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Rasul Gamzatovych Gamzatov
24-11-2013 07:51Расул Гамзатович Гамзатов -- "Жизнь капризна"
Rasul Gamzatovych Gamzatov (1877—1951)
Natural de Daguestão. Destacado poeta, publicista e
político russo e soviético.
Tradução da poesia, do russo, por Mykola Szoma
A vida
A vida é caprichosa.
Todos estamos sob o seu domínio.
Nós murmuramos e nos queixamos da vida.
... Quanto mais dificil é ela, mais perigosa é
-- Por isso mesmo,
desmesuradamente, a amamos.
O meu caminhar em nada é facil,
Estrada esburacada, barrancos
-- segure-se, para não cair!
E ninguém ainda nem pensou, por deus,
Em nada melhor do que se poder viver.
A guerra
22-11-2013 16:18A guerra
(Irã x Iraque,1980 - 1988)
São todos irmãos.
Fustigam-se mutuamente
e ambos se esbatem.
Na guerra sangrenta
suas vidas maltratam:
Num banho de sangue
se afogam!
Só restam escombros
- crueis testemunhas
da guerra nojenta
que milhares de vidas
ceifou...
O eco ressoa
dos gritos perdidos
no retombo dos canhões
-- Clamores nos chegam
pedindo socorro.
Aos donos da morte,
suplicam clemência.
Aos brados,
imploram perdão!
Mas o peito de aço,
Incensível às dores alheias,
orgulhoso mais forte bafeja,
Vomitando da morte o veneno.
Empostando, na tribuna,
mais e mais,
o esbravejado troveja!
Já lampeja!
E já, relampeja!..
Retumbantes discursos se ouve.
Pela paz, se proclamam nações:
Assembléias,
Conselhos,
Conclaves -- Debates à toa...
No fundo, mais mortes esperam
saciando os desejos
das torpes paixões!
Recursos expressivos
22-11-2013 15:35
Recursos expressivos
do fa-lar
do co-ti-di-a-no
não são os mesmos
recursos expressivos
do escrever
poemas
prosa e
coisas tais
pouco banais
num código de signos
suas regras de combi
nação
regem o formato con
textual
concatenando
o referente
ao referido
estabelecendo
o processo de
comunicação
No falar
o significante
é um fo-ne-ma.
Na lingua escrita
o significante
é um gra-fe-ma...
Eis aqui que está
a diferenciação,
concernente ao tema.
O teu discurso
22-11-2013 09:16
O teu discurso recortado
é tão estúpido,
quanto estúpido és tu...
Diz nada com nada;
Serve apenas de chamariz,
de alimento de "urubu"!
Por entre risos e soluços
-- Eu tento entender
o teu inconsequente
chauvinismo, de seres tu:
de plagas outras,
que não as daqui.
Porém, da tua estupidez,
o anacoluto da tua fala,
a minha mente enoja.
Faz-me corar de pasmo...
Estremece-me o chão!
Eu sinto-me um pacato
Frente à tua sordidez
de entulhar as mentes
de fanatismo barato.
A melodia, das tuas frases, entoa
Nada mais que o discurso de Thor.
Por entre risos e soluços,
Tu acentuas a desdita, semeando
Prantos de uma esperança inútil
E crias, na Terra, o desamor!..
As tuas frases, sem base,
Fazem-me tremer e
A tua insensatez,
Faz de ti um aszno!
Faróis
22-11-2013 07:16
Faróis nunca se apagam,
Iluminam as estradas;
São fileiras de estrelas,
que imitam os vagalumes
-- Correm ligeiros,
Ultrapassando
alguns dos seus parceiros.
O destino seu
é um destino qualquer.
São os olhos,
de um comboio de carros:
Subindo, descendo;
Só vendo à frente.
Varrem -- de terra,
a areia, em forma de pedras,
que cobre os ziguezagues,
das estradas sem fim...
São atalaias dos --
jovens, velhos e crianças
-- Eternos viajantes,
Que fustigam os caminhos,
que parecem --
serpentes de asfalto,
Quando as batidas cessarem
21-11-2013 11:12Quando, em meu peito,
fraquejarem as batidas,
do coração já cansado;
Quando a minha boca,
não mais se mover,
para poder bocejar;
O sono das noites comuns,
não terá mais me rondado;
O sono eterno então terá,
de mim, a conta tomado --
em seu lugar.
Porém, antes do evento,
terei dito com Augusto:
"Acta est fabula, plaudite!".
E descansarei em paz...
Repousarei pela eternidade.
Entre as partículas atômicas,
das areias monazíticas;
Transformarei os ideais
-- sonhados aqui na Terra,
em preciosas pedras escarlates
Dando-lhes a forma de coração.
Jamais o sono meu será perturbado.
Jamais ouvirei o roçar dos andalins
-- por entre as águas salinas,
calmamente deslizando. E,
Nem mesmo de ti me lembrarei,
minha querida. Que um dia te amei!
Estarei imóvel -- eternamente,
para os que ainda ficarem. Alguns
ao menos levemente,
ainda de mim se lembrarão. Dirão:
"... veja, o seu coração navega
por entre aqueles sargaços, que
enfeitam as costas arenosas
dessas águas tropicais ..."
Mas, se alguém se atrever
a cavar as areias, para delas
o minério escarlate extrair e
o meu repouso transtornar;
Então, em bomba "A" me tornarei e
O mundo louco explodirei!..
Porque perturbaram o meu sono justo,
dos homens incautos me vingarei!
_________________________________
andalins (andalim) =
espécie de alga (do tipo sargaço)
que dá nas costais tropicais e que
se estende pelas areias das praias
Seres estranhos
20-11-2013 15:51
São coisas de doido!
...outros planetas
-- seres estranhos
Distantes de nós,
por que nos visitam?
Ou, são nossos irmãos,
camuflados de seres distantes,
por nós -- Os seus ideais...
De algum modo, precipitam?!.
Fazendo-nos crer
'São de outros planetas'.
Seus raios incidem
-- são ondas de falas;
Querem dizer-nos que são?
-- Não são tão esquisitos!
Mais aflitos que nós;
São auto-circunscritos...
Do espaço, são seres aflitos.
De mundos distantes,
protagonizam a sorte... Viver
sobre asas -- Fingem ser aves
Querem unir
os polos do sul e o do norte.
Transporte da vida
para além da morte... E sorte
que tenha, quem possa a ter!
Fustigem-se os nervos de aço
Castiguem-se os desejos de espaço
Mastiguem-se os encontros de sonhos!
De sorte que
'Dream Colourfully' nos ilumine --
Talvez, deixemos de sermo pensantes,
para sermos alguém que apenas 'R U MINE'.
Será o que querem de nós?
Seres estranhos
de outros planetas
por que nos visitam?
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"R U Mine" é uma canção da banda de rock
britânica Arctic Monkeys. A canção foi lançada
para download digital em 27 de fevereiro de 2012
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"Dream Colourfully"
Beautiful art installation entitled
“Dream Colourfully” by designer
Adrian Koh for Dream Interiors
Tudo segue seu rumo
20-11-2013 06:07
Flutuam no espaço
-- perdidas,
gaivotas de aço.
O espaço infinito perdeu-se
-- também,
por traz do horizonte infinito.
As ondas nubladas
-- de vultos cinzentos,
escorregam,
como se fossem trenós,
debaixo dos lençóis dos céus.
Ziguezagueando,
Resenhas da morte
-- anunciam,
Perdidas no espaço
As gaivotas de aço.
Desenham, a esmo,
os seus titubeios. Será hoje?
Talvez, amanhã!? Não importa!
A porta abriu-se da sorte fatal:
Sem mais delongas,
o discurso acabou(-se)...
Haverá um alguém triunfal?
Dos seres humanos
desedenha-se a vida...
Napalm ilumina as noites escuras.
De fulgor rastejante
os céus se incendeiam. O esplendor
-- como um feixe de raios solares,
com seu brilho fugaz
-- num rastro de rizomas,
faz o coração estremecer!
Haverá vida para viver?
São gaivotas de aço
-- luziluzindo...
Perdidas no espaço;
Flutuam em forma de cruz.
Refletem os raios solares,
ofuscando a própria luz!
Тиж бо забула
19-11-2013 10:20
Твої очі чомусь неправдиві --
Повертають не сльози, а сміх.
Що з тобою? Чи тиж бо забула
що моя уже була? -- Я був твій?
Тай сьогодні чужі ми з собою --
Кожен з нас мандрує свій шлях!
Як той птах, я літаю свобідний.
А тебеж не забув до сьогодні;
Ти зав’язала мій світ у собі --
Я блукаю немов лев голодний!
Ти ж смієшся, забула про мене?
Усім кажеш: "Така доля є всіх!"
-- Хто кохає, себе сам забуває;
Своє серце розплавляє як сніг...
Твої очі чомусь неправдиві --
В них я бачу, не друге як сніг!
Викидаєш те, чого не бажаєш
-- Знаю: Ти мене іще кохаєш!
Даю раду. Хоч прейми, хоч ні.
Знайже: Я тебе дуже кохаю --
Твої очі чомусь неправдиві.
Повернися!.. Звесели мої дні!
Твої очі чомусь неправдиві --
Повертають не сльози, а сміх.
Aos Letrados
18-11-2013 11:50
Letrados da Terra,
A vós me dirijo!..
Pergunto "Sois vós,
na verdade, o que?"
Qual foi o fruto do vosso ventre?
Ou, vós não tendes parir porque!
A prostituta, em dar à luz;
Mesmo indesejável o seu rebento,
Produz o seu fruto. Também seduz!
E a sua sedução é eficiente
-- Completamente eficaz!
Supre de carícias o mercado,
Trazendo aos homens --
ao menos, um pouco de falsa
e insaciável paz...
Letrados da Terra!
Calastes por que?!
Por que não tocais os tambores,
não dedilhais as trombetas,
não fremeis os sonoros clarins?
Agitando bandeiras,
por que não gritais? Por que?..
Letrados da Terra,
Sois vós o que? Onde estais?