Pensares diferentes

Os pensamentos ligeiros

Querem dizer-me que
Na escala cíclica evolutiva
já fui diversos seres:
um ser-em-si,
ser-para-outrem,
ser-para-si;
agora, ser-em-si-para-si...
 
Dito melhor, será mais claro
se especifado se der o faro
-- histórico, é claro...
 
homo erectus,
homo habilis, e
homo sapiens.
 
Hoje,
para o desencanto da natureza,
eu sou um homo cosmicus
-- ponto final da grande escala:
chegada noológica cabal...
 
Na minha longa caminhada
pisei a passarela anoxigênica,
pisei, também, o palco oxigênico.
 
Sou um projeto concebido
nas eras paleo-meso-cenozóicas
e fui testado 'in vitro' ainda
no terço-quater - pleistoceno.
 
Hoje,
sou sucessor direto do
dryopitecus australo, e
pithecanthropus-erectus.
 
Em levantando os meus olhos
para os altos,
eu vi -- ainda vejo
Estrelas vermelhas exaustas
incapazes de acalentar vidas
em seu seio, porque --
assim eu creio,
estão na fase
apocalíptica da sua evolução.
 
É o final... A solução!
 
Já fui erectus...
Projeto original em mutação.
Que incrível confusão!..
 
Hoje,
sou homo cosmicus
-- ponto final
da grande evolução!?
05/23/2008
 
1.
O não saber não é vergonha;
vergonha é pensar saber
sem ter a noção das causar
do conhecimento do saber...
 
2.
O poeta é um artífice da linguagem
porque a cinzela a todo instante,
dando-lhe sempre formas novas --
revelando seus aspectos conotantes,
inusitados, e seus significantes...
 
3.
Um poeta formatado
é a realização de um projeto
espiritualmente projetado.
 
4.
Não são as leis naturais
que regem a expressão
das formas sentimentais.
 
São sentimentos,
em seus sublimes momentos,
que transformam as leis materiais.
 
5.
Um sábio pode não ser poeta;
mas um poeta
sempre será um sábio.
 
6.
Formas - sonata
nada mais são que um poema
-- expressão sonora
em forma - de - batucada.
 
* * *
 
Tempo real,
objetivo,
de controle cronográfico
e cronológico.
 
Na verdade, um tempo real.
 
De duração limitada,
em parcelas desdobrado -
formando pontos discretos
de uma matriz estética,
socialmente identificados...
 
Mas, é o tempo que voa.
 
Tempo de horas passando,
minutos batendo,
segundos fluindo.
 
Tempo de dias se esgotando.
Tempo de meses se consumindo.
Tempo de anos se destruindo.
 
Tempo que marca rugas,
que envelhece os corações,
que entorpece as ilusões,
que põe um "basta" a tudo!
Ponto final
de todas as  concepções!?
 
Porém, há um outro tempo.
 
Um tempo subjetivo:
irreal,
mas efetivo!..
 
A sua duração atemporal
dá-lhe uma ordem interior
-- para alguns, sentimental.
 
Será reflexo pálido
do tempo exterior?
 
É o tempo dos processos sentimentais.
 
De percepção vivencial.
De duração existencial.
 
Cabe a nós
-- a cada um de nós,
fazê-lo intenso e durável.
Que tempo inimaginável!
 
Tanto quanto o for possível,
tanto o quanto for desejável,
façamos dele -- um tempo durável.
 
* * *
 
Pensando comigo mesmo 
 
Pensamentos, meus pensamentos!
Por que vós sois os meus tormentos?
Por que vos transformastes,
numa folha amorfanhada,
em fileiras de assombros
e, também, de lamentos?..
 
Deverieis dar-me apontamentos
de algumas coordenadas -- que
fizessem dos meus passos
caminhar firmes pisadas.
 
No entanto, eis-me em pranto --
o que devo decidir?
Olho à esquerda, vejo sombras;
à direita, nada posso distinguir.
Que tamanha encrusilhada!..
 
Ou me safo,
ou me sumo num por "vir"!..
 
Que tragédia!
Há quem possa me ouvir?
 
Pensamentos, meus pensamentos!
Por que sois vós os meus tormentos?
04/01/2009
 
Catarse moral
 
As tumbas do mundo se abriram.
Catarse moral dos humanos pariu
--- tantas desgraças, insultos:
seculares cadeados cairam, agora.
Tudo, que era escondido, emergiu!
 
Mas por que demorou, tanto tempo,
a moral de fachada se auto - ruir?..
Um sepulcro --- caiado por fora; lá,
por dentro, fedia as desonras:
assim salpicava-se os dias do vir!..
 
Mas não basta as lájeas se abrirem
-- é preciso fazer-se autópsias reais.
Descobrir-se o que foi vilipendiado --
pela soberba dos homens, é vital. E,
partir em restauro da base moral...
 
04/18/2009