na Terra, a tua missão!..

***  Naqueles tempos    setembro 14, 2010
 
Naqueles tempos, não havia tempo;
 apenas, o princípio das coisas,
 por sobre as águas turbulentas
 – em redemoinhos, se movia e
 calmamente se agitava…

Era o Verbo poderoso, que
 um mundo novo, em sua mente,
 aos poucos elaborava… Depois,
 falou e disse, para que as coisas
 se tornassem e se fizesem!..

Até então, por sobre as águas,
 apenas nuvens escuras navegavam.
 Noites e dias não havia.

Os pássaros ainda não cantavam.
 As borboletas não esvoaçavam
 – em seus casulos invisíveis dormitavam.

Verdes florestas e as campinas
 não se faziam ver… Por sob as águas,
 como tapetes extensos, descançavam.
 Quem os pisasse, aguardavam!
 Assim, sem tempo, os tempos se passavam.

A chuva não chovia.
 A neve não caía.
 A brisa não soprava.
 Nem a primavera, nem o verão,
 do cálido sol, os raios denotavam.

Também, o outono e o inverno
 não se encontravam
 para domar os insetos.
 Estes ainda não voavam!..
 Nem assim se chamavam.

Naqueles tempos, não havia tempo.
 Era tudo um caos e, por sobre as águas,
 o espírito divino se estendia e tudo,
 que se possa imaginar,
 na escuridão imergia…

Sobre a terra, que ainda não havia,
 pois na total escuridão se movia…
 O espirito de Deus
 – com o seu Verbo, sobre tudo pairava!!!
 O Verbo que em si
 e só por si existia e se completava.

Naqueles tempos, nada havia…
 Até que, pela vontade do Verbo,
 o princípio das coisas se iniciou.

A Terra foi separada das águas;
 a Lua, o Sol, e as estrelas todas
 começaram a se mover pelos espaços.
 A noite ficou escura, o dia amanheceu.
 Caiu a chuva e a neve se congelou!..
 As florestas exalaram a clorofila e
 os campos se vestiram de verde cetim.

Deus olhou e disse: “Como é bom assim!..”
 Foi então que apareceram o Abel e o Caim.

***  A Dama     setembro 3, 2010

Nas tardes tardias, do inverno que passou,
 você não se apresentava como uma “dama”
 — pois era somente uma figura mui pacata.
 Daquelas que não se dizem presentes. Era
 tão somente u’a sombra sombria na solidão.

E não o era em vão. As tardes eram vazias!
 Sem truques de benfazejos suspiros e ais…
 Não se ouvia o canto mavioso dos rouxinóis.
 Nem havia à sua espera algo sob os lençóis.
 Tudo se parecia igual a si… Sem os crisóis!

Os seus amores não se saciavam, como era
 — de costume seu. Saciar-se de coisas vãs.
 Você murchava sem se despir. Não era vista!
 Vestida de crisálida, você se transformava --
 Para tornar-se uma incógnita incongruente!..

Não mais aquela de outrora. Agora, mais forte!
 Mais presente ao sol nascente… À luz do dia,
 parece até ser o vigia da sua própria existência.
 Tornou-se mais mulher… Não mais sombria --
 Nem mais pacata… Agora é dama de Voltaire!..
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dama --  referência a Melinade, a dama  dos Contos de Voltaire
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***  Nunca é tarde     setembro 1, 2010
 
Não sou eu que te espero;
 à espera tua está a morte!
 Nem a sorte terá a sorte
 de limpar a tua barra, ao
 chegar o dia da tua farra!

Sim! A farra de levar-te
 ao destino fugidio, dos
 que não se precaveram,
 quando ainda sem arrepio,
 nesta vida, estiveram e se
 descompuseram ao arredio!

Não sou eu que te espero!..
 Colherás a tua ceifa — cada
 espiga após a outra!.. Trigo,
 joio ou cevada?Talvez o joio
 será o final da tua jornada!..

– Porém, não temas nada!..
 Há tempo ainda de peneirar
 da vida as sementes, para a
 melhor delas aproveitar… E,
 a colheita segura preparar…
 Nunca é tarde a recomeçar!

***  Haverá sábio coração?     agosto 31, 2010

Haverá sábio coração entre os humanos?
 Então, não pode haver nem haverá inveja
 e a contenda não dominará nos átrios
 do peristilo, que conduz aos póstigos
 abertos dos grandes portões de entrada!

Nem a varanda, que circunda os muros,
 terá seus ares obnublados pela fumaça
 dos incautos visitantes, que não sabem
 dos seus limites de se comportarem…
 Eles terão por força sua a se ajustarem!

Um sábio coração entre os humanos –
 e basta apenas um e só, para propor os
 ditames não-insanos de gerir a prelazia!
 Sem astúcia, sem a petulância de poder
 poder-se-á, do amor, a todos convencer!

Será assim, ou não será! Saber-se-á, se
 a tentativa se fizer… Se o coração — que
 se sentir mais sábio, assim se propuser.
 E se fizer o porta-voz da plenitude. A voz
 de calmaria e de quietude em si se der!..

O sábio coração não é pungente… Pois,
 em seus espaços próprios, é candente!
 Solícito! Presente!.. Infunde a esperança
 e a fé, que por qualquer se alcança. Ele
 – não se isola de ninguém. É a bonança.

Haverá sábio coração entre os humanos?
 Então, não pode haver nem haverá inveja
 e a contenda não dominará nos átrios
 do peristilo, que conduz aos póstigos
 abertos dos grandes portões de entrada!

*** Tenhas a justiça em tuas mãos    agosto 30, 2010

Nos últimos dias,
 tempos difíceis serão!
 Avarentos, presunçosos,
 blasfemos e soberbos –
 muitos dos humanos,
 e ingratos a seus pais
 se tornarão!..
 Das suas origens
 não terão lembranças e,
 de onde vieram, esquecerão!
 Crueis, incontinentes,
 sem amor fraterno viverão…
 Traidores, em seus
 deleites açambarcadores,
 gastarão seus dias inúteis e
 consciência de nada terão!..

Dirão-se piedosos mas,
 da piedade nem sombra serão!
 Sábios, conhecedores de tudo;
 porém, da verdade nada saberão.
 Mestres e profetas –
 até milagres farão… E dirão:
 “Trazemos o mundo todo
 na palma da nossa mão”.
 Embora corruptos,
 “dominamos a fé e
 a crença mesquinha de qualquer
 de vocês — nossos irmãos!..”
 Prometemos riquezas e sorte mas,
 em troca, queremos todo “o tostão
 que cair — por acaso, em suas mão!”

Tu, porém, sigas uma doutrina.
 – Aquela que o Mestre um dia ensinou.
 Foi ele que, na sua longanimidade,
 a fé, a caridade e a paciência,
 a nós todos ensinou… E falou:
 “Nos últimos dias, tempos difíceis serão!”
 Os seres humanos
 de mal a pior se inclinarão.
 – Serão enganadores e,
 para satisfação do próprio Ego,
 até em frangalhos se quebrarão.
 Porém, nem isso eles notarão!..
 O potencial todo, da sua meninice,
 qual fumaça, no calor da vida, desfarão!..

Tu, porém, sigas uma doutrina –
 e tenhas a justiça em tuas mãos!

***  A Ordem Unida das Nações     novembro 28, 2010

Uma “espionagem branda”
 Da “inteligência humana”,
 Nas suas relações informais.

Eis o fato novo anunciado
 – Aos quatro ventos,
 Pelos melhores jornais.

Documentos da ONU vazados.
 Das embaixadas os serviços,
 Por questões desconhecidas,
 Desconhecidamente garimbados.

Ban Ki-moon sondado!
 Quem teria o visitado?..
 Porém, tudo em segredo,
 Sem tê-lo nem avisado!..

Coisas da vida são assim.
 Os despachos se sucedem
 – Uns que vão, depois os outros,
 Ao encalço seu, os seguem
 Na sequência infernal de um
 Jornal diário ou revista semanal.

“El País” informa com detalhes
 Se instalando os militares
 Nos Grandes Lagos africanos!..
 Ainda bem: não são americanos.

Objetivos, planos e intenções…
 São tantos que só geram ilusões!
 Tanto faz se são dos acrobatas russos
 Ou se são de americanos malabaristas.
 A resposta estaria na resposta
 De uma única pergunta: Serve
 Para que a Ordem Unida das Nações?
 
***  A festa da bicharada    outubro 25, 2010

Juntaram-se os bichos para uma festa…
 Havia presentes macacos, leões, tigres,
 leopardos e muitos outros. Até bizões.

Não se confunda estes com o “Bison antiquus”
 — antepassado do bisão “normal” americano.
 É o próprio bisonte da Caverna de Altamira –
 o amigo dos dobradores do vento.
 Sai do templo, se lança ao relento.
 Ele fala melhor que ninguém, pois
 é da famosa “Avatar Generation”.

Cada qual apresentaria,
 de algum modo, algo novo.
 Jamais visto antes pelo povo.

Disseram que a festa seria
 um evento, como jamais
 um igual ali se vira.
 Nem se ouvira.

Também, não se confunda
 com o canto portugues do Vira-Vira.
 O Vira mesmo é do Minho
 — terra do Vinho Verde,
 mistura de aroma e leveza!
 Pleno encanto da fiel natureza.

O macaco tocava um fagote.
 Clarineta, ao longe, se ouvia em dueto.
 Bandoneon a cargo do urso estava, que,
 entre os intervalos de quarta, resmungava.
 O tigre rosnava — e na escala de barítono,
 furioso, uma canção nova ensaiava…
 Leopardo, com o seu olhar estranho,
 a todos fascinava… —  Ondulante
 os seus movimentos graciosos desfilava.
 Fingia-se de gato… Porém,  não miava…

O leão a tudo acompanhava. Era o rei!
 A grande festa organizava.
 No grande encontro, o seu rugido,
 só com o do tigre se ombreava.
 A todos ordem impunha.
 Ninguém  — de nada, reclamava…

Enfim, a festa como tal,
 por ordem do leão, às tantas, começava.

Não pude acompanhar.
 Outra tarefa me aguardava.
 Abandonei a festa da bicharada
 e, de mansinho, me pus em retirada.

***  Paroquianos caucasianos    outubro 24, 2010

Paroquianos caucasianos
 erigiram um castelo
 de papel e cartolina.
 E pintaram de azul celeste.

— Parecia até um veleiro,
 cortando as ondas do mar e,
 as paredes foscas de neblina.

Aos olhos, dos que passavam,
 parecia mais um galpão agreste.
 Por dentro cheirava mofo;
 embora, por fora, parecesse
 um ceu sem estrelas… Era,
 todo pintado de azul celeste.

Mais por fora que por dentro:
 O palácio reluzia. Seja dia,
 seja noite, algazarra acontecia.
 Havia canto de festejos --
 Um regente os conduzia!..
 Paroquianos rodopiavam:
 todos cantavam de alegria!

— Parecia até um veleiro,
 cortando as ondas do mar e,
 as paredes foscas de neblina,
 ao tocar dos raios solares,
 se derretiam e abaixo fluiam.

A pequena freguesia aumentava
 — de quantidade de gentes, mas
 de qualidade, que é bom, não crescia.
 Foi assim, que adentrou no castelo
 a chamada “lei” de apostasia.

Não se sabe por que d’águas carga
 o Zé bode apareceu… Um deles:
 o bode Zebu; o outro, bode Nintendo.
 Dizem que foi assim, que
 a porca da paróquia o seu rabo torceu.

Nunca mais houve sossego.
 O castelo começou a desmoronar.
 As paredes, tingidas de azul,
 começaram a amarelar.

O reboco, desprendeu-se.
 Ficou à vista o vermelho dos tijolos
 — já agora, também, amarelado.
 Estava acontecendo aquilo,
 o que — aos olhos de um mais perceptivo,
 somente poderia ser esperado.

Nada há de inusitado.
 Segundo a lei causal,
 o semeado sempre será ceifado.

Os paroquianos caucasianos,
 delidos pelo sabor das águas salgadas,
 se viram forçados a doar os seus haveres
 a dois bodes: o bode Zebu e o bode Nintendo.

***  Parábola metafórica     outubro 21, 2010
                    (Para entendê-la deve-se ler At 5:1-11)

Na memória coletiva dos irmãos
 Dois bodes, ambos mestres do “Verbo”,
 Tiveram seus feitos, para sempre, retidos!

Os feitos — atos pouco probos,
 Por mais que se queira, jamais
 poderão ser esquecidos.
 Na alma, das fieis ovelhas,
 foram cinzelarmente embutidos.

Por não terem sido esclarecidos,
 Serão sempre reapresentados.
 Muitas vezes distorcidos,
 outras vezes, aumentados.
 E, porque não foram resolvidos,
 nunca serão esquecidos e postergados.

A fertil memória coletiva da irmandade
 Transmitirá às gerações futuras
 O mal feito não desfeito
 Pelos bodes — mestres do “Verbo”…
 E não por maldade, mas por simples
 “lei da semeadura”… Quem semeia,
 frutos colhe!.. Cedo ou tarde --
 a maturação dos resultados não se escolhe.
 Sabe-se apenas, que
 toda causa tem efeito.
 Pouco importa de que jeito!
 Não se esconde um “ato perfeito”.

A parábola é uma estória.
 Metafóricamente junta dois bodes.
 Um é dito bode Nintendo,
 o outro é conhecido como bode Zebu.
 O Nintendo, se dá por muito sabido…
 O Zebu, é mais teimoso que um urubu,
 ao sentir “carniça” em seus voos rasantes.
 Na verdade, são irmãos distintos
 que se orientam sempre por seus instintos                                                                                                                          de instantes…

Na verdade, os dois bodes são inconstantes!

Diz uma lenda — se é verdadeira, não sei.
 Havia terras em outras instâncias
 Que produziam “areias de praia”
 Nas ondas do mar se banhavam
 E, aos irmãos paroquianos, encantavam.
 Porém, qual não foi a surpresa,
 As terras, que produziam “areias de praia”,
 Pelas ondas do mar se dissolveram…
 E todos que nelas pretendiam um casebre levantar
 Uma grande dor de “bolso” sentiram… E brigaram!
 Os dois bodes — Nintendo e Zebu, riram.

Todos os irmãos choraram!

Ninguém entendeu, o que foi que aconteceu.
 Sabe-se apenas, que uma parábola nasceu.
 E, na memória coletiva dos irmãos
 Dois bodes, ambos mestres do “Verbo”,
 Tiveram seus feitos, para sempre, retidos!
 Feitos inusitados… Não esclarecidos…
 Por ninguém e jamais foram desmentidos.

***   Truculentos na fé     outubro 1, 2010

Famintos seguindo, ao sabor dos eventos,
 aos aclamos dos “truques mentais”
 os chamados lentos provedores gerais…

São famintos de tudo…
 — De alimento, mas fartos de sofrimento!
 Não percebem, porém, que:
 — só são manobras culturais;
 — só são “provedores” ao avesso,
 dos enganadores sociais;
 — só são a massa falida de “Marsupiais”.

São cimento da argamassa social
 na construção da grande coluna que
 serve de escora a algum “Particular”.

Famintos, seguindo
 — Pelos caminhos da penumbra,
 vão em busca de um dia melhor!
 Aos truques, dos lentos na fé,
 sucumbem como orvalho ao sol!

Eles, os Truculentos na fé,
 com os seus truques lentos
 — muitas vezes sonolentos,
 mas que agradam aos incautos,
 promovem festins turbulentos…

Eles são truculentos…
 São domadores dos fracos de fé incolor.
 Uma fé, dantes inaudita, revestida de bolor.

Seus castiçais de prata não o são de fato;
 São de alpaca. Seu brilho é falso --
 De cobre, de niquel e de zinco cinza.
 São uteis na produção de bijouterias
 e de moedas gunmetal. São “gun metal”.
 Cancelam o corpo, deletando a alma imortal!..

Quem tem ouvidos, que “ouça” o que escrevo!..
 E eu escrevo aos nicolaítas.
 E a todos os parasitas.
 Os que se aprouveram
 o poder e o domínio da fé…

Aqui, eu dou o meu conselho.
 Para que nada falte ao vosso espírito pacato.
 Olhai no espelho da vossa ponderação.
 Vejai em que desgraça vos metestes!..
 — Sois miseráveis, sois desgraçados.
 Sois totalmente cegos. Também, estais nus!..

Na fé, sois verdadeiramente truculentos.
 Em atender ao pobre, sois muito lentos.
 Atrás de si, levais as multidões insanas.

Por sobre os seus da fé escombros
 castelos mirabolantes levantais…
 Mas eles todos continuam famintos.
 Aos aclamos dos “truques mentais”,
 são cimento da argamassa social
 na construção da grande coluna, que
 serve de escora a algum “Particular”, que
 Pode até identificar-se de “provedor geral”.

***  Tu foste escolhido    setembro 28, 2010

Para além da tua existência nobre
 tu recebeste a missão de ser:
 – o guia dos mais fracos,
 – o porta-voz dos que não falam,
 – o ouvidor dos que não escutam,
 – o fazedor dos que não podem
 nada fazer: são incapazes…

Tu és aquele escolhido, para além
 das tuas possibilidades próprias, a
 ser o guia “infalível” dos oprimidos!

Não desanimes quando,
 nos dias difíceis da tua jornada,
 sentires o peso da longa caminhada.
 Quando vires milhares de gentes
 sucumbindo sob o cansaço da vida:
 – muitos morrendo de fome!
 – muitos morrendo de sede!

Avoque a si o poder de lutar
 pelo estado de ser dos “pequenos”.
 Dos humildes e fracos, que
 por si sós não se movem –
 São insossos demais para
 serem aceitos nos palácios reais!..
 Espigas incultas além dos umbrais.

Para além da tua existência nobre,
 cumpras a tua missão!..
 Não sendo apenas um entre os demais,
 Seja um daqueles que,
 ao trilhar o seu caminho,
 estende um tapete verde ao mais fraco e
 que pode ser até o seu próprio vizinho!..

***  Pelados na fé     setembro 28, 2010

Filhos de “deus”, que estais pelados,
 Dizeis que sois nudistas puros e que,
 Ao movimento evangélico sois ligados.
– Serieis destituidos de moralidade?
 Ou, terieis cheias — as vossas mentes,
 De frívola e inescrupulosa boçalidade?

Dizeis que sois herdeiros da irmandade
 Que se reveste de pura e santa véstia!
 No fundo, sois uma falsa fraternidade.

Dizeis não serdes “rotuladores”. Porém,
 Baixios sois! De rasa fé sois alombados.
 Na própria farsa, todos fostes untados!

A vossa imagem do “pecado original”, que
 Se arvora em proclamar-se filho divino,
 Não passa de desvio p’ra camufla sexual.

Dizeis embora, que sois antes de tudo,
 Depois de tudo e em todo o tempo, leais
 A si e a seus pares. Apenas farsa sois!

Por tudo que imaginais, de seres fracos
 Não passais. Humanos decaidos marginais.
 De mente poluida!.. São todos os sinais.

F  i  m    p a r t e  I   ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------