Mykola Szoma
Poesia Vol. III

Desatrelado
julho 22, 2012
Genuflexo!
Circunflexo invertido
– Espetado
como se no chão fosse.
Parecia ser corcunda.
De cabeça inclinado
perdão pedia
ao carrasco social…
– Era algo desumano
diante de um desfigurado
ser mediocre desatrelado.
Quem dos dois teria errado?
O genuflexo, encabulado?!
Rebaixado ao mais ingrato
dos degraus do insensato!
O carrasco, esse despencado
da espécie “Homo sapiens”
ao mais baixo verme estado?
Ambos são “produto”
deste nosso mundo empacotado!
Somos do século XXI
– O século enlatado!
Existimos controlados
pelo remoto desejo
de alguma mente de
de coração blindado!..
Sentimos, vivenciando, tudo
desconectados da humanidade e
plugados “on line” ao “game”
de uma “multiplayer”,
aos olhos dos mortais,
supinamente sofisticado!..
Depois, alguém me sussurrou,
dizendo — ssão coisas de
usurpador do alheio. Por isso
o chmamam de transviado…
Perdido em si mesmo
Pelos seus pais abandonado
Não teve formação nem teve
seu berço — que nem berço era,
acalentado… Sempre foi acorrentado!
Mergulhado na desgraça da miséria
Só viu em sonhos o belo mundo
pelos vizinhos proclamado.
Daí, a sua formação geral:
Um desumano desfigurado.
Só sabe fazer “genuflexar”
a rodos os que se postam
a seu lado.
Não sabe o que ser um irmão.
É um eterno desatrelado!
Ele é um artesão
julho 19, 2012
Leva vida na maciota!?
– Ele é um artesão…
Na mão dextra, alicate
Na esquerda, um colar.
Vai montando as contas
e contando com a sorte,
Diz: Um dia vai chegar!
Não se cansa.
Não descansa.
Sentado na calçada,
vai tecendo pela noite…
Quer vender na madrugada.
Ele é um artesão e tem –
a vida sua pouco agitada.
Só se perturba quando a
Guarda surge inesperada!
Mas, não se cansa.
Nunca descansa.
A vida ensinou a lutar
pelo que lhe diz
a sua esperança…
Um dia haverá de bonança!?
Ele é um artesão.
Não desfaz-se da vida
Não duvida da sorte
Enfrenta o frio, a fome e
Também, não tem medo
nem sede da morte…
Acima de tudo, ele é forte!
Não se cansa, nem descansa.
Ele é um artesão que
paciente espera a sua sorte.
O riso e o miado
julho 17, 2012
O riso da criança
e o miado do gato
se mesclaram com
os harmônicos
da frase musical…
O coração chora.
Enfeitiçado cai
no infinito
momento vão… E
num instante,
os sons se fundem.
E se propagam…
E se vão, e se vão!
–E não em vão…
Suave vento tange
os ombros meus…
Convida o meu olhar
para além da porta.
Ecoam frágeis sons
de folhas e de galhos.
Que se levantam acima
dos níveis da janela…
E juntam-se suaves,
aos sons do infinito,
como se fossem uma
do vento escapadela.
Assim, o coração
sussurra e chora!
Ferido, sente-se sem ar.
Respira fundo e baqueia.
Recorda enfeitiçado
o riso da criança e o
miado do gato a clamar!
Distante, a voz do violino
as batidas do coração
quer imitar…
Os harmônicos unidos
podem, ad infinitum,
se perpetuar!..
O miado do gato
O riso da criança
As batidas do coração
Jamais podem parar!..
Não me comprometa
julho 15, 2012
Eu não sei o que não falo
e, não falo o que não penso;
Mas só penso o que, um dia,
já pensei, quando me banhava
– de baixo de um chuveiro,
em banho-maria…
Por sinal, a água era fria!..
Já se foi o tempo de entrar,
por qualquer coisa, em agonia.
O pensar nada resolve, se
a prática não lhe seguir-se…
Aceitei, por lema, nada ter
o que me comprometa e que
possa denotar-me de veneta!
Já pensei de muitas coisas e,
em muitas coisas, de cabeça,
como um “bode”, me entreguei.
Machuquei os miolos… Urra!
Aprendi! Quão doido sosseguei.
Esqueci então todas as coisas
– As doidas que já pensei…
Nos labirintos do palavreado
– como se nada mais houvesse,
atolei-me aos borbotões. Quis
achar-me encrustado nos Hai-Kay
dos gritos de alvinos quinhões.
Encontrei irmãos não mui veros
– Os da fé… Eram sinceros?..
Tornei-me mais falante. Platão
tornou-se “O” da minha estante.
O Verbo se fez a luz de idéias.
Traçou as novas epopéias gregas:
De pândegas, da farra patuscada,
emerge agora — uma ofuscante
balada de idéias intrigantes!..
Em mim
nada assim
houvera antes!
Juro que ainda não consegui ler
as “caricaturas de Dante”. Mas,
já debrucei-me sobre as idéias
do espanhol Cervantes…
Um pensioneiro
agosto 15, 2012
Bolhas de gordura
Derretidas num
caldo ralo de água
Ao gosto da fome
de um estômago vazio.
Era o prato principal
Alimentava o jovem
– esguio e magro,
de então.
Revendo hoje o passado
Recordo com saudades
Aqueles dias idos…
Eram os anos sessenta.
Recém vindo do Paraná
Por alguns meses,
hospedei-me numa pensão
à Rua Prates do Bom Retiro.
Tentei vestibular da USP
– não consegui… Fiquei!
Não retornei à Ponta Grossa
São Paulo deslumbrou-me…
Era a cidade que sonhei!
Tinha comigo apenas Eu
a mala cheia de livros
um pouco de dinheiro e
nada mais que me pudesse
fazer segura companhia.
Morada simples consegui
– na residência dos pais
do amigo Pedro sanfoneiro –
Como um modesto pensioneiro.
Custo mensal da minha estadia
apenas era de 150 cruzeiros.
De sopa de folhas de azedinha
eu me nutria… Refogadas com
bacon e cebolinha. Temperadas
com salsinha… De sobremesa,
batatas fritas… Com direito
a um café, pela manhazinha!..
Depois, mudei-me para a pensão
da R. Frei A. Sant’Ana Galvão,
travessa da Avenida Tiradentes.
Acabei morando, finalmente,
na pensão da Da. Helena
da Av. São João, 7º andar
fazendo esquina com a Av.
Duque de Caxias. Saí dali
para casar!
Em Guarulhos fui
a minha noiva encontrar!..
Lembranças
agosto 14, 2012
Lembranças
do amigo sanfoneiro
Enquanto a sanfona
de Pedro tocava,
a própria saudade
de saudades muito chorava.
Pedro era sanfoneiro
que só nas horas
do seu repouso,
melodias de longes terras
com seus dedos “macios”
– de Mecânico, dedilhava.
Aos Domingos
preces a Deus prestava.
Junto aos irmãos,
hinos de louvor
no Sacro Templo tocava.
Pedro também cantava…
Era baixo profundo e
nas fileiras do coral
da igreja se postava.
O seu irmão – Maestro,
sempre com ele contava.
Nos dias normais
– durante a semana,
Pedro era um mecânico
– funileiro de mão cheia.
Restavrava carros que
deixavam satisfeta a
seleta de então platéia…
A sua mão forte e “macia”
com as veias revividas –
no teclado da Scandalli,
dava vida nova aos
Simca Chambord
Aero Willys
Cadillac e Fusca.
Era o ofício de Funileiro
pondo as suas perícias
nos espaçosos degraus
do humano tabuleiro.
Assim era o Pedro sanfoneiro!
Pedro sanfoneiro
agosto 13, 2012
Scandalli 120 baixos
Era a sanfona sua preferida.
Com ela alegrava a estada
– dos irmãos da mesma fé,
ao longo do caminho
das Boas Novas a semeada!
No trem de Santos a Jundiaî.
Nos espaços do Jardim da Luz,
ladeado pela Rua Prates,
em Bom Retiro.
Em Carapicuiba, viajando
pelos trilhos da Sorocabana
com embarque
na Estação Júlio Prestes.
Em São Caetano do Sul
onde ficava a sede da
Congregação da Membresia.
Pedro sanfoneiro
Não se afastava de sua sanfona.
Consigo a carregava
– aos finais de semana
Sábado, Domingo e aos feriados
o dia inteiro. Não se cansava!
Na assepção de palavra, era
um verdadeiro sanfoneiro…
Ao pedido de um canto, estava
o Pedro ali como o primeiro!
Ao seu irmão paterno
que era Regente de coral
também servia de diapasão
para poder deixar as vozes
em estado de plena afinação.
Este foi o Pedro que
hoje está na nossa lembrança
como o mais prestativo
dos prestativos irmãos!
Parecia-me que a sanfona dele
sempre tocava em dó maior
e, em variando a melodia,
modulava em lá menor.
A membresia preferia sempre
o trinado das variações…
Pedro era sanfoneiro,
Sim senhor!..
Vivenciando as saudades
agosto 31, 2012
A pergunta constante
me faço: “Por que?”
Resposta não acho…
Mesmo, por noites
procurando inteiras.
Por que?..
Sinto saudades
das coisas que
um dia já foram
e hoje, não são.
Sumiram no espaço –
Se perderam no tempo
Foram minhas um dia.
Hoje, de alguém outro,
possivelmente,
em sendo serão.
Será que é deles que
eu sinto as saudades?
Então, as saudades
– que sinto,
eu as sinto em vão!..
Não são os teus olhos
nem os teus lábios…
Oh, não!
É o teu coração
que escondeu-se no meu,
destruindo a minha paz.
Descobri que és tu
o mote de saudades
que me invadem sempre…
Fazes me perder no tempo
Vivenciando as saudades
que se distanciam mais!
Prevenido
agosto 31, 2012
Prevenido –
Equivalente social
de revenido…
Seu caráter sem caráter
simplesmente se define
como alguém destemido
Homem quantum
nano oprimido!
Mecatrônicamente
sustentado o seu esqueleto
jamais pode tornar-se obsoleto
Renova-se, a cada instante,
nas prateleiras do designer
- O especialista trainer…
Tem cérebro gerenciado
por um de tablet teclado…
Engendrado nos moldes de um
conhecido Rigoletto e
genuinamente desapropriado
das fábulas históricas dos
Montecchios e Capuletos…
De Concórdio de Espoleto
não duvido e nem prometo
acreditar… Porém, digo
que o designer,
lá de cima, deu um jeito
– Conseguiu
em espoleta transmutar…
O revenido humanizou-se e
o humano virou
simples metal!
Quadras desenquadradas
outubro 1, 2012
Trampolim de mim fizeste.
Acessaste os objetivos…
\mas cuidado!
Não distraias
– Nada é definitivo!..
Minha mãe foi cantadeira.
O papai foi cantador.
E eu vivo de saudades
– Sonho ser um trovador!
Se em teus olhos vejo mágoa
– Cantos e grito de alegria.
Sou malvado e vingativo!..
– Quero ver-te numa fria.
Canarinho amarelo,
Canarinho cantador!.
Cante aquela do trinado
– Tu és nela um doutor!
Se o amor que tu me sentes
é dificil de duvidar; Pois,
pergunto eu: Por cortesia,
uma amante poderia enganar?
Canta, canta, passarinho!
O cantar faz bem à alma.
Todo aquele que cantarola
tem sossego e paz na alma.
Driblei a sorte malfadada!
Assim pensei, comigo mesmo.
Qual nada!.. Mesmo driblada
se recompos em dobro –
Arremessou-me a esmo…
Triste a sina é da vizinha.
Ficou a viuva de improviso!
– Não estava preparada…
Eis que a vida pede-lhe siso.
Clamei por ti desesperado
quando senti saudades tuas…
E o eco reverberou-se!..
É tarde! Ela é mulher da rua.
De nígera cutis
o teu corpo vadio
esbraseia o ser.
Porém, não de todos
– De quem queira apenas
junto a ele se aqpecer!
Se amar é sentir saudades,
Então eu te amo. — Porque
Sempre sinto saudades de ti.
Quando distante estás, mais
O meu peito queima em mim!..
Tu me chamaste de palhaço.
Palhaços somos todos nós.
Enquanto o sou por escolha
Tu és por parte de teus avós.
Uma vez me perguntaram:
O que é saudade de uma flor?
Eu respondi: Toda sudade
só é saudade, porque é dor!
Se alguém amar sem ciumes,
Esse alguém não ama. Oh, não!
– O amor, que é verdadeiro,
Gera ciumes e domina o coração.
Vai vivendo a tua vida.
Não desdenhes o teu filão!
Filho meu, enquanto és jovem
tome o mundo em tuas mãos!..
As quadras que canto agora
São cantos da sorte maldita.
Ela fustigou-me tão forte
que nrm sinto mais a vida!..
Escreva o meu nome
setembro 30, 2012
Com a caneta que você tem
escreva, o meu nome,
no seu coração, também…
Com tinta vermelha
e calque com força
para que não desbote!
Que também se assemelhe à
minha paixão desbotada no
tempo da vida partida aos
montes de estilahços, que
se encontram esparramados
pelo empoeirado da vida
chão dessangrado.
Escreva o meu nome
mas não calque tão forte
para que não se transporte
indo às páginas brancas
da minha ilusão!..
Que permaneça somente
nas senoidais linhas
do seu coração…
A mim basta, tão só,
cinzelar alguns versos.
Canções desenhar e floreios,
em tintas azuis, debulhar…
Chorar de lembranças
afogando a saudade
que ainda me abraça.
– Que não quer me deixar!..
Ao lado do nome
anote as memórias,
caso ainda
um pouco de tinta restou.
Espero que as suas saudades
ainda saudosas das minhas
o vento da vida
furtivamente não dispersou.
Não diga que é tarde agora.
Que a luz da candéia
já se apagou!..
Da tinta vermelha no frasco
nem mais uma gota restou…
A nossa vida
setembro 24, 2012
No passado se fez o presente
No presente constrói-se o futuro
O futuro levanta a existẽncia de agora.
Nada há que camufle a vida:
do que já se viveu,
do que já se ouviu,
do que já se disse,
do que já se sentiu…
Só a paciência consegue vencer a partida
A esperança, de ver a chegada, algum dia,
do mais importante dos sonhos
– da nossa existẽncia,
que sonhamos o mais importante da vida!..
Talvez, esta seja
a própria essência da existẽncia da vida?
Uma onda senoidal
desenhada com as idas e retornos
das despedidas e das partidas!..
Uma catenária transportando as energias
geradas pelos pulsares das nossas vidas!..
Nuvens de poeira
encobrem a visão do meu olhar.
Nada vejo à minha frente… Sinto apenas
que são poeiras das pisadas
dos meus passos a me obnublar.
Mais à frente, ventos haverá que farão
a tempestade se degladiar consigo própria
para que, da minha estrada empoeirada,
possam os grãos de poeira limpar.
Talvez, esta seja a essencia da vida
– Por entre as nuvens de poeira
sabiamente caminhar.
Quem és?
outubro 5, 2012
Pergunto: “Quem és?”
– “O que queres?” e
Pensas o quê?
Por que?
Sentes saudades
das coisas que foram?
Que voaram ao vento
como se fossem
folhas caidas
das roseiras
partidas ao
meio e só.
Responda-me!..
Ao menos,
qual é o teu nome.
O prenome apenas. Sem
constranger-te,
me digas somente
“Quem és?”
Não sei quem tu és. Nem
tu sabes quem sou!..
Eu vou caminhando,
calcando as areias,
das praias dos mares
e dos oceanos, que a
minha existência
me apresentou.
Eu tinha um nome
que, pelo vento,
aos poucos,
se dissipou…
Hoje, de nada me valho
construino a laje
da futura pousada
Ao lado da qual
nascerá uma uma flor
sob a sombra de um carvalho.
Recordo — Eu tinha um nome!
Orgulho-me dele. E
quero saber “Quem és tu?”
Não conheci
outubro 5, 2012
Eu não conheci Marco Polo
Nem tenho pretenção alguma
de estar apertando a sua mão.
Se o quizesse,
teria de retornar-me ao passado.
Porém, eu não acredito
– de modo algum,
em uma retro-encarnação. E não!
Retro, para mim,
só uma retroescavadeira
Que cavoque os pedregulhos
encravados nas profundezas
da terra — Do chão em que piso.
Dizem que, lá nas profundezas –
Que eu não acredito, pode estar,
de algum modo escondida
a origem do começo
dos inicios do
Paraiso… Daquele que, uma dia,
foi perdido. O certo é:
Alguém deu nele um sumiço!
Mas digo isso sem compromisso…
Também não conheci Colombo.
Nem sei se é verdade
que ele descobriu os índios
da América do norte.
Os homens dos quais se orgulha hoje
a novel européia sociedade.
A tal da ilha Bretã que,
por força do destino,
lhes deu a notoriedade!
No tempo dele não havia Atlas ainda
– que indicasse a posição do sul e
na certa, ele próprio duvidava: Era
o começo, ou o final de um encontro
que lhe outorgasse “avant-premièr”
de uma nação “bombastic-destroyer”,
Se assim se quer… Não acredita –
Quem não tem fé. Ou, se não quizer!
Por mim, dá tudo na mesma…
Um dia ser — da semana, qualquer, ou
o dia ser da “quaresma”.
Pois o cristão só é tal, se obedece a
“lei da igualdade”. Qualquer pequenino
tem valor similar ao valor da irmandade
– Nem Colombo, nem Marco Polo merecem
mais honras da respeitável sociedade!..
Acordei ao barulho
outubro 14, 2012
Acordei ao barulho de ventos.
Não era uma ventania forte…
– Parecia tropel de cavalos,
do tipo Pegasus, agitando as
asas. Voando do sul ao norte.
Comigo pensei: Que sorte!
Com medo acordei, nada era…
Um sonho apenas sonhei.
Lá fora, o tempo, das suas –
como sempre, fazia… Cortina
espessa de neblina estendia.
Nem ainda tinha terminado
o frio do inverno;
Mas já — A primavera,
às portas batia. Murmurava.
– Ao som do agitar do vento
Como se pressa tivesse,
tomar a conta, dos espaços
todos, para si queria…
Então chovia!
O seu manto azul de seda
sobre os campos verdes
calmamente estendia.
Mas, para mim, os meus ouvidos
falsamente anunciavam:
Cavalgada de cavalos Pegasus
as suas asas agitavam!
Vento forte
outubro 13, 2012
O vento varre a minha face!
Sobe areias miudas para encobrir,
das pálidas penumbras horizontais,
que se prostraram — à minha frente,
o meu destino e, de repente,
fizeram-no translúcido e disforme…
Não sei se é má sorte,
ou se é de sorte má
queixar-se de desventuras.
Se houver a lei de punição, direi:
Não tenho sorte!.. Até agora,
não vi punido — por roubo de
corações, nenhum ladrão… Eu
também, não! Confesso: Roubei
a cinquenta anos atrás,
da minha amada, o seu pequeno
e colorido de vermelho coração.
Mas sorte existe, meu irmão…
E se o azar é a falta de sorte?
Só poderia tê-lo todo aquele que a
cigana não lhe pudesse ler a palma
da sua mão.
O vVento forte continua soprando.
Continua levantando areias do chão.
Continua encobrindo o visual,
de pálidas penumbras, à minha frente.
O meu destino
parece-me trnaslúcido e disforme!..
Recordações ainda
outubro 9, 2012
Outro dia, já vos breve contei que
Quando, à esta freguesia, aportei,
Recebi uma fornalha, uma foice e
também um martelete… Disseram
que seria de bom alvitre seguir
as normas de manuseio, também,
de um pula-pula de cavalete…
Espécie de brinquedo solitário,
em cuja ponta há um estilete…
Quem se contacta com ele, tem o
desejo insano de um sorvete!..
Comigo, não foi assim!
Não quis brincar de falso arlequim.
Imaginei espaços siderais enormes
que se estendessem pelas campinas
encobrindo os altos montes
banhando-se nas águas
de limpas fontes.
Que se perdessem, além daqueles
horizontes, banhados pelas chuvas
– além do planeta anão de Ceres.
Quiçá governado por um Xenofontes.
Dizendo, prossigo –
Do trílogo, das coisas recebidas,
do fole de sopro, apenas não me livrei.
Dele servi-me para o fogo atiçar.
Não na fornalha de ferreiro
Mas, na fundição de um cadinho simples
as almas dos humanos “formatar”!
Falei com Marx, com Zaratustra, com
Jean-Jacques Rousseau, com Platão, com
Pitágoras, com Nietzsche, com Pushkin,
com Dostoiévski, conheci Mayakosvski,
falei com Luis de Camões, Olavo Bilac
inspirou os meus sonhos… Porém, com
Jesus Cristo e com Taras Chevchenko
as noites soturnas em dia tornei!..
De Lenine, toscas lembranças apenas.
Um gigante que fora… Se foi.
Em mãos não devidas entregou as idéias.
Sua foice, martelete cruzando,
o fole de sopro cortou.
A fornalha não mais se aqueceu.
Em se esfriando, seus filhos “queimados”,
consigo enterrou!..
Disserão “Não!”
outubro 8, 2012
Gritei: “sim!..”
Queria ser do jeito que
Ao mundo vim…
Disseram-me que não.
Havia normas de obedecer
Andar (ainda eu não sabia)
conforme as regra
já estabelecidas. E
aos montes, já as havia!..
Deram-me uma foice,
um martelete e um formão.
Uma fornalha acesa,
Um fole de soprar o vento
Para que se mantivesse em
labaredas a fornalha. Que
o fogo aceso
– por alguém,
a quem eu não conhecia,
mantivesse me aquecido
durante os dias que
sem que eu ainda percebesse
tinham sido transformados
em longas noites frias.
Ao lado, juntinho do coração
deixaram normas e um rosário
que deveria eu desfiar
– como se fosse um calvário
de normas e de preceitos.
Eram conceitos de viver… E
de sentir as coisas, das
quais não poderia me despir!
Vivê-las deveria só;
Nunca nelas pensar;
Nunca delas me abstrair!
Tentei calar-me.
Calado, eu quis o coração ouvir.
Ouvi… Não pude resistir!
– Gritei, de novo. Mais um vez
disseram que “não!”. A vida é
– devendo ser, entre a foice,
o nartelo e uma fornalha,
Esta, mantida acesa por um fole
– do tipo dos que se sopra,
ao som de sorpraninos. Ao lado
de um semelhante nosso. Aquele
que sempre diz: “sim, meninos!”.
Agora, eu disse “não!”.
Então, disseram-me que “sim!”…
Pois é, a vida se contradiz
– Sempre assim.
Ruptura total
outubro 19, 2012
estrutura
ruptura
novidades no ar.
Lirismo sem ismos
Sem quaisquer sofismas
que possam a mente tragar.
Sem parar
navegar sem estrelas
nas nuvens apenas
as sombras
pensar!
E sentir-se
perdido
por entre os escombros
as raizes de si
procurar…
não gritar
não chorar
não dizer a ninguém
que és sobra de alguém.
Haverá de existir
uma sobra de ti
em alguém…
Levitam poeiras de restos
– passados que foram,
São hoje escombros
que poluem o ar:
casamento,
deixou de vingar;
ser um filho,
deixou de valer e
ser pai, nem mais vale tentar!
Elas são como grama
– a mão esticar e ceifar…
Altruismos heroicos
encobrem as sombras.
Caminhos sombrios desnudam vazios
e tochas ardentes construidas do nada
conduzem ao nada — iludindo que são!
São tochas apenas e
para todo o sempre,
de tochas não passarão!..
estrutura
existência
ismo, em essência, como explicar?
Na maré, dos efeitos de humanos,
é a forma melhor de se conhecer
de se desconhecer
de se submeter aos desejos maiores
de ser algo mais que
pelos sombrios caminhos
– dos escombros da história,
simplesmente caminhar…
Estrutura existencial
outubro 18, 2012
formatura
formalismo
formosura
futurismo… Forma nova
– caminhada pela busca
de algo novo. Diferente
do vigente na estrutura
do atual existelismo.
Entre os sovietes era
anti tudo. Hoje, pode
ser com tudo, para
todos, ao par
de tudo.
Giga megalópoles
Tera metrópoles
Metroviários
Urbanos.
Asteróides iluminados
De linhas férreas
Cruzadores
Soterrados.
Por mentes iluminadas
de pensadores
transtornados.
Que se transubstanciaram
em dólares e euros e
por alguns reais
foram comprados.
No fundo, não passam de
formatura
formalismo
formosura
futurismo
Todos se prostituiram e
no grande abismo do seu
íntimo “-ismo” se
trancaram!..
A minha mente se diluiu
Os pensamentos meus
escaparam…
Reminiscências
outubro 18, 2012
Eu sinto o palpitar ofegante,
Dos suspiros das tuas narinas.
O balanceio descompassado –
do teu andar, te desnorteia,
quando tu pisas, o chão que
não queres pisar…
Incomoda-te o trejeito
que deves fazer, quando de mim
esquivar-te desejas.
Não queres me ver…
Queres olhar de soslaio.
– Serei teu eu lacaio?
Nessa eu não caio.
Há tempos deixei de querer!
Que sigas a sorte que é tua.
A sorte que é minha, eu já escolhi.
– Assim eu a quero viver…
Eu poderia ser
outubro 17, 2012
Por trás das nuvens
Raios do sol se escondem
Uma razão plausível,
para tanto, devem ter…
Não sei qual é. Nem posso
a razão, se há, compreender.
São coisas da natureza –
Na natureza não sou versado.
Eu sempre estou preocupado
só comigo… O quê seria eu,
se eu não fosse o quê sou…
Talvez tivesse asas e voaria
por sobre as nuvens, como se
fosse uma gota de orvalho…
Na terra cairia, em forma de
neblina. Talvez, em forma de
pétalas de neve branca, para
enforcar-me, nas verdejantes
folhas dos pinheirais…
Fazer o quê? — Pra ser,
tão só, um inconsciente e do
sol (sob os seus raios)
tomar um incandescente,
de ígneos vapores,
um salutar banho.
Por trás das nuvens
Os raios do sol ainda se escondem.
Por que razão? Não-me respondem!..
Algo me diz que estão de espreita!
Será que já está vindo a hora
– a delas, de ceifar a minha
pobre colheita?
Que asua vontade
não faça satisfeita!
Aos jovens
outubro 16, 2012
Eia, Moçada!
Curti a vida como ela se-vos-dá.
Ao sopé da sorte, ou encantada.
– Pouco importa!.. Se é assim
que ela se vos apresenta, Então,
que assim seja curtida. Na certa
– Ela se encurta com o tempo e,
como se nas asas de uma águia,
pelos espaços se diluirá…
Curti pois, enquanto é tempo.
O tempo vosso, um dia findará…
Dela fareis o que quiserdes.
O que puderdes, na verdade!
Dependerá do que souberdes,
pelo caminho, amealhar –
Sabedoria dos precavidos, ou
dos incautos a idiotice… E
– em sendo assim,
‘diz o ditado’:
“se colhe sempre o fruto
cuja semente se plantar”.
Deveis tomar muito cuidado!
Algumas vezes, dificil é
entre penumbras transitar.
Reconhecer as sombras,
nas noites escuras sem luar,
é verde-água confundir com cinza.
Num mesmo tom a ambos retratar…
Eia, Moçada!
A vida é mesmo assim.
Muitas vezes, pode parcecer
um misto de pão com salada.
Outras vezes: pão integral,
ricota, orégano e gergelim.
Pode estar –
Ao sopé da sorte, ou encantada.
Porém, é sempre assim!
Ser Mestre
outubro 24, 2012
Ser Mestre,
em alguma coisa,
sem que se tenha o Mestrado,
Parece algo impossível.
Que eu saiba, até inusitado!
Verdade seja dita –
Em muito não concordo,
Porque para saber das coisas
Só bastaria de algumas leituras
dos escritos, que sejam chaves,
dos humanos conhecimentos
– em suma, essenciais… Tais
como se constrói o raciocínio E
a extração da cocnlusão
de argumentos válidos,
com premissas verdadeiras, Que
produzam inferências causais,
no intercâmbio entre os ditos
falantes reais. — Eu, você e
todos os demais… Tais
Os pressupostos são
para se tornar
um Mestre
Sem um Mestrado, meu irmão!..
Um papelucho
dar-lhe-á o direito
de se dizer “Dr.” ou “Mestre”.
O que não lê nem raciocina,
Contente sente-se e se fascina,
porque é mais do que os outros.
Mal sabe ele,
que os argumentos válidos,
Podem ter premissas falsas e,
a consequente conclusão falsa.
Juramento
outubro 22, 2012
Um juramento solene.
Por testemunhas estrelas
Do luar, os raios padrinhos
Da noite escura, horas extensas
mal rabiscados — sem tinta, serão
– portadores do texto, os pergaminhos.
Que vige o seu conteudo pra sempre.
De modo perene que seja o seu efeito.
Que tudo, que se concerte agora, jamais
e de modo algum seja desfeito…
Que se faça assim!
Que assim seja por todos aceito!
Assinado… De modo perfeito!
Impávida e a fria noite
mais a lua cheia
A dita senhora dos telhados
Reluzentes vermelho-prateados
Sois o conjunto confidente
mais intimista dos namorados!
Tenhais em suas mãos a chave
do ato deste juramento… Que
ela jamais se perca no
parco ato do esquecimento!
Aqui fizeram-se declarações
Que só somente agora o poderiam ser.
O amanhã não lhes daria o previsível
Talvez, nem mais pudesse acontecer!
O amanhã, um dia apenasmente um dia
Que não teria sua contagem anexada.
– Talvez pudesse ser até
O fim de uma história terminada…
Dos dois, ela teria sido uma Pepita
Teria um laço de fita cingindo o coração
Norrendo de saudades… Gemendo de dor
Sufocada, perecendo de um extinto amor…
Uma neblina teria coberto todos os espaços
Cinzentas nuvens navegariam por sob os ceus
Enquanto as lembranças se esvairiam todas
Nos dias, que um dia eram e, que agora,
deixaram de serem seus…
Talvez, tivéssemos de novo repetida
a história — em “slow motion”:
Prometeu roubando fogo de Zeus.
Entendi
outubro 22, 2012
Não procurei
nem encontrei
O sol se pôs
– no meu caminho
para além do horizonte.
Não uma sombra
Noite total…
Tateando, devo andar
solerte e perspicaz
Não poderia perder-me
pelo caminho.
Em cícrculos rodando,
Retrocedendo
ao sabor de redemoinho.
Não procurei
Foi o destino
Se é que possa haver algo assim.
– Mais forte que a vontade, que
o desejo insatisfeito levasse as
ansiedades rumo sem fim?
Poderia talvez haver. Sim! Assim
queixas não haveria. Apenas,
o cumprimento do prescrito!
Enfim!..
Existo! Não sou Existencialista.
Estruturado, vivo as coisas que
do passado recebi…
Não sou Estruturalista… Apenas
vivo a vida como aprendi.
Com Sócrates, aprendi ser Silogista.
Platão contou-me “o mito da Caverna”.
Acreditei. E na parede, iluminada por
uma fogueira, me encostei. Gostei!..
Poemas mil e versos tantos outros li.
Tranquei-me na solitária cela do coração.
Percebi que os seres reais são só estátuas
– Não sombras em movimento…
São apenas corações congelados
por ilusões do momento!
Isso com Jean-Paul Sartre entendi.
Maestro Ivan
outubro 21, 2012
Ivan
Irmão do Pedro sanfoneiro
– o que tocava o acordeão
Na Congregação de Sta. Maria.
Uma Cristã comunidade ucraniana
Evangélica de Fé Batista.
Cumpria os mandamentos sacros –
à moda espartana,
Aos Domingos, Sábados e Quartas,
Também, em outros dias da semana.
Na vestimenta
– Pregava-se, que deveria
refletir-se a alma justa
do fiel sincero. E
não murmurar
por não adequar-se
às coisas do mundo.
Ler o Livro Sagrado e agir,
sempre, de modo honesto
O mandamento, maior
manter manifesto.
Ivan
Era o Maestro do Coral Congregacional.
Esbelto, de estatura visual sadia
Impressionava a todos quando,
sobre um tablado, o Coral
cantando, dirigia…
Dos fieis, a atenção prendia!
Esta simples homenagem
A ti Ivan, Ó, grande Maestro!..
Agora eu presto… Atesto
que foste um dos maiores
da ex-nossa Congregação.
Quero dizer-te ainda:
continuas a ser o nosso
“Grande Irmão”. O irmão
do Pedro sanfoneiro e o
irmão, na lembrança,
dos que já foram da
ucraniana Congregação!..
Um mar de pensamentos
outubro 20, 2012
Um mar de pensamentos
afoga os pensamentos meus.
São pensamentos dos momentos
que se vive aos relentos,
dos tempos modernos.
São silentes movimentos que,
na busca de novos instrumentos
manipulantes dos conhecimentos
para — de algum modo se possa
erigir um “sniper” ao tipo
do grego corifeu…
Parafraseando tantas idéias –
Muitas das quais não são plebéias,
Diria Não! aos que só dizem Sim!..
Por fim, o mundo só se propaga
porque existem os “abnegantes” Que
deixam os seus tronos aos primevos
navegantes… Aqueles que
jamais sentiram um leme, em suas
mãos tremulantes… Passavam os
dias seus ao lado de bacantes…
Intermezzo:
Para que me critique, seria bom
que lesse um pouco de história grega,
antes! Depois, também… que desse
uma olhada no Inferno de Dante.
Terás poupado um palavreado, ao menos,
por um instante.
Por vezes, os pensamentos
parecem serem infantes…
Arranjam soluções que se esfacelam
que se agigantam depois, tornam-se
minguantes. Inaplicáveis. Irritantes!
E tudo se transforma em nada
– Os pensamentos voltam a ser
como sempre foram antes,,,
Os tempos modernos tornam-se antigos
Os antigos, passam as er como os que
eram antes… Tudo se conforma
em formas antigas. Tudo volta a ser
como se nada mudasse… O mundo será
– porque sempre foi, como era antes.
Quando se deseja
outubro 19, 2012
Ser formalista
é formar, o ver das coisas,
segundo o visual de uma lista.
Não seguir normas
da razão introspectiva
para se vincular
às coisas não vinculáveis.
Tais como as distensões,
entorses e as luxações,
sócio-musculares,
ainda não imagináveis…
Segundo estruturas
existenciais estruturadas
ainda não foram detectadas.
Não sendo abordadas,
não dvem ser sendo pensadas.
Portanto são obliteradas.
É simples entender
porque a chuva é benfazeja.
É quando se deseja que deva chover.
Para não gritar de desgosto
lancei meus pensamentos ao infinito.
Descobri que vagar a esmo,
é melhor que chorar no ostracismo…
Seguindo as listas formais e normais
vai-se ao longe. — Em seu pensamento,
pode-se fingir ser um monge. Lá longe!
As flores, também, poderão florescer
Rosas vermelhas poderão o caminho
de vemelho rubro tingir
Seu perfume espargir.
Ser formalista é melhor
do que Ser
p’ra, depois, sucumbir.
Vezes em quando
outubro 30, 2012
Uma Classe de Novos
Num Congregado sem velhos.
Tem mestres sabidos
Treinados em “faz-de-conta”
Não ficam vermelhos
– não sentem vergonha
Porque a perderam
por entre os bancos –
Melhor sairiam, caso
se todos vendessem
caldo de cana
e pamonha.
Boletim editam. Dizem
que a casa sempre
está cheia de ar. Mentira!
Metade dos bancos não se
esquenta pela sentada
de gente cansada.
Nunca há tais!
Vezes em quando, um dito
encontro de casais
saboreia um churrasquito
no quintal da casa.
Então, do “sinédrio restrito”
se fecham — nunca abertos,
os humbrais dos portais.
Uma Classe de Jovens
Aparece em letras garrafais…
Tão somente no papel,
O fato que de jovens
não há nem sinais… São todos
de meia idade. Porém, são mais
velhos do que os mais
carcomidos pés dos cafesais!..
Não dão frutos nenhuns mais…
Entraram nas jogadas do mestre
– elogiando-se mutuamente.
Se perderam entre si –
Têm visão própria: São os mais!
São os tais, em seus modos pessoais.
Jamais têem horário para a promoção
de encontros comunais. Pelas manhãs,
alguns levantam bem cedinho; Outros,
não são tão assiduais — Tomam o seu
café depois das nove… Já quando se
deu o toque da reunião das classes
– Aquelas descritas, as virtuais!..
Os mestres e seus “mestrinhos”
cultuam a si próprios. Elogiam-se
Os seus caminhos… Promovem a si
De forma magistral. Não há quem
Não reconheça o seu esforço irreal!
– Percebendo neles
Uma “labuta” pelo nada
e muito virtual.
Esta visão foi-me possível
depois que consegui um
binóculo de grande angular.
Ele amplia o campo de visão
sem o aumento sacrificar…
O resto se interpreta –
“solo per si”, contra os
escritos papiros comparar!
Para você
outubro 28, 2012
Os poemas que eu faça
que sejam poemas para você.
Tão belos, quanto os mereça
a sua imagem flamante.
A imagem que me cativa todo
– Seria capaz de tudo
Por você!..
Você é minha deusa flamante.
Plena de graça chamejante…
Tudo, em você, me inspira!
Cada verão que perpassa, da
vida os espaços, inspira-me
novas estrofes. — Respiro,
sem mais ar nos pulmões, Que
mais quero inspirá-la com as
minhas narinas!..
Você é poema sem versos.
Um poema feito pessoa…
O ser do meu ser!
Muitas vezes, você é saudade.
Saudade de uma brisa matinal.
Sem você nada é igual.
Por isso,
Os poemas que eu faça,
Serão poemas encantados
– cheios de graça,
Iguaizinhos a você.
Poemas que eu faço
outubro 28, 2012
Os belos poemas
não são os que eu faço.
São aqueles que já se fizeram
– que já se lançaram
Nas prateleiras das livrarias.
Que dominaram as almas
de casais insolentes. — Que,
por entre as pétalas de rosas
por longas primaveras
se camuflaram.
Diziam aos ventos
que muito se amavam.
De fato, se odiavam ao ponto
de se ruirem, quando
se viram!.. Se ouviram e não
se entenderam. Falavam
o que não sentiam.
Queriam o que não queriam…
Apenas aquilo o que
os seus lábios fingidos
bramiam. Em seus corações –
chuvas fortes e trovões
assustadores se ouviam!
Os belos poemas que eu faça
Não serão poemas iguais aos
poemas que já se fizeram.
Não serão os que o mundo
inteiro os conheça. Serão
poemas feitos só para você!
Retratarei neles uma ninfa
– romana ou grega… Que,
através rios e mares e suas
areias praianas, abarque em
seus abraços de vento
todinha você!..
Lascou-lhe um tapa
outubro 28, 2012
Lascou-lhe um tapa na cara.
Ela não soube porque!?.
Indignada, chorou…
Em silêncio, o rosto –
entre as mãos, escondeu.
Depois, perguntou: Foi o
Que que eu fiz pra você?
Não houviu a resposta.
Não houve nenhuma.
O covarde é assim!
– Faz, aos outros
desgraças. Se cala depois.
Não quer que o vejam ruim.
Ele era um rapaz de
princípios morais ilibados.
Na verdade, se dizia
um cristão exemplar!
Cantava em coral,
tocava bandola,
Frequentava a escola
que estudava a palavra vital.
Porém, nem todos seus atos
mostravam que, de fato,
ele pertencia à estirpe real.
Um deles — O da tapa,
lascado na cara, sem que ela
o merecesse… Sem saber:
Por que, afinal?
Os dias passaram.
As mágoas cessaram.
A história espraiou-se.
O cunho sócio-cultural
foi revelado. — O tapa
serviria de freio
Para que ela,
com um seu colega,
não se casasse… — Ele, era
um loiro de olhos azuis. Ela
morena, de pele escura, olhos
negros jambo, caju e graviola.
Coitado! Falhou por completo.
Seu nome eu tenho lembrado
Porque nele embutido está
o tapa que ele deu nela.
Uma voz interna
outubro 27, 2012
Uma voz interna grita!..
Parece uma gralha –
Atrapalha os pensamentos.
Confunde os predicados –
atribuidos aos sujeitos;
Fazendo-os parecerem
complementos valorativos
específicos de terceiros.
Uma outra voz responde:
Seja esta a vez primeira,
Que o mundo estremeça…
Sob a fronde do cajueiro
Um caju-grande floresça!
Se esparrame pelo quintal
E, sob as ogivas e ramos,
Darei-me à calmaria total.
As murtas também cresçam,
Espalhem-se as violetas e
algumas das rasteirinhas.
No cume das fantasias da
mente, que se desvaneçam
todos os pensamentos meus
– Os mais crepitantes!..
Como poeira ao vento,
Nas ondas do mar agitado,
Para sempre feneçam!
Uma voz interna insabida
continua gritando. Parece
até ser uma gralha…
Atrapalha os pensamentos.
Não me aborreço.
Uma outra responde:
– Que o mundo estremeça!
Um cajueiro floriu.
Sob as ogivas dos ramos
um canto matinal,
de um galizé nagazak,
cor vinagre, se ouviu!..
Inversão absoluta
outubro 27, 2012
A neblina encobriu os espaços
O dia tornou-se opaco. Não há
transparência das coisas…
Os lábios não falam verdades,
Proferem piadas somente, –
Inverteram-se as valorações!
O que deveria ser mais, menos
tornou-se. Menos, vale mais!
Ademais de, a escala, não ser
abolida ainda; Aboliram-se os
méritos da sua mediação…
Os seus últimos suspiros,
os valores humanos exalaram!
Transbordaram-se para outros
espaços. Lá se perderam. Não
mais se encontraram… Cairam
no esquecimento. Faleceram…
Ouço novas verdades.
São verdades de novas mentiras.
Novas falenas, querendo ser –
como se mariposas o fossem. Não
são nem poderão ser. Têem corpo
delgado, de asas frágeis e, de
patas falsas, em pé pretendem
– sobre ramagens, ríjas estar.
Falsamente, das borboletas
querem as vezes tomar.
Quando pela vez primeira
uma falena avistei,
Pensei que uma borboleta era.
Não acreditei! Em tempos nublados
Borboletas não voam… — Pensei. E,
Não era… — Uma falena eu avistei.
Os dias opacos, cobertos de neblina,
confundem demais!.. Talvez
Não o façam aos astutos olhos
dos espertos “homo primitivus nevis”.
Não seria da era “dourado-chacal”?
Sorte desdita
outubro 26, 2012
Na lapela do paletó
ele trazia uma fita.
Poderia ser uma flor,
Caso a sorte não lhe
fosse pregar a
desdita…
Tirou movimentos do seu coração.
Apagou o amor que nele morava…
Nem permitiu que dissesse-lhe
Ela — Tombou sem dizer,
“Não podes me amar”
“Partirei para
longes paragens. De lá,
caso possa, enviarei-te minhas
imagens em forma de miragens.”
Ela tombou e se calou.
Apenas uma lembrança dela restou.
Na lapela do paletó uma fita,
que poderia ter sido uma flor. Se
a sorte não se mostrasse
Uma sorte desdita!..
Se, antes da sua partida,
ela falasse e tivesse dito
que não poderia ser amada. Então,
o coração dele não sentiria nada
das coisas que se chamam de amor.
Também, não teria colocado a fita
na lapela do seu paletó.
Teria colocado uma flor
que simbolizasse a sua dor indolor.
St. Petersburg
outubro 26, 2012
Esbelta pela extensão
Saint Petersburg
A Petrogrado –
És fotogênica, magnificente e és,
culturalmente, cidade grandiloquente.
A Metrópole do mar, do golfo, do rio
e da floresta gélida boreal — A
de coníferas, do Norte Leste europeu.
Às margens do rio Neva nasceste. És
Uma cidade diferente das demais…
Cidade cortada pelos canais. És tu
A cidade de noites brancas –
A Veneza do Norte.
porque não dizer, És o modêlo de uma
Rússia moderna e forte. Um pedaço de
Ocidente ao Leste, ao Norte.
Tens um metrô mais fundo e robusto do mundo!
Com estações de granito, mármore e mosaicos;
Lustres de bronze e baixos-relevos dão te um
sabor de palácio real cultural…
Que se compare contigo, ainda não
há uma cidade tal!
As tuas noites, São Petersburgo!
São noites mágicas que
dão aos dias
um feliz final…
Com seus trezentos anos,
Também foste a Leningrado.
Do Grande Império Russo foste
a soberba capital… Depois
abrindo a janela para o mundo
trasladaste, de si,
para a Moscov
os deveres de
de uma sede administrativa
de sistema político de ordem e grandeza
medidos em escala mundial.
Hoje, tu és a grande sede da cultura do
chamado Patrimônio Mundial.
Tombaste, sob o tacão da Unesco, como
Um grande Centro Universal.
Do Mundo Cultural… Ó, Petrograd!..
Tu és a grande Capital!
Nas sombras
outubro 25, 2012
Nas sombras se escondem
as sombras dos vultos pequenos.
Os vultos dos homens
que pousam a si, como se
fossem gigantes da terra.
Proclamam seus feitos,
Que, quase nunca, foram feitos.
São eles perfeitos em seus atos
E os que quiserem conhecê-los,
terão a “má sorte”
de nunca vê-los.
São invisíveis; Todavia,
falam até pelos cotovelos!..
Na selva de seus pensamentos
Idéias selvagens burbulham.
Seus l[abios “ditosos”
navegam mentiras.
Lisuras não há.
São figuras do nada sadio…
Navegam nas ǵuas geladas
do palavrio.
Seu coração frio, lhes dá
a certeza de serem os tais!
Não medem esforços
de se mostrarem ovelhas;
Quando no fundo, não passam
de indomáveis chacais…
Filosoficamente sustentam que
todos os seres humanos
são, por natureza,
iguais…
Na verdade, são falenas
com asas de opala que,
refolham verdades para
– com elas, enfeitar
todas as suas mentiras!
Ainda um reverendo em foco
novembro 2, 2012
O mestre reverendo
Aquele que durante as noites
No decorrer das calmas madrugadas
Navega pelos espaços siderais
Com seu binóculo de garnde ocular
Procura algo desvendar.
Cá entre nós –
Ele se acha mais um capataz do
que um venerando (e perspicaz)
Guia de massas…
Porém, não me profano –
Mesmo assim, salvo engano,
é muito sagaz.
Por entre os dedos,
a sua fala se transparece
como se fora uma tiara sacerdotal.
De fato, o mundo dele é um sonho
Erguido como se ergue um castelo
de papel amorfanhado… É irreal!
Por “reverendo”
aqui entendo “um respeitável” ancião.
E não tão velho, que se apoie
numa bengala de junco. Não!..
Mas de ornatos prosopopéicos,
dos garimpeiros da ilusão.
Até depois! Chega, por ora!..
Binóculo não tenho
Porque — então, eu deveria explicar
As noites não dormidas, do navegante
Notívagando pelas estrelas
Das calmas madrugadas?
Um poema romântico
novembro 1, 2012
Alegria no rosto
Um largo sorriso nos lábios
O seu corpo gingava
Ao som de uma valsa
– queria pensar
fosse uma marcha
a Marcha Nupcial.
Você zaguezagueava pelo salão
Descrevia senoides circulares
– Era o Baile de Formatura.
Ninguém se comparava com você!
Você e só… Sem mais rival…
Você nem parecia ser você.
Era outra.
Eu sufocava a muito custo
a dor e a saudade:
Um dia você foi minha. Depois,
Porque razão, não sei dizer
Nem quereria que alguém
soubesse a razão.
Não é por nada, não! Apenas
Para não maltratar mais
o coração. Concorda!? Não?
Era a valsa de formatura.
Você bailava nos braços
de alguém outro. Não era eu.
E era um sonho, com toda
A sua — de ninfa, formosura!
Hoje é assim
novembro 1, 2012
Primavera.
Previsões de chuva.
Que nada!
Umidade do ar abaixo dos 30.
Não se usa mais gravata.
As camisas, que se usam,
não têm gola nem colarinho.
Os alunos vão à escola –
Alguns sabem mais que o professor!
Não das coisas que deveriam,
Mas de fazer pirraça.
Sim snehor!
Ontem, numa cena de novela,
Se beijava um casal de “pombos”.
O neném, que apreciava o quadro,
Disse “Que fartura de insapiência”
“A mamãe beija o meu popô
Com mais sabor e com prudência!..”
Ufa! Se o fizer
Na hora da incoveniênia!
Por hoje é só!
Cabrice não me assusta.
Quando quiser um livro usado
Não duvide! Vou buscar num brechó.
Não conto o tempo
outubro 31, 2012
Não conto o tempo
pela idade… Meço
a minha existência
pela permanência
na ventania dos temporais.
A ventania dos tempos,
Que dá-me os encantos
de poder sempre
vencer mais!
Vencendo o invencível,
Derrotando o inderrotável,
Percebendo, que as coisas
Podem ser fáceis demais!..
Aqui, ali, ou acolá –
O estado físico pode não ser
O que a mente, em pensamento
Em sua perspicácia, agendará
Porém, o existir exigirá
Que cumpra-se o dever.
Assim, então, será!
A ventania dos tempos
Imprimirá mais força.
Notar-se-ão mudanças.
O pensamennto,
produto do pensar,
jamais pode cessar…
Não cessará, enquanto
o tempo não parar!
A gafe
outubro 31, 2012
Curtir a fé,
e saborear alguns espetos,
É mais saudável
do que estar “preso”
– por duas horas,
num banco duro de madeira.
Ainda mais, ouvindo
a preleção, de alguém
que fala quase dormindo…
Alguém que se confunde com
o dia. Pensa ser o dia
já uma plena noite. A gafe
– aí, só vai e vem!
Também pudera.
Se colocar uma frase sincera
Não passará de jeito nenhum!
Marcar um encontro,
ali pelas oito em ponto,
somente haverá dsencontro…
O relógio que o diga!
“Morrerá” de fadiga
de tanto bater
os minutos.
A pontualidade britânica,
mais a precisão germânica
Não são regras aqui, não!
Com o resto, não se incomode.
Será sempre um resto. Uma fila
de pelos tingidos feito bigode.
Que o diga o abridor de portão
– Conhece a todos
como na plama da sua mão!
É, meu irmão!
Curtir a fé e
saborear alguns espetos
deve ser bem mais saboroso.
Concorda comigo? Ou, não!..
Um Boletim e só
outubro 31, 2012
Um Boletim “caiu” em minhas mãos.
Dizia que haveria uma festança –
Daquelas que povoa as lembranças.
Acreditei! Fui lá. Nada mais vi,
que alguns bancos vazios –
Conversando entre si.
“
Mais de cinquenta anos
já se foram. E nós, aqui!..
Plantados como rochedo
Mais firmes que a pedraria
dos calçadões. Nos pisam
todos os pretensores
com os traseiros
quentes. Sem mais razões!..
– Aos borbotões…
“
Depois, ouviu a voz
Que parecia ser de umas cordas.
Já meio rasuradas. Foi explicado:
Ali estavam apenas p’ra saborear
a torta de marmelo achocolatado!
Quem mais quisesse,
teria de acompanhar — Solene só
A cantoria do cantante encantado
cantarolar. De forma murmuriante
murmurar… E esperar!
A hora própria chegar!
Um porta-voz, como tal
não se portava; Porque
não tendo chegado –
Falar não podia. Ninguém o ouvira
nem antes da festa. Dizia-se, que
Alguém a se respeito “blefava”…
Nota P.S.
Este é um poema paródia
Ninguém o leve a sério!
Nem faça a sua custódia.
Pedido atendido
outubro 31, 2012
Destino falso e traiçoeiro
Um plano fáustico teceu…
Os braços fágeis de menina
Antes do tempo, fortaleceu.
Em suas mãos, a sorte –
de um recém-nato
(seja bem vindo)
em alegria se converteu!..
Ela pediu a Deus –
A sua oração, Deus atendeu.
O recém-nato
ficou pujante, bonito,
Elegante… Que só ver
Quem da fé nunca abdica, vai
Sempre bons frutos colher!..
Com ela — jovem mãe-menina,
assim aconteceu. Falhou
a natureza. Deus, não a
esqueceu! Recuperou os dias
que pareciam de amargura –
Em alegria os transformou!
Deu-lhe vigor e,
ao seu fruto, uma formosura!
Haveria uma maior ventura?..
Mãe jovem
outubro 30, 2012
Mãe jovem
Como todas as jovens mães
Ainda em flor.
Desabrochando uma tulipa,
uma rosa.
Um simples jasmim.
Esbelta, enfeitando ainda
as rosas-primas
– os jeans…
Nos braços frágeis
de menina-moça,
moça-menina-mãe.
Já uma mulher…
Cheia de espinhos
Criados pelo tempo
Mas, antes do tempo.
Ela bolou o seu ninho
para fingir que já é mulher!
Um passarinho
que ainda não tem o seu ninho
Porém, bate asas
como se fosse
um beija-flor.
Quer voar por sobre as folhagens
e, na transparência das folhas,
sorver das águas o doce licor.
O tempo se escoa.
O cançasso demarca o olhar
antes que o tempo decorra.
Um ser novo,
em seus braços palpita…
Agora, ela é mãe.
Que seja bendita!
Os meus parabens
outubro 30, 2012
Invadi as tuas lembranças!
Não quero sair delas jamais.
Contigo desejo estar para sempre,
Em teus braços, quero sentir
o calor dos abraços
Que os meus sonhos sonharam.
Há tempos
deixados p’ra trás…
Quero estar no infinito
dos teus sonhos, também!
Por que lá se encontra somente
a suprema beleza da tua grandeza.
Só tu — ninguém mais, por mais
que incrível pareça, apenas tu
e só tu a tens!..
Antes que eu esqueça:
Aceite os meus parabens!..
Não queiras sonhar como eu.
Terás pouco caso, como o fazem de mim.
Foste encontrada sem ter sido buscada
A tua grandeza é assim!
Por acaso apareces,
O teu brilho ofusca.
Em todos despertas amor,
Não há quem não te goste. — Porrém eu,
não foi por acaso que, em ti, encontrei
o eterno “real” dos meus sonhos. Amei!
Invadi as tuas lembranças!
Não quero sair delas jamais.
Apenas seja você
novembro 8, 2012
Não seja!
Você já é…
Não veja!
Você já está vendo –
O que o mundo é,
O que os outros são;
O que você não é,
O que você não poderá ser;
O que os outros não verão em você,
O que, de você, os outros jamais terão!
Assim terá menos desgaste como ser.
Perguntas não fará “Eu devo, ou não?”,
“Porque eu quero em não me querer?..”,
Dissolvo-me nas sombras do ingógnito
– ao invés de um viajante do além mar,
pudesse me tornar em não perdendo tempo
a tais perguntas responder!
Se o mundo é, eu também sou.
Se os outros vão — Paro e medito.
Não me convém, não vou! Destarte,
a arte do artista é a sua criação.
Plagiado de lápide fria
não me agrada, não!
Sucumbam todos!
Eu, não!..
Sigo a sós o meu caminho.
Haja vendavais, ou não…
Não seja!
Você já é…
Eu também sou!
Um maltrapilho
novembro 7, 2012
De maltrapilho,
não só a imagem.
De maltrapilho,
também a existência.
Não tem um canto onde apoiar-se
Nem repousar dias cansados seus.
Perambulando pelas ruas, procura
e não encontra — o que lhe deu,
sem compromisso, a natureza fria
– a vida digna! Ele a perdeu…
Nem sabe como. E foi, quando
descautelosamente nasceu.
Ali naquele canto,
por desencanto
desprevenidamente, a mãe
o concebeu. Depois… deixou
a sós — Partiu. Fugiu, esqueceu!
Ele cresceu maltrapilho,
Vagando pelas calçadas,
procurando algo que não perdeu…
Algo que poderia ter sido seu
Porém, não recebeu, de quem a
Vida desprevenidamente lhe deu…
Perambula também a sua existência
Refletindo, da sua alma, a imagem
no seu corpo tombado em falência!
Será longa a sua permanência
como um buscador de si mesmo
durante o estado de ser tão
somente um maltrapilho da
sua própria existência?
Amor não é paixão
novembro 6, 2012
Não é paixão.
É crepitar de brasas.
Será que você sabe o que é?
Também não pode ser saudade
– Saudade quando bate
Aperta o coração!
Estrangula a garganta.
Retira o fôlego do peito
Estraçalha a alma da gente
Tira da lembrança tudo,
e vocẽ fica não sabendo
quem voce é…
Você não sabe o que é saudade
de alguém que há tempo
já não se vê.
De alguém que alimentou sonhos
tal qual você.
Não é paixão.
É crepitar de brasas.
Você não sabe o que é. Por que?
Porque nunca amou de fato.
O seu amor não foi incadescente.
Senão teria queimado as entranhas,
Amalgamado os valores,
Destruido as normas e,
Construido os dissabores.
Não é paixão.
É crepitar de brasas.
É indomável e é mais forte
que todas as paixões do mundo!
Por vezes triste e insuportável
Que queima o ser e a alma.
É crepitar de brasas.
É o amor afável
– O contraponto de indomável!..
Se deu assim
novembro 6, 2012
Não são saudades do passado…
Portanto, saudosismo não pode ser.
Apenas refletindo as coisas como andam
– Os que constroem, também destroem!
Vejamos a história, de um grupo
que se dizia: Nós não teremos
jamais um fim! Se deu assim:
Se uniram. Se organizaram.
Cotizaram-se os meios… Construiram.
Eram anos cinquenta. Irmãos fluiram!.
Fluiram cantando músicas da pátria –
Doçura celeste efluiram.
Um templo erigiram.
Cantavam Glórias! Progrediam…
Venerando o sacrosanto nome de Deus
A Sua Palavra de Vida difundiam…
Unidos na fé, cada vez mais cresciam!..
E perseveravam na doutrina,
e na comunhão, e no partir do pão.
Em toda parte havia temor,
E muitas maravilhas e sinais se faziam:
– Havia um coral misto,
– Havia um coral masculino,
– Havia uma orquestra de cordas:
violino, banjo, bandolins e violões.
– Uma sanfona Scandalli de 120 baixos.
– Um Maestro regente. Sabia cantar!
Ensaiava as quatro vozes, fazendo
as vezes das suas funções.
O Pastoreio foi mudando.
Aos poucos, a história foi se interrompendo.
O farol da barra do horizonte se apagava.
Algo novo, subrepticiamente, se apresentava!
Anos setenta terminariam uma maratona de
Mestres, que fixar-se não conseguiram, Todos,
um a um — como se fila indiana, partiram.
Cada um cuidar de si… Assim, preferiram!
Havia um. Não era mestre, nem mestrinho…
Porém esperto como só ele era. Se proclamou!
Ganhou e submeteu a si o que restou.
Assim, a história degringolou.
A planta que tinha tudo para crescer
Murchou. Quem a plantou
Jamais teria imaginado em pensamento
um fim assim indigno do nosso momento!
O relato desse poema
Não passa de uma tragicomédia abstraida
da real vivência — de alguns, do palco
da vida… Poderia ser melhor usufruida!
Estado de suspensão
novembro 5, 2012
Estou aqui pensando
nas coisas da vida.
Um rosário que se desfia.
Parce um “novelo de lã”.
Poderia pensar que fosse
o nome de uma canção.
Não é! Mas é um nome
sugestivo! Será que
a própria vida não
seja uma canção?
Talvez o seja.
Talvez, eu e você,
possamos dela fazer
trechos em pizzicato,
seguindo-se por um
staccato…
Entrar em um estado
de suspensão.
Bem entendido –
Em partiruras de melodias
de violinos, violoncelos,
de violas-gambas e a fome
(ex-) de Vincent Van Gogh.
Mia!.. Você não é gato.
Faça de conta que não. É!
Os gatos vivem melhor que
Eu e você juntos. Por que?
Porque miam. Porque são o
que são — Gatos. E só!..
Não precisam falar. Não!
Não precisam tocar –
violinos nem violoncelos,
nem violas-gambas. Apenas
precisam miar! Só miar!..
O tempo voa.
A garoa umidece os ares.
Não demore mais. Venha já!
Todos desfilam aos pares e
os gatos, também. Somente,
eu e você, ainda
Não aprendemos a miar.
Entramos em estado de
Suspensão antes do tempo?..
Parado ?
Publicado em novembro 3, 2012
Estou aqui.
Parado?.. Quase sempre.
Sentado. Algumas vezes.
Esperando algo
que se faça
por mim.
Talvez,
para mim!.. Não sei!..
Meu filho perguntou-me
“Por que eu sou assim?
Não me pareço com você
– E poderia? Sim?..”
Também não sei.
Disseram-me:
Assim
a vida é. As vezes
As coisas parecem ser
de um jeito
do jeito que a gente
não imagina e nem quer!
Na maioria das vezes
independem do nosso
“ínfimo” querer.
Por causa desse dito,
eu continuo estar parado.
Se me sentasse, por acaso,
eu poderia ter-me levantado?
Algumas vezes, talvez não!..
Em pé a espera é mais veloz.
De fato, cansa mais!
Mas vale a pena
esperar parado do que
morrer em vida
pensando que se está sentado!
A gente sente pensando
novembro 2, 2012
Sentado
Teclando “Keyboard”.
Digito as letras do nome.
Dizem que é teclado chiclete
– parece mais chato
do que a rouquidão
da sua voz…
É retangular.
Tem formato de losango
e pode ser mastigado
como a castanha
de uma noz.
Era assim nos primórdios
do PC. Pode-se dizer:
No tempo dos avós.
É claro, seus.
Os meus, escreviam cartas
com grafite apontado
sobre folhas de
papel couché.
Hoje já se usa o teclado
“Free Virtual Keyboard”
que cabe num pendrave,
acelerando a entrada
do texto no PC…
Um teclado
que sempre estará
lá onde estará você!
Eis como as coisas mudam:
Com o fluir do pensamento
que a gente “sente”
– pensando, mas não vê!
Não te percas no passado
novembro 14, 2012
Não te partas de saudades,
Esmigalhando o teu coração.
Tenha na lembrança os dias
que já se foram — Quem
sabe até os melhores
da tua existência.
Pense!.. Outros dias virão…
Não poderão apagar os já idos
Porém, novas surpresas
De impacto maior
dar-te-ão.
Viverás alegrias maiores.
Não te percas no passado.
Não!..
Salve o dia em que nasceste!
Foi maior em que aprendeste
a soletrar o “bê-a-bá”,
a mergulhar na fantasia,
embaralhando a silabação
do ba-be-bi-bo-bu da poesia.
Ao palvreado dar a forma
de uma homérica construção!
Já percebeste que o passado
Por melhor que tenha sido,
Não tem poder de volta. Não!
Não te partas de saudades
Elas machucam o coração.
São tempestades traiçoeiras
Que afogam a vida na paixão!
Não mais do que tartufo
novembro 13, 2012
Amargurados serão os dia
dos que semeiam as desavenças.
E, não porque são semeadores.
Porque são maus em si –
Em seus propósitoss são maus.
Nada mais fazem que desavenças!
Aos olhos meus,
não há quem deles preste.
Por mais “sensatos” que se pareçam,
sempre serão não mais do que tartufo.
Não passam de Le Tartuffe de Molière.
Costumam ler provérbios dos outros
– Sobre diversos temas, são mestres
em ditados populares. Do seu em nada
se aproveita… Imitam tudo!
São copiadores exemplares…
Expetaculares em seus manejos casuais
De pronto deitam os inimigos virtuais.
E quem se lhes oponha
não terá tempo –
nem ao menos, de deixar os seus sinais!
No fim das contas, eles são os tais.
Comigo porém, não se faz menos por mais!
Um dia desses, um destes falou-me –
Disse que a vida deu-lhe favores que
– por razões não sei quais, a mim
por completo negou-me. A sua conta,
das que se chama de conta-corrente,
é mais polpuda do que a polpa do caju.
– Dei-lhe um sorriso tridente…
E, para não me sentir mais por baixo,
Disse-lhe: Veja! Ainda tenho todos os
meus trinta e dois dentes!
Menos alguns. Os que falta não fazem!
E falo a verdade. Já fiz a triagem.
Meus olhos são puros cristais.
Não são naturais. Já foram trocados.
Enxergam mais longe que os de águia.
– Oftalmo me disse,
que sairam já da ‘forma’
totalmente treinados… E adaptados!
Mesmo sem uma conta-corrente felpuda
os farois do rosto foram reformados.
Tomo banhos quentes fodos os dias –
Também, aos domingos,
aos sábados e aos feriados.
Não pago aluguel
– Tenho imóvel próprio
Assisto Malafaia
Pela manhã aos sábados;
Pela noitinha “Viola, minha viola”.
Todas as tardes da semana
“Gotinha de amor” ao lado do meu Amor.
Ao começar o dia,
ao lado da dona do meu coração –
eu e ela, lemos um texto sagrado. Depois,
elevamos a nossa prece em uma oração.
Escamotearam
novembro 12, 2012
Quatrocentos e nove registros de atos
de meio século de história se foram!
Perderam-se no labirinto das futricas
de guardiães da fé. Em que? Não sei!!
Só sei que escamotearam os trilhos,
daqueles que passagem antes deles,
abrindo-lhes os caminhos…
Não lhes deram o valor devido.
Por sobre o passado seu, fizeram
um inusitado “arrasta pé”.
E acredite, quem quiser!
Estava eu lá. Eu vi!
Nada falei…
Contribui!
Narro os fatos agora
Não porque pretendo me redimir; Mas,
para que saiba a posteridade
de como se move a “humanidade”
quando se entrega nas mãos dos
– fariseus
– pretensos patriarcas
– defensores da fé
– falsos letrados
– os que soletram textos
– não sabem conjugar o verbo e não
entendem dos espanhois o silabeo…
Alguém pergunte-me agora:
“Foi isso que aconteceu?”
Não sei! Posso dizer apenas que –
O registro dos atos, de meio século
de atividade séria, dos que estiveram
aqui antes de nós, se escafedeu…
O tempo exato — na ponta do lápis
São trinta e oito anos.
Onde foram trancados? Em que armário
E ao sabor de que café?
– Jamais se saberá.
Se fez o fato ser oficial, até.
Pois é. Dizem que é pura questão de fé.
E tudo se fez novo. E de novo! Por que?
Ao sabor das ventanias do querer,
Das sabedorias — Das vontades,
Das visões humanas de ser…
De poder, melhores que as dos outros,
obras sempiternas construir… Então,
O que se mostra-nos ser antigo, se deve
demolir, demolir, demolir e demolir.
Vivemos em tempos consumistas;
Portanto, o tempo se presta a consumir!
O que se diz história,
se presta ao demolir — Para,
em seu lugar, algo de nosso construir!..
Já que temos idéias parcas –
Esqueçamos, por instantes, que
somos filhos dos que se foram
e durmamos tranquilos o sono
de calmarias. Esqueçamos que
fomos criados com dignidade dos hiparcas.
Lembrando o passado
novembro 11, 2012
Poeira do meu caminho,
Espalhei por onde passei.
Nunca pensei que poderia
– o que encontrei,
encontrar… Até duvidei!
São coisas da vida…
Muitas das quais, nem sequer
quizesse imaginar, imaginei!
Amigos, inimigos. Todos
– aos montes, unidos caber
não poderiam na palma da mão.
Alguns se dizem irmãos. Mais,
outros mais chegados, parecem
não conhecerem-me… São mais
que inimigos: Torturam-me
até o âmago do coração!..
Porém, são coisas da vida.
Sendo assim, não tem nada.
Não! Outros há que insquecíveis
para sempre serão…
Sentamos num mesmo banco.
Esculpido em madeira. De pinho
– de táboas aplainadas, que
Não dão nenhum conforto. Não!
Dispostos em fileiras.
São bancos, que no passado,
Eram os bancos de comunhão.
Cinzelados que eram pela fé
do ancião Anton Kowalzetsky
Hoje:
“Descanse em paz, irmão!”
Você foi um de tantos
Que cruzaram o meu caminho.
Seus filhos o respeitaram,
tratando-o com carinho.
A sua palavra sábia
foi-lhes o luminar da estrada.
Sob a batuta da sua mão forte,
foi-lhes possível erguer aqui
o “suporte de partituras” Para
entoar canções de exortação
da vida plena. De Amor em Deus
e do seu Reino de formosura!..
Rendamos-lhes as homenagens.
– Lembramos de vocês:
Anton Kowalzetsky o Carpinteiro
Ivan Kowalzetsky o Maestro e
Pedro Kowalzetsky Sanfoneiro.
Revele-te
novembro 26, 2012
Revele a tua face…
Mostre-nos — a todos, quem tu és!
Saber queremos qual é a tua…
Embra parecer te queres
com o que não és…
Tens fala mansa. Predicas
sábias frases, em tuas preleções.
De fato porém, os atos teus
não correspondem aos ditos
– dos teus ensinamentos.
Qual é a tua pois?
Tu sabes despistar bem!..
Já, outro dia, falei que percebi
comportamento estranho em teus
desejos preocupantes: Quando
– porque razão não sei
Mudar quiseste o nome
da entidade — Que tua
não era; Embora, a ti confiada o
fora… — Melhor seria dito que
de modo inocente,
foi ela “jogada fora”,,,
Naqueles anos — Tu sabes quais.
A entidade serviu de base
a teus pés então cambaleantes…
Aproveitaste, cresceste em:
ousadia, conhecimento
e “malandrice” e
Uma rasteira, aos que te apoiaram,
de pé passaste. Quebraste
A ordem natural das coisas…
A quem chegou primeiro, atrás de ti
– “furando a fila”, deixaste!
Valeu de nada a tua ousadia.
Como fumaça, dos teus atos
a ventania tudo espalhou.
Onde está a tua sabedoria?.. Aquela
Da qual o Ego teu sempre falou?..
No tapetão tentaste derrotar:
os teus pretensos inimigos,
Os que quiseram se opor aos
teus “desígnios” malvistos.
Não conseguiste! Porém,
ficaste só e triste.
Falando para si,
Consigo mesmo e só!
Quatro paredes
novembro 29, 2012
São quatro paredes.
Quatro paredes alinhadas,
Formando um retângulo na base.
Sustentaam um telhado
Envelhecido pelo tempo…
Uma fachada, ostentando ainda:
“Era um templo no passado”.
– Hoje, quase esquecido –
Embora ainda (poucas vezes)
Por saudosistas frequentado.
Quatro paredes, paredes são
E as paredes jamais falam.
Mas, se falassem as paredes,
Diriam elas o que? — Diriam:
“… outrora fazia-se cultos”
Aqui, entre essas paredes.
Hoje, o desleixo tomou a conta
– Tombou, entre as paredes,
todos os espaços… Por vezes,
Um “vendaval”, de encontros
saudosistas, celebra os feitos
dos “atos” já desfeitos
nos registros memoriais!
– Chamados de “Atas” gerais…
Ó, saudosistas!
Em vão proclamais.
Os feitos passados não voltam.
Ninguém se lembrará deles,
– Perdidos que foram os seus
anais… Por entre as paredes,
agora circulam apenas os
ventos. Por vezes, também
As ventanias baloiçam
a poeira dos bancos.
Será que os bancos
– Um dia, a sua história, sobre
as quatro paredes, aos ouvidos
de alguém contarão?! Lembrei-me:
Os bancos são de madeira…
Portanto, os bancos não falam,,,
Não!
Não sejas teimoso
dezembro 6, 2012
Não teimes em ser um teimoso
Daqueles que diz ser o melhor
– Que se veste de orgulho,
Se mostra candente
para ser capcioso.
Podes afanar-te em ser mestre
Sem te penderes ser escamoso.
– Nem tanto sabido,
– Nem tanto falastrão.
Apenas, e tão só, seja irmão.
É claro, não pelo sangue,
Mas sim, pela confraria
da prelasia, confiada
à dignidade da tua
– creio, insigne mão.
Assim como eu,
tu és também um irmão!
Não te revistas de orgulho.
Não te julgues um sabichão.
O chão que pisamos
– é o chão que eu piso
– é o chão que tu pisas
– é o chão de poeira
que, no dia derradeiro,
cobrirá todos os sonhos
com a “palma” da sua “mão”!..
Não teimes em ser um teimoso!
O teu orgulho quer embrulhar-te
na solidão fria de um falastrão.
Sem fundamento das coisas ditas,
poderás ver-te num “pelotão” –
Pelotão — de multidões sóbrias,
Pedindo esclarecimentos,
mais critériosos, para a falação!
Tenhas cuidado com cada expressão!
É bom não ser afoito, querer
– ser mestre de “raspão”.
Aprendas ler o que se diz assim:
“… um só é o vosso mestre…”,
– Tenhas consciência da preleção,
que preparaste para o teu rebanho,
para não tropeçares nela, dizendo
algo fora do escopo e estranho…
E fora de mão.
Não podes confundir a “vela”
que alumia um ambiente, com a “vela”
– de “velas abertas”, para mover as
embrcações de vela nos mares…
Ai de vós!
dezembro 5, 2012
Escribas e fariseus, ai de vós!
Porque achais, que mais sabeis
E não deixais outros falarem?..
Pois sóis irmãos.
Todos iguais.
Um mesmo conhecer buscar
– Portanto, deveis: Falar
sem constranger ninguém
– e todos juntos
O conhecer compartilharem!
Ao explicar, não complicar!
Pensar que é mestre e só falar
é pouco razoável. A classe
é dos alunos, do professor.
E é de todos os que quiserem
expor os pensamentos seus
ou se opor… O professor
– não é o mestre mor;
Apenas serve de guia,
de um orientador…
Aqueles bancos sempre vazios
Serão assim por longos dias,
por conta dos arrepios
dos fariseus escribas,
que se outorgam o saber da fé.
Não lestes nunca:
“… vós todos sois irmãos.”
Cuidais dos outros,
A si não vedes.
Sois fariseus de falsa fé…
Alegoria que um amigo viveu…
dezembro 11, 2012
A boa vontade
não lota os bancos do templo.
Continuam vazios… À espera
monótona de seus ocupantes.
– Por ora, não os há. E nem
– de longe, se os avista!
Será que algum dia,
por um simples acaso,
alguém se digne,
com a sua presença: Neles
sentar-se? Com o seu traje,
limpar o pó deles? Dizer-lhes:
“…foi bom eu ter vindo,
conhecer-vos, ouvir um sermão.
Agora me vou. E adeus!…”
Em outros dias, outros virão e
seus lugares vazios ocuparão.
Acredito, que vós não fostes
“esculpidos” em vão.
E qual a razão de os bancos
estarem vazios a todo instante?
– Não sei responder!
Quem deveria saber é o “mestre”
da casa. — Cuidar deveria
das coisas que digam respeito
ao templo. Ele diz-se ser o maior
– Dentre os irmãos “paroquiais”
Quer parecer o melhor. Sabe mais!
Não aceita conselhos… E resolve
– à base da força de judô!
Sente-se um vencedor, que só ele:
E é só!..
Os outros são menos, que os já
transformados em seus serviçais.
– Não sabem, nem podem,
nada fazer… Sem a sua
“administering permissions”
de presenças habituais…
Todos os outros são seus bonecos
(quase reais).
Prontos para dizer “sim”
às suas astúcoas geniais!
O poema — que agora eu escrevi,
Apenas é alegoria de uma verdade
– que um dia um meu amigo viveu
porque passou por aqui…
A chave onde está
dezembro 21, 2012
Ele tomou a chave em mãos,
E disse:
A porta — agora, é minha.
Sou corifeu maior
E canto o coro
à moda da casa…
Sou intérprete da lei
e dos escritos; Não sendo
escriba, sou auto chamado
– Os que me conhecem,
comigo convivam!..
Assim,
o sim que era não, se fez
o dito — dito por ele,
se fez e perfez e jamis
se desfez. Ninguém ousou
enfrentá-lo. As chaves
com ele ficaram.
E as portas, aos poucos,
se fecharam.
Os transeuntes que passam
em frente da porta
– nem perceberam
A porta fechada, porque
não tentaram abri-la…
Não imaginam
– nem imaginaram
Que as portas teem chaves
para abri-las. E,
para que alguém as abrisse
deveria haver antes alguém
que as fechasse.
“A chave onde está”
Houve alguém que já
se perguntasse?..
– Para abrir esta porta,
aí que está o impasse!..
O que é o amor
dezembro 23, 2012
O que é o amor?
Eu vou dizer-te…
Preste atenção! Não é comum
a minha afirmação.,, Amor é
– Invenção de algum poeta.
Um jogo de palavras
que se combinam
entrelaçando-se
em rimas. Podem ser primas,
maiores e menores.
Deslumbram pelo fraseado –
por vezes inusitado…
Combinam, em versos,
verbos, e substantivos,
Entrecortados por adjetivos
Que se conectam, entre si,
Por alguns apelos
aos sentimentos
primitivos…
– Alguns dize — intuitivos.
Para dar charme e harmonia,
usa-se rimas, tentando-se
imitar o que os musicistas
chamariam de uma polifonia.
Quero dizer:
Unir a mente ao coração
sem distonia! –
Uma mistura completa
de dor, tristeza e de alegria.
Na prática, a tática é esta
– As rimas se complementam
Surtindo um efeito poético,
equivalente de sapateado.
Exige-se apenas do amante
que não se canse
mesmo se em estado extenuante!
Aquisitis
janeiro 18, 2013
I
Ilumaquisitis:
Ilumine-se um pouco
– aqui há uma “sitis”
Iluma… e quitis.
II
Aquis — it is
Surrealista quis ser…
Não quis!
III
Dadá não dá, nem mesmo
querendo ser um oportunista…
Sombra envolvendo o voluntário
– protagonista da coisa nova!
A que semeia portas de entrada
– fechando as da fé passada.
Farol da estrada
que um dia já foi iluminada…
Hoje, de pedregulhos espalhada
em nuvens densas envolvida, –
Parece nunca ser transitada!..
Hoje nela só anda boiada,
de cor cinza pastel;
De vez em quando,
aparece alguma
malhada…
A dimensão não é dimensionada.
Convém que seja assim, para
que não se desvenda a
intensão imaginada — esperada.
Uma seta no céu, uma outra seta
– esta mais alongada,
num dos quatro polos fincada…
A sombra, um elo entre as duas,
já deve ter sido testada!
Num dos polos, eu vejo argila;
No outro, bigode enrolado,
parecendo cabo de bengala
– uma serpente que cibila!..
Desperta do sono, se enrijece
e bravia embirra!
Um fim do mundo
janeiro 17, 2013
Virá um fim do mundo.
Para alguns, apenas será uma terceira…
Depois — os que restarem sós,
terão à sua frente
a estrela sementeira!
– Iuane de ouro.
Aos mais vorazes entendidos,
não passa isso de uma besteira.
Respondo, aos desentendidos:
É bom rever a história da rasteira!
Um cacho de banana
só pode dar em bananeira,
A pétala de rosa
só desabrocha num botão de rosa
em qualquer ramo de uma roseira.
Dizem que há apenas um por cento
de homens sábios no planeta, –
Os tais que, em suas mãos, deteem
e manipulam algum tipo de luneta.
De longe “enchergam”
o que pode acontecer… E traçam
planos “sacros” para o futuro –
de sopetão, não desmerecer!
E é melhor fazer
as coisas acontecer.
O fim das coisas está por vir!
Quem fez-nos nisto acreditar
– terá coragem de se revelar?
Para dúvida nenhuma suscitar,
é só canais, do tipo ‘ren.tv’,
de vez em quando visitar.
A alma humana
janeiro 22, 2013
A alma humana prefere:
não a riqueza, mas a Concórdia;
não os governos, mas as Verdades;
não as liberalidades, mas cumprir os Deveres:
-- para com os seus vizinhos,
-- para com os seus amigos,
-- para com os seus familiares,
-- para com os seus concidadãos,
-- para com as instituições do seu país,
-- para com a sua Pátria;
não a satisfação material apenas, mas deliciar-se com
os cânticos de amor;
não a satisfação de receber apenas, mas de doar-se e de doar
coisas, aos que precisam,
com denodo e com amor.
A alma humana
-- tal como ela é,
em si, e só por si,
encerra um imenso valor!
Não a desperdices à toa.
Não a enlameies
com uma vida de torpor!
Cadê
janeiro 21, 2013
Cadê o mestre
dessas paragens?
– “Quebraram” o violão,
desafinaram o violino, e
o zabumba emudeceu!..
Não mais tocou,
não fez barulho
se escafedeu!..
Por que?
– Ninguém responde.
Pra mim, quem não devia,
na certa já se esqueceu,
que as coisas
só funcionam,
conforme o mergulhar
dos peixes, no barco
dos filhos de Zebedeu!
Fizeram festejos muitos
Comeram e beberam;
Confabularam coisas, –
Prevendo um fim
da confraria original.
Assim fizeram e
na lápide recente
desenharam: Esta é
“Nova Vida”.
A Vida velha foi apagada;
Dela restou nenhum sinal.
Na quadro de avisos –
em letras “garrafais”,
se lia: “Em fins de cada
temporada de alegria”,
compassos de zabumba,
ao som de violões
e de violinos
uma “serenata” haveria.
O tempo se passou
E todos se enganaram –
as “serenatas” não se faziam;
porque não se iniciavam
as novas temporadas.
Cadê o mestre,
para explicar pudesse,
se é verdade, que
o que não tem começo
também não pode ter um fim…
Por isso, não se pode
cantorias de serenata promover
das que possam deixar saudade!
Júpiter
janeiro 21, 2013
Júpiter!
O teu orgulho é ser o que tu és
– Em “C” maior a sinfonia;
De Mozart a joia rara,
Não há quem não te adore –
Tu és a “prima donna” absoluta
de um “allegro cantabile”,
na voz incomparável –
de um Philippe Jaroussky –
És insondável em seus acordes.
Ó, Jupiter!
Por que não tomas tu
a vez do Sol, dos altos ceus,
e não te proclamas como
o soberano e invencível
rei dos sons das sonoridades
– de todos os espaços,
do musical firmamento?..
Não deves temer nada.
Já foste coroado como
o deus do dia, pelos romanos.
Entre os gregos, és conhecido
como Zeus… És pai de Marte,
avô de Rómulo e Remo –
“co-fundador”, com eles
do vasto Império Romano
que dominava a Europa
do norte até do sul o extremo.
O teu orgulho é ser o que tu és!
És um planeta desconhecido…
És Sinfonia 41 de Mozart –
em “C” maior de acordes
de tríadas e de sétimas
de perfeita sintonia!..
Foi uma “bomba”
janeiro 31, 2013
Foi uma “bomba”!
Detonou os laços da família,
rompeu as tradições paternas
– Criou as desavenças e
dividiu os corações de
irmãos — Tornou-os
“inimigos” de si próprios…
Foi simples –
na mente das crianças,
incutiu aos poucos
que a mãe delas
pouco sabia.
Que ela — a tia delas, é a
que mais tinha condições de
estar com elas… De
dar-lhes os ensinos,
que alas mereciam…
A tal da tia, achava-se
acima da cunhada;
Com ela não se bicava e
essa de nada percebia!?
O resultado, a família
se diluia. E hoje,
apenas sonhos do que seria,
se a tia não tivesse
“entrado” onde não devia!..
Fca um conselho, se é que há
– Jamais permita,
seja quem for que queira,
intrometer-se na tua vida…
A formação correta,
aos filhos seus, você que dá!
O resto é besteira.
Não se permita a ninguém,
dar liberdades a fomatar
– palpites e conselhos,
por mais bonitos e “sábios”
que se pareçam.
Se os filhos são seus
então com você que cresçam!
Repetidores sem base
Publicado em janeiro 30, 2013
Eles são os conselheiros.
Dão informações de como se vive.
Na verdade, são repetidores
das compilações de conhecimentos
feitas por outros… Também
repetidores antecedentes
– que noções possuiam
de como “ganhar” com
o saber dos outros.
Nada mais do que
espertos aproveitadores!..
O saber é mais do que
a compilação de escritos,
deixados por outros.
O saber é mergulhar
até a fonte da origem
das primeiras causas.
È debruçar-se sobre a ‘mesa’
coberta de raizes debulhadas
– Para inferir-se algo novo
que, poderia tornar-se
em nada mais do que num
de “Colombo ovo…”; Todavia
seria um conhecer probo!
Um saber verdadeiro, genuino
e sem parecer uma ovelha,
quando não se passa
de um lobo…
Um saber probo exige
– leitura, pesquisa, debate;
Muitas noites não dormidas…
Trocar frases faceis
por complexos pensamentos
de construções inauditas.
Conhecer lingua pátria
tal como a deixaram
nossos passados.
Jamais nivelá-la por baixo…
Elevar o povo para cima!..
Que ele saiba falar
com elegância
e rima!..
F i m c a p III --------------------------------------------------